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Resumo Geral de Hematologia

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discreto das transaminases hepáticas e 
da creatinina sérica e não se sabe seus efeitos a 
longo prazo. 
 
TERAPIAS EXPERIMENTAIS 
TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA, TERAPIA 
GÊNICA E MANIPULAÇÃO DAHbF 
 O tranplante de medula óssea vem sendo 
realizado em pacientes com talassemia β ou 
anemia falciforme no inicio da evolução da 
doença, antes da ocorrência de lesões de órgãos-
alvo, e é curativo em 80-90% dos casos. 
 A terapia gênica da talassemia e da 
anemia falciforme mostrou-se um objetivo ilusório. 
 A princípio, o reestabelecimento dos altos 
níveis de síntese de HbF melhora os sintomas da 
anemia falciforme e da talassemia β. São usados 
agentes citotóxicos, como a hidroxiuréia e a 
citarabina, que promovem altosníveis de síntese 
de HbF provavelmente ao estimular a proliferação 
de células progenitoras primitivas produtoras de 
HbF. Os butiratos também estimulam a produção 
de HbF, mas de modo transitório, sendo 
administrados em pulsos ou intermitente e 
sustentando eficientemente a indução da HbF em 
pacientes com anemia falciforme. 
 
CRISES APLÁSICAS E HIPOPLÁSICAS EM 
PACIENTES COM HEMOGLOBINOPATIAS 
 Os pacientes com anemia hemolítica 
algumas vezes exibem um declínio alarmante do 
Ht durante e imediatamente após uma doença 
aguda. Ocorre supressão da medula óssea em 
quase todos os pacientes durante doenças 
inflamatórias agudas e, como os eritrócitos 
nesses pacientes já apresentam sobrevida curta, 
as contagens de eritrócitos são radicalmente 
afetadas. Em geral essas crises hipoplásicas são 
transitórias e passíveis de autocorreção antes de 
surgir a necessidade de intervenção. 
 Quando há uma profunda interrupção da 
atividade eritróide em pacientes com anemias 
hemolíticas crônicas, com rápida queda do Ht, 
configura-se uma crise aplásica. Em geral os 
episódios são autolimitados, desaparecendo 
espontaneamente em 1 a 2 semanas. As crises 
são causadas pela infecção por uma cepa 
específica de parvovírus e em geral há 
desenvolvimento de imunidade permanente. O 
tratamento exige a monitoração rigorosa do Ht e 
da contagem dos reticulócitos. Caso a anemia se 
torne sintomática, indica-se suporte transfusional. 
 
 
Cânceres de células 
linfóides 
 
Originam-se de células do sistema imune em 
diversos estágios de diferenciação, resultando 
numa ampla variedade de achados morfológicos, 
imunológicos e clínicos. 
Alguns cânceres de células linfóides quase 
sempre se apresentam como leucemias 
(acometimento primário da medula óssea e do 
sangue), enquanto outros quase sempre ocorrem 
como linfomas (tumores sólidos do sistema 
imune). Entretanto outros cânceres de células 
linfóides podem manifestar-se das duas formas. 
Agentes infecciosos associados ao 
desenvolvimento de cânceres linfóides: 
Vírus Epstein Barr – Linfoma de Burkitt, linfoma 
após transplante de órgãos, linfoma difuso 
primário de células B grandes do SNC, doença de 
Hodgkin, linfoma de células T/NK extranodal tipo 
nasal. 
HTLV-1 – leucemia/linfoma de células T do adulto 
(LTA). 
HIV – Linfoma difuso de células B grandes, 
linfoma de Burkitt. 
HCV – Linfoma linfoplasmocítico. 
H.Pylori – Linfoma MALT gástrico. 
HHV-8 – Linfoma do derrame primário, doença de 
Castleman multicêntrica. 
O HTLV-1 infecta as células T e leva diretamente 
ao desenvolvimento de linfoma de células T do 
adulto (LTA) em uma pequena porcentagem de 
pacientes infectados. O vírus é transmitido por 
linfócitos infectados, ingeridos por lactentes 
amamentados por mães infectadas, pelo sangue 
ou sexualmente. O HTLV-1 também é a causa da 
paraparesia espástica tropical. 
 Imunologia: 
Todas as células linfóides derivam de um 
progenitor hematopoiético comum que da origem 
às linhagens linfóide, mielóide, eritróide, 
monocítica e megacariocítica. Mediante a 
ativação ordenada e seqüencial de uma série de 
fatores de transcrição, a célula torna-se 
inicialmente consignada à linhagem linfóide e, a 
seguir, produz células B e T. Uma célula torna-se 
consignada ao desenvolvimento de células B 
quando começa a sofrer rearranjo de seus genes 
de imunoglobulinas. Uma célula torna-se 
consignada à diferenciação de células T com sua 
migração para o timo e rearranjo dos genes dos 
receptores de antígenos da célula T. 
As leucemias que possuem o fenótipo de 
superfície celular imunológico de células mais 
primitivas (por exemplo, LLA de células pré-B) 
são menos agressivas e mais acessíveis à terapia 
curativa que as células da leucemia de Burkitt de 
aspecto “mais maduro”. O principal valor da 
determinação do fenótipo de superfície celular 
consiste em auxiliar o diagnóstico diferencial de 
tumores linfóides com aspecto semelhantes à 
microscopia óptica. 
 
- Neoplasias de células B precursoras 
(linfoma/leucemia linfoblástica de células B): 
 
O câncer mais comum na infância é a leucemia 
linfóide aguda de células B. Este tipo de câncer 
raramente se apresenta sob a forma de linfoma. 
As células malignas em pacientes com leucemia 
linfoblástica de células B precursoras originam-se 
comumente de células pré-B. 
Os pacientes apresentam sinais de insuficiência 
medular como palidez, fadiga, sangramento, febre 
e infecção, em decorrência da citopenia no 
sangue periférico (anemia e trombocitopenia, 
podendo haver leucopenia, leucocitose ou 
leucócitos normais). Na leucemia não é raro 
haver linfadenomegalia, hepato e 
esplenomegalias, doença do SNC, infiltração 
testicular e/ou cutânea. 
O diagnóstico é feito pela biópsia de medula 
óssea que revela linfoblastos malignos, 
imunofenótipo de células pré-B e anormalidades 
citogenéticas. 
A contagem muito elevada de leucócitos, doença 
sintomática do SNC, e anormalidades 
citogenéticas desfavoráveis (t(9;22) em adultos) 
indicam um prognóstico sombrio. 
O tratamento abrange a indução de remissão com 
poliquimioterapia, terapia sistêmica em altas 
doses para uma fase de consolidação, tratamento 
para eliminar a doença do SNC e um período de 
terapia contínua para evitar a recidiva e obter a 
cura. A taxa de cura global em crianças é de 85% 
e em adultos 50%. 
O linfoma de células B precursoras é muito raro, e 
na maioria das vezes evolui para leucemia, sendo 
utilizado o mesmo tipo de tratamento. Nos casos 
limitados aos linfonodos, há uma taxa de cura 
elevada. 
 
- Neoplasias de células maduras, periféricas 
(leucemia linfóide crônica de células B/linfoma de 
pequenos linfócitos): 
 
É a forma mais comum de LLC, e representa 7% 
dos linfomas não-Hodgkin. A LLC ocorre com 
maior freqüência nos adultos, idosos, sendo rara 
em crianças (homens > mulheres, brancos > 
negros). 
O linfoma de células B precursoras é muito raro, e 
na maioria das vezes evolui para leucemia, sendo 
utilizado o mesmo tipo de tratamento. Nos casos 
limitados aos linfonodos, há uma taxa de cura 
elevada. 
O diagnóstico de LLC típica de células B é feito 
pela contagem de linfócitos (> 4x10 elevado a 9) 
B monoclonais com o antígeno CD5. O achado 
de infiltração da medula óssea por essas células 
confirma o diagnóstico. O esfregaço revela 
células em cesta ou fantasmas (células 
danificadas pelo cisalhamento durante o preparo 
do esfregaço), devido à fragilidade dos linfócitos. 
Na biópsia em casos de linfadenopatia, o 
patologista não encontra dificuldades em 
diagnosticar o linfoma de pequenos linfócitos, 
com base na morfologia e no imunofenótipo. Em 
muitos casos há também acometimento de 
medula óssea e presença de linfócitos B 
monoclonais circulantes. 
A análise imunofenotípica elimina grande parte 
dos diagnósticos diferenciais na LLC de células B. 
Apenas o linfoma de células do manto e o LLC de 
células B são CD5 positivas. Já a diferenciação 
entre o linfoma de pequenos linfócitos e outros 
linfomas deve ser feita por um hematopatologista 
experiente, pois os diagnósticos diferenciais são 
muito semelhantes.