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Condutas prticas em UTI

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induzida pela cocaína, o uso de bloqueadores 
beta-adrenérgicos pode aumentar a vasoconstrição coronariana, falha em 
controlar a frequência cardíaca, aumento da PA e aumentar a mortalidade. 
 
E. Pré-Eclâmpsia Grave / Eclâmpsia 
 A hidralazina é a droga de eleição para o tratamento da hipertensão: 0,5 a 10 
mg/hora, EV, após dose de ataque de 5 mg. 
 O sulfato de magnésio é utilizado para a prevenção das convulsões: 
 MgSO4 50%: 1 ampola = 10 mL = 5 g 
 MgSO4 10%: 1 ampola = 10 mL = 1 g 
 Dose de ataque: 5 g EV em 20 minutos  01 ampola de MgSO4 50% em 20 
minutos (diluído em 100 mL de SG5%) 
 Dose de manutenção (manter por 24 horas): 01 ampola de MgSO4 50% em 
500 mL de SG5% a 28 gotas/minuto. 
 
Monitoração durante a fase de manutenção: 
 Controle da diurese: > 30 mL/hora 
 Presença de reflexos tendinosos profundos (mais usado: patelar): a abolição do 
reflexo patelar é um bom parâmetro clínico para impedir o efeito tóxico do 
magnésio, orientando a suspensão da infusão (indica nível sérico de magnésio 
entre 9-12 mg%; parada respiratória: 15-17 mg%; parada cardíaca: 30-35 
mg%) 
 Frequência respiratória: mínimo 16 irpm; a depressão respiratória pode ser 
revertida pelo emprego de gluconato de cálcio a 10%, 10 mL em 3 minutos. 
 
F. Acidente vascular cerebral 
 Ver capítulo específico 
 
G. Insuficiência coronariana aguda 
 Ver capítulo específico 
 
 
 
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H. Edema agudo de pulmão 
 Ver capítulo específico 
 
 
AGENTES ANTI-HIPERTENSIVOS PARENTERAIS 
 
Nitroprussiato (Nipride ampolas com 50 mg) 
 Potente vasodilatador arterial e venoso com início de ação em segundos 
eduração de ação de 1 a 2 minutos e meia-vida plasmática de 3 a 4 minutos 
 Sua ação pode ser rapidamente revertida pela interrupção da infusão. 
 Dosagem: 
 50 mg (01 ampola) em 250 ou 500 mL de SG 5% ou SF 0,9% (200 g/ml e 
100g/ml, respectivamente); envolver em papel alumínio (fotossensível). 
 Dose: iniciar com 0,1 a 0,2 g/kg/minuto (na prática, 5 a 10 mL/hora), com 
aumentos de 0,2 g/kg/minuto a cada 3 a 5 minutos até alcançar resposta 
clínica ou até ocorrer hipotensão (dose máxima: 10 g/kg/minuto); 
 Trocar a solução cada 3 a 6 horas; 
 Introduzir, concomitantemente, anti-hipertensivos orais; 
 Precauções: 
 Hipotensão. 
 Não está indicado no IAM devido ao risco de fenômeno de roubo do fluxo 
coronariano (fluxo sangüíneo preferencial para áreas não-isquêmcias). 
 O nitroprussiato contém 44% de cianeto. O cianeto é metabolizado no fígado 
em tiocianato. O tiocianato é 100 vezes menos tóxico que cianeto. O 
tiocianato gerado é excretado principalmente através dos rins. A remoção do 
cianeto, portanto, exige funções hepática e renal adequadas. A toxicidade do 
cianeto pode resultar em "parada cardíaca inexplicável", coma, encefalopatia, 
convulsões e anormalidades neurológicas focais e irreversíveis. 
 O nitroprussiato diminui o fluxo sangüíneo cerebral ao mesmo tempo em que 
aumenta a pressão intracraniana, efeitos que são particularmente 
desfavoráveis em pacientes com encefalopatia hipertensiva ou após um 
acidente vascular cerebral. Contudo, não existem evidências clínicas que 
comprovem este efeito desfavorável nestas situações. 
 
Esmolol (Brevibloc ampolas com 10 mL com 2500 mg [250mg/mL] ou 100 mg [10mg/mL]) 
 Bloqueador beta-adrenérgico cardioseletivo de ação ultra-rápida (início de ação: 
60 segundos; duração de ação: 10 a 20 minutos) 
 Niveis podem ser rapidamente alterados pelo aumento ou diminuição da 
velocidade de infusão e rapidamente eliminados pela descontinuação da 
infusão. 
 Adequado em situações em que o débito cardíaco, a frequência cardíaca e a PA 
estão aumentadas, sendo útil na dissecção aórtica e na hipertensão peri-
operatória, particularmente na cirurgia cardíaca e na ressecção do 
feocromocitoma. 
 Administração: 
 Dose inicial de 0,5 a 1 mg/kg em 1 minuto, seguido por uma infusão 
contínua com início em 50 μg/kg/min e aumentada até 300μg/kg/min, 
conforme necessário. 
 Solução a 10 mg/ml: Duas ampolas de 2.500 mg em 500 ml ou uma ampola 
de 2.500 mg em 250 ml de uma solução intravenosa compatível (glicose a 
5%, soro fisológico a 0,9% ou solução de Ringer-Lactato). 
 Contra-Indicações: pacientes portadores de bradicardia sinusal, bloqueio 
cardíaco superior ao de primeiro grau, choque cardiogênico ou insuficiência 
cardíaca manifesta. 
 
 
 
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 Precauções: 
 Irritação venosa, incluindo tromboflebite; extravasamento pode acarretar 
uma reação local grave e possível necrose de pele. Devido ao fato de o 
metabólito ácido do esmolol ser primariamente excretado inalterado pelo 
rim, deve ser administrado com precaução a pacientes com função renal 
prejudicada. 
 
REFERÊNCIAS 
1. Belfort MA, Anthony J, Saade GR, Allen Jr JC. A Comparison of Magnesium 
Sulfate and Nimodipine for the Prevention of Eclampsia. The New England 
Journal of Medicine, 2003; 348:304-311. 
2. FEBRASGO. Urgências e emergências maternas. Ministério da Saúde, Brasília, 
2000. 
3. Marik PE and Varon J. Hypertensive crises. Chest 2007; 131:1949–1962. 
 
 
 
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TROMBOEMBOLISMO PULMONAR (TEP) 
 
Trombose Venosa Profunda (TVP) 
 A TVP tipicamente origina-se nos seios venosos dos músculos da panturrilha, 
mas, ocasionalmente, origina-se nas veias proximais, geralmente em resposta 
a trauma ou cirurgia. Cerca de 25% trombos de panturrilha não tratados 
extendem-se para as veias proximais, geralmente dentro de uma semana após 
a apresentação. 
 O risco de embolia pulmonar (sintomática ou assintomática) com trombose 
venosa proximal é de aproximadamente 50% e a maioria dos êmbolos fatais 
provavelmente originam-se de trombos proximais. 
 A embolia pulmonar e a trombose venosa profunda devem ser consideradas 
parte do mesmo processo patológico. 
 
Achados Clínicos 
 Deve-se suspeitar de embolia pulmonar sempre que o doente apresentar 
dispneia, dor torácica ou hipotensão sem uma causa óbvia, uma vez que estes 
achados estão presentes em 97% dos casos. Contudo, a especificidade dessas 
manifestações é muito baixa. 
 Dispneia é o sintoma mais freqüente de embolia pulmonar e a taquipneia é o 
sinal mais freqüente. 
 No exame físico, achados de disfunção ventricular direita incluem turgência 
jugular, um componente pulmonar acentuado da segunda bulha cardíaca e um 
murmúrio sistólico na borda esternal inferior esquerda que aumenta em 
intensidade durante a inspiração. 
 Os achados eletrocardiográficos mais comuns incluem taquicardia, sobrecarga 
de ventrículo direito, bloqueio do ramo direito e inversão da onda T. A 
presença de S1Q3T3 constitui sinal clássico de embolia e corresponde à 
observação de onda S em DI, onda Q e onda T invertida em DIII; no entanto, 
está ausente na maioria dos casos e não é patognomônica da doença. 
 Os achados clásicos de TEP na radiografia do tórax são e incluem oliguemia 
focal (o sinal de Westermark), opacidade periférica em forma de cunha 
(corcunda de Hampton) e amputação da artéria pulmonar. Outros achados 
incluem atelectasias laminares, derrame pleural e elevação da cúpula 
diafragmática. 
 
Diagnóstico 
 Todos os pacientes com suspeita de embolia pulmonar devem ser avaliados 
com escores de probabilidade antes de solicitar exames complementares. 
 
ESCORE DE WELLS MODIFICADO Pontos 
Sinais clínicos de TVP (dor, edema, eritema, 
palpação de cordão venoso no membro 
inferior) 
+3 
Ausência de diagnóstico alternativo mais 
provável que TEP