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Tim e Beverly Lahye   O Ato Conjugal

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pela ideologia humanística de nosso sistema 
educacional na questão do planejamento familiar, que consi-
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deravam o ato de evitar filhos um gesto patriótico. Contudo, 
eu suspeitava de que seu verdadeiro motivo (e eu lhes disse isso 
pessoalmente) era um sentimento egoístico. A essa altura, a 
mulher ficou irritada, e expôs toda a lavagem cerebral que 
recebera, soltando a célebre frase das femininistas: "E o que 
você pensa que eu sou, uma fábrica de bebês? Quero seguir 
minha carreira." 
Um jovem pastor, que estudara quase sempre em escolas 
públicas, afirma: "O texto de Gêneses 1.26 não tem mais 
validade hoje; o mundo já está superpopuloso. O senhor 
deveria estar aconselhando as pessoas a reduzirem o número 
de filhos." Então repliquei: "Quem disse que Gênesis 1.26 é 
obsoleto? Deus é a única pessoa que pode revogar seus 
mandamentos, e, que eu saiba, não há nenhum versículo do 
Novo Testamento que anule o de Gênesis 1.26." 
Outros ainda apresentam a desculpa de que "os dias em 
que vivemos são tão terríveis e a situação do mundo é tão 
sombria, que não temos o direito de dar vida a filhos, para que 
vivam nessa confusão que nós mesmos criamos." É o argumen-
to da falta de fé. As pessoas que apresentam esta tese não 
lembram que as condições morais do primeiro século, sob o 
domínio tirano de Roma e a cultura coríntia dos gregos, eram 
piores do que as nossas. Os filhos dos cristãos do primeiro 
século conseguiram sobreviver; os nossos também consegui-
rão. Mas precisaremos viver diante deles pelos princípios que 
lhes ensinamos: em obediência aos mandamentos de Deus e na 
plenitude do Espírito Santo. 
Nós, pessoalmente, não aceitamos a culpa pela confusão 
em que o mundo se encontra. Os princípios de Deus, aos quais 
dedicamos nossa vida, não criaram este problema; foi o fato 
de a liderança nacional havê-los rejeitado que deu nisso. A 
aceitação de nosso Senhor e Salvador não deixa a humanidade 
em desespero, mas, sim, a rejeição dele. Os humanistas 
repudiaram o plano de Deus para a sua vida e para o destino 
das nações; portanto, devem aceitar a culpa da degradação 
moral resultante. 
RAZÕES PARA SE TER FILHOS 
Antes de examinarmos as razões para a limitação do 
número de filhos, e os métodos para isso, gostaríamos de 
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apresentar quatro razões por que os casais crentes devem de-
sejar filhos. 
1. As crianças são um dom singular de criatividade eterna. 
Deus condedeu a marido e mulher uma capacidade singular, 
não concedida a nenhuma outra criatura do universo, isto é, a 
de produzir outro ser humano com livre arbítrio, uma alma 
eterna, e a capacidade de transmitir esse dom singular aos 
seus próprios filhos. Resumindo, marido e mulher têm a 
capacidade de produzir um ser eterno. Onde essa pessoa vai 
passar a eternidade fica inteiramente a critério dela. De certo 
modo, quando um casal crente resolve não ter filhos, estão 
privando uma criança em potencial de receber a benção em 
potencial da vida eterna, que Deus determinou que recebesse. 
A observância do mandamento divino de Gênesis 1.26 soluci-
ona este problema. 
2. Os filhos são uma bênção para toda a vida. O salmista 
afirma: "Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre o 
seu galardão... Feliz o homem que enche deles a sua aljava." 
(SI 127.3,5.) Por vezes, os homens consideram os filhos como 
"uma grande responsabilidade", "um peso financeiro", ou 
"um acidente", mas a Bíblia os considera "uma bênção". 
Seríamos os últimos a minimizar os problemas e tristezas 
envolvidos na criação de filhos. Criamos quatro. Perdemos 
um. E nesse processo, enfrentamos doenças, fracassos, dificul-
dades financeiras, e quase todos os tipos de problema que as 
crianças e jovens podem trazer aos pais. Mas, após vinte e oito 
anos de matrimônio, podemos afirmar, com toda sinceridade, 
que as alegrias e bênçãos proporcionadas por nossos filhos 
valem muito mais que quaisquer sacrifícios feitos. Aliás, eu e 
minha esposa estamos de acordo no fato de que não existe 
alegria maior que ver nossos filhos andando na verdade. Eles e 
os netos que nos deram constituem nossa maior bênção, em 
termos de seres humanos. 
Alguém já disse que, segundo a tradição judaica, a "aljava" 
de flechas (v. 5) era em número de cinco. Se isso for verdade, 
será que a bênção de que Deus fala aqui não abrangerá pelo 
menos cinco filhos? Recentemente, realizei um casamento, e a 
noiva me disse que queria seis filhos: "Na minha família 
somos seis irmãos, e foi tudo tão bom, que eu gostaria de ter os 
meus seis." 
3. Os filhos são uma prova tangível do amor do casal. 
Gerar filhos não é apenas um ato biológico. Quando o casal se 
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torna "uma só carne", os dois unem seus gens, na maneira por 
Deus estipulada, e produzem uma pessoa de uma só carne, 
que é uma combinação dos dois. Portanto, o plano de Deus 
era que os filhos fossem uma manifestação do amor dos pais. 
Felizmente, ainda há crianças que são assim consideradas 
pelos seus progenitores, são uma "herança" que proporciona 
"bênção". Somente a paternidade possibilita ao indivíduo 
enxergar alguns traços da pessoa amada ligados aos seus, em 
outro ser humano. 
4. Os filhos realizam um desígnio de nossa mente. Deus 
nunca ordena ao homem que faça nada que não esteja de 
acordo com sua estrutura mental. O melhor modo de se 
descobrir os mecanismos mentais do homem é estudar os 
mandamentos de Deus na Bíblia. Pois ele colocou na mente do 
homem uma estrutura psíquica que só opera harmonicamente 
quando este obedece aos seus mandamentos. Damos a isto o 
nome de "ato natural". Ê "natural" ao homem casar, gerar 
filhos, e tornar-se avô. Seria preciso que a mente humana 
fosse seriamente modificada, para achar antinatural ser pai 
ou mãe. Deus conferiu à psique do homem certos instintos que 
operam em harmonia com os mandamentos dele, e isto 
produz aquela sensação de equilíbrio natural tão necessária a 
uma vida feliz. A paternidade é um desses instintos. Quanto 
aos casais que não podem ter filhos, "a graça de Deus lhes 
basta". Mas, para aqueles que se recusam egoisticamente a 
gerar filhos, o desejo humano natural de viver em família 
resultará numa vida vazia e frustrada. 
O principal inimigo da felicidade é o interesse próprio. 
Nada melhor para uma pessoa amadurecer e sair das limita-
ções do egoísmo, do que ter sob sua guarda um filho seu. O 
fato de que muitos adultos nunca atingem a maturidade ou de 
que são cruéis para com os filhos não altera a verdade de que, 
para a maior parte deles, os filhos são uma bênção da qual 
necessitam para realizar não somente seu destino, mas, 
também, seu objetivo na vida. 
PATERNIDADE PLANEJADA 
A vista do que dissemos acima, o leitor pode pensar que 
rejeitamos todo e qualquer planejamento familiar, mas isso 
não é verdade. A Bíblia não diz nada sobre o número de filhos 
que cada pessoa deve ter aqui na terra. Deus deixa a nosso 
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critério esta decisão. Nós, pessoalmente, cremos que ele não é 
contrário à limitação de filhos, mas cremos também que ele é 
contrário à supressão total deles. 
Quase todos os crentes hoje parecem aceitar a idéia de 
limitar o número de filhos. Por que afirmamos isso? Segundo 
a ciência médica, uma mulher normal, se não utilizar nenhum 
tipo de controle, pode ter até vinte filhos durante os anos de 
fertilidade. E como nunca encontramos uma família com vinte 
filhos, concluímos que todos estão utilizando um ou outro 
meio para redução desse número. Encarando o fato de modo 
realístico, cremos que cada casal deve colocar no mundo, com 
oração e planejamento, o número de filhos que julga poder 
educar corretamente para servir a Deus, recebendo cada um 
como uma dádiva dele. 
MÉTODOS DE CONTROLE DE NATALIDADE 
Os métodos de controle de natalidade podem ser de dois 
tipos: reversíveis ou irreversíveis. Consideraremos, primeira-
mente,