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Condutas prticas em UTI

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monitorarando 
alterações nas funções vitais do paciente. 
6. Colher a segunda gasometria arterial 
7. Voltar a conectar o paciente ao ventilador. 
8. Se a PaCO2 atinge 55 a 60 mm Hg ou mais ou há um aumento de mais de 20 
mmHg da linha base normal, na ausência de movimentos respiratórios 
espontâneos, a apneia é confirmada. 
 Complicações como hipotensão ou arritmia cardíaca podem acontecer devido a uma 
falha em oferecer uma fonte adequada de oxigênio ou por uma falta de pré-
oxigenação. 
 A adrenalina é a droga a ser usada nas situações de bradicardia severa, pois a ação da 
atropina necessita da vitalidade dos núcleos vagais. 
 
 
 
 
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Testes Confirmatórios 
1. Angiografia cerebral. Pode documentar o não enchimento das artérias intracranianas 
porque a pressão sistólica não é alta bastante forçar sangue através da árvore vascular 
intracraniana. O edema glial perivascular causado pela isquemia pode levar ao colapso 
de vasos menores, determinando uma resistência intravascular aumentada. A 
angiografia cerebral é executada com uma injeção no arco aórtico para visualizar a 
circulação anterior e posterior cerebral. A parada de fluxo é encontrada no foramen 
magnum na circulação posterior e na porção petrosa da artéria carótida na circulação 
anterior. A angiografia por ressonância magnética pode produzir imagens semelhantes. 
2. Eletroencefalografia. É usada em muitos países e permanece um dos testes 
confirmatórios mais bem validados. São obtidos registros durante pelo menos 30 
minutos com um instrumento de 16 ou 18 canais. Em paciente em morte cerebral, a 
atividade elétrica está ausente a níveis maiores que 2 µV com o instrumento fixado a 
uma sensibilidade de 2 µV por milímetro. Porém, níveis mais altos de sensibilidade 
aumentam os artefatos, os quais são abundantes na unidade de tratamento intensivo 
por causa da presença de múltiplos aparelhos. 
3. Ultrassonografia Doppler Transcraniana. Tem uma sensibilidade de 91 a 99% e 
especificidade de 100%. Um instrumento portátil é utilizado para examinar as artérias 
cerebrais médias e artérias vertebrais. A ausência de um sinal pode ser um artefato se 
uma janela óssea interferir com o exame. Em paciente em morte encefálica, a 
ultrassonografia doppler transcraniana tipicamente revela a ausência do fluxo diastolico 
ou reverberante que é causado pela força de contração das artérias. 
4. Cintilografia Cerebral. Pode demonstrar ausência de captação intracerebral do 
marcador. A correlação com angiografia convencional é boa. 
 
 
REFERÊNCIAS 
1. Puppo C, Biestro A e Prado KF. Morte encefálica. In: Programa de Atualização em 
Medicina Intensiva (PROAMI)/organizado pela Associação de Medicina Intensiva 
Brasileira. Ciclo 2. Módulo 3. pg. 67-100. Porto Alegre: Artmed/Panamericana, 2004. 
2. Wijdicks EFM. The diagnosis of brain death. The New England Journal of Medicine, 
2001; 344:1215-1221. 
 
 
 
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SEDAÇÃO, ANALGESIA E BLOQUEIO NEUROMUSCULAR 
 
SEDAÇÃO 
 O paciente em ventilação mecânica deve estar confortável e isto, na maioria das vezes, 
só é possível pela sedação e, eventualmente, até que se realize relaxamento muscular. 
 A associação de midazolam e fentanil tem sido uma escolha bastante frequente em 
nosso meio, por prover uma sedação adequada e analgesia. Quando midazolam e 
fentanil são usados em associação, há potencialização da ação de ambos, com 
hipotensão grave e aumento da incidência de apneia. 
 Nunca é demais lembrar que pacientes sedados profundamente e miorrelaxados 
devem ter acompanhamento constante pela enfermagem. Uma extubação acidental ou 
uma pane no sistema de ventilação pode ter conseqüências fatais se não 
testemunhada e prontamente atendida. 
 As principais complicações da sedoanalgesia excessiva incluem depressão respiratória, 
hipotensão arterial e bradicardia. Outra complicação importante da sedoanalgesia 
profunda é a perda dos sinais clínicos nos pacientes com trauma de crânio, trauma 
intratorácico ou trauma intra-abdominal. 
 
Midazolam 
 Apresentações: Ampolas de 50 mg em 10mL e ampolas de 15 mg em 3mL. Ambas, 
portanto, na concentração de 5 mg/mL. 
 Benzodiazepínico de ação curta. Início de ação rápido (1 a 3 minutos) com pico em 5 
minutos e duração de ação de 1 a 2,5 horas. 
 Dose em bolus: 
 Preparo solução decimal a 1,5 mg/mL: 15 mg ou 3 mL em 7 mL de água destilada. 
 Fazer cerca de 3 mL da solução decimal por dose até alcançar o efeito desejado. 
 Em geral, nível adequado de sedação é alcançado com dose total de até 0,2 mg/kg. 
 Infusão contínua: 
 Preparo: 50 mL (250 mg) em 200 mL SF ou SG (solução a 1 mg/mL) 
 Iniciar a 0,15 mg/kg/hora; corresponde a 0,15 x peso corporal (dose em mL/hora) 
 Efeitos adversos: 
 Hipotensão arterial, depressão respiratória. 
 Acumula-se com a infusão prolongada após 24 horas. Existe aumento da meia-vida em 
pacientes com insuficiência cardíaca congestiva, doença renal, doença hepática e 
disfunção de múltiplos órgãos. 
 Antagonista: flumazenil (Lanexat ampola de 0,5 mg/5 mL – 0,1 mg/mL) 
 Dose: 0,2 mg (2 mL) EV rápido. Se o grau desejado de consciência não é atingido 
em 1 minuto: doses adicionais de 0,2 mg em intervalos de 1 minuto até total de 1 
mg ou reversão da sedação. 
 Infusão contínua: se a sonolência retorna, instala-se infusão em taxa de 0,1 a 0,4 
mg/hora, ajustando-se individualmente a velcidade conforme o nível de despertar 
desejado. 
 Efeitos adversos do flumazenil: 
 Em paciente com TCE em uso de benzodiazepínicos, o flumazenil pode precipitar 
convulsões; 
 Convulsões também podem ocorrer em casos de intoxicação concomitante com 
antidepressivos tricíclicos (os quais têm potencial para induzir convulsões); 
 Ansiedade, confusão e agitação podem resultar da reversão de 
benzodiazepínicos em pacientes fazendo uso prolongado dos mesmos; 
 Pacientes que receberam flumazenil para reversão de efeitos de 
benzodiazepínicos devem ser monitorados para ressedação, depressão 
respiratória ou outro efeito residual dos benzodiazepínicos; 
 A administração rápida pode causar hipertensão e taquicardia. 
 
 
 
 
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Propofol 
 Apresentação: ampolas de 200 mg em 20 mL em emulsão lipídica (10 mg/mL). 
 O propofol é um agente hipnótico. Apesar de excelente agente anestésico, não possui 
propriedades analgésicas, sendo necessário uso do mesmo em associação com opióide. 
 Meia-vida de 30 a 60 minutos, com início de ação em 30 segundos. Mesmo quando 
utilizado por vários dias, o nível de consciência retorna em 10 a 25 minutos. 
 Dose em bolus: 
 Fazer doses de 3 a 5 mL EV em bolus, tituladas até efeito desejado. 
 Em geral, sedação adequada é atingida com uma dose total de até 2 mg/kg EV. 
 Infusão contínua: 
 Reconstituição: 05 ampolas a 10 ampolas, não é necessário diluição. A emulsão 
não deve ser co-administrada com sangue ou plasma pelo mesmo cateter, uma vez 
que a compatibilidade ainda não foi estabelecida. 
 1 a 4 mg/kg/hora (0,1 a 0,4 mL/kg/hora), titulado pelo nível de sedação desejado. 
 Cálculo da velocidade de infusão: PC x [0,1 a 0,4] = mL/hora 
 Necessita ser administrado em cateter exclusivo para o mesmo devido a potencial de 
incompatibilidade com outras drogas e para reduzir o risco de infecções associadas ao 
cateter. A emulsão e o equipo usado devem ser trocados após 12 horas, uma vez que 
a emulsão não contém preservantes. 
 Efeitos colaterais: dor ao início da infusão em veia superficial, depressão 
cardiovascular (hipotensão