A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
41 pág.
VIROLOGIA VETERINÁRIA

Pré-visualização | Página 1 de 10

VIROLOGIA VETERINÁRIA - Newton Mello
RITA E TATIANA
PROVA 01
Aula 01 - Morfologia e Replicação Viral
1. Características gerais:
- São partículas extremamente pequenas
- Basicamente proteínas + material genético
- São parasitas intracelulares obrigatórios
- Possuem apenas 1 ácido nucleico (DNA ou RNA), e o processo de replicação vai variar de acordo com o genoma e os tipos de proteínas virais
- Realização da técnica de PCR: necessário uma enzima DNA polimerase (Taq polimerase), uma enzima resistente a altas temperaturas. Com essa técnica é possível fazer a genotipagem viral para determinar reconhecimento, propriedades etc
- Estrutura viral: ácido nucleico, capsídeo (cápsula proteíca), enzima viral, envelope (presente em alguns vírus)
→ Genoma: sequência de nucleotídeos que será transcrita e traduzida, a sequência de nucleotídeos do genoma é o que dá a cada vírus suas características, determinando apresentação clínica das doenças causadas pelo vírus. Podendo ser: DNA ou RNA fita simples, dupla fita ou circular
→ Capsídeo: cápsula formada por proteínas, responsável por manter o genoma íntegro até chegar a célula-alvo. Em vírus sem envelope, será o capsídeo a parte mais externa, sendo responsável pela ligação com os receptores celulares da célula-alvo. Podendo ser: icosaédrico, helicoidal ou estrutura complexa
→ Envelope: surge a partir de membranas celulares. Em vírus envelopado, será a parte mais externa, sendo o que irá fazer a ligação a receptores celulares da célula-alvo. As partes mais externas dos vírus (capsídeo ou envelope viral) terão na estrutura fatores determinantes antigênicos, quais serão importantes para se defender do sistema imune, além de possuírem proteínas de ligação. Podendo ser: complexo, helicoidal, icosaédrico
→ Alguns vírus irão carregar enzimas essenciais para o processo de replicação, pois não terão na célula. Ex: há vírus que não encontrarão polimerase na célula própria para sua replicação, necessitando carregar sua enzima para o processo replicativo.
→ Vírus envelopados/não-envelopados irão possuir características e mecanismos de resistência diferentes. Ex: para destruir o envelope viral usa-se produtos como detergentes, o que irá inativar a partícula viral (destruirá a camada mais externa, qual liga a célula-alvo. Para inativar o vírus não envelopado usa-se, por exemplo, desnaturante de proteínas, como hipoclorito, formol etc. De modo geral, vírus não envelopados são mais resistentes ao ambiente, podendo resistir, por exemplo, a determinadas variações de pH, até encontrar a célula-alvo.
→ Alta variabilidade genética: para aumento do número de hospedeiros suscetíveis e mecanismo de proteção contra o sistema imune, podendo deixar o vírus mais patogênico). Essa alta variabilidade genética ocorre principalmente em vírus de genoma RNA.
→ DNA polimerase: vírus com genoma DNA geralmente vão iniciar a replicação dentro do núcleo celular, pois a DNA polimerase é uma enzima normalmente encontrada no núcleo da célula. A DNA polimerase DNA dependente é capaz de reparar possíveis erros na sequência dos nucleotídeos e, com isso, diminui a chance de ocorrência de mutações em vírus de DNA.
→ RNA polimerase: RNA polimerase RNA dependente - não existe célula viva na natureza que possua essa enzima, porque segue-se sempre o dogma central da biologia: DNA → RNA → PTN. Possui baixa ou nula capacidade de correção de eventuais erros, por isso, a chance de mutações dessas partículas virais são altas.
2. Replicação viral:
- 1ª fase: ADSORÇÃO: fase em que o vírus ancora na superfície celular. A ligação ocorre em sítios específicos da célula-alvo. Receptores celulares são componentes como: carboidratos, proteínas etc. Alguns vírus possuem células-alvo em mais de um tipo celular. Suscetibilidade celular: presença do receptor para o vírus.
- 2ª fase: PENETRAÇÃO: após se ligar corretamente, no receptor específico, o vírus penetra a célula de três formas: translocação, endocitose mediada por receptor, fusão.
→ Translocação: passagem direta da partícula viral através da membrana celular por poros (menos comum).
→ Endocitose mediada por receptor: processo em que a célula emite projeções para englobar as partículas virais e transportá-las para dentro do citoplasma da célula em vesículas citoplasmáticas. A diminuição do pH provoca desestabilização das membranas (da vesícula e do envelope, se houver), liberando o nucleocapsídeo do vírus no citoplasma.
→ Fusão: exclusivo para vírus envelopados. Após a adsorção, o envelope se fusiona com a membrana celular e o nucleocapsídeo é liberado no citoplasma.
- 3ª Fase: REPLICAÇÃO: 1ª fase: fase precoce, corresponde a primeira sequência de genes transcritos e traduzidos, com produção de proteínas de fase precoce (early - proteínas não estruturais) que interrompem o funcionamento normal da célula. 2ª fase: utilização do DNA/RNA para produção de novas cópias do genoma (late). 3ª fase: produção de proteínas estruturais (late) com formação, por fim, de novas partículas virais.
→ RNA+: necessita de RNA polimerase RNA dependente. Início do processo de replicação no citoplasma > formação de proteínas virais. Age diretamente como RNAm e ocorre a síntese de proteínas virais. A formação do genoma ocorre pela RNA polimerase RNA dependente, qual polimeriza uma fita de RNA- utilizando RNA como molde. Esse RNA- servirá de molde para novas fitas complementares de RNA+, quais irão compor a nova partícula viral. Ao final, proteínas estruturais e genoma se unem e formam as novas partículas virais.
→ RNA-: não age diretamente como RNAm. A RNA polimerase RNA dependente polimeriza uma fita RNA+, qual vai agir como RNAm para síntese de proteínas virais para produção do capsídeo. O RNA+ servirá como molde para a produção de novas cópias de RNA-, qual irá compor novas partículas virais.
→ RNAdf: a fita positiva fica inativa e a replicação ocorre pela fita negativa. A RNA polimerase RNA dependente polimeriza RNA+, qual vai servir de molde para novos RNA- complementares. Ao fim, a RNA+ irá formar com RNA- novo genoma, qual se unirá com o capsídeo para formação de nova partícula viral.
→ DNA: atravessa para o núcleo, onde encontrará a DNA polimerase celular. Alguns vírus de genoma DNA se replicam melhor na fase de divisão celular pois a quantidade de DNA polimerase no núcleo se expandirá. DNA polimerase fará novas cópias de DNA, qual será transcrito em RNAm para produção de proteínas virais, qual junto com o DNA recém formado irá compor novas partículas virais.
→ Retrovírus: genoma RNA. Utiliza transcriptase reversa, DNA polimerase RNA dependente e integrase, qual insere o DNA viral no DNA da célula hospedeira, fazendo com que as células-filhas carregam a informação genética do vírus. Associados a doenças crônicas. Utiliza um RNA como molde para produção de DNA, qual é integrado ao genoma do hospedeiro e, posteriormente, transcrito em proteínas pela RNA polimerase DNA dependente. Células de defesa se formam já com essa informação viral integrada no genoma, gerando depressão imune.
- 5ª fase: MATURAÇÃO OU MONTAGEM: proteínas virais estruturais se associam espontaneamente, formando o capsídeo, onde o ácido nucleico é inserido.
- 6ª fase: LIBERAÇÃO: vírus não envelopado: lise celular. Vírus envelopado: brotamento ou exocitose. De qualquer forma a célula morre.
Aula 02 - Patogenia das viroses e resposta do hospedeiro às infecções virais
→ Mesmo quando há receptores para o vírus, não há garantia que haja replicação, pois esse processo dependerá da permissibilidade da célula a replicação viral. Quando a infecção leva a produção de partículas virais dizemos que é infecção produtiva. Ex: parvovírus faz replicação somente em células mitóticas, pois usa DNA polimerase. Portanto, a célula somente é permissível a replicação viral do parvovírus quando em fase mitótica. Se não houver a produção de partículas virais, denomina-se infecção abortiva.
	1. Patogenia: mecanismos pelos quais os vírus induzem doença