Resumo de Cirurgia Bloco 3   Anna Alvarães
95 pág.

Resumo de Cirurgia Bloco 3 Anna Alvarães


DisciplinaCirurgia3.582 materiais40.401 seguidores
Pré-visualização30 páginas
do aneurisma pode ser feito com microcirurgia para clipagem, embolização com 
molas para trombose ou stents \u201cdesviadores de fluxo\u201d. A clipagem deve ser feita com extremo 
cuidado para não ocluir a artérias e causar um infarto extenso. 
Aneurismas que não romperam devem ser analisados de acordo com idade, presença de 
hipertensão, tamanho, localização e região geográfica, que são fatores preditores de sangramento. 
Malformações vasculares encefálicas 
As anomalias venosas são as mais frequentes, seguidas das arteriovenosas e as cavernosas. Os 
cavernomas são capilares transformados em cavidades anormais, recobertas por endotélio e sem 
tecido cerebral de permeio. Lesões congênitas geralmente apresentam-se com hemorragia 
intracerebral, crises convulsivas, cefaléia e déficit progressivo. Afeta pacientes em idade mais 
precoce que aneurismas cerebrais. 
O tratamento das MAVs pode ser feito com microcirurgia para ressecção, embolização isolada, 
embolização pré-operatória, embolização, ressecção e radiocirurgia, radiocirurgia isolada ou 
embolização e radiocirurgia. 
Os cavernomas são bastante prevalentes na população geral (0,5%), mas são altamente 
subdiagnosticados. Podem ser assintomáticos, se apresentar com epilepsia ou déficit focal. Eles 
 
73 Cirurgia \u2013 Anna Luiza Alvarães 
representam regiões de ruptura da barreira hematoencefálica, que se manifesta com imagem em 
\u201cpipoca\u201d na ressonância magnética. As estatinas são capazes de estabilizar os cavernomas. 
Insuficiência vertebro-basilar 
A insuficiência vertebrobasilar é definida como uma rápida diminuição da irrigação sanguínea no 
território da artéria basilar, por compressão da artéria vertebral na altura das vértebras cervicais, 
entre C1 e C7, gerando sintomas que no seu conjunto são conhecidos por síndrome vertebrobasilar. 
A causa mais comum da insuficiência vertebrobasilar é a arteriosclerose. A artrose cervical e a 
presença de osteófitos também podem deflagrar a anomalia, levando à síndrome vertebrobasilar. 
Outras causas de compressão da artéria vertebral podem ser: compressão pelo músculo escaleno, 
pelo ligamento vertebropleural e pela aponeurose cervical profunda, rotação da vértebra atlas (C1) 
sobre a vértebra áxis (C2), espondiloartrose da coluna cervical, obstrução da artéria subclávia, 
malformação congênita das vértebras, déficit circulatório no sistema das carótidas internas, 
traumatismo cérvico-cefálico, luxação da coluna cervical, deslocamento brusco anteroposterior da 
cabeça e hipoplasia ou agenesia de uma das artérias vertebrais. 
As alterações das vértebras cervicais que causam uma diminuição dos foramens vertebrais e outras 
anomalias morfológicas da área podem estrangular as artérias vertebrais que transitam pela região 
e causar a insuficiência vertebrobasilar. A insuficiência vertebral pode demonstrar seus efeitos de 
uma forma mais efetiva durante movimentos bruscos da cabeça, sobretudo rotação. 
Os sinais e sintomas mais comuns da síndrome vertebrobasilar são náuseas, vômitos, sensação de 
desmaio, nistagmo, tontura, turvação visual, vertigens, disfagia, rouquidão, hipoestesia da 
hemiface, ataxia e hipoestesia térmica e dolorosa. Dependendo do nível do comprometimento 
circulatório, podem incluir a associação de ataxia, hemiplegia, lesão do sétimo nervo periférico, 
oftalmoplegia, surdez, zumbidos e mioclonia do palato. 
A oclusão ou estenose da artéria basilar geralmente origina sinais bilaterais. O paciente geralmente 
relata vertigem postural nas rotações da cabeça e nos movimentos de flexão e extensão do 
pescoço, o que normalmente vem acompanhado de um quadro de sintomas de comprometimento 
da coluna cervical, como mialgia, dor de nuca, dores irradiadas aos ombros ou ao braço, parestesias 
nas extremidades e cefaleias. 
Uma boa anamnese dá uma impressão clínica razoavelmente precisa. Alguns exames de exploração 
devem ser feitos para confirmar o diagnóstico: tomografia computadorizada, radiografia da coluna 
cervical, eletrocardiograma e ressonância magnética. Embora as radiografias da coluna cervical 
sejam importantes para confirmar o diagnóstico, podem ser normais em quadros exclusivamente 
inflamatórios. 
A "manobra da artéria vertebral" quando positiva auxilia no diagnóstico da síndrome 
vertebrobasilar. Com o paciente colocado em decúbito dorsal e com a cabeça para fora do leito, 
 
74 Cirurgia \u2013 Anna Luiza Alvarães 
realiza-se uma hiperextensão da cabeça, leve inclinação e rotação lateral da cervical, mantendo 
essa posição por no mínimo trinta segundos. Quando positiva, o paciente relatará tontura e poderá 
apresentar nistagmo. 
O tratamento da síndrome da artéria vertebrobasilar deve conceder especial atenção à perfusão 
sanguínea e observar a presença de vômitos e hemorragias. A fisioterapia deve oferecer 
orientações ao paciente quanto ao posicionamento adequado no leito, proporcionar relaxamento 
muscular por meio de exercícios, massagens ou aplicações de calor, fazer tração manual com a 
coluna retificada e alongamentos da musculatura posterior da cabeça. 
A síndrome vertebrobasilar pode evoluir para um acidente vascular cerebral isquêmico ou ataque 
isquêmico transitório. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
75 Cirurgia \u2013 Anna Luiza Alvarães 
Aula 15 \u2013 Princípios da Cirurgia Oncológica 
O câncer é uma desordem que resulta de transformações complexas da célula. O comportamento 
dessa célula modificada e a resposta do hospedeiro à sua existência são responsáveis por todas as 
manifestações da doença. 
As propriedades das células malignas são divisão celular desregulada, desdiferenciação, 
instabilidade genômica, perda do processo de envelhecimento e invasão de tecidos adjacentes. 
Tanto a cirurgia quanto a radioterapia fornecem controle local da doença, enquanto a 
quimioterapia controla sistemicamente o câncer. 
O tratamento multidisciplinar do câncer é fundamental, visto que 70% dos pacientes portadores de 
tumores sólidos apresentam micrometástases quando se apresentam pela primeira vez ao cirurgião 
oncológico. O câncer deve ser combatido com métodos efetivos e com os menores efeitos 
colaterais possíveis. 
Cerca de 90% dos pacientes oncológicos são submetidos a algum tipo de procedimento cirúrgico 
durante a evolução de sua doença. Ela é a modalidade terapêutica mais antiga no tratamento do 
câncer, não possui efeito carcinogênico e promove avaliação segura da extensão da doença. A 
cirurgia oncológica possibilita a citorredução do tumor primário ou mesmo de focos metastáticos. 
Existe um benefício psicológico ao paciente quando a cirurgia remove focos de necrose, 
sangramento ou compressão tumoral, mesmo quando ela é paliativa ou higiênica. 
O cirurgião oncológico é um fator de impacto no tratamento do câncer, melhorando as 
complicações cirúrgicas, a mortalidade pós-operatória e a sobrevida dos pacientes. 
As limitações da cirurgia oncológica são os riscos e morbidades advindos dos procedimentos 
cirúrgicos, perda de função, deformidades e incapacidade de curar casos com doença à distância. 
Um fator prognóstico é um marcador de qualquer natureza que tenha correlação com a sobrevida 
em uma determinada doença. 
O prognóstico da doença depende do diagnóstico microscópico, extensão local do tumor, presença 
ou ausência de metástases linfonodais ou hematogênicas, condição geral de saúde, estado 
psicológico e habilidade do cirurgião. 
O tratamento das neoplasias depende do diagnóstico clínico, microscópico, estadiamento e 
condições clínicas do paciente. O tratamento curativo tem como alvo a cura completa da doença, 
enquanto o tratamento paliativo visa à diminuição ou a estabilização da doença, além do 
tratamento das queixas e sintomas