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CITOESQUELETO Conjunto de componentes filamentosos do citossol, de natureza proteica, responsáveis por funções relacionadas à sustentação do citoplasma, à manutenção do formato da célula, e aos movimentos celulares. COMPONENTES DO CITOESQUELETO: • Filamentos de actina (ou microfilamentos; < 9 nm de espessura); • Filamentos intermediários ( 10 nm de espessura); • Microtúbulos (25 nm de espessura). I. Filamentos de Actina (ou Microfilamentos) Componentes mais delgados do citoesqueleto, constituídos pela proteína globular actina. Cada monômero de actina tem um sítio de ligação para o ATP (ou ADP); monômeros se polimerizam e formam um filamento, constituído por dois protofilamentos trançados em hélice. I.A Ciclos de Polimerização e Despolimerização dos Filamentos de Actina ATP ADP P ADP ATP Instabilidade dinâmica (“treadmilling”) dos filamentos de actina Equilíbrio entre a concentração de actina livre no citossol e a actina polimerizada nos filamentos Coloração negativa dos filamentos de actina vistos ao M.E.T. I.B Proteínas Acessórias à Actina Relacionadas aos Ciclos de Polimerização/Despolimerização ADP ATP I.C Proteínas Motoras (Motores Moleculares) Associados à Actina Superfamília das miosinas (diferentes tipos) Miosina II (mais abundante) – molécula alongada, constituída por duas cadeias pesadas e quatro cadeias leves (2 cópias de cada uma). As cadeias pesadas se associam em hélice e formam a parte alongada da molécula (bastão), com uma extremidade globular (cabeça), com atividade ATPásica. Nos filamentos espessos (em células musculares e não- musculares), as moléculas de miosina II se associam através das porções de bastão, com as cabeças voltadas para as extremidades do filamento e para fora ( interação com a actina) As moléculas de miosina II se deslocam em direção à extremidade mais dos filamentos de actina ( deslizamento dos filamentos delgados por entre os espessos) Filamento de miosina (filamento espesso) Organização dos filamentos delgados de actina e filamentos espessos de miosina II em agregados de filamentos denominados de miofibrilas, subdivididas em unidades morfofuncionais denominadas de sarcômeros, nas células musculares estriadas (esqueléticas e cardíacas) Ativação das moléculas de miosina em células não- musculares para a organização dos filamentos espessos Fosforilação das cadeias leves da cabeça da miosina pela miosina-quinase de cadeia leve (MQCL), ativada pelo complexo cálcio-calmodulina Miosina I motor molecular presente em células não-musculares, envolvida no movimento de vesículas ao longo de filamentos de actina e no movimento de feixes de filamentos de actina nos microvilos (ver adiante) I.D Formas de Organização dos Filamentos de Actina Feixes de actina – disposição paralela dos filamentos de actina, com diferentes espaçamentos determinados por diferentes proteínas de associação à actina Redes de actina – disposição em trama tridimensional dos filamentos de actina, organizados devido à proteínas de associação à actina nos pontos de cruzamento dos filamentos I.D.a Feixes de Actina – Feixes Paralelos e Feixes Contráteis Os feixes paralelos de actina conferem estabilidade estrutural aos microvilos e aos estereocílios, as quais são especializações permanentes da superfície apical de determinados tipos celulares (por ex., células absortivas do epitélio intestinal e células do revestimento do epidídimo). Feixes Paralelos de Actina Feixes Paralelos de Filamentos de Actina no Eixo de Microvilos (Célula Epitelial de Revestimento Intestinal, M.E.T.) Corte longitudinal Corte transversal Filamentos de actina Feixes contráteis conferem motilidade à célula em meio a substratos através do exercício de forças devido à ancoragem de filamentos de actina a pontos da membrana plasmática (= contatos focais) via proteínas de associação (vinculina e talina, entre outras) e integrinas, as quais interagem com componentes da matriz extracelular. Feixes contráteis formam o que se denomina normalmente de fibras de estresse. Imunocitoquímica para vinculina (em verde), mostrando contatos focais, e para actina (em vermelho), mostrando as fibras de estresse em um fibroblasto. Feixes Contráteis de Actina Feixe contrátil do anel contrátil de células em divisão (citocinese) Zigoto em divisão (M.E.V.) I.D.b Redes de Actina Homodímeros da proteína filamina se associam em pontos de cruzamento dos filamentos de actina, proporcionando a formação de redes flexíveis associadas à formação de extensões planas da membrana plasmática (lamelipódios). Nucleação de filamentos de actina na membrana plasmática Participação das proteínas do complexo Arp2/3, permitindo rápido alongamento do filamento a partir da extremidade mais. Córtex celular área periférica do citoplasma das células, onde normalmente se estabelece uma rede de filamentos de actina, envolvidos na formação de pseudópodos largos (lamelipódios). Filamentos de actina sob diferentes formas de organização se associam durante a movimentação de células em meio a um substrato. Pseudópodos: • largos = lamelipódios (envolvidos no rastejamento celular e em eventos de fagocitose; formados a partir de redes de actina) • delgados = filopódios (envolvidos na percepção do microambiente; organizados a partir de feixes paralelos de actina) lamelipódio Células em migração (por ex., fibroblastos, macrófagos, leucócitos, etc.) ativam o citoesqueleto de actina para sua movimentação. A formação das redes de actina no córtex celular determina a formação de lamelipódios na borda de avanço, juntamente com a formação de áreas de contatos focais para inserção de feixes contráteis de actina e consequente adesão da célula ao substrato. Na porção traseira da célula (borda de retração), oposta à borda de avanço, ocorre a despolimerização regulada dos filamentos de actina e descolamento da célula do substrato. Exemplos da participação de filamentos de actina no córtex celular Macrófago emitindo lamelipódios e fagocitando célula cancerosa Fibroblasto em cultura emitindo lamelipódios (L) e filopódios (seta) Cone de crescimento neuronal em um neurito (prolongamento de neurônio em cultura) Trama terminal rede de filamentos de actina, associados a filamentos de espectrina (proteína filamentosa), no citoplasma apical de células epiteliais cilíndricas e cúbicas, ancorada ao folheto interno da membrana plasmática em áreas de cinturões de adesão. A trama terminal é uma área de córtex celular especializado. Participação da trama terminal na formação de órgãos epiteliais tubulares. II. Filamentos Intermediários Componentes filamentosos do citoesqueleto, de natureza proteica e características flexíveis, com cerca de 10 nm de espessura, envolvidos na manutenção da resistência a forças de tensão e a estresses mecânicos. Os polipeptídeos individuais dos filamentos intermediários são monômeros alongados, que se associam formando dímeros enovelados, os quais por sua vez se associam de modo escalariforme em tetrâmeros; tetrâmeros se associam pelas extremidades (formando protofilamentos) e se enovelam de forma complexa, até a formação do filamento. TIPOS PRINCIPAIS DE PROTEÍNAS DOS FILAMENTOS INTERMEDIÁRIOS EM CÉLULAS DE VERTEBRADOS A diversidade de proteínas dos filamentos intermediários e suacorrelação com grupos principais de tecidos é útil sob o ponto de vista clínico, pelo fato de permitir o diagnóstico de diferentes tipos de cânceres através de imunocitoquímica. IMUNOCITOQUÍMICA/IMUNO-HISTOQUÍMICA Fotomicrografia de uma imunofluorescência da rede de filamentos de citoqueratinas (em verde) em uma camada de células epiteliais em cultura Filamentos intermediários estão ancorados nas placas elétron-densas de desmossomas (= desmoplaquinas, placoglobinas, e placofilinas) e de hemidesmossomas (= plectina e antígeno do penfigoide bolhoso 1, APB1). A proteína plectina promove a formação de ligações cruzadas entre filamentos intermediários e entre filamentos intermediários e outros componentes do citoesqueleto. Plectina, em verde; anticorpo antiplectina, em amarelo; microtúbulos, em vermelho. III. MICROTÚBULOS Componentes mais espessos do citoesqueleto (25 nm de diâmetro), representadas por estruturas cilíndricas ocas formadas pelo arranjo concêntrico de 13 protofilamentos formados pela polimerização de heterodímeros (subunidades) de tubulinas ( e ). MICROTÚBULOS – M.E.T. Corte Transversal Corte Longitudinal Os heterodímeros de tubulina com moléculas de GTP ligadas à -tubulina produzem protofilamentos rígidos, que fazem fortes contatos laterais uns com os outros. A hidrólise do GTP a GDP torna os protofilamentos suscetíveis a perderem suas subunidades e faz com que os protofilamentos se tornem encurvados. ⱷ Instabilidade Dinâmica dos Microtúbulos Centro Organizador de Microtúbulos caracterizado como centrossoma ou centro celular, é local de formação (nucleação) de microtúbulos, constituído por um par de centríolos circundado por um material amorfo (matriz pericentriolar) Os sítios de nucleação no centro celular se encontram na matriz pericentriolar, e são denominados de complexos anelares de γ-tubulina. Centro celular ou centrossoma As extremidades menos dos microtúbulos citoplasmáticos se encontram inseridas nos complexos anelares de γ-tubulina, enquanto crescem a partir das extremidades mais, voltadas para o citossol. (A) Imunofluorescência para tubulina; (B) Célula tratada com colcemida, mostrando a dissociação dos microtúbulos e a visualização do centrossoma Centríolos par de estruturas cilíndricas, dispostas perpendicularmente uma em relação a outra, formadas pelo arranjo concêntrico de 9 trios de microtúbulos, sendo um microtúbulo A com 13 protofilamentos, e os outros dois microtúbulos (B e C) com menos protofilamentos. O par de centríolos está situado em meio à matriz do centrossoma; sua capacidade de replicação ainda não é bem compreendida. Par de centríolos no centrossoma – M.E.T. Após a replicação dos centríolos durante o início da divisão celular, formam-se os microtúbulos do fuso acromático, estrutura responsável pela sustentação dos cromossomas replicados. São observados três conjuntos de microtúbulos: microtúbulos astrais (que interagem com o córtex celular), microtúbulos dos cinetocoros (que aderem cada cromossoma ao fuso mitótico), e microtúbulos interpolares (que mantém as metades do fuso acromático unidas). Fuso Mitótico em uma Célula em Divisão – M.E.T. Proteínas Associadas a Microtúbulos (MAPs, microtubule-associated proteins) Proteínas que se associam lateralmente aos microtúbulos, estabilizando-os e, deste modo, impedindo sua despolimerização. Os principais exemplos são as proteínas MAP2 e tau. Estas proteínas são particularmente proeminentes em neurônios, cujos microtúbulos devem se manter estáveis para a sustentação de seus prolongamentos (axônio e dendritos). MAPs motoras ATPases que se utilizam dos microtúbulos como “trilhos” para o carreamento de vesículas e pequenas organelas. As principais MAPs motoras são a quinesina (extremidade menos extremidade mais) e a dineína citoplasmática (extremidade mais extremidade menos). Axonema Eixo estrutural de cílios e flagelos, formado por uma organização altamente especializada de microtúbulos e proteínas acessórias. Axonema O axonema ciliar é derivado de estruturas semelhantes a centríolos (e originadas destes), denominadas de corpúsculos basais, situados na região de inserção de cada axonema. Célula em ciliogênese, mostrando corpúsculos basais dando origem ao axonema de cílios – M.E.T. Corpúsculos basais em corte transversal – M.E.T. Estrutura Geral de um Cílio e seu Axonema – Corte Transversal Dineína ciliar ATPase do axonema dos cílios e flagelos, responsável pelo batimento ciliar e da movimentação do flagelo do espermatozoide Presa ao microtúbulo A de cada par do axonema, a dineína ciliar utiliza a energia da clivagem do ATP para movimentar os microtúbulos do axonema, deslizando suas 2 cabeças ao longo do microtúbulo B do par adjacente em direção à extremidade menos. A não-expressão da dineína ciliar ocasiona a síndrome de Kartagener (infecções respiratórias recorrentes em ambos os sexos e infertilidade no homem). Cadeias pesadas (cabeça = domínio motor) Cadeias leves (base = domínio de carga) Microtúbulo A de um par periférico