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Análise de discursos   metodologia (1)

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Análise de discursos
Igor Sacramento
Matrizes da Análise de discursos
Pragmática – estudo do uso da língua
- A teoria dos atos de fala, saída da investigação de J. Austin e continuada por J. Searle, é fundamental nessa abordagem classificatória (atos locutórios, ilocutórios, perlocutórios e performativos)
Estruturalista – estudo do sistema linguístico
- É baseada na linguística e na semiologia saussuriana e tendo como fundamentos as obras de Michel Pêcheux, Michel Foucault e Mikhail Bakhtin.
Fundamentos da Análise de discursos francesa
Mikhail Bakhtin: 
“O discurso é a língua em sua integridade concreta e viva e não a língua como objeto específico da linguística, obtido por meio de uma abstração absolutamente legítima e necessária de alguns aspectos da vida concreta do discurso” (Problemas da Poética de Dostoiévski, p.181).
“O discurso vive fora de si mesmo, na sua orientação viva sobre seu objeto: se nos desviarmos completamente desta orientação, então, sobrará em nossos braços seu cadáver nu a partir do qual nada saberemos, nem de sua posição social, nem de seu destino” (Mikhail Bakhtin, Questões de literatura e estética, p.99).
Fundamentos da Análise de discursos francesa
Mikhail Bakhtin:
“O signo se torna a arena onde se desenvolve a luta de classes. Esta plurivalência social do signo ideológico é um traço da maior importância. Na verdade, é este entrecruzamento dos índices de valor que torna o signo vivo e móvel, capaz de evoluir. O signo, se subtraído às tensões da luta social, se posto à margem da luta de classes, irá infalivelmente debilitar-se, degenerará em alegoria, tornar-se-á objeto de estudo dos filólogos e não será mais instrumento racional e vivo para a sociedade” (Marxismo e filosofia da linguagem, p.46).
Fundamentos da Análise de discursos francesa
Michel Pêcheux: 
“Não se trata de pretender aqui que todo discurso seria como um aerólito miraculoso, independente das redes de memória e dos trajetos sociais nos quais ele irrompe, mas de sublinhar que, só por sua existência, todo discurso marca a possibilidade de uma desestruturação-reestruturação dessas redes e trajetos: todo discurso é um índice potencial de uma agitação nas filiações sócio-históricas de identificação” (O discurso: estrutura ou acontecimento, 1990, p.56). 
“A interpelação do sujeito em sujeito ideológico, ou sujeito do discurso, se efetua pela identificação (do sujeito) com a formação discursiva que o domina (isto é, na qual ele é constituído como sujeito): essa identificação, fundadora de unidade (imaginária) do sujeito apoia-se no fato de que elementos do interdiscurso, são re-inscritos no discurso do próprio sujeito” . (id., p.163).
Fundamentos da Análise de discursos francesa
Michel Pêcheux: 
“A materialidade concreta da instância ideológica existe sob a forma de formações ideológicas, que, ao mesmo tempo, possuem um caráter ‘regional’ e comportam posições de classe”. Isto quer dizer que na luta de classes, não há “posições de classe que existam de modo abstrato e que sejam aplicadas aos diferentes ‘objetos’ ideológicos regionais das situações concretas”. (Semântica e Discurso: uma critica à afirmação do óbvio, 1988, p.146).
“A memória discursiva seria aquilo que, face a um texto que surge como acontecimento a ser lido, vem restabelecer os ‘implícitos' (quer dizer, mais tecnicamente, os pré-construídos, elementos citados e relatados, discursos-transversos, etc.) de que sua leitura necessita: a condição do legível em relação ao próprio legível” (Papel da memória, 1999, p.52). 
Fundamentos da Análise de discursos francesa
Michel Foucault: 
“É preciso não mais tratar os discursos como conjunto de signos (elementos significantes que remetem a conteúdos ou a representações), mas como práticas que formam sistematicamente os objetos de que falam. Certamente os discursos são feitos de signos; mas o que fazem é mais que utilizar esses signos para designar coisas. É esse mais que os torna irredutíveis à língua e ao ato da fala. É esse “mais” que é preciso fazer aparecer e que é preciso descrever (Arqueologia do saber, p.56).
“Chamaremos de discurso um conjunto de enunciados, na medida em que se apoiem na mesma formação discursiva; ele é constituído de um número limitado de enunciados, para os quais podemos definir um conjunto de condições de existência” (Arqueologia do saber, p.135-136).
Fundamentos da Análise de discursos francesa
Michel Foucault: 
“A formação discursiva compreende-se como um feixe complexo de relações que funcionam como regra: ele prescreve o que deve ser correlacionado em uma prática discursiva, para que esta se refira a tal ou qual objeto, para que empregue tal ou qual enunciação, para que utilize tal conceito, para que organize tal ou qual estratégia. Definir em sua individualidade singular um sistema de formação é, assim, caracterizar um discurso ou um grupo de enunciados pela regularidade de uma prática” (Arqueologia do Saber, p.82). 
Procedimentos Analíticos
Vamos tratar, a partir da agora, do modelo tridimensional de análise de discursos proposto por Norman Fairclough em 1989, em Linguagem e poder, e aprimorado em 1992, em Discurso e mudança social. 
Nesse modelo, a análise é, portanto, dividida em três etapas: texto, prática discursiva e prática social. 
Procedimentos Analíticos
O modelo de análise do texto (intratextual e baseada em determinados enunciados) é pormenorizado em categorias. São categorias da análise textual, o vocabulário, a gramática, a coesão e a estrutura textual. 
O estudo do vocabulário trata das palavras individuais – neologismos, lexicalizações, relexicalizações de domínios da experiência, superexpressão, relações entre palavras e sentidos – e a gramática, das palavras combinadas em frases. 
A coesão trata das ligações entre as frases, através de mecanismos de referência, palavras de mesmo campo semântico, sinônimos próximos e conjunções. 
A estrutura textual refere-se às propriedades organizacionais do texto em larga escala, às maneiras e à ordem em que elementos são combinados.
 
Também deve se incluir a análise do cotextual.
Procedimentos Analíticos
Na análise das práticas discursivas, participam as atividades de produção, distribuição e consumo do texto em seus contextos sociais específicos.
Contexto de produção:
“Os textos são produzidos de formas particulares em contextos sociais específicos: um artigo de jornal e produzido mediante retinas complexas de natureza objetos por um grupo cujos membros estão envolvidos variavelmente em seus diferentes estágios de produção – no acesso a fontes, tais como nas reportagens das agências de notícias, na transformação dessas fontes (frequentemente elas próprias já são textos) na primeira versão de uma reportagem, na decisão sobre o local do jornal em que entra a reportagem e na edição da reportagem” (Mudança e discurso social, p. 107).
“Há outras maneiras em que o conceito de “produtor(a) textual” é mais complicado do que pode parecer. É produtivo desconstruir o(a) produtor(a) em um conjunto de posições, que podem ser ocupadas pela mesma pessoa ou por pessoas diferentes” (Mudança e discurso social, p. 107).
Procedimentos Analíticos
Contexto de distribuição:
“Alguns textos têm distribuição simples – uma conversa casual pertence apenas ao contexto imediato de situação em que ocorre –, enquanto outros têm distribuição complexa. Textos produzidos por líderes políticos ou textos relativos a negociação internacional de armas são distribuídos em uma variedade de diferentes domínios institucionais, cada um dos quais possui padrões próprios de consume e rotinas próprias para a reprodução e transformação de textos.” (Mudança e discurso social, p. 108).
Contexto de consumo:
“Os textos também são consumidos diferentemente em contextos sociais diversos. Isso tem a ver parcialmente com o tipo de trabalho interpretativo que neles se aplica (tais como exame minucioso ou atenção dividida com a realização de outras coisas) e com os modos de interpretação

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