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Resumo Geral de Hematologia

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e uma região variável. 
 Após exposição ao antígeno, a região 
variável pode tornar-se associada a novo isótipo 
de cadeia pesada (Mudança de Classe). Cada 
clone celular realiza esses arranjos gênicos 
seqüenciais de maneira única, o que faz com que 
cada clone produza uma molécula exclusiva de 
imunoglobulina. Na maioria das células, as 
cadeias leves são sintetizadas em ligeiro 
excesso, secretadas como cadeias leves livres 
pelos plasmócitos e depuradas pelos rins, mas a 
excreção diária de cadeias leves é menor que 10 
mg. 
 
Eletroforese de Proteínas 
Pico MPico M
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A imunoeletroforese e a eletroforese 
fornecem, respectivamente, avaliações qualitativa 
e quantitativa do componente M. A quantidade do 
componente M no soro constitui medida confiável 
da carga tumoral, o que torna o componente M 
um excelente marcador tumoral, porém não 
específico o suficiente para ser usado na triagem 
de pacientes assintomáticos. A natureza do 
componente M é variável nos distúrbios dos 
plasmócitos. Pode ser uma molécula intacta de 
anticorpo de qualquer subclasse de cadeia 
pesada ou um fragmento aterado. Podem ser 
produzidas cadeias leves ou pesadas 
isoladamente. 
 A freqüência dos mielomas de uma 
classe específica de cadeias pesadas é 
aproximadamente proporcional à concentração 
sérica, por isso os mielomas de IgG são mais 
comuns do que os de IgA e IgD. 
 
 Mieloma Múltiplo 
 Representa uma proliferação maligna de 
plasmócitos derivados de um único clone. O 
tumor, seus produtos, e a resposta do hospedeiro 
ao tumor, resultam numa série de disfunções 
orgânicas e sintomas de dor óssea ou fratura, 
insuficiência renal, susceptibilidade à infecções, 
anemia, hipercalcemia e, algumas vezes, 
anormalidades da coagulação, sintomas 
neurológicos e manifestações vasculares de 
hiperviscosidade. 
 Possui causa desconhecida, embora uma 
apla variedade de alterações cromossomiais 
tenham sido encontradas em pacientes com 
Mieloma Múltiplo. Em alguns casos tem-se visto 
superexpressão dos genes myc ou ras e 
mutações na p53 e Rb-1. 
A região da γ-globulina do 
padrão eletroforético geralmente se 
encontra aumentada no soro de 
pacientes e animais com tumores de 
plasmócitos. 
 
O pico agudo é chamado 
Componente M. 
 A incidência de Mieloma aumenta com a 
idade (idade média de diagnóstico: 68 anos) 
Manifestações Clínicas: Dor óssea é o sintoma 
mais comum do Mieloma, afetando 
aproximadamente 70% dos pacientes. A dor 
geralmente envolve costelas e as costas, e ao 
contrário da dor do carcinoma metastático, que 
piora à noite, a dor do Mieloma é precipitada por 
movimento. As lesões ósseas do Mieloma são 
causadas pela proliferação de células tumorais e 
ativação de osteoclastos, que destroem o osso. 
São lesões líticas, raramente acompanhadas por 
áreas de formação óssea. A lise óssea resulta na 
grande mobilização de cálcio do osso, e 
complicações agudas e crônicas de hipercalcemia 
podem tornar-se evidentes. 
 Compressão da medula óssea pode 
ocorrer devido ao colapso de vértebras. 
 Maior susceptibilidade à infecções, sendo 
as mais comuns Pneumonias e Pielonefrite. 
Principais patógenos: 
 Streptococcus pneumoniae 
 Staphylococcus aureus 
 Klebsiella pneumoniae 
 Escherichia coli 
 Organismos Gram negativos 
 A causa da maior susceptibilidade à 
infecções deve-se à hipogamaglobulinemia e à 
reduzida migração de neutrófilos. A 
hipogamaglobulinemia é devida à supressão 
induzida pelo tumor e ao aumento do catabolismo 
de IgG. No mieloma múltiplo ocorre 
imunoparesia. A proteína que está sendo 
produzida não é funcional e faz um feed back 
negativo para a produção de imunoglobulinas 
funcionais. 
 Insuficiência renal. A hipercalcemia é a 
causa mais comum de ins renal. Depósitos 
glomerulares de amilóide, hiperuricemia, 
infecções recorrentes e infiltração renal de células 
do Mieloma, são todas causas que contribuem 
para a disfunção renal. 
 Dano tubular associado com a excreção 
de cadeias leves está quase sempre presente. 
Em situações normais, as cadeias leves são 
filtradas, reabsorvidas nos túbulos e 
catabolizadas. Com o aumento da quantidade de 
cadeias leves presentes no túbulo, as células 
tubulares encontram-se sobrecarregadas com 
essas proteínas, e os danos tubulares resultam 
diretamente dos efeitos tóxicos das cadeias leves 
ou indiretamente pela liberação intracelular de 
enzimas lisossomais. 
 Em cerca de 20% dos Mielomas, apenas 
cadeias leves são produzidas e na maioria dos 
casos secretadas na urina como proteínas de 
Bence Jones. 
 A proteinúria não é acompanhada de 
hipertensão. Há também uma pequena 
quantidade de albumina excretada pois a função 
glomerular encontra-se normal. 
 Pacientes com Mieloma são mais 
susceptíveis a desenvolver IRA se ficam 
desidratados. 
 Anemia ocorre em cerca de 80% dos 
pacientes. Normalmente é normocítica e 
normocrômica. Deve-se tanto à substituição das 
células da medula normal por células tumorais em 
expansão quanto à inibição da hematopoese por 
fatores fabricados pelo tumor. Além disso, uma 
leve hemólise pode contribuir para a anemia. A 
anemia também pode ser megaloblástica, devido 
à deficiência de folato ou vitamina B12. 
 Anormalidades da coagulação podem ser 
vistas devido ao mal funcionamento das 
plaquetas (recobertas por anticorpos). 
 Sintomas neurológicos ocorrem em uma 
minoria de pacientes e podem ter muitas causas. 
Hipercalcemia pode produzir letargia, depressão 
e confusão mental. Hiperviscosidade pode levar à 
cefaléia, fadiga, distúrbios visuais e retinopatia. 
 Danos ósseos podem ocasionar 
compressão medular, dor radicular e perda do 
controle da bexiga e do intestino. 
 Raramente o Mieloma se apresenta com 
esplenomegalia e linfadenomegalia. 
Diagnóstico 
Tríade do Mieloma: 
 Plasmocitose Medular (>10%) 
 Lesões osteolíticas 
 Componente M no soro e/ou urina 
O diagnóstico poderá ser feito na 
ausência de lesões ósseas se a plasmocitose 
estiver associada a aumento progressivo do 
componente M com o passar do tempo, ou se 
sobrevierem lesões expansivas extramedulares. 
Plasmocitoma ósseo solitário: É uma lesão 
osteolítica única sem plasmocitose medular. 
Plasmocitoma Extramedular: Geralmente 
envolvem o tecido linfóide submucoso da 
nasofaringe ou os seios paranasais sem 
plasmocitose medular. 
Ambos os tumores são altamente 
responsivos à radioterapia local. 
Diagnóstico Diferencial 
 Gamopatias monoclonais benignas 
 Gamopatias monoclonais de significado 
incerto (GMSI). Nestas últimas: 
 Não existe proteínas de 
Bence Jones na urina; 
 Não há anemia; 
 Não há Ins. renal; 
 Não há lesões osteolíticas; 
 Não há hipercalcemia; 
Avaliação 
 Exame físico detalhado; 
 Radiografias de tórax e ossos: Pode 
revelar lesões líticas ou osteopenia 
difusa; 
 RNM: Documentar compressão 
medular ou radicular; 
 Hemograma completo: Pode mostrar 
anemia; 
 VHS (Deve estar aumentado); 
 Cálcio, Uréia, Creatinina, Ácido úrico 
(Devem estar aumentados) 
 Eletroforese de proteínas; 
 Imunoeletroforese; 
 A fosfatase alcalina sérica é 
geralmente normal, mesmo com o 
extenso envolvimento ósseo em 
razão da ausência de atividade 
osteoblástica; 
 Quantificação de β2-microglobulina 
sérica; 
 Níveis elevados de IL-6 estão 
associados a doença mais agressiva. 
Estadiamento 
O sistema de estadiamento do Mieloma 
baseia-se em vários testes clínicos e 
laboratoriais. De acordo com a hemoglobina, 
cálcio, componente M e grau de envolvimento 
esquelético, estima-se que a carga tumoral total 
do organismo seja baixa, intermediária ou alta, e 
os estágios são subdivididos segundo a função 
renal. 
A β2-microglobulina sérica é o fator 
preditivo mais potente da sobrevida