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alfabetizacao letramento 2

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Ana Maria Capitanio
Alfabetização 
e Letramento
Sumário
03
CAPÍTULO 2 – Escrita: é um Sistema de Representação da Linguagem? ...............................05
Introdução ....................................................................................................................05
2.1 A leitura como um processo ......................................................................................05
2.1.1 Sobre como lemos ...........................................................................................06
2.2 O Socioconstrutivismo ..............................................................................................09
2.2.1 Compreendendo a abordagem socioconstrutivista ...............................................09
2.2.2 As formas de linguagens que antecedem a simbolização pela escrita ....................11
2.2.3 Os gestos e a escrita .......................................................................................12
2.2.4 A brincadeira e o simbolismo no brinquedo ........................................................13
2.2.5 Desenho como primeira linguagem gráfica ........................................................14
2.3 As funções pré-instrumental e instrumental da escrita ...................................................15
2.3.1 Os experimentos de Luria .................................................................................15
2.3.2 A função pré-instrumental da escrita ..................................................................16
2.3.3 A função instrumental da escrita .......................................................................19
2.4 A escrita simbólica ...................................................................................................21
Síntese ..........................................................................................................................23
Referências Bibliográficas ................................................................................................24
Capítulo 2 
05
Introdução
Você já deve ter percebido que, ao discutirmos práticas de alfabetização, é inevitável que pen-
semos sobre a formação de professores, não é mesmo? E para discutirmos sobre esta formação, 
precisamos conhecer as teorias, no campo da psicologia, sobre as concepções construtivistas: o 
construtivismo e socioconstrutivismo. 
Sabe por quê? Pois novas práticas pedagógicas dependem da desconstrução dos conceitos tra-
dicionais de alfabetização para construir novos conceitos e práticas. Trata-se de uma mudança 
de paradigma: caem as teorias de ensino, preocupadas com os métodos mecanizados para a 
alfabetização com ênfase em resultados, para serem substituídas pelas teorias que explicam o 
processo de ensino-aprendizagem, isto é, as abordagens com ênfase no processo.
Neste tópico, a nossa ênfase será sobre o socioconstrutivismo por meio de seu principal re-
presentante: Lev S. Vygotsky, seguido de Alexander Luria, um de seus principais colaboradores. 
Abordaremos as contribuições da psicologia sócio-histórica para compreender como ela explica 
o desenvolvimento cognitivo, a importância da linguagem falada, enquanto constituinte do pen-
samento, e como acontece o desenvolvimento da escrita na criança. Interessante, não é?
No entanto, vamos começar este tópico com as contribuições de pesquisadores que concordam 
com Vygotsky e entendem a leitura e a escrita como um processo complexo de compreensão e 
sentido. O que isso quer dizer? Significa que ambas não se resumem em simples atos de decodi-
ficação e codificação. Todos eles afirmam que muitos aspectos psicológicos, racionais e emocio-
nais, são mobilizados durante a leitura e de acordo com a inserção cultural do leitor.
Percebeu como o assunto é interessante? Então, vamos começar? Acompanhe-nos e bons estudos!
2.1 A leitura como um processo
Você já refletiu sobre como se lê? Já reparou em todas as formas que utilizamos para compreen-
der um texto? Parece bastante complexo, correto? Pois foi justamente para isso que várias pes-
quisas foram realizadas: para compreender como lemos, buscando contribuir para desmitificar a 
leitura como um processo de decodificação simples e mecanizada. A que resultados chegaram?
Neste item, conversaremos sobre isso e veremos como esse processo é mais complexo para com-
preender a leitura e a escrita como sistemas simbólicos. Vamos? 
Escrita: é um Sistema 
de Representação da 
Linguagem?
06 Laureate- International Universities
Alfabetização e Letramento
2.1.1 Sobre como lemos
Pesquisas realizadas desde o começo do século XX, como por exemplo, as de Vygotsky (2003) e 
seus colaboradores, ou as realizadas em meados da década de 1980, por Emília Ferreiro e Ana 
Teberosky revelaram que, enquanto lemos, aspectos psicológicos são mobilizados e, à medida 
que nos desenvolvemos e interagimos com o meio físico e social, vamos tornando-nos cada vez 
mais competentes em compreender esse complexo sistema simbólico. 
No final do século XX, Smith (1999; 2002) e Bajard (2002) confirmaram que aspectos mentais, 
emocionais e culturais estão envolvidos no ato da leitura e concluíram que esses aspectos são 
responsáveis ao sentido que damos à leitura. 
[...] Do ponto de vista da linguagem, a leitura não exige nada além daquelas habilidades que o 
cérebro necessita para compreender a fala. E visualmente não há nada na leitura que os olhos 
e o cérebro deixam de realizar quando olhamos ao nosso redor em uma sala para localizar um 
objeto ou distinguir um rosto do outro. Para compreender a leitura, os pesquisadores devem 
considerar não somente os olhos, mas também os mecanismos da memória e da atenção, a 
ansiedade, a capacidade de correr riscos, a natureza e os usos da linguagem, a compreensão 
da fala, as relações interpessoais, as diferenças socioculturais, a aprendizagem das crianças 
pequenas, em particular (SMITH, 1999, p. 4).
Para esses estudiosos, os nossos olhos não deslizam simples e linearmente sobre as linhas: nós 
lemos em saltos e globalmente. O que determina o quê e como vemos é, sobretudo, a nossa 
relação com o texto a partir de nossos referenciais construídos dentro de nossa cultura. Vemos 
o que sabemos, selecionamos o que temos de conhecimento e concluímos o restante, isto é, o 
ato de ler é resultado da nossa interação, enquanto leitores, com o texto. Então, podemos dizer 
que somos responsáveis por construir o sentido do texto, considerando nossos conceitos prévios 
e nossas referências culturais. Interessante, não é mesmo?
Frank Smith é um psicolinguista contemporâneo reconhecido por suas contribuições em 
linguística e psicologia cognitiva ao longo dos últimos 35 anos. Foi repórter, editor de 
revista e novelista antes de iniciar sua pesquisa sobre a linguagem e a psicologia do 
aprendizado. Recebeu seu PhD do Centro de Estudos Cognitivos da Universidade de 
Harvard. Foi professor no Instituto Ontário para Estudo em Educação e na Universidade 
de Vitoria. Atualmente, dedica-se a escrever e pesquisar sobre alfabetização, com-
putadores e educação. Disponível em: <http://www.tirodeletra.com.br/institucional/
Oqueeleitura-Bibliografia.htm>. Acesso em: 17 set. 2015.
VOCÊ O CONHECE?
A seguir, o exemplo de um texto, muito comum nas redes sociais e de autoria desconhecida, que 
nos fará compreender Smith e Bajard. Acompanhe!
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07
Figura 1 – Exemplo de como fazemos a leitura.
Fonte: Shutterstock, 2015.
Você reparou no exemplo anterior como conseguimos olhar o texto e ‘juntá-lo’ aos nossos co-
nhecimentos