Portadores de necessidades Especiais, inclusão, exclusão e diretrizes.
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Portadores de necessidades Especiais, inclusão, exclusão e diretrizes.

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\u20181- Analisar a evolução das normas sobre pessoas deficientes demanda uma abordagem da evolução da sociedade, posto que o Direito é produto dela. E o Direito, uma vez constituído, também funciona como veículo de transformação desta mesma sociedade, uma vez que projeta comportamento nos indivíduos. \u201cO Direito busca a análise de fatos sociais, com o exclusivo intuito de projetar comportamento em que esses mesmos fatos se repitam ou não se repitam, (...) caracterizando um mundo ideal\u201d (FRIEDE, 2011, p. 41).
2- O que é a Lei de Inclusão
A Lei 13.146/2015, conhecida como Lei de Inclusão, foi aprovada em 6 de julho de 2015, trazendo garantias fundamentais para a equiparação das pessoas com deficiência em relação à sociedade. Num conceito claro, ela considera como pessoa com deficiência:
Aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.
Na prática, isso significa que a lei serve para ampará-las no convívio social, regulando as relações em busca da diminuição da desigualdade, a fim de que ninguém se sinta inferior e excluído. Atualmente, o Brasil tem mais de 45 milhões de pessoas com deficiência, o que torna a Lei de Inclusão uma verdadeira vitória.
3- Enquadramento na Lei de Inclusão
Como foi mencionado, a Lei de Inclusão se destina a pessoas que possuem deficiências de natureza física, mental, intelectual ou sensorial de longo prazo.
Deficiências de natureza física: caracterizam-se por alteração total ou parcial no corpo, sujeitando a pessoa ao comprometimento de funções motoras. Paralisias, amputações ou ausência de membros, nanismo (pequenez anormal do tamanho com relação à média dos indivíduos da mesma idade e sexo; nanossomia, pigmeísmo), deformidades congênitas, paraplegias e tetraplegias são exemplos de deficiências físicas.
Deficiências mentais ou intelectuais: caracterizam-se pela limitação do desenvolvimento mental da pessoa, ocasionando redução na capacidade cognitiva em comparação com a média da população geral ou da faixa etária. A deficiência mental pode ser congênita, ( caracteristica que acompanha o indivíduo durante toda a sua vida) sendo o exemplo mais conhecido a Síndrome de Down, ou ocasionada por múltiplos fatores, como traumatismo, doenças infecciosas e subnutrição no desenvolvimento infantil, entre outras.
Deficiências sensoriais: afetam um dos cinco sentidos, causando seu não-funcionamento parcial ou total e incapacitando sua utilização plena. Embora, classicamente, as deficiências sensoriais sejam a surdez e a cegueira, outras formas de diminuição do tato, olfato e paladar podem ser enquadrados nessa classificação.
3- As vantagens da nova Lei de Inclusão
A lei dispõe sobre diversas questões técnico-legais acerca das pessoas com deficiência, se constituindo em um verdadeiro estatuto de direitos e deveres. Ela trouxe muitos avanços relevantes no campo civil, profissional e educacional, além das garantias de acessibilidade, acompanhamento e projeto pedagógico inclusivo, entre outras.
Os principais avanços
Capacidade civil: a nova lei garante o direito de casar, exercer direitos sexuais e reprodutivos, bem como de poder aderir a um processo chamado \u201cdecisão apoiada\u201d, que nomeia alguém para decidir pela pessoa com deficiência em atos da vida civil, sendo seu porta-voz.
Proibição de qualquer preconceito: a discriminação já encontra-se proibida há bastante tempo, mas a nova lei acertou em desenvolver e especificar o tema. Hoje, quem discriminar, abandonar ou excluir uma pessoa com deficiência pode pegar de um a três anos de reclusão e multa. Um exemplo disso seria uma escola que optasse por cobrar um valor extra para quem possui alguma deficiência, situação que deixaria a instituição sujeita a punições. Agora, existem critérios mais claros para o enquadramento desse preconceito.
Auxílio-inclusão: na busca por equidade, foi criado um regime previdenciário próprio obrigatório para a pessoa com deficiência, que favorece sua inclusão como beneficiária de assistência social no mercado de trabalho.
Benefício no saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS): em vista das novas tecnologias e desenvolvimento de produtos e acessórios que possam garantir melhor qualidade de vida, a pessoa com deficiência pode fazer uso do FGTS para comprar órteses e próteses, quando necessárias.
Prioridade no imposto de renda: um benefício instituído na nova Lei de Inclusão também garante prioridade na restituição do imposto de renda.
Acessibilidade: agora, prédios e edificações devem ter garantia de um percentual mínimo de unidades internamente acessíveis. A acessibilidade sempre foi uma das principais questões de debate nos direitos desses cidadãos, por influir diretamente no seu direito de ir e vir.
Tratamento especial na avaliação médica: antes da lei, um único médico poderia avaliar uma pessoa com deficiência e decidir se aquele era um caso para receber ajudas governamentais, como os benefícios previdenciários. Com a nova lei, cada caso deverá ser analisado por uma equipe multidisciplinar, que chegará à conclusão se é possível receber o benefício ou não.
Convívio social de igualdade: muitas vezes, a pessoa com deficiência tem dificuldade em se sentir integrante da sociedade. Com a Lei de Inclusão, muitos palestrantes relatam que essa é uma das condições mais importantes, porque faz com que o indivíduo se sinta bem-vindo, visibilizado e contemplado pela sociedade civil. Além disso, com a proibição do preconceito, há influência direta na melhoria do convívio social.
Inclusão escolar: outro avanço muito importante da Lei de Inclusão foi assegurar que a pessoa com deficiência (em todas as idades do período escolar) tenha um projeto pedagógico que fixe um sistema exclusivo de atendimento com profissionais de apoio. A lei também proíbe a cobrança adicional por esse serviço.
4- PRINCÍPIO DA DIGNIDADE
Logo no art. 1º da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência o princípio da dignidade humana foi estabelecido, acreditando-se que todos os outros são consequência deste: \u201cO propósito da presente Convenção é promover, proteger e assegurar o exercício pleno e eqüitativo de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoas com deficiência e promover o respeito pela sua dignidade inerente.\u201d
Como qualidade inerente ao ser humano, pode-se dizer que a dignidade é anterior ao próprio Direito, ou seja, antes mesmo que esta venha a ser objeto de discussões jurídicas, já faz parte da condição humana.
Entendendo que todos os seres humanos são dotados de dignidade, constata-se facilmente que todos aqueles que estão em uma mesma sociedade são dotados de idêntica dignidade. Desta forma, as pessoas com deficiência também têm esse direito resguardado.
O processo através do qual se dá o reconhecimento da dignidade humana é diferenciado, levando-se em consideração a época, o local e a cultura em que se deu. A construção desse conceito depende diretamente dos valores da sociedade dentro da qual emergiu a implícita necessidade de conceituação e conforme o tempo passa, há uma readequação desta noção de dignidade, ou seja, busca-se o significado mais apropriado para aquela fase.
Implícito no conceito de dignidade humana está a vedação ao tratamento desumano e degradante. O respeito não deve ser direcionado apenas a um grupo da sociedade, há que se reconhecer a necessidade de tratamento isonômico ( princípio geral do direito segundo o qual todos são iguais perante a lei; não devendo ser feita nenhuma distinção entre pessoas que se encontrem na mesma situação) e digno para com todos.
5-PRINCÍPIO DA IGUALDADE
O princípio da igualdade, base fundamental do princípio republicano e da democracia, possibilita e estabelece que aqueles que se encontrem em uma situação diferente, sejam reconhecidos e incluídos. Obriga tanto o legislador (a quem é dado o papel de criar normas