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Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
2
Página em branco 
 
 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
3
Página igual à capa 
 
 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
4
 
1ª Edição 
Do 1º ao 3º milheiro 
 
 
 
 
Criação da capa: Objectiva Comunicação e Marketing 
Foto: Miguel Silveira 
Direção de Arte: Glauco Araújo 
Revisão: Hugo Pinto Homem 
 
 
Copyright ã2000 by 
Fundação Lar Harmonia 
Rua da Fazenda, nº 13, Piatã. 
41.650-020 
livros@larharmonia.org.br 
www.larharmonia.org.br 
Telefax: (71) 286-7796 
 
 
Impresso no Brasil 
 
 
 
ISBN: 85-86492-08-6 
 
 
Todo o produto desta obra é destinado à manutenção das 
obras da Fundação Lar Harmonia 
 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
5
 
Adenáuer Marcos Ferraz de Novaes 
 
 
 
 
 
Psicologia do Espírito 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FUNDAÇÃO LAR HARMONIA 
C.G.C. (MF) 00.405.171/0001-09 
Rua da Fazenda, nº 13, Piatã 
41.650-020 – Salvador – Bahia – Brasil 
2000 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
6
 
 
 
 
 
 
 
 
Novaes, Adenáuer Marcos Ferraz de 
Psicologia do Espírito 
Salvador: Fundação Lar Harmonia, 08/2000 
247p. 
 
1. Espiritismo. I. Novaes, Adenáuer Marcos Ferraz de, 
1955. – II. Título. 
 
 
CDD – 133.9 
 
 
 
 
Índice para catálogo sistemático: 
 
1. Espiritismo 133.9 
2. Psicologia 154.6 
 
 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
7
 
 
 
 
“Que é o Espírito?” 
“O princípio inteligente do Universo.” 
 
 
Ao Espírito só chegam as Leis de Deus. 
 
 
Há uma Psicologia Espírita fundamentada numa 
Psicologia do Espírito, considerado fora dos limites físicos. 
 
 
“Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de 
novo.” Jesus – João 3:7. 
 
 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
8
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Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
9
 
 
 
 
 
Índice 
 
 
 
 
Psicologia do Espírito 11 
Considerações iniciais 17 
Conceitos 23 
O que é o Espírito 33 
Perispírito 37 
Evolução Anímica 55 
As fontes da alma espiritual 59 
Atributos do Espírito 63 
Mediunidade 67 
Evolução do Espírito 71 
Inteligência 77 
Inteligência Lógico-Matemática 90 
Inteligência Lingüístico-Verbal 91 
Inteligência Musical 92 
Inteligência Corporal-Cinestésica 92 
Inteligência Espacial 93 
Inteligência Intrapessoal 94 
Inteligência Interpessoal 94 
Inteligência Intuitiva 95 
Inteligência Emocional 96 
Inteligência Emocional na educação 102 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
10
Razão 111 
Emoção e sentimento 115 
Sensibilidade 119 
Eu e ego 123 
Desejo 127 
Vontade 131 
Poder 137 
Impulso Criador 141 
Mente, Cérebro e Pensamento 145 
Psicopatologia e Doenças Mentais 151 
Amor 193 
Sexo 197 
Prazer 201 
Dor e sofrimento 203 
Saudade 207 
Linguagem 209 
Imagem 213 
Arquétipo 217 
Identidade, Individualidade e Personalidade 221 
Sistemas de defesa 225 
O deus interno 229 
Ânima e Ânimus 233 
Consciência e Inconsciente 237 
Objetivos da Reencarnação 241 
Outras formas de evolução 245 
 
 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
11
 
 
 
 
 
Psicologia do Espírito 
 
 
 
 
Acertadamente Allan Kardec considerava o ensino 
dos Espíritos como capaz de nos trazer “a definição dos 
mais abstratos problemas da psicologia”1. Pode-se 
perceber, pela colocação do Codificador, que a Doutrina 
Espírita tem muito a elucidar quanto às questões magnas da 
alma, que, por enquanto, tem seu estudo científico 
permanecido no domínio da Psicologia e ciências afins. 
Penetrar nesse campo, bem como naquele que se depreende 
dos princípios do Espiritismo não é tarefa fácil, exigindo 
coragem e abertura por parte dos estudiosos das duas 
ciências. 
Mesmo acanhadamente, e sem considerar a realidade 
espiritual, a ciência psicológica tem se debruçado sobre a 
estrutura e funcionamento do “aparelho psíquico” do ser 
humano, trazendo importantes contribuições para sua 
compreensão. Conquanto a ciência tenha observado a alma 
com os paradigmas materialistas, não se pode desprezar os 
avanços conquistados, sobretudo por se tratarem de 
princípios que nos capacitam à compreensão da verdadeira 
natureza do Espírito, enquanto essência criada por Deus. 
 
1 O Livro dos Espíritos, Conclusões, pág. 490, 76ª Edição, 1995, FEB. 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
12
Porém, é também importante considerar que, 
enquanto nos ocupamos em provar as teses espíritas, cujo 
esforço não tem sido em vão, as ciências psicológicas têm 
avançado e podem nos oferecer importantes contributos 
para a compreensão da natureza humana no que diz respeito 
à sua estrutura psíquica. Mesmo considerando o avanço no 
campo do Espírito não ter sido muito grande nos meios 
acadêmicos, é possível vislumbrar sua estrutura pela pálida 
percepção científica. 
Provar as teses espíritas não introduz o Espiritismo 
nas discussões dos temas psicológicos clássicos, nem 
tampouco significa entender a alma humana. É preciso que 
nos debrucemos sobre a natureza íntima do Espírito com o 
olhar psíquico e espiritual. 
Nesse sentido, o Espiritismo deve apresentar-se como 
ferramenta especial, tal qual um microscópio eletrônico que 
faz sua varredura para encontrar a menor e mais preciosa 
estrutura elementar, fazendo sua investigação meticulosa 
que nos levará à percepção dos escaninhos do Espírito 
imortal. Não podemos limitá-lo, transformando-o em 
simples objeto de crença dominical, mas tornando-o a lente 
do microscópio que o próprio Espírito se utilizará para 
enxergar-se a si mesmo. 
Para penetrar o mundo misterioso e pouco explorado 
dos fenômenos psicológicos o Espiritismo deve também se 
munir de ferramentas simples que a própria ciência oferece. 
Deve apropriar-se dos instrumentos pertinentes à inserção 
do saber científico oferecidos pelas academias; deve 
apresentar protocolos científicos adequados, experimentos 
coerentes e que sejam passíveis de repetição; será preciso 
avançar além dos limites estabelecidos com paciência e 
determinação, sem preconceitos; sem tais ferramentas o 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
13
Espiritismo será científico apenas para si mesmo, sem 
conseguir alcançar, como parecem desejar seus estudiosos, 
o status de Ciência do Espírito. 
Não se trata de submeter-se à lógica materialista, mas 
de avançar com a própria ciência, orientando-a e levando-a 
à percepção do Espírito, através da mudança de seus 
paradigmas. A questão não é apenas provar a existência do 
Espírito, mas também demonstrar que o equívoco está no 
viés científico. 
Uma Psicologia do Espírito fará suas observações na 
intimidade de seu objeto de estudo, retirando o espesso véu 
estruturado a partir de paradigmas materialistas, alcançando 
além das comparações realizadas pela visão mecanicista que 
ainda se encontra presente nas ciências da alma. 
O desafio de apresentar uma psicologia do Espírito é 
por demais audacioso, principalmente considerando os 
limites da percepção humana. Porém, é preciso tentar 
romper as barreiras provocando o próprio Espírito a fim de 
que decrete sua liberdade e a ampliação da “visão” sobre si 
mesmo. 
Não se trata de rever o “olhar” humano sobre si 
mesmo, mas de buscar um outro ângulo de percepção. Os 
séculos de predomínio da “visão”, tendo o corpo como 
identidade e a matéria como paradigma, não permitiram que 
se buscasse mudar o foco, isto é, deixar de tentar encontraro espírito na intimidade da matéria para se perceber um 
Espírito que a usa. 
O campo de busca não pertence a nenhuma ciência em 
particular. Embora entregue inicialmente à Filosofia, 
posteriormente à Teologia para, sob a proteção da Ciência, 
alcançar modernamente a Medicina e a Psicologia, não está 
restrito a nenhum saber específico. O espírito “sopra onde 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
14
quer”, isto é, as especulações são livres e devem levar as 
ciências aos limites do conhecimento. O campo2 do 
Espiritismo, pela “visão” mais ampla, oferece possibilidades 
de se encontrar uma compreensão mais essencial do 
Espírito. Considero que é possível à Ciência chegar às 
mesmas conclusões do Espiritismo, porém é necessário que 
ela abdique da visão do corpo, qual Tirésias que, mesmo 
cego do corpo, apresenta suas percepções transcendentes 
diante dos deuses. 
Quando pensei no título deste trabalho imaginei que 
deveria alcançar a visão da alma sobre a própria alma, isto 
é, a visão do Espírito sobre si mesmo. Porém, a palavra 
psicologia pode, para muitos, conter um viés 
comportamental e canhestro que enfeixa suas definições 
dentro dos limites do saber acadêmico. Talvez seja melhor o 
leitor entender que o livro trata do Espírito enquanto ser, tal 
como foi criado e como se desenvolve. Pretendo que a 
palavra psicologia deva ser compreendida como um campo 
que contém o funcionamento e a estrutura do Espírito. A 
preocupação também é não confundir Espírito com espírito; 
este último é a personalidade encarnada ou desencarnada 
que possui corpo seja material ou semimaterial e o primeiro, 
o ser simples e ignorante, individualizado, criado por Deus 
à sua imagem e semelhança. 
Cuidei para que o livro não se tornasse uma proposta 
de análise metafísica e filosófica sobre o Espírito à moda 
dos gregos, mas uma concepção mais específica sobre o ser 
humano enquanto singularidade. É necessário, porém, 
esclarecer que, em que pese meu cuidado em não enviesar o 
livro pela matriz psicológica, seu conteúdo é apresentado a 
 
2 A palavra campo aqui é empregada no sentido amplo que contém todos os paradigmas 
do Espiritismo bem como tudo aquilo que nele se estuda e se aplica. 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
15
partir de uma perspectiva simultaneamente espiritual e 
psíquica, pelo que peço desculpas ao leitor. Portanto a 
análise aqui é parcial e o leitor poderá perceber que certos 
temas, propositadamente, não são tratados em sua 
complexidade e abrangência costumeiras. Nesse caso peço 
que recorram à literatura clássica que a eles se referem. 
Não me considero um escritor; escrevo, mas não o 
faço por hábito ou por profissionalismo; não tenho essa 
virtude; na realidade o faço pelo desejo de dizer algo; pela 
vontade consciente de passar algumas idéias sobre a Vida; é 
como querer transmitir uma mensagem de que se acredita 
ser portador. Por esses motivos não possuo a linguagem 
característica dos escritores, nem as construções estilísticas 
necessárias. Desculpe-me novamente o leitor se, por vezes, 
não conseguir fazer-me entendido. Às vezes tenho 
dificuldades em escrever o que penso, mas espero ter 
superado qualquer deficiência de conhecimentos 
gramaticais e literários. 
Busquei escapar às tentativas pessoais de construir 
uma arquitetura da psiquê, por considerar que esse esforço 
poderia enrijecer o que é, por natureza, flexível e, 
principalmente, virtual. 
Embora não haja limites para o saber, compreendo 
que o há para minha capacidade de entender o Universo, a 
Vida e o Espírito. Quanto mais nos debruçarmos sobre nós 
mesmos, mais cedo encontraremos o deus que mora em nós 
e ao Criador da Vida. Por esse motivo não alcancei a 
totalidade da compreensão sobre o significado essencial do 
Espírito. Espero que o leitor busque em outros livros o 
aprofundamento da questão além de desculpar-me pela 
ousadia. 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
16
A história da humanidade tem sido confundida com a 
das realizações externas do ser humano. Seus feitos 
externos são exaltados em todos os níveis e de várias formas 
distintas. A história da humanidade é a história da evolução 
do Espírito e esta abrange também suas conquistas 
interiores, seu amadurecimento nas relações, sua 
compreensão sobre si mesmo, sua capacidade de entender-
se, de compreensão da Vida e de exploração do Universo à 
sua volta. Não podemos desprezar essa outra parte nem 
achar que a civilização cresceu e se desenvolveu por que a 
tecnologia alcançou horizontes largos em pouco tempo. Não 
podemos esquecer que o ser humano que fabrica o chip é o 
mesmo que mata seu semelhante por motivos fúteis. Não há 
necessariamente evolução interna só porque a houve 
externamente. Certamente que a civilização está 
caminhando para a busca do espírito, tendo em vista o 
esgotamento temporário de sua procura externa. Os 
insucessos externos juntamente com as conquistas a farão 
voltar-se para si mesmo. 
É necessário avançarmos na direção do Espírito e na 
busca da superação dos próprios limites de percepção. 
Entender-se Espírito é tão ou mais importante quanto 
perceber o espírito. 
Independentemente das conceituações expressas ao 
longo da história do ser humano e das definições que foram 
dadas sobre ele mesmo, há que se considerar a maravilha 
que é sua realidade e a beleza de sua existência. Acima de 
tudo e de todas as concepções sobre o ser humano, ele é a 
alma de Deus. 
 
 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
17
 
 
 
 
 
Considerações iniciais 
 
 
 
 
Quando me refiro a Espírito não estou me referindo à 
pessoa desencarnada portadora de uma personalidade e 
perispiritualmente constituída. Estou analisando o ser em si; 
aquilo que constitui a parte não material e não perispiritual 
do ser; ao que, na questão 23 de “O Livro dos Espíritos”, de 
Allan Kardec, consta como “O princípio inteligente do 
Universo.” 
Tratado por muito tempo como alma e confundido 
com o princípio que anima a matéria orgânica, o Espírito 
ainda é um grande desconhecido em sua essência. 
Acostumados a exigir de nós mesmos provas da existência 
da pessoa além da morte do corpo, esquecemos de tentar 
enxergar o Espírito em si. Como funciona? Podemos 
entendê-lo como um todo factível de ser visto em partes 
constituintes? Os atributos que endereçávamos a ele podem 
ser dirigidos ao perispírito? Tentaremos penetrar nesse 
mundo aparentemente incognoscível de interrogações, 
porém sabendo que se trata de uma tarefa difícil por se 
encontrar no domínio da especulação metafísica. 
O Espírito, enquanto ser que sobrevive à morte, 
dotado de personalidade singular, se encontra atualmente 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
18
assumindo sua cidadania nas ciências acadêmicas. Sua 
existência, provada e tornada consciente pelos estudiosos da 
alma humana, agora necessita ser compreendida em sua 
intimidade. A Psicologia do Espírito pretende avançar em 
busca da essência divina e de sua constituição. 
Dotado de capacidades múltiplas, na maioria 
desconhecidas, o Espírito tem sua estrutura subdividida pela 
ciência e pelo próprio ser humano quando quer entender-se 
a si mesmo. A grande maioria das capacidades do Espírito é 
transferida para o cérebro e demais partes do corpo humano, 
sem que se tenha o cuidado de comprovar ou de dar-se ao 
trabalho de testar outras hipóteses até mais consistentes. 
Independente da separação que se queira fazer entre 
as pessoas que se dizem materialistas e as que se declaram 
espiritualistas, existe algo nelas próprias que as motivam a 
tal ou qual declaração. Esse algo se pode chamar de alma, 
espírito ou força (energia). Independente de ser eterna ou 
não, imortal ou mortal,corporal (física) ou não, há nela 
algum princípio que deve merecer nossa atenção. É esse 
princípio que pode nos levar à essência da natureza 
espiritual do ser. 
Falar sobre o Espírito sem exemplificar ou apresentar 
imagens e idéias que se aproximem do que ele é, sem 
utilizar paradigmas materiais é tarefa dificílima. Por isso o 
leitor vai perceber que, embora tente sair dessa 
possibilidade acabarei por utilizar-me de figuras de 
linguagem e de exemplos da via material. Tentarei sempre 
que possível abstrair-me da linguagem enviesada para me 
fazer entender melhor. É tarefa que tentarei tornar mais 
fácil. 
A concepção de uma evolução do Espírito no contato 
com a matéria nos dá a entender que é através dela que 
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19
entenderemos a Vida. Desprezar sua importância é acreditar 
que sua existência é ilusão, tão pregada pelas religiões, e de 
nada serve para o ser humano. Mas, Espírito e matéria são 
faces de uma mesma folha. 
A Vida deve ser compreendida com ela, porém nem 
sempre a partir dela. Torna-se difícil entender a Vida sem a 
matéria, como também é um equívoco acreditar que a Vida 
se restringe a ela. Limitados à percepção pela via material, 
quando dela queremos fugir esbarramos no extremo oposto, 
desprezando a riqueza existente entre as polaridades. 
A possibilidade de imaginarmos uma realidade que 
exclua a matéria, tal qual concebemos aquilo que nos serve 
para existir no mundo e constitui sua estrutura, se assemelha 
a conceber o nada. Certamente que o espiritual não pode 
prescindir do material assim como não é possível à moeda 
ter uma única face ou uma sombra existir sem luz. 
É preciso reconsiderar o “mundo material” à luz da 
visão do Espírito, da mesma forma como Platão propunha o 
“retorno à caverna” para se rever o mundo humano a partir 
do que se viu fora dele. A matéria se torna vilã quando a 
enxergamos pelos seus paradigmas. 
É fundamental ao ser humano saber o que ele é, isto é, 
o que é o Espírito que ele é; como é sua estrutura, seu 
funcionamento e suas relações com o meio. 
No presente trabalho tentarei penetrar neste domínio 
saindo das definições clássicas, religiosas e filosóficas, 
sobre a natureza da alma ou Espírito. Não me vejo com 
conhecimentos teológicos e filosóficos para discutir as 
definições existentes sobre o que é a alma ou o Espírito, por 
isso tentarei expor o que penso e sinto buscando apoiar-me, 
sobretudo, nas obras de Allan Kardec, bem como na 
Psicologia Analítica criada por C. G. Jung. 
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20
Tentarei analisar o Espírito sob uma ótica não só 
pessoal como a partir das psicologias que tratam do 
inconsciente. Por esse motivo poderei equivocar-me em 
meus raciocínios e abstrações. Peço ao leitor que me corrija 
e retome seu próprio entendimento quando lhe parecer que 
saí muito de sua compreensão e, sobretudo, do real. 
Devemos ampliar as buscas filosóficas dentro do 
“campo” espírita, estendendo-nos, além de apresentar 
respostas às questões magnas da Vida. Podemos, à moda 
grega: a) buscar a unidade essencial da Vida, isto é, 
apresentar de forma mais robusta o Espírito, enquanto 
criação primeva de Deus; b) definir o espírito e apresentá-lo 
antropomórfico e menos sacralizado; c) trazer as propostas 
de renovação da sociedade e de construção do reino de Deus 
também e principalmente para o mundo material; d) 
desenvolver mais estudos sobre a natureza da razão que 
transportou o ser espiritual à condição humana; e) 
apresentar estudos de natureza psicológica sobre o 
comportamento humano buscando desvincular-se dos 
sistemas repressivos e alienantes característicos do Século 
XX; f) estabelecer estudos sobre o significado da religião 
espírita, “religião natural que parte do coração”, como uma 
proposta de encontro do ser humano com Deus e 
principalmente consigo mesmo. 
Certamente que essas propostas não podem ser 
levadas a efeito no espaço restrito deste livro, nem 
tampouco tentarei desenvolvê-las. Deixo o registro para que 
passemos, nós espíritas, a nos ocuparmos delas. 
O modo como os gregos concebiam a Alma ou 
Espírito, influenciou sobremaneira o pensamento do ser 
humano a respeito de si mesmo, porém nada transformou 
essa percepção mais do que o movimento cristão. De 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
21
alguma forma, aquilo que o Cristo fez com seus atos e 
palavras, mudou o referencial humano da Terra para além 
da matéria. Mesmo considerando que o cristianismo não 
alcançou diretamente todo o planeta, devemos admitir que 
os modos e os costumes ocidentais têm influenciado o 
oriente. As nações mais ricas e influentes da Terra são 
cristãs. 
Os estudos espíritas proporcionados por Allan Kardec 
serviriam também à Psicologia visto que estabeleceram uma 
delimitação do campo espiritual. De um lado polarizou a 
ciência psicológica, à época incipiente, na rigidez de seus 
conceitos mecanicistas, e do outro contribuiu para o estudo 
mais apurado da psiquê humana. 
O Espiritismo tem um papel relevante na humanidade, 
visto que é responsável por apresentar uma Doutrina ou 
conjunto de princípios que desvenda a verdadeira natureza 
do ser humano. Apresenta-o como Espírito. 
 
 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
22
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23
 
 
 
 
 
Conceitos 
 
 
 
 
Sem desprezar os conceitos clássicos citarei alguns 
sobre temas comuns visando proporcionar uma visão 
psicológica a respeito de determinados assuntos. Tenho 
consciência de que os conceitos que trarei são incompletos 
visto que tratamos de uma expressão particular visando os 
objetivos deste livro. Espero que o leitor busque em outras 
fontes definições mais completas e abrangentes. 
Começo com a questão da separatividade entre a 
consciência e o mundo. Quando se fala em cisão ou 
separatividade entre a consciência e Deus ou entre o eu e o 
Universo parece uma separação física, concreta, proposital 
como se fosse algo deliberado pelo próprio sujeito. As 
afirmações de separação se devem à concepção 
paradigmática de quem as faz. É apenas um modo de 
explicar a partir de uma percepção de si mesmo, de seu 
próprio referencial. O sujeito que concebe a separação não 
consegue deixar de ver o Universo como um objeto 
separado de si mesmo. É um vício de percepção. A aparente 
separação, em realidade, é o próprio processo de 
estruturação do ego que se auto-referencia para conseguir 
entender o Universo e a si mesmo. O dualismo (dialética) 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
24
iniciado pelos filósofos gregos usado como forma de 
conceber, explicar e lidar com o Universo, pode nos induzir 
a pensar nessa separatividade ilusória. A visão da totalidade 
é um degrau adiante do dualismo, mas ainda deriva dele. Há 
outro(s) modo(s) de se entender o Universo e suas relações. 
O que quer que se diga sobre a natureza do ser humano, não 
se pode negar que ele é o autor da concepção que tem sobre 
si mesmo e sobre Deus. 
Sujeito e objeto não estão separados nem são uma 
coisa só ou uma mesma realidade. Ambas as considerações 
se devem a uma concepção dualista e mecanicista. A 
unidade do objeto tanto quanto a do Universo são ordens de 
grandeza que se assemelham, visto que partem do princípio 
da dualidade. Separar sujeito de objeto é como querer 
distinguir a palavra escrita da página que a contém. São 
distintos, porém inseparáveis. Querer considerá-los uma 
coisa só é como afirmar que a consciência e o inconsciente 
são iguais. São intercambiáveis, porém excludentes. 
Precisamos transcender a preocupação básica, embora 
pertinente, de discutir matéria versus Espírito ou se energia 
e Espírito são distintas realidades.Até mesmo devemos 
transcender em apenas discutir se o Espírito existe. Talvez 
seja mais importante discutir o que é e como funciona o 
Espírito. Discutir se matéria e Espírito são distintos, face à 
existência de inconciliáveis paradigmas, torna-se um 
“pseudo-evento”. É difícil afirmar, dada nossa percepção 
dual, onde termina a matéria e começa o Espírito. A 
tentativa de defini-los e restringi-los a unidades excludentes 
obedece aos ditames do dualismo em nossa consciência. 
Também poderemos estar diante de um “pseudo-
evento” quando queremos provar a existência dos espíritos 
impondo os mesmos instrumentos com os quais detectamos 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
25
a matéria. É claro que é possível ao espírito impressionar a 
matéria, porém é preciso entender que um espírito para 
impressionar com sua imagem, por exemplo, o filme de 
uma máquina fotográfica, terá que necessariamente foto-
eletrizar-se, isto é, envolver-se com a matéria. Não podemos 
acreditar que um rádio poderia captar imagens, pois lhe 
faltam implementos. Da mesma forma não pode o Espírito 
ser visto. Provar-se-ia este fenômeno, mas não se provaria a 
existência do Espírito. 
A questão não é provar a solidez da matéria ou a 
imaterialidade do Espírito. O problema é persistir 
exclusivamente nessa única busca. Trata-se de paradigmas 
distintos e inconciliáveis, portanto a discussão pode se 
tornar inócua. 
A visão unitária que engloba sujeito e objeto, mente e 
corpo, Espírito e matéria como uma totalidade ou como uma 
unidade, não pode limitar-se às observações e aos sentidos 
do organismo humano e dos paradigmas estruturados a 
partir deles. Essa limitação pode parecer cooptação do 
espiritual. Se assim ocorre, pode haver danos inimagináveis 
à nossa percepção de nós mesmos. 
Isso decorre do atavismo em nos ligarmos aos 
sentidos físicos e deles extrairmos nossas conclusões sobre 
o Universo e sobre nós mesmos. Nossa psiquê se estrutura a 
partir de paradigmas sensoriais. Devemos começar a pensar 
e construir idéias considerando que somos Espíritos e que 
usamos a matéria para evoluir. Dessa forma certamente 
estaremos iniciando outra forma de estruturar a psiquê. 
A questão não é simplesmente o que conhecer ou o 
modo de conhecer. Não se trata de conhecer diretamente o 
objeto ou sua representação simbólica. É preciso que 
discutamos o que é conhecer e para que conhecer algo. 
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26
Talvez não seja possível o conhecimento direto do objeto 
ou, mesmo que o seja, para que o faríamos? Será que 
devemos apreender a realidade através dos símbolos e sinais 
ou diretamente sentindo os objetos como eles são? 
Novamente voltamos ao dualismo. Talvez devamos ampliar 
o conceito de objeto ou o conhecimento que temos dele para 
apreensão de leis. Precisamos conhecer leis. Por detrás do 
“objeto” há a relação com ele e é isso que se constitui o 
novo objeto. 
A preocupação em “conhecer a realidade” nos afasta 
do verdadeiro objetivo do viver que é apreender as leis de 
Deus. Isso se dá na relação com o objeto, independente do 
modo de conhecê-lo ou se o alcançamos diretamente ou 
não. 
A Vida nos oferece a oportunidade de conhecê-la e 
senti-la; desprezar a importância dos sentimentos realçando 
a supremacia da razão é vivê-la pela metade. Em contato 
com a matéria o Espírito consegue penetrar nas leis de 
Deus. É preciso entender que devemos ter cuidado quando 
concebemos a matéria, o corpo ou a realidade externa como 
mera ilusão (maya). Isso se assemelha ao discurso 
maniqueísta da oposição do mal ao bem. É necessário 
conhecê-la, vivenciá-la e aprender com ela. 
Por mais que as definições tentem aprisionar o 
Espírito, ele “sopra onde quer” no dizer do Mestre Jesus. 
Ele não se permite limitar-se aos conceitos embrionários das 
ciências nem às amarras do preconceito materialista. 
Buscar uma Realidade Absoluta que não seja Deus é 
tão absurdo quanto negar sua existência. O incognoscível 
não se revela sem a mudança na estrutura da psiquê e isso 
só ocorrerá quando o Espírito alcançar novas leis. É preciso 
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que ele ascenda na evolução para compreender o que ainda 
lhe é incompreensível. 
Concebido por Deus o Espírito contém um arranjo 
virtual que promove automaticamente reconfigurações 
estruturais à medida que ele evolui. Essas reconfigurações o 
capacitam a novas possibilidades de apreensão das leis de 
Deus. Ele se assemelha a um diamante com seu especial 
arranjo atômico que lhe dá a característica peculiar e com 
uma consistência própria. 
A seguir colocarei alguns conceitos sobre 
determinados temas que podem diferir das definições 
correntes. Novamente afirmo que tais definições são 
incompletas ou podem estar em desacordo com o senso 
comum. Mesmo que estejam “erradas” espero que o leitor 
compreenda que são pessoais e visam subsidiá-lo na 
compreensão deste modesto trabalho. Peço que tenha 
paciência para com meu raciocínio e o acompanhe até o 
término do livro. Outros conceitos a respeito de temas aqui 
analisados superficialmente, ligados a Psicologia Analítica 
podem ser encontrados em meu livro “Sonhos: Mensagens 
da Alma”. 
 
Tempo. Muito embora para a psiquê o conceito de 
tempo saia da esfera real e interpenetre-se com o de espaço, 
é preciso entendamos que ele na verdade contém uma idéia 
associada ao movimento e à sucessão de eventos. É inegável 
que a percepção da existência do tempo advém do processo 
de transformação que se verifica com a matéria, que não é 
fruto apenas da visão do ser humano. A identidade do 
Espírito com o corpo é que permite estabelecer a idéia do 
tempo. A palavra tempo resume a idéia da dinâmica externa 
da Vida. Embora haja tempo para as transformações da 
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matéria, no Espírito ele se torna extremamente diferente e 
não pode ser contado da mesma forma que o fazemos, isto 
é, tomando o Sol como referência. Há um tempo na psiquê 
assim como existe um tempo relativo na Física. Esse tempo 
serve como referencial para uma busca ou para a sensação 
de crescimento pessoal. Não existem segundos, nem horas, 
nem dias, tampouco anos ou séculos. Na psiquê há só 
processamento de informações e sentimentos para a 
aquisição ou não das leis de Deus pelo Espírito. O Espírito 
vive um eterno presente. O ego não só se situa no tempo 
como sua existência está intrinsecamente a ele ligado. O 
Espírito evolui, porém o tempo de evolução é o de seu ego. 
Tudo que ocorre no psiquismo se dá ao mesmo instante em 
face das conexões com os resíduos de eventos passados, 
como se o tempo fosse único e real. 
 
Espaço. O espaço é outro conceito relativo e do 
domínio do ego. A rigor ele não existe, pois seria admitir a 
existência de um ente além das coisas e da matéria. Quando 
se diz que o espaço é curvo ou que ele tem existência real 
está se falando de uma modalidade de energia 
desconhecida, invisível, que se confunde com o que se 
chama de espaço. O Espírito não ocupa espaço, ao contrário 
do ego que necessita se sentir num espaço. Em verdade a 
matéria se aglutina em torno da energia que provoca a 
curvatura. O Espírito atrai a matéria. O cyberespaço, ou 
espaço virtual é um conceito cuja utilização nos mais 
diversos campos tecnológicos irá aos poucos inserindo o ser 
humano nos domínios do Espírito. 
 
Energia. É uma palavra que, pelo uso em diversos 
campos contém uma série de idéias e de possibilidades. Na 
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Física a palavra quer dizer matéria e vice-versa. Representa 
uma certa força que movimenta a matéria, isto é, os corpos 
em geral. Através dela é possível retirar a inércia natural 
dos corpos. É comum se aplicar, inadequadamente,a 
palavra energia quando se pretende falar de algo que 
transcende a matéria por falta de um termo mais apropriado. 
Ela é uma das modalidades em que se transforma o fluido 
divino, substância suscetível ao psíquico, a que Allan 
Kardec chamou de Fluido Cósmico ou Fluido Universal. 
Aquilo que designamos como matéria, ou energia 
condensada, é simplesmente o “campo” do Espírito. É nela 
que ele se percebe. A experiência do duplo corte descrita 
por Thomas Young (1803) parece querer nos mostrar a 
existência de algo além da matéria (ligado ou não a ela) que 
lhe modifica inteligentemente o movimento. Este algo cuja 
natureza é desconhecida (não é uma energia), se apresenta 
como suscetível às modificações da gestalt (forma ou 
estrutura). Como se a forma ou configuração do anteparo 
(simples corte ou duplo corte) fosse determinante para a 
natureza do sujeito e sua manifestação. A percepção de que 
a energia se comporta às vezes como onda e às vezes como 
partícula se deve à natureza de quem percebe e não à 
natureza do que é percebido. O objeto percebido se altera ao 
entrar em contato com o observador, melhor dizendo, o 
observador altera sua percepção no contato com o objeto. 
 
Consciência. A consciência é outro conceito a priori, 
pois é apenas campo de um modelo de percepção da psiquê. 
Esse modelo foi instituído a partir da impossibilidade de se 
acessar conteúdos de experiências de vidas passadas. É o 
campo restrito da memória integral a que o ego tem acesso. 
A matéria impossibilita ao ego o acesso pleno às memórias 
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do Espírito. A psiquê ou mente é um instrumento 
importante para o Espírito. A consciência é como um filtro 
que retém a parte que não interessa ao Espírito e que vai 
estruturar uma parte da personalidade acessível ao ego. A 
outra fica retida no inconsciente. 
 
Movimento. O movimento é o deslocamento de 
objetos no que se chama de espaço. É a troca de lugar. 
Porém podemos entender o movimento como o impulso que 
a matéria recebe ao ser ativada pelo influxo da energia 
oriunda do Criador da Vida. Só o Espírito se movimento 
sem deslocar os objetos, isto é, sem trocar de lugar com 
eles. 
 
Psiquê. O mesmo que mente. É um fenômeno de 
exteriorização ou manifestação do Espírito, sendo-lhe órgão 
funcional que se localiza no perispírito. Através dela ele 
consegue manipular a matéria. Por se localizar no 
perispírito ela é virtual para o corpo físico, justapondo-se a 
ele. Pela sua condição intermediária entre o perispírito e o 
corpo consegue mobilizar a matéria orgânica através do 
córtex cerebral. Podemos entender a psiquê, ou mente, 
como um instrumento do Espírito. Não é produto do 
cérebro, porém age diretamente sobre ele. 
 
Vida. Vida (com V maiúsculo) compreende todos os 
processos que se referem ao espírito enquanto personalidade 
no corpo ou fora dele. A Vida compreende todos os 
processos em que o ser humano se envolve consciente ou 
inconscientemente. Abrange as vidas sucessivas do espírito 
tanto quanto suas próximas encarnações. Refere-se também 
à providência divina bem como às leis universais que 
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interagem com o espírito. Embora haja muitas vidas, só há 
uma Vida para o Espírito. 
 
Fluido Vital. Princípio da vida orgânica. Alteração do 
fluido cósmico que permite plasticidade à matéria tornando-
a suscetível à influência direta do espírito. Por causa de suas 
propriedades favorece o desenvolvimento do Espírito e 
através de sua manipulação a apreensão das leis de Deus. É 
responsável por fenômenos mediúnicos e sua presença é 
imprescindível para a ocorrência da maioria deles. 
 
Ser Humano. Uso o termo ser humano ao invés de 
homem, tendo em vista que essa última denominação usada 
para a espécie confunde-se com o gênero, bem como por 
conter um viés masculino característico. O termo ser 
humano se aplica a encarnados e a desencarnados, pois que 
a perda do corpo físico não lhe altera a condição humana. 
 
Pensamento. Produto da necessidade de comunicação 
que procede do Espírito. Sua elaboração ocorre pela 
conexão entre emoções que recebem o influxo do Espírito. 
É matéria que nasce no perispírito. Ele é traduzido através 
de palavras, sinais, mímica, alterações orgânicas, bem como 
por todo o tipo de ação humana. Diferente do instinto que 
procede do corpo, o pensamento origina-se da mente que o 
emite com ou sem a consciência do ego. As idéias são 
reuniões de pensamentos que se agrupam por similaridade. 
 
Mundo Espiritual. Lugar onde habitam os espíritos e 
que, vez por outra, é freqüentado por encarnados em 
desdobramento. Possui uma sociedade tão ou mais 
estratificada que a dos encarnados, sendo tão desigual 
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quanto a da Terra. É a primeira estação de passagem aos 
recém desencarnados. 
 
Religião. É o “campo” do saber que se ocupa da 
transcendência do ser humano e da busca de suas raízes 
espirituais. Através dela ele realiza sua essência. A incursão 
da religião na vida do ser humano é fruto de sua 
ascendência espiritual. A procura pelo espiritual, pelo 
transcendente e pela própria divindade é, e será sempre, 
crescente. Por esse motivo, as religiões têm interferido na 
visão de mundo do ser humano e na percepção de si mesmo. 
As conceituações ditadas pelas religiões são fruto de cada 
época e de acordo com a evolução espiritual alcançada. 
Nenhum conceito é definitivo. A verdadeira religião é 
aquela que leva o indivíduo ao encontro consigo mesmo e 
com Deus. 
 
Reforma íntima. Pressupõe um processo de 
transformação efetiva que inclui a aquisição do 
conhecimento gradativo das leis de Deus. Não se trata de 
simples modificação no comportamento, mas mudança 
emocional e racional. A reforma íntima é um trabalho de 
conhecimento de si mesmo que permite a ocorrência 
cotidiana de transformações na forma de construir as 
próprias idéias e de vivenciar as emoções. 
 
 
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O que é o Espírito 
 
 
 
 
A maioria de nós já deve ter-se feito a clássica 
pergunta – “Quem sou?” – e, provavelmente, obteve as mais 
diversas respostas sem, no entanto, provavelmente, 
satisfazer-se com qualquer delas. Resolvi fazer-me a 
pergunta mudando o pronome quem pelo que, à semelhança 
do questionamento de Allan Kardec em “O Livro dos 
Espíritos”, na questão nº 1, a respeito de Deus. Não afirmo 
que obtive respostas mais satisfatórias, porém a mudança do 
pronome me tornou mais consciente de mim mesmo e da 
natureza humana, além de mudar o foco da percepção. O 
que me leva além dos limites da natureza humana, fazendo-
me penetrar no mundo transcendente da espiritualidade. 
Percebi que quanto mais me aproximava da idéia de 
mim mesmo, distanciando-me de conceitos 
preestabelecidos, mais entendia Deus e Sua criação. Mesmo 
consciente de que as limitações impostas pela minha 
concepção de mundo, pelo meu nível de evolução e pela 
própria natureza da psiquê não me levariam muito longe, 
arrisquei-me à aventura do livre pensar e cheguei ao 
território fantástico da proximidade com Deus. Cada vez 
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mais O entendia e encantava-me com Sua obra, num misto 
de respeito e êxtase transcendente de difícil verbalização. 
Não me via simplesmente encontrando palavras para 
explicar o que encontrava, mas me percebia aprendendo e 
incorporando cada idéia que intuía sobre minha própria 
essência. Não creio que se chegue à própria essência sem 
destituirmo-nos da presunção de que as palavras ou o 
domínio da linguagem são suficientes para tanto. É preciso 
transcender a matéria, despir-se de preconceitos e enveredar 
livremente nos camposda inspiração e da intuição. 
Na questão 23 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec 
levanta o problema da natureza do Espírito com a seguinte 
interrogação: Qual a natureza íntima do Espírito? Cuja 
resposta muita clara não deixa dúvidas quanto à nossa 
dificuldade em entender e perceber o Espírito enquanto 
essência criada por Deus. “Não é fácil analisar o Espírito 
com a vossa linguagem. Para vós, ele nada é, por não ser 
palpável. Para nós, entretanto, é alguma coisa. Ficai 
sabendo: coisa nenhuma é o nada e o nada não existe.” 
É exatamente meu propósito penetrar nessa alguma 
coisa que é o Espírito. O Espírito é uma mandala3 de Deus. 
Uma espécie de configuração ótima que consegue ser um 
portal para o encontro com Ele. 
Como explicar com palavras e dentro dos limites de 
minha capacidade intelectual a essência do que é o Espírito? 
Certamente que é uma tarefa dificílima e que exigiria 
capacidades além das que disponho. Tentarei e espero a 
compreensão do leitor dada a dificuldade imposta pela 
temática e pelas deficiências da linguagem. 
 
3 A mandala é um instrumento cuja contemplação suscita uma positiva alienação 
sensorial que favorece a expressão do inconsciente. 
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Em princípio o Espírito é algum elemento, algo 
concreto e real, entendido como elemento de natureza 
distinta da matéria, embora não se lhe oponha. Criou-se a 
ilusão de que Espírito e matéria se opõem. São 
independentes. É preciso também entender que o termo 
matéria, largamente usado na literatura espírita, tem 
sentidos diversos. Na maioria dos casos quer se referir ao 
mundo carnal e suas imperfeições. 
A palavra “Espírito” expressa um conceito que, por 
sua vez oculta uma idéia essencial. Como tudo que existe, é 
impossível penetrar na essência dele, algo só concebível a 
Deus. Há o Espírito em si, porém precisamos entender que 
sua realização só é possível existindo algum objeto ou um 
outro Espírito. Ele em si torna-se possível com Deus. O 
Espírito é ou forma uma gestalt4 com Deus. 
Sua essência gerada pelo Criador permite que lhe 
cheguem, durante o processo evolutivo, as Leis de Deus. A 
evolução do Espírito é o processo de aquisição dessas leis. 
É a sedimentação das leis extraídas a partir das experiências 
do contato com a matéria e das vivências reencarnatórias. 
Estar consciente de algo nem sempre é ter consciência 
de si mesmo. O Espírito está sempre consciente, porém nos 
primórdios de sua evolução não tem consciência de si nem 
de Deus. Seu caminho é o da busca pela consciência de si e 
aquisição das leis de Deus a partir desse estado. 
Podemos pensar no Espírito como um campo virtual, 
como foi dito antes, que promove as necessárias 
reconfigurações na psiquê como também em sua percepção 
de mundo. Em si, o Espírito contém uma realidade virtual e 
não corpórea. O Espírito não se forma da configuração ou 
 
4 A teoria da Gestalt propõe que o todo é diferente da soma das partes e sua percepção 
não é cumulativa em relação à de cada parte que o compõe. 
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disposição espacial da matéria, mas ele mesmo é uma 
estruturação flexível de Deus, que o concebeu como Sua 
expressão. Em outras palavras o Espírito não se depreende 
da matéria nem ela dele. Não é produto da evolução 
material, mas evolui com a matéria. Prescinde dela para 
existir, porém não a dispensa para evoluir. 
Para entender a estrutura íntima do Espírito é preciso: 
1. Abstrair-se de uma visão espacial e material; 
2. Evitar correlações com energia, força, potência, 
chama, e a termos que se referem a movimento; 
3. Aplicar a ele o domínio de capacidades de 
transformar o meio, de construir sistemas 
provisórios de compreensão de si mesmo e do 
ambiente a sua volta, de mobilizar a matéria, de 
mover e ser movido, etc. 
4. Sair da via sensória e penetrar na própria essência 
de si mesmo, evocando sua estrutura íntima criada 
por Deus, sintonizando com suas potencialidades. 
Devemos entender que o Espírito não é bom nem 
mau, visto que esses adjetivos se devem aos sistemas 
culturais existentes na humanidade, criados pelo próprio 
espírito na sua necessidade em evoluir. O Espírito em si foi 
criado simples e ignorante dotado da capacidade de 
apreender as leis de Deus. Essa simplicidade o coloca na 
condição de acoplar-se à estrutura material mais simples. A 
ignorância é sua condição de desconhecimento total das leis 
de Deus. O ser humano, portanto espírito, nessa condição já 
não é mais simples nem ignorante. Por mais que 
expressemos conceitos sobre o que é o Espírito para que 
nossas idéias sejam alcançadas há uma pelo menos que deve 
ser de antemão compreendida: você que me lê é um 
Espírito. Crendo ou não, essa é sua condição essencial. 
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Perispírito 
 
 
 
 
Algumas capacidades que atribuímos ao Espírito se 
encontram em verdade nas propriedades do perispírito. 
Embora o vejamos como um corpo energético, material 
portanto, ele possui características psicológicas complexas. 
Ele é sede não só das funções que o capacitam a comandar o 
corpo como também outras que o conectam ao Espírito. Ele 
varia em sua essência da matéria ao Espírito. Empédocles 
dizia que o semelhante se conhece através do semelhante. O 
conhecimento se realiza por meio do encontro entre o 
elemento que existe no ser humano e o mesmo elemento 
que existe no seu exterior. O perispírito possui essa 
flexibilidade e pode ser visto como algo suficientemente 
material para conectar-se ao mundo tanto quanto algo 
espiritual para ligar-se à transcendência divina. 
O perispírito com suas funções é a alma do corpo 
físico. Ele lhe dá substancia, muito embora não seja 
responsável direto pelo seu funcionamento. Ele é uma 
estrutura acessória do corpo físico, tanto do ponto de vista 
energético como psicológico. 
Nossa abordagem será voltada para o aspecto 
psicológico dessa estrutura que parece responder por todas 
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as funções do Espírito e é seu meio de ligação com o 
Universo enquanto não se depurar o suficiente para tornar-
se Espírito Puro. 
Há um limite de saber para o ser humano. Sua 
estrutura psíquica lhe impõe condicionantes. É necessário 
que se proceda a reestruturação de seus modos de 
concepção e apreensão da realidade para que ele alcance 
novo nível de conhecimento, quer na Terra ou fora dela. 
Não basta saber ou aprender intelectualmente. As 
experiências devem ser vividas e internalizadas a cada 
momento. O perispírito exerce influência decisiva nesse 
processo. É ele o psiquismo do Espírito. 
Dividiremos as funções perispirituais em dois tipos de 
acordo com sua direção, seguindo o exemplo de C. G. Jung, 
que estabeleceu forma semelhante para a psiquê. 
Considerarei uma direção a que o liga ao Espírito e outra a 
que o liga à Vida em geral. 
 
As funções são formas de captação (modos de 
apreensão da realidade) e podem ser divididas, muito 
embora estejam conectadas entre si, em seis: 
– de captação da realidade 
– de decodificação e filtragem 
– de armazenagem 
– de comunicação 
– de conexão emocional 
– de condensação 
 
Função perispiritual de captação da realidade. 
 
A essência do Espírito é constituída de capacidades de 
realização. Imagens, sons, sinais, etc., não fazem parte do 
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Espírito, visto que, quando necessita, utiliza-se das 
propriedades do perispírito. Nele o Espírito encontra o que 
precisa. Essas capacidades de realização constituem-se no 
saber do Espírito. Ele é o que Deus criou, mais as 
capacidades adquiridasna evolução. Essas capacidades 
surgem do conhecimento das leis de Deus. Aos poucos o 
Espírito vai incorporando em si as leis de Deus, na medida 
que atravessa experiências, reencarnado ou não. 
Para adquirir essas capacidades o Espírito utiliza-se 
do perispírito como uma espécie de câmera que filma tudo 
aquilo que possui luz e impressiona sua película. É uma 
espécie de estação de transição entre a realidade vista e 
aquilo que deve ser incorporado ao saber do Espírito. 
A realidade externa é captada pelo corpo físico e pelo 
perispírito, visto que este possui capacidades de 
comunicação com o mundo além da matéria bruta, pelo 
pensamento. Aquilo que é captado pelo corpo através dos 
sentidos físicos é transformado no cérebro em impulsos 
nervosos e levado ao perispírito que os absorve num sistema 
de códigos próprio. Essa transposição do cérebro para o 
perispírito se dá graças à ação da mente ou psiquê que 
possui propriedades para fazer essa conversão. 
A ligação que permite a captação do que é oriundo do 
corpo físico para o perispírito decorre das propriedades do 
fluido vital. Este fluido possui a propriedade de interagir 
com a matéria, organizando-a e lhe dando, além do 
movimento, um sistema de trocas autônomas com o meio. 
As formas de captação da realidade no perispírito se 
alteram de acordo com o estado emocional do indivíduo. O 
arranjo perispiritual interfere no conteúdo do que é captado 
no meio. 
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Por estar conectado ao Universo, o perispírito emite e 
absorve, através do meio fluídico, as emissões psíquicas de 
sua faixa de vibração. Por estar conectado ao corpo físico 
também absorve os estímulos dele oriundos, porém em 
formatação diferente daquela captada pelos sentidos 
corporais. Os órgãos do corpo são antenas que transmitem 
vibrações ao corpo perispiritual, que por sua vez possui 
receptores aptos (chakras). 
As alterações morfológicas ocorridas no perispírito 
por força das ideações psíquicas, principalmente 
decorrentes do monoideísmo provocando o surgimento dos 
chamados ovóides, não interferem nos fenômenos da 
captação bem como em outros, visto que se trata de um 
automatismo adquirido no decorrer da evolução do Espírito. 
As alterações físicas no perispírito nem sempre 
interferem em suas propriedades dada a sua natureza 
semimaterial. Devemos pensar no perispírito como uma 
estrutura que se alterna entre a materialidade e a 
virtualidade. 
A morte do corpo, que retém o fluido vital e devolve 
ao Espírito seu habitat perispiritual, impede-o de manipular 
inteligentemente a matéria orgânica. O fluido vital é o 
elemento que o capacita não só a manipulá-la como a se 
adequar, limitando-se a um corpo de natureza orgânica. 
Para captar a realidade oriunda dos fenômenos 
materiais, os órgãos dos sentidos são os portais do 
perispírito. Já na captação dos fenômenos de ordem 
transcendente, cujos sentidos físicos não participam, o 
perispírito utiliza os portais sensoriais que possui 
espalhados em toda a sua estrutura. 
Por força das experiências havidas durante suas vidas 
sucessivas, o perispírito funcionará como um filtro com 
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características próprias, alterando a realidade de acordo com 
sua densidade. Caso as experiências tenham sido 
maciçamente carregadas de emoções fortes ou que o 
indivíduo tenha valorizado os aspectos afetivos em suas 
vidas pregressas, o que será captado da realidade terá 
automaticamente esse viés. Não há neutralidade na captação 
automática da realidade. O Espírito é que dará o sentido que 
lhe aprouver àquilo que foi captado. A função de captação 
do perispírito liga o Espírito ao mundo externo e vice-versa. 
 
Função perispiritual de decodificação e filtragem. 
 
As funções de decodificação e filtragem se referem à 
transformação que será feita naquilo que é captado. O que é 
assimilado perispiritualmente sofre alterações, dada a 
natureza do perispírito e de acordo com o mecanismo de 
armazenagem da informação captada. Imagens, sons, 
cheiros, afetos, sensações tácteis, conteúdos subliminares, 
inspirações, ondas mentais externas, bem como tudo o mais 
que possa ser assimilado pelo Espírito passa por uma 
filtragem e decodificação adequadas. A codificação é 
necessária tendo em vista a natureza do Espírito, bem como 
de seu veículo imediato. Primeiro ocorre a decodificação, 
visto que não são guardadas imagens ou sons, bem como 
outros estímulos, mas códigos afetivos que irão se conectar 
a estruturas já existentes no corpo perispiritual. A função de 
decodificação assim é chamada tendo em vista que aquilo 
que é captado já é um código em si, em face da 
impossibilidade de assimilar o objeto real. 
Para entendermos esse sistema de códigos, 
poderíamos recorrer, por analogia, ao sistema binário 
utilizado na ciência dos computadores, ou mesmo ao 
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hexadecimal, porém a matéria é outra. Talvez a codificação 
seja matricial, onde os elementos constituintes sejam 
qualidade de afetos. Tais componentes são classificados por 
serem ou não parâmetros das leis de Deus. Eles não se 
localizam em áreas específicas do corpo espiritual, mas se 
distribuem pelo espaço psíquico que o gera. Podemos 
pensar que o imantado e o não imantado do sistema binário 
correspondem ao adequado e ao não adequado como 
parâmetro de uma lei. 
A decodificação compreende a recodificação quando 
é necessário ao Espírito reportar-se à experiência e devolvê -
la externamente. A experiência real não chega ao Espírito, 
mas apenas aquilo que ela representa como aquisição para o 
conhecimento da lei de Deus. 
 
Função perispiritual de armazenagem (memória). 
 
A memória compreende as capacidades: de fixar ou 
reter informação das mais diversas naturezas, de poder ser 
evocada reproduzindo o conteúdo apreendido, de localizar a 
informação instantaneamente, bem como de permitir que os 
dados sejam flexíveis a conexões emocionais. 
O sistema de armazenagem ou a memória, embora 
tratado num capítulo à parte, pode ser entendido como um 
sistema de recorrência do Espírito quando necessita contatar 
a realidade. A memória é a garantia contra a perda pelo 
esquecimento. Podemos entender a memória não 
necessariamente como um reservatório ou um local onde se 
encontram armazenados os resíduos das experiências, mas 
como um campo onde se encontram conexões num sistema 
de rede vinculando emoções e informações que se 
assemelham. Os registros não são guardados na memória 
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por semelhança numérica, verbal ou por datas. Eles são 
gravados pela conexão afetiva que os une de forma 
aleatória, isto é, não linear, porém são acessados por 
similitude. Ela é seletiva, classificando as experiências 
vividas pelo tônus emocional a elas aplicado. 
Em relação à memorização das experiências a que o 
Espírito se submete utilizando-se do corpo físico, devemos 
considerar que a transcrição para o perispírito é simultânea, 
assim como o acesso aos seus arquivos milenares. 
A memória ao que tudo indica retém seus conteúdos 
por semelhança emocional. Ela não parece um simples 
banco de dados, mas uma grande rede de conexões afetivas. 
A memória está diretamente relacionada com a 
inteligência. Ter uma “boa memória” não significa ter uma 
grande memória, tanto quanto não significa ser mais 
inteligente. Memória e inteligência não são sinônimos, 
porém guardam estrita relação entre si. Ter boa memória 
não significa saber, mas poder fazer conexões apropriadas 
às necessidades do Espírito. Como disse, a memória é 
seletiva e a ela recorremos por causa do tônus emocional 
que adicionamos aos eventos nos quais dirigimos nosso 
foco de interesse. Nos lembramos doseventos aos quais 
adicionamos emoção e que se encontram em nosso campo 
geral de interesses. 
Memória se distingue de imaginação, visto que 
enquanto aquela depende da experiência esta última se 
apóia na recriação e muitas vezes recorre à primeira. 
A intuição nos faz buscar conteúdos internos para 
nossa própria análise. Tais conteúdos podem estar na 
memória ou nos resíduos decorrentes dos conteúdos ali 
existentes. A inspiração nos faz, pelo mesmo motivo, buscar 
conteúdos externos. A memória é acessada pela intuição. 
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Ela pode ser dividida, para melhor compreensão, em 
três partes, segundo sua localização e pertinência. 
Há três memórias: uma física, estruturada no córtex 
cerebral que, pela sua constituição neural consegue 
bioquimicamente gravar informações; uma perispiritual que 
armazena informações de todas as experiências do Espírito; 
e por fim, uma memória espiritual que se encontra no 
Espírito, onde ele registra as leis de Deus. 
 
Memória Cortical 
A memória cortical é seqüencial, linear e 
exclusivamente mecânica. Tem a limitação determinada 
pela capacidade neuronal. Altera-se com o funcionamento 
adequado do sistema nervoso e de todos os seus elementos 
constituintes. É passível de falhas também por conta do mal 
funcionamento do sistema nervoso. Pode ser estimulada 
quimicamente bem como alterada por influência de agentes 
orgânicos. Sua limitação é ditada pelo ego e pela vontade do 
Espírito. Seu funcionamento é automático e a armazenagem 
é baseada na conexão dos estímulos externos com os 
componentes celulares do córtex. 
O córtex é uma espécie de disco em branco para 
armazenagem de dados de acordo com a seqüência em que 
ocorrem. São fixados por área cerebral e obedecem a um 
sistema de ocupação da região cortical por ligação com os 
nervos sensitivos. O resultante das experiências mais 
recentes ocupa as camadas mais superficiais sobrepondo-se 
aos mais antigos que se situam nas mais profundas. À 
medida que os eventos ocorrem são registrados na 
superfície do córtex. As estruturas anexas ao cérebro são 
responsáveis pela memória dos automatismos ancestrais do 
ser humano. Podemos dizer que nelas existem sub-
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memórias: motora, olfativa, visual, tátil, auditiva, gustativa, 
temporal, espacial, etc. 
As portas de entrada para a memória cortical são os 
sentidos físicos, embora, muito especialmente, por conta da 
ação perispiritual, ela possa receber influência através dos 
sonhos. A intensidade emocional atribuída ao estímulo 
externo parece fixar o conteúdo apreendido. 
Não será nenhuma surpresa se futuramente a ciência 
desenvolver sistemas bio-mecânicos de armazenagem de 
resultantes das experiências, isto é, de conteúdos 
informacionais. Os chamados “biochips” estão sendo 
desenvolvidos e terão importante papel na armazenagem de 
informações disponíveis ao ego. 
 
Memória perispiritual 
Há uma estrutura perispiritual que nos permite reduzir 
a um instante todo o conteúdo acessado da memória. O 
perispírito, dada sua natureza sutil, se presta à armazenagem 
das experiências complexas da existência do princípio 
espiritual bem como da vida humana. 
A guarda de informações não se restringe a uma área 
do perispírito, mas a toda a sua estrutura, visto que sua 
composição permite que os dados que sejam oriundos da 
experiência do Espírito se agreguem a ele automaticamente. 
Todas as experiências do Espírito, desde as mais 
simples e captadas subliminarmente, até as mais complexas 
emoções são gravadas no perispírito. A gravação é 
codificada e não obedece à lógica linear utilizada na 
armazenagem da memória cortical. 
O perispírito grava as informações que lhe chegam em 
redes conectadas por similaridade emocional sem classificá-
las por data. A classificação é pelo tônus emocional 
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atribuído a elas. Isso facilitará a lembrança quando for 
necessário revivê-la para o aprimoramento do Espírito. 
A memória perispiritual não só registra os eventos 
captados pelos sentidos como também aqueles que escapam 
aos limites do corpo físico. No perispírito estão gravados 
codificadamente: emoções, juízos de valor sobre eventos, 
impressões subliminares, eventos mediúnicos, traumas, 
complexos, etc. 
As imagens tridimensionais, as impressões táteis, os 
olfatos, as vibrações sonoras, bem como as impressões do 
paladar, são guardadas com componentes subjetivos das 
motivações que provocaram o Espírito. 
 
Memória espiritual 
O sistema de armazenagem nessa memória é 
extremamente complexo visto que não são guardadas 
informações no sentido vulgar que atribuímos ao termo. Ali 
são gravadas as leis de Deus. É ali que a evolução do 
Espírito se processa. Não há base material para justificar um 
sistema de fixação, nem tampouco de armazenagem de 
dados. Opera-se nessa memória um re-arranjo em sua 
íntima estrutura o que significa um maior conhecimento da 
lei de Deus. 
Das experiências gravadas no perispírito, oriundas ou 
não do corpo físico, nem todas necessitam permanecer 
nessa memória, mas apenas aquilo que dela se extrai e que 
modifica o Espírito em sua evolução. As experiências 
traumáticas, dolorosas, sofridas ou mesmo ditosas 
permanecem guardadas perispiritualmente. Chega ao 
Espírito somente o que significa aquisição da lei de Deus. 
O Espírito dispõe dessas experiências na medida que 
interage com o mundo. Elas estão em núcleos perispirituais 
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que se conectam, mas que vão se dissolvendo conforme o 
Espírito evolui. 
Um Espírito Puro não necessita lembrar-se de seu 
passado quando vivenciou tais experiências, visto que, no 
estágio em que se encontra, tão somente lhe é importante e 
necessário saber aplicar as leis de Deus. 
O domínio da lembrança das experiências pregressas 
torna-se desnecessário ao Espírito Puro porquanto ele já 
percebe o significado de tê-las vivido. 
 
Função perispiritual de comunicação. 
 
Saindo da memória analisarei a função perispiritual de 
comunicação com o mundo e com o Espírito. É necessário 
entender que comunicação é um termo de significado amplo 
que engloba a forma verbal como todas as formas não 
verbais de ligação entres os seres da Natureza. 
O Espírito se comunica com o mundo externo 
diretamente face à condição de ser um canal de Deus. Sua 
fala, seu olhar, sua expressão geral é indiretamente expressa 
pelo perispírito e pelo corpo físico. No perispírito é que 
encontramos a complexidade das formas de comunicação. 
Ao analisarmos o complexo sistema de conexão entre 
partículas atômicas explicitado na Experiência conhecida 
pelo nome de EPR (Einstein-Podolsky-Rosen), que sugere a 
existência de velocidades supraluminais (mais rápidas que a 
da luz), podemos entender que a comunicação do Espírito, 
via perispírito, com o Universo é instantânea. Esse sistema 
de conexão transcende as idéias usuais de causalidade. 
O perispírito é uma espécie de usina atômica com 
todos os controles de qualidade e segurança necessários ao 
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fornecimento de energia para a execução e o atendimento às 
necessidades do Espírito. 
Suas “antenas” de comunicação distribuídas por todo 
o corpo espiritual captam e emitem sinais constantemente, 
proporcionando ao Espírito a condição de ligação 
permanente com o meio que o cerca. 
A comunicação do Espírito com o perispírito se dá à 
semelhança de um campo imantado que interfere no espaço 
à sua volta. O Espírito forma um campo específico no qual 
o perispírito se insere. A comunicação flui naturalmente e o 
Espírito capta do perispírito apenas os paradigmas que 
compõem as leis de Deus.Tais paradigmas são 
componentes das leis. 
Para exemplificar cito uma experiência da vida de 
qualquer pessoa. Alguém pode, numa encarnação viver a 
sublime emoção de parir um filho. Diante de tal fato essa 
mãe poderá se sentir feliz, recompensada pela espera de 
nove meses, alegre por corresponder ao desejo de ser mãe, 
ao anseio social de dar continuidade à família além de 
atender à expectativa de seu companheiro. Acompanhar e 
nutrir seu filho lhe trará momentos de extrema satisfação, 
sentindo-se comprometida com o desenvolvimento daquele 
ser frágil e que necessita de cuidados. 
Essa simples, mas rica experiência promove no 
Espírito e no perispírito as seguintes alterações: 
1. Em seu cérebro do corpo físico ficarão gravados 
quimicamente os estímulos envolvidos bem como 
se reforçarão outros já experimentados; 
2. No perispírito a experiência, após codificada, é 
integralmente armazenada, com todos os detalhes 
emocionais característicos, conforme explicado 
anteriormente em outro capítulo; 
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3. O Espírito irá se apropriar dos paradigmas que 
dizem respeito ao valor da vida; desenvolverá a 
capacidade de gerar, nutrir e cuidar da vida; 
aprenderá a alimentar o amor pelo semelhante; 
compreenderá o valor da relação humana; 
alicerçará a necessária distinção entre seu próprio 
eu e o do outro; 
4. Cada momento vivido será importante para 
reforço da compreensão da lei geral de valorização 
da Vida. 
 
A cada novo aprendizado do Espírito ocorre uma 
reorganização com ampliação de complexidade da psiquê 
na estrutura perispiritual, capacitando-a a apreensão de 
novos paradigmas e novas leis. Os automatismos corporais 
e perispirituais se ampliam a cada experiência. 
A comunicação mediúnica é uma das modalidades de 
interligação entre os espíritos. Os perispíritos envolvidos se 
ligam face à justaposição de freqüências que se estabelece. 
Essa ligação, de natureza física, ocorre independente da 
vontade dos envolvidos. Embora a idéia a ser transmitida 
parta do comunicante, a vontade do médium exerce capital 
influência sobre a qualidade do conteúdo da mensagem. 
Embora o cérebro físico participe do processo, nem sempre 
será imprescindível a que o mesmo ocorra. 
 
Função perispiritual de conexão emocional. 
 
A função de conexão emocional permite que no 
perispírito se liguem emoções semelhantes. As experiências 
vividas que se assemelham são conectadas entre si 
independente da época em que ocorreram. Emoções típicas 
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de situações semelhantes serão automaticamente vinculadas. 
Por exemplo: uma situação, numa encarnação, típica de 
inveja, será conectada à de outra encarnação cuja 
experiência também tenha provocado o mesmo sentimento. 
Quando a emoção já não puder mais ser suportada pela 
psiquê, gerando uma tensão psíquica excessiva, ocorrerá o 
processo educativo criando situações externas que possam 
levar o Espírito ao aprendizado necessário. 
Um evento externo estará sempre conectado a uma 
necessidade interna de realização e aprendizado. É por isso 
que atraímos situações, aversivas ou não, 
independentemente do desejo de outra pessoa. Ninguém 
pode se arvorar a responsável pela justiça divina. Deus é pai 
e condutor do ser humano. 
No processo evolutivo, aprender a conhecer e utilizar 
as emoções é condição essencial ao próprio crescimento 
espiritual. 
 
Função perispiritual de condensação. 
 
A função de condensação permite que o Espírito 
possa se apropriar do estritamente necessário ao seu 
progresso espiritual. O perispírito irá condensar todas as 
experiências que se assemelham e se referem ao 
aprendizado de determinada lei de Deus para que o Espírito 
possa incorporá-la a si. Nesse sentido o perispírito 
funcionará como um órgão de filtragem e decodificação das 
experiências. Chegará ao Espírito de forma que possibilite 
sua transformação imediata. 
 
Vale a pena reproduzirmos um trecho do que Allan 
Kardec escreveu em “A Gênese”, Cap. XI, item 17, a 
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respeito do perispírito, visto que nos mostra sua função de 
transmissor ao Espírito, de tudo aquilo que lhe é importante 
à evolução. 
“O Espiritismo ensina de que maneira se opera a 
união do Espírito com o corpo, na encarnação. Pela sua 
essência espiritual, o Espírito é um ser indefinido, abstrato, 
que não pode ter ação direta sobre a matéria, sendo-lhe 
indispensável um intermediário, que é o envoltório fluídico, 
o qual, de certo modo, faz parte integrante dele. É 
semimaterial esse envoltório, isto é, pertence à matéria pela 
sua origem e à espiritualidade pela sua natureza etérea. 
Como toda matéria, ele é extraído do fluido cósmico 
universal que, nessa circunstância, sofre uma modificação 
especial. Esse envoltório, denominado perispírito, faz de 
um ser abstrato, do Espírito, um ser concreto, definido, 
apreensível pelo pensamento. Torna-o apto a atuar sobre a 
matéria tangível, conforme se dá com todos os fluidos 
imponderáveis, que são, como se sabe, os mais poderosos 
motores. O fluido perispirítico constitui, pois, o traço de 
união entre o Espírito e a matéria. Enquanto aquele se acha 
unido ao corpo, serve-lhe ele de veículo ao pensamento, 
para transmitir o movimento às diversas partes do 
organismo, as quais atuam sob a impulsão da sua vontade e 
para fazer que repercutam no Espírito as sensações que os 
agentes exteriores produzam. Servem-lhe de fios condutores 
os nervos como, no telégrafo, ao fluido elétrico serve de 
condutor o fio metálico.” 
 
O perispírito é o veículo de manifestação do Espírito e 
que se torna flexível à condução de seu mantenedor à 
proporção que ele aprende a manuseá-lo com maestria e 
equilíbrio. Há pessoas que não conseguem modificar as 
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condições de saúde do corpo físico em face da excessiva 
fixação em pensamentos que não alteram o corpo 
perispiritual. Quando alcançarmos a percepção da influência 
de nossa vida psicológica e psíquica no corpo, através do 
perispírito poderemos influenciar melhor suas condições 
fisiológicas. 
 
Chakras 
 
O conceito a respeito dos chakras, existentes no corpo 
espiritual, é avançado, revelador e se assemelha à percepção 
dos sistemas orgânicos do corpo físico. Eles são portais de 
entrada e saída do domínio do perispírito, sem penetrar 
definitivamente no campo do Espírito. Os chakras, como 
órgãos do corpo espiritual, assemelham-se aos do corpo 
físico sem, no entanto, alcançar o Espírito. São órgãos que 
desempenham funções de natureza mecânica e instintiva. 
Não são estruturas psíquicas ou virtuais; podem ser vistos e 
detectados. 
Suas conexões se enraízam nas estruturas nervosas do 
corpo humano, sobretudo na região cerebral. Todo o sistema 
nervoso possui correspondência direta com os chakras do 
corpo espiritual. 
 
Hereditariedade e Perispírito 
 
É possível pensar-se em hereditariedade perispiritual 
desde que nos abstraiamos do conceito clássico de 
transmissão direta de caracteres. Podemos pensar em 
influência de um campo sobre outro com transmissão de 
tendências. Podemos herdar de nossos pais certas tendências 
psíquicas que se transferem no processo em que o 
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perispírito recebe influência durante a fecundação. Creio 
que os gametas, masculinos e femininos, responsáveis pela 
fecundação, absorvem dos moldes perispirituais paternos e 
maternos vibrações que se transferem para o perispírito do 
reencarnante. 
Traços do caráter (considerando caráter como 
tendências a comportamentos específicos) alicerçados nas 
sucessivas encarnações se localizam no perispírito. No 
processo de divisão e multiplicaçãocelular (meiose e 
mitose), quando o perispírito do reencarnante interfere nas 
permutações cromossômicas, alterando sobremaneira o 
novo corpo em formação, também irá submeter-se aos 
processos de interferência em seu campo. O perispírito de 
cada um dos pais do reencarnante imprime, no campo 
modelador das formas, características pessoais que 
influenciarão na reorganização de seu “novo” corpo 
perispiritual. O campo formado pelos perispíritos dos pais 
interferirá na estrutura básica do perispírito do reencarnante 
através dos genes no processo de desenvolvimento celular. 
O perispírito materno tem grande influência sobre a 
formação e o desenvolvimento de um novo corpo. Nos 
casos de gravidez sem espírito é ele que promove o 
surgimento do corpo que não chega a vingar. 
O perispírito é formado do Fluido Universal e de suas 
alterações. Um dos componentes que permitem ao 
perispírito ligar-se ao corpo físico é o fluido vital, 
diferenciação especial do Fluido Universal que permite o 
florescimento do que se chamou vida. É esse fluido que 
permite o desenvolvimento dos corpos vegetais e animais. 
Ele consegue organizar a matéria num sistema fechado de 
trocas reguláveis com o meio. A matéria por si só não se 
auto-organiza. Ela obedece a princípios estruturadores do 
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fluido vital que transcendem sua própria condição essencial. 
A matéria orbita em torno do Princípio Espiritual como os 
planetas ao redor do Sol. 
 
 
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Evolução Anímica 
 
 
 
 
O ciclo nascimento e morte condiciona o ser humano 
à idéia de que a vida, por se interromper bruscamente, não é 
eterna. A necessidade de formar um ego a cada encarnação 
reforça essa idéia e contamina a psiquê à configuração 
bipolarizada nos extremos funcionais do inconsciente e do 
consciente. A percepção da unidade do ser humano, isto é, 
de sua individualidade e singularidade, representa 
importante aquisição evolutiva e só se dá após muitas 
encarnações. Aquele ciclo, muitas vezes repetido, influencia 
a percepção da gênese do Espírito, visto que tende à crença 
de que ela é fruto da combinação de gametas. 
O Princípio Espiritual se constitui do Espírito quando 
ainda acoplado a alguma forma material anterior ao corpo 
humano. Ele é o futuro espírito, denominação atribuível só 
após o acoplamento a um corpo humano. No processo 
evolutivo vai formando o corpo espiritual que, um dia, no 
estágio humano, também terá a denominação específica de 
perispírito. 
O Princípio Espiritual, contendo em si o Espírito, 
interage com o mundo inicialmente por um simples impulso 
provocando irritabilidade que será o embrião da futura 
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sensação. O desenvolvimento da sensação e as repetições de 
experiências sucessivas promoverão o instinto. A razão só 
ocorrerá após o desenvolvimento de estruturas perispirituais 
capazes do estabelecimento de conexões cognitivas e a 
aquisição de certas leis de Deus pelo Espírito. Se a razão 
exigirá tais implementos, o aparecimento dos sentimentos 
só se fará após sua consolidação. 
A sensação, a imagem e a percepção são etapas 
conquistadas após experiências do Espírito no contato com 
a matéria, as quais o capacitaram para a aquisição da razão. 
Nada ocorre sem esse contato externo. A formação de uma 
idéia e de um juízo se dá após milenares experiências de 
convívio e de intensas conexões inconscientes. O 
surgimento da afetividade por sua vez exigirá muito mais 
experiências do que qualquer outra formação intelectual. A 
consolidação de um sentimento nas camadas do perispírito 
exigirá evolução do Princípio Espiritual jamais 
experimentada por qualquer animal. 
O Princípio Espiritual necessita de uma unidade 
orgânica para “descer” à matéria. Ele precisa de um fluido 
para animar a matéria. Esse fluido, energia, onda, plasma, 
ou qualquer nome que a ele se dê, tem a característica de 
permitir o acoplamento do Princípio Espiritual à matéria. 
Ele é chamado por Allan Kardec de Princípio Vital. É uma 
diferenciação do Elemento ou Princípio Material. 
É o processo a que se submete o Princípio Espiritual, 
justapondo-se constantemente à matéria e dela se 
ausentando temporariamente, o que permitirá a aquisição 
das leis de Deus ao Espírito. A complexidade é crescente na 
formação do perispírito que será o instrumento capaz de 
flexibilizar o desabrochar das leis de Deus no Espírito. 
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Na questão 621 de “O Livro dos Espíritos”, Allan 
Kardec propõe a seguinte pergunta: Onde está escrita a lei 
de Deus? A resposta vem límpida e clara: “Na 
consciência.” O termo consciência é aqui aplicado, 
penso eu, como sinônimo de Espírito, visto que se 
estivesse no campo da consciência enquanto função 
perispiritual acessível ao ego, teríamos facilmente 
possibilidade de acessá-la. 
As estruturas básicas da psiquê se formam desde os 
primórdios da concepção do Espírito, após sua entrada no 
mundo da matéria. É uma evolução infinita em busca do 
próprio infinito. Um dia não precisaremos do perispírito, 
pois já estaremos na condição de Espírito Puro e, assim, 
“veremos” Deus. O Espírito é criado como uma 
configuração que direciona a Vontade Divina. Ele 
prosseguirá, independente de seu próprio Eu, na direção do 
alvo estabelecido pelo Criador. 
 
 
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As fontes do Espírito 
 
 
 
 
Sempre estaremos considerando que toda força, todo 
poder, toda energia, todo impulso e qualquer que seja o 
mecanismo fomentador da Vida, advêm de Deus. 
Independente disso deve-se analisar as disponibilidades do 
Espírito para sua evolução, bem como para suas ações no 
mundo. 
Ao ser gerado o Espírito, aparentemente adquire a 
capacidade criadora oriunda de Deus. Esse poder criador é 
condição existencial de todos os seres da natureza. Embora 
nos pareça que o Espírito constantemente recebe de Deus 
forças com as quais se nutre, ele próprio possui uma fonte 
geradora de capacidades de realização que lhe permite 
transformar-se e modificar o meio em que vive. 
A energia do Universo, em princípio, emana do 
Criador. Devemos considerar que as manifestações 
energéticas subdivididas em faixas como num espectro se 
originam de uma mesma fonte, a qual Allan Kardec 
denomina, em “A Gênese”, de Fluido Cósmico Universal. 
Pelas definições dos Espíritos Codificadores e de 
Allan Kardec pode-se notar que há um fluido especial que 
anima a matéria e que possibilita a instalação do que chama 
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vida orgânica. Trata-se do fluido vital. Ele possui essa 
característica especial que o torna precioso por possibilitar a 
manifestação do princípio espiritual em movimento de 
ascensão. 
A palavra amor é empregada em diversos sentidos. A 
sua maioria está associada à idéia de doação ou de troca. 
Podemos entender o amor como um fluxo que parte do 
Criador e atinge as criaturas influenciando-as no mesmo 
sentido de doação ou de troca. O amor é a fonte inesgotável 
da Vida. Ele é a seiva do Criador que penetra os escaninhos 
da alma humana. As emanações dessa seiva divina formam 
as emoções e os pensamentos. Nossos pensamentos exalam 
nosso mundo interior e expressam nossas emoções. O amor 
é o poder criador do Espírito. Toda sua criatividade é 
expressão de seu amor interior 
O Espírito foi criado por um ato de doação do 
Criador, sendo por isso capaz de amar, visto que nasce 
dessa lei da Natureza. 
Pelo Espírito passa o amor de Deus que o impulsiona 
à Vida e às relações com a Natureza.Podemos iaginar o Espírito como um cristal, o qual 
possui um retículo, uma configuração ou um determinado 
arranjo de seus átomos e que fosse criado com a capacidade 
de não só refletir a luz que recebe do Criador como também 
de decodificar os sinais percebidos da natureza. 
As diferentes configurações do retículo do cristal 
estabelecem a singularidade de cada Espírito, como 
freqüências que provocam distintas vibrações. Não há um 
Espírito igual a outro tendo em vista as distintas 
configurações criadas por Deus. 
As estruturas reticulares (arranjo espacial) do cristal 
(Espírito) são receptáculos das leis de Deus, isto é, capazes 
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de percebê-las. Conhecer-se é conhecer essas estruturas e, 
em última análise, é aprender as leis de Deus em si mesmo. 
 
 
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Atributos do Espírito 
 
 
 
 
Certamente que os atributos do Espírito se confundem 
com a própria história do conhecimento humano e de seus 
feitos históricos. A Terra, enquanto campo de formas, 
revela, pela sua evolução atual, a capacidade do Espírito. 
Seus atributos, portanto são múltiplos e potencialmente 
ricos. 
O Espírito é uma realidade indivisível. Tentarei, sem 
querer quebrar essa unidade, entender sua estrutura 
conceituando faculdades ou funções que possibilitam sua 
relação com o mundo, considerando este como algo (uma 
unidade) também dedutível. 
Ao ser criado, o Espírito contém as habilidades para: 
 
- Apreender as leis de Deus nas experiências a que 
será submetido; 
- Inserir-se no espaço, portanto no tempo relativo, 
segundo um referencial material; 
- Condensar matéria à sua volta; sem ele, ela se 
apresenta em outro estado5; 
 
5 O Espírito confere à matéria a aparência, a forma e a funcionalidade de que necessita 
para sua evolução. 
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- Tender para uma finalidade pré-determinada pelo 
Criador (traduzida como progresso, felicidade, 
etc.); 
- Desenvolver habilidades novas a partir de suas 
potencialidades, autotransformando-se. 
 
As características atribuídas ao Espírito no seu estágio 
humano decorrem das habilidades iniciais acrescidas das 
leis de Deus durante as experiências sucessivas de sua 
evolução. Características sexuais, emocionais, instintivas, 
etc., não são essenciais, mas adquiridas. 
Sua indestrutibilidade é inerente à condição de 
criatura nascida da Vontade Divina. Sua característica 
autotransformadora lhe permite estar em constante evolução 
em busca de uma auto-organização próxima de Deus. 
O Espírito deve também ser concebido como um ente 
que contém capacidades de mobilizar o meio a sua volta. É 
um campo virtual e ao mesmo tempo real de possibilidades 
de realização. Ele possui capacidades de apreensão da 
realidade, isto é, de apreender as leis de Deus modificando 
sua estrutura íntima, não lhe sendo possível alterá-la com 
redução de suas potencialidades. 
Para o Espírito o que é objetivo é aquilo que lhe 
chega. O mundo material, tanto quanto o espiritual, se 
constitui de subjetividades. A ele não chegam imagens, 
idéias, emoções, palavras ou sinais. Esses elementos são do 
domínio do ego, da consciência, do inconsciente e do 
perispírito. Ao Espírito chegam as leis de Deus. Para o 
Espírito, Deus é seu alter-ego maior. 
O Espírito em si representa a manifestação de Deus e 
suas faculdades são janelas ou portais que se abrem à 
percepção d’Ele. Tudo em que ele coloca seu olhar sofre 
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transformação, visto que a observação direta das coisas 
como elas são, apenas é acessível ao Criador. 
 
 
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Mediunidade 
 
 
 
 
Do ponto de vista da Física, no Universo não existem 
interações ou eventos instantâneos, visto que a causalidade 
é lei. Porém é possível entender que os eventos internos, 
isto é, aqueles que nascem da vontade do Espírito, fogem 
dessa regra para obedecer ao princípio do livre-arbítrio. 
Os fenômenos mediúnicos são decorrentes das 
propriedades do perispírito, que afetam o organismo físico, 
e provocados pela ação dos espíritos. Não são ocorrências 
inusitadas nem raras, pois se dão a todo o momento e nas 
diversas condições. 
Da mesma forma que a fala, a mediunidade não é 
mais do que um sistema de comunicação entre os espíritos. 
Não representa nada de excepcional a não ser para aqueles 
que não compreendem a natureza dos espíritos. 
O espírito dela se utiliza, para possibilitar a 
comunicação com outros que estejam em vibração diferente 
da que se encontra. 
Difere da telepatia visto que esta decorre do 
estabelecimento de sintonia entre veículos de comunicação. 
Devido às propriedades físicas do cérebro, tanto quanto do 
perispírito, e pelas propriedades do fluido do pensamento, 
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se dá a telepatia, que nada mais é do que a justaposição de 
freqüências de pensamentos numa mesma faixa vibracional. 
O fenômeno da telepatia independe da vontade. 
A interferência de pensamentos estranhos às idéias em 
curso na mente de alguém nem sempre decorre da telepatia, 
pois pode se tratar de influência espiritual. 
A mediunidade é fenômeno natural e sua existência 
responde a questões consideradas insolúveis nos paradigmas 
mecanicistas acadêmicos. 
A mediunidade como faculdade coletiva, inerente ao 
ser, pode e deve ser desenvolvida, pois representa aquisição 
evolutiva tê-la como meio de comunicação universal. 
A utilização dessa faculdade deve ser feita em todas 
as circunstâncias da vida humana, visto que a consciência 
de sua utilidade favorece as percepções dos processos 
psíquicos. Quem utiliza adequadamente a mediunidade tem 
oportunidade de entender melhor sua própria psiquê. 
A constante “conversa” que devemos ter com o 
inconsciente será de grande valia para detectarmos os 
processos mediúnicos que ocorrem em nossa mente. 
Quando nos dedicamos a evocar a simples formação de 
bons pensamentos em nossa mente, adotando idéias 
positivas, estaremos em verdade fomentando que os Bons 
Espíritos nos influenciem e favoreçam nosso entendimento. 
Esse “diálogo” constante representa o embrião da 
mediunidade natural. 
Ao exercitarmos a inspiração ou ao compelirmos ou 
estimularmos a que venham conteúdos à consciência, 
necessários à compreensão, à fala ou à escrita, estaremos 
auxiliando sobremaneira o desenvolvimento da 
mediunidade. 
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Os desejos de entender uma situação, de prever a 
ocorrências de fatos futuros, de perceber as emoções dos 
outros, de construir idéias superiores, são atitudes que 
favorecem o desenvolvimento da mediunidade. 
A mente voltada para o aspecto espiritual da vida 
permite uma melhor conexão com os espíritos para o 
exercício da mediunidade natural. 
A mediunidade é aquisição do Espírito no processo de 
construção de seu perispírito, e isso se dá a partir dos 
primórdios da evolução até que alcance a condição de 
Espírito Puro. 
A mediunidade exige a suspensão dos sentidos 
físicos? Necessariamente não, visto que o fenômeno nem 
sempre é do domínio da consciência e sua produção é do 
perispírito. O estado alterado de consciência não é requisito 
imprescindível à ocorrência do fenômeno, mas contribui 
para sua qualidade. 
Os estados de transe, comuns nas manifestações 
mediúnicas, nem sempre refletem diretamente a essênciado 
Espírito. Em sua maioria descortinam faixas psíquicas ou 
estruturas perispirituais, liberando conteúdos alicerçados 
nas várias encarnações. 
A mediunidade possibilita a livre manifestação do 
Espírito (do próprio médium ou de outro Espírito). Suas 
aplicações se estendem ao senso comum do contato com o 
mundo espiritual, pois permitem a transcendência do 
humano ao divino. 
Fora do capítulo da mediunidade há fenômenos sem 
causa conhecida, aparentemente fora da ordem natural, a 
exemplo daqueles que Jung denominou sincronicidade, que 
devem obedecer a alguma lei que, por enquanto, foge à 
nossa possibilidade de entendimento. São fenômenos aos 
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quais não conseguimos anexar uma teoria que explique 
satisfatoriamente suas causas: a paralisação de um relógio 
no exato momento em que seu dono desencarna; o 
aparecimento inusitado, extemporâneo, inadequado ao 
lugar, de um objeto, planta ou animal, quando a ele nos 
referimos; ter consciência de que se está sonhando durante 
essa ocorrência; alternância onda/partícula na intimidade da 
luz; etc. 
A busca de uma lei causal para tais fenômenos, que 
inclusive englobe outros explicáveis pela ciência, pode ser 
um equívoco, visto que a Lei geral do Universo pode ser o 
fato de existirem várias leis. 
 
 
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71
 
 
 
 
 
Evolução do Espírito 
 
 
 
 
O Espírito foi criado simples e ignorante, como consta 
na questão 115 de “O Livro dos Espíritos”. Sua evolução se 
dá através das experiências no contato com a matéria. 
Através delas o Espírito apreende o conhecimento das leis 
de Deus, capacitando-se a novos desafios em sua jornada 
rumo a perfeição, ou seja, à condição de Espírito Puro. 
As aquisições do Espírito adjetivadas como amor e 
sabedoria encerram mais do que o conteúdo formal das 
palavras. O Espírito evolui reconfigurando-se, capacitando-
se a melhor entender e viver no Universo. Sua evolução 
significa capacidade de lidar com o que Deus dispôs. 
Necessariamente não significa adquirir grande quantidade 
de informações. 
Os primeiros estágios do Espírito, ainda como 
Princípio Espiritual, no contato com a matéria lhe 
proporcionarão, através de sua contraparte, o perispírito, a 
aquisição de condições para apreensão das leis de Deus. A 
matéria, tal como concebida pela ciência e constante em 
nosso psiquismo, não é sólida como nos parece. Tampouco 
é constituída de minúsculos corpúsculos apenas visíveis 
microscopicamente. Ela se torna perceptível quando sobre 
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ela aplicamos nossa observação. Isso quer dizer que ela se 
torna sólida ao ser observada. Ela assim nos parece por que 
a vemos e percebemos dessa forma, mas ela não é assim. 
Essa forma com que Deus dispôs o mundo permite ao 
Espírito evoluir considerando-se ligado à matéria. É da 
comunhão dos dois princípios que surge a evolução. 
Nos primórdios da evolução, ainda sob o domínio 
completo do automatismo, o Princípio Espiritual, pelo seu 
estado embrionário, provoca, no contato com aquilo que lhe 
constitui a matéria, a aquisição da sensação. Durante o 
tempo necessário à fixação em si mesmo das leis que lhe 
permitem aprender a manter o contato com o mundo 
externo, o Princípio Espiritual permanecerá ligado às 
sensações fisico-químicas. Esse é o período do contato com 
as formas minerais, bem como com aquelas formas de 
características transitórias. O Princípio Espiritual está nessa 
fase se capacitando à manipulação dos fluidos, em 
particular daquele que será o fluido vital. 
Da sensação ele passa à percepção. Esta será 
apreendida nos contatos discriminatórios com os vários 
tipos de sensações. A partir dessa perspectiva a matéria será 
vista de formas variadas mesmo que ela seja uma única 
coisa em si. A seletividade da sensação, que o faz diferençar 
e perceber vários tipos de matéria é fruto de seu próprio 
desenvolvimento interno. Essa percepção lhe permitirá 
futuramente estabelecer a diferença entre sua essência e a de 
outrem. É aí o momento em que a individualidade começa 
se estruturar. Na percepção o Princípio Espiritual 
desenvolve em si o sentido da alteridade e se percebe um 
ser no mundo. É o período em que estará estagiando no 
contato com os vegetais. 
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Da percepção passa à compreensão e daí ao 
estabelecimento dos juízos. Nesse momento o Princípio 
Espiritual penetra nos domínios da valorização da vida e 
vive o período em que experimentará os medos, 
principalmente o da morte. É o estágio marcado pela vida 
animal. O prazer e o medo estarão presentes nesse período e 
farão com que o Princípio Espiritual apreenda a noção de 
livre arbítrio. 
No psiquismo forjado ao longo de sua evolução já é 
possível a captação de imagens, a formação de idéias, o 
estabelecimento de valores, bem como as noções superiores 
da Vida. 
O caminho evolutivo do Princípio Espiritual até sua 
ascensão à condição de Espírito passa por várias etapas na 
aquisição de complexas estruturas psíquicas e de 
determinados paradigmas das leis de Deus, dos quais os 
dois principais são: de um lado o domínio da razão na 
consciência; do outro, a capacidade de construir 
sentimentos. 
Muitas vezes observamos a evolução das formas, bem 
como o desenvolvimento da sociedade que se torna cada 
vez mais complexa e dominadora em relação ao indivíduo, e 
pensamos que aí está a ascensão do ser humano. É preciso 
entender que o que está fora, embora reflexo do que está 
dentro, não implica em linearidade absoluta. Apenas reflete 
a evolução de grupos, mas não de cada indivíduo. A 
necessidade de se criar uma legislação humana além de 
proporcionar uma justiça comum e propor regras aceitáveis 
à convivência pacifica entre as pessoas, permite, através 
dela, a fixação e a compreensão das leis de Deus. Porém 
isso se dá de forma muito lenta e gradual. 
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A ascensão do Espírito à condição de Espírito Puro é 
o trabalho de Deus, Sua obra de arte e Sua ocupação mais 
bela e grandiosa. É uma construção primorosa que se opera 
no mais íntimo do ser humano. Tudo o que o ser humano 
vê, constrói e aspira, existe dentro dele e é produto do 
Artista Máximo: Deus. 
A evolução pode ser apresentada sob um ponto de 
vista macro-econômico, religioso, psicológico, moral, 
sociológico, climático-ambiental, da cadeia alimentar, 
tecnológico, comercial, das disputas de grupos, dentre 
outros. Porém, é preciso entender que as análises que se têm 
feito, mesmo aquelas que levam em consideração a 
dimensão religiosa, esquecem o Espírito em sua essência. A 
evolução do Espírito se mede pela aquisição gradativa das 
leis de Deus, independentemente das construções externas. 
A verdadeira evolução ou transformação do Espírito 
não é uma conversão, pois esta é um movimento brusco na 
direção oposta. Quando aceita a própria natureza, com suas 
imperfeições típicas do estágio em que se encontra, 
enquanto se dirige a um novo objetivo da caminhada, vive 
mais feliz e consciente de um futuro melhor. 
O processo evolutivo que permitiu ao Espírito, através 
do perispírito, estagiar nas formas da natureza, nem sempre 
possibilitou sua ausência do contato com a matéria por 
muito tempo. Nos primórdios da evolução a passagem de 
uma forma a outra se dá automaticamente. O tempo de 
permanência do Espírito fora do contato com a matéria 
densa cresce na medida em que ele ascende na escala 
evolutiva. O período interexistencial nos animais é muito 
curto. Logo retornam a uma nova encarnação, visto que a 
consciência de si mesmos e os poucos referenciais externos 
não lhes acrescentam muito na evolução. 
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A reencarnação ou o contato do Espírito com o corpo 
animal possibilita a apreensão de capacidades excepcionais, 
porém não se pode afirmar em que estágio do caminho ele 
se encontra. É apenas um momento da evolução, não sendo 
início, nem meio, tampouco o fim. O que virá pela frente, 
nos milhões de anos adiante continua sendo incógnita. 
A evolução é também um contínuo aprendizado do 
Espírito na manipulação da matéria. Em todas as fases que 
atravessa terá que desenvolver habilidades para lidar com 
formas organizadas de matéria a seu serviço. Na fase 
hominal ele deve aprender a usar o corpo físico, dotado de 
um sistema central complexo, agora mais flexível e 
apropriado à apreensão das leis de Deus. No período mais 
primitivo, já na fase humana, ele não tinha consciência de si 
e perambulava meio perdido tentando ajustar e organizar o 
pensamento descontínuo que ressoava em seu cérebro. 
O corpo físico é a máxima expressão possível que o 
Espírito pode mostrar de si mesmo no estágio evolutivo em 
que se encontra. Quanto mais evoluído, mais complexa será 
sua expressão na matéria. Essa complexidade quer significar 
também habilidades sensoriais e extra-sensoriais incomuns. 
A expansão da consciência, colocada como objetivo 
da evolução, é uma metáfora, visto que, ao que nos parece, 
o Espírito está em processo de integração ao Universo, 
internalizando suas leis a si mesmo. O Espírito se expande 
no conhecimento das leis de Deus enquanto a consciência se 
volta para focalizar o momento que vive. A tomada de 
consciência das leis é do domínio do Espírito, não chegando 
ao consciente da vida encarnada. Embora não permaneça na 
consciência, considerada como estrutura da psiquê, as leis 
de Deus ficam cada vez mais acessíveis. A expansão 
referida inicialmente é de acessibilidade. 
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Página em branco 
 
 
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Inteligência 
 
 
 
 
Em O Livro dos Espíritos Allan Kardec, considerando 
o atributo máximo utilizado pelos Espíritos Codificadores 
para caracterizar a evolução, questiona sobre a inteligência. 
Pergunta ele: 
 
Espírito é sinônimo de inteligência? 
 
A pergunta (número 24 do referido livro) parece 
encerrar a idéia de que nada mais existe além da 
inteligência. Porém a resposta vem precisa. 
 
“A inteligência é um atributo essencial do 
Espírito. Uma e outro, porém, se confundem num 
princípio comum, de sorte que, para vós, são a 
mesma coisa”. 
 
Novamente nos parece que os responsáveis pela 
Codificação Espírita querem afirmar a pobreza de nossa 
compreensão e da linguagem que não consegue descrever a 
essência do Espírito. 
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Por muito tempo se considerou a inteligência como o 
atributo principal para designar o máximo da capacidade do 
ser humano em face do mundo e seus desafios. A palavra 
resumia tudo que se queria afirmar a respeito da capacidade 
de cada ser humano no que diz respeito às suas aptidões 
intelectuais. Mas, em absoluto, ela não consegue resumir 
todas as qualidades nem a diversidade da natureza humana. 
As capacidades intelectivas humanas não mais podem 
se resumir à palavra inteligência. Ela encerra apenas o 
domínio lógico-matemático e lingüístico-verbal da mente 
humana. 
O Espírito, na riqueza de sua evolução e na 
complexidade de suas potencialidades tem mais do que a 
inteligência, como muito bem colocaram os Espíritos na 
Codificação ao afirmarem que ela é apenas um dos 
atributos. Como a ciência da época não valorizava outras 
formas de manifestação das capacidades psíquicas do ser 
humano, confundia-se o Espírito com a inteligência. 
Hoje, após estudos e novas formas de percepção e 
valorização das capacidades humanas, podemos afirmar que 
a inteligência em todas as suas manifestações é apenas um 
dos muitos atributos do Espírito. 
O domínio das inteligências, pertencente ao Espírito, 
ainda se encontra de tal forma concebido como um caráter 
cerebral que não se avança na percepção da totalidade e da 
realidade psíquica da pessoa. A ciência teima em atribuir ao 
cérebro os potenciais que pertencem ao Espírito, que se 
utiliza daquilo que sua estrutura física possibilita 
manifestar. 
A denominação de inteligência obedece a uma época 
em que faltavam termos para se definir as capacidades do 
Espírito. Talvez ainda faltem, porém é fundamental 
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79
entender que a falta não se deve à linguagem, mas ao 
aprisionamento a paradigmas mecanicistas e estritamente 
vinculados a uma concepção materialista e utilitarista de 
enxergar o ser humano. 
As inteligências definidas pela ciência como 
capacidades intelectivas, longe de serem meros campos de 
avaliação do saber, se aproximam, embora que de forma 
acanhada, das faculdades do espírito. 
Poderíamos redefinir inteligência como uma aptidão 
do espírito, a qual resume grande número de funções 
independentes, tais como: imaginação, memória, atenção, 
conceituação e raciocínio, dentre outras. Ela resulta da 
aprendizagem através da formação de hábitos oriundos dos 
condicionamentos reflexos bem como da livre expressão do 
Espírito na utilização de seu livre arbítrio. É uma função 
complexa de adaptação ao mundo onde a consciência se 
torna cada vez mais capaz de compreender, criticar e decidir 
sobre uma nova situação. Inteligência é a capacidade de 
ordenar, organizar e utilizar os pensamentos e emoções em 
proveito próprio. É a capacidade de reunir procedimentos 
adequados para fazer coisas. Uma inteligência é a 
capacidade de resolver problemas ou de criar situações que 
sejam valorizadas dentro de um ou mais cenários culturais. 
Modernamente já se admite as múltiplas inteligências, 
porém devemos entender que se tratam de conceitos que 
servem para denominar algumas capacidades do Espírito. 
Desviando a concepção de inteligência como algo 
ligado ao raciocínio a ao conhecimento intelectual, Ghandi 
dizia que “os únicos demônios deste mundo são os que 
circulam em nossos corações. É aí que a batalha deve ser 
travada.” Na mesma esteira de Ghandi, Antoine de Saint-
Exupéry, em O Pequeno Príncipe, afirma que “É com o 
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coração que se vê corretamente; o essencial é invisível aos 
olhos.” Um e outro procuram colocar que existe algo mais 
além do que a inteligência quer significar. Há capacidades 
emocionais que fogem do domínio daquilo que se conhece 
com o nome de inteligência. 
O desvio do conceito clássico sobre o que é 
inteligência é percebido no aumento da agressividade, 
sobretudo juvenil, nas classes sociais cujos membros 
permaneceram mais tempo na escola formal, nas mudanças 
paradigmáticas na sociedade que passou a valorizar 
profissões cuja habilidade advém diretamente do ser 
humano, além da crescente importância do aspecto 
emocional na sua vida. 
Numa sociedade em que o aumento do índice de 
suicídios tem crescido; onde se observa um grande volume 
de doenças psicossomáticas; há um crescente 
desenvolvimento de habilidades técnicas antes das 
humanas; na qual a família passa por um complexo 
processo de reestruturação e as separações se tornam cada 
vez mais comuns, faz-se necessária a revisão do conceito do 
que é ser inteligente ou ter inteligência. 
Estamos diante de uma “epidemia” cuja erradicação 
marcará época na humanidade. A doença se chama 
alexitimia, que significa ausência de palavras para 
descrever os próprios sentimentos. Essa epidemia se deve 
ao domínio da inteligência lógico-matemática e lingüístico-
verbal. 
Essa “epidemia” é responsável pela produção de 
sintomas para suprir essa deficiência. Ao lado disso floresce 
a indústria de substâncias químicasque, embora diminuam 
a dor e contribuam para a melhoria das doenças, mascaram 
as causas dos problemas humanos. Muitos problemas que 
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poderiam ser resolvidos com enfrentamento direto, o que 
possibilitaria melhor aprendizado ao Espírito, são 
maquiados com substâncias protelatórias e aliciadoras da 
passividade. 
O uso restritivo ao cognitivo, aplicado à palavra 
inteligência, nos fez acreditar que ela é o máximo da 
capacidade humana. Quando a uso estou me referindo às 
capacidades do Espírito, às quais tamb ém compreende a 
inteligência. 
As inteligências, ou melhor, as capacidades 
intelectivas são independentes umas das outras, isto é, as 
competências e os talentos humanos são relativamente 
autônomos. Há interações produtivas entre elas. Quando 
usamos mais de uma faculdade ou talento, estaremos diante 
de outras competências. 
A falsa matriz determinante do comportamento, que 
contém a carga genética e as primeiras experiências de vida, 
nos fez pensar que o ser humano poderia ser moldado por 
esses princípios, esquecendo-nos das experiências das vidas 
passadas. A matriz que interfere no comportamento contém: 
as experiências pregressas, a educação da encarnação atual, 
as provas, as expiações, a visão de mundo e o livre arbítrio 
do Espírito. 
A maioria, ou quase todos nós, não foi treinada a 
desenvolver habilidades fora do eixo linguístico-verbal e 
lógico-matemático. Por causa disso nos limitamos e 
desenvolvemos poucas habilidades. É como se tivéssemos 
uma usina atômica e a utilizássemos para acender as velas 
de uma árvore de natal permanecendo com as lâmpadas da 
casa apagadas o tempo todo. 
As escolas, influenciadas por um modelo redutivo e 
mecanicista, dirigem seus currículos para o aprendizado 
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daquele eixo, avaliando o ser humano dentro de seus 
limites. Muitas vezes avaliam seus estudantes dentro desses 
limites influenciando toda a encarnação por conceitos 
estreitos e desestimulantes. Quando o aluno não apresenta 
rendimento naquele binômio é sumariamente avaliado como 
inapto, o que influencia toda sua vida. 
Não fomos estimulados a perceber capacidades outras 
que predominam em nosso mundo inconsciente; habilidades 
que jazem latentes à espera de estímulo adequado. Mesmo 
que ainda não manifestas ou treinadas em vidas passadas, há 
capacidades a serem desenvolvidas para o progresso do 
Espírito. 
Isso gerou um padrão de homem inteligente – 
respeitado e bem sucedido. Antigamente o bom filho tinha 
que ser bom em matemática e em português. Os pais ficam 
alegres quando seus filhos tiram boas notas nessas duas 
disciplinas e até mesmo nas outras, porém não reparam que 
essas notas não avaliam a personalidade deles. 
Por causa desses conceitos surgiram os famosos testes 
de QI, felizmente de restrita aplicação no Brasil. Os testes 
de QI medem apenas algumas funções lógicas, 
especialmente a capacidade de fazer conexões racionais. 
Medem conhecimentos cristalizados. Não medem 
capacidades de assimilar e resolver novos problemas. Não 
medem a capacidade de lidar com as emoções e com 
situações onde se exige talentos integrados. 
A ênfase é dada ao método papel e lápis. Infelizmente 
esse é o campo de avaliação do potencial humano. Deve 
haver mais na inteligência do que perguntas certas e 
respostas certas. Como medir através do papel e do lápis, ou 
mesmo do computador, os domínios humanos? Certamente 
que temos que avançar no modelo de educação que temos. 
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Os testes de QI não são eficazes para medir a 
inteligência nem medem as aptidões do Espírito. Eles 
alcançam parcialmente apenas duas das inteligências: 
a) lingüística ou verbal, do domínio da palavra; 
b) lógico-matemática, do cálculo e da percepção 
algébrica. 
Na educação formal infelizmente se cobram apenas 
essas duas. O fracasso na escola representa o não domínio 
de apenas uma ou duas inteligências. 
Vivemos num cenário em contínuo movimento de 
mudanças, que por sua vez provocam alterações psíquicas 
significativas exigindo atitudes diferentes a cada momento. 
Percebemos cada vez mais que tudo está interligado. A 
globalização promovida pela revolução tecnológica implica 
em interferências culturais e de comportamentos. Novos 
paradigmas surgem, novos produtos, novos 
comportamentos, novos modos de relação entre as pessoas, 
que provocarão mudanças interiores significativas. 
As avaliações cognitivas mudaram a cada século. No 
Século XVIII vigorava a Frenologia de Franz Joseph Gall, 
que se baseava no tamanho e formato da caixa cerebral; no 
Século XIX surgiram as pesquisas das regiões cerebrais de 
Pierre-Paul Broca, valorizando o órgão central como 
determinante do comportamento; no Século XX surgiram os 
testes de QI, de Alfred Binet, estreitando a avaliação a 
certas perguntas e respostas padronizadas. Provavelmente 
no Século XXI o critério será outro, ampliando as 
capacidades humanas, principalmente valorizando o 
desempenho emocional. 
Os principais paradigmas cognitivos foram 
enviesados pela cultura que supervalorizou o domínio 
lógico-matemático e linguístico-verbal. O “Conhece-te a ti 
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mesmo” dos gregos, usado por Sócrates, coloca o conhecer 
como o objetivo máximo do ser humano; o aforismo de 
Aristóteles “Todos os homens, por natureza, desejam o 
saber”, apresenta a supremacia do saber; o famoso 
manifesto de Descartes, “Penso, logo existo”, estabelece a 
evidência do pensar sobre tudo o mais. São esses os 
paradigmas considerados mais importantes pelo ser 
humano, porém a supremacia do intelecto e da razão 
enviesados está com os dias contados. 
Estamos assistindo as mudanças de paradigmas no 
que diz respeito aos conceitos sobre o conhecer, o saber e o 
pensar. Estamos percebendo que há uma mente que pensa e 
uma que sente, ou pelos menos a mente é capaz de 
conhecer, saber, pensar, também se emocionar, dentre 
outras capacidades. O centro da consciência certamente está 
se deslocando do cérebro para o coração. Segundo os hindus 
a sede da consciência está na altura do chakra cardíaco. 
Agora a fórmula para o sucesso pessoal é a 
combinação do pensamento racional agudo com o controle e 
o conhecimento emocional. Torna-se imprescindível para 
isso aprender a educar a ira, a ansiedade, a melancolia ou os 
ímpetos agressivos. As empresas modernas estão exigindo, 
além de um bom currículo, sentido de cooperação, 
entusiasmo para encontrar as saídas de um problema, calma 
e, principalmente, bom senso. 
As empresas do terceiro milênio exigem um currículo 
pessoal onde constem habilidades de: redação, comunicação 
oral, capacidade de ouvir, bom negociador, capacidade de 
estabelecer estratégias e exercer influências, honestidade, 
energia criativa, confiabilidade, integridade, intuição 
apurada, imaginação, flexibilidade, compromisso, 
motivação, sensibilidade, empatia, bom humor, coragem 
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para enfrentar desafios, consciência da responsabilidade e, 
sobretudo humildade. Mas, como aferir se os indivíduos, 
candidatos a ocupar cargos importantes, possuem esses 
requisitos? 
Enquanto as empresas ainda não encontraram as 
fórmulas adequadas para medir esses requisitos, é 
fundamental que busquemos aumentar o desempenho 
emocional próprio adaptado ao trabalho. Podemos iniciar 
com as seguintes ações: 
 
1. Envolvimento criativo em um trabalho, um 
projeto ou um debate, participando ativamente na 
empresa nos momentos que surgirem 
oportunidades; 
2. Fazer pausas estratégicas de 5 minutos a cada duas 
horas de trabalho; 
3. Realizar atividades físicas regularmente; leves 
(andar logoapós as refeições); moderadas 
(alongamentos após cada turno de trabalho); 
intensas (praticar um esporte por duas horas num 
dia da semana); 
4. Refeições moderadas: comer de duas a três 
refeições por dia, em intervalos regulares; 
5. Praticar o bom humor e a alegria espontânea, 
começando em casa, antes de sair ao trabalho, 
preferencialmente logo ao acordar; 
6. Construir um bom ambiente de trabalho, com 
ótima iluminação, cores vivas e, se possível, 
música ambiente; 
7. Buscar o sono profundo, evitando trabalhar no 
quarto, acostumando-se a acordar à mesma hora; 
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8. Ter uma conversa diferente a cada dia com 
alguém. 
 
A administração adequada das emoções pode 
influenciar decisivamente no sucesso da carreira 
profissional. Nas tomadas de decisões, na atividade de 
liderança no aproveitamento dos talentos pessoais, na 
capacidade criativa e inovadora, na iniciativa, no 
desenvolvimento de uma comunicação aberta e honesta, na 
capacidade de exercer o descontentamento construtivo, na 
busca de relacionamentos confiantes, no trabalho em 
equipe, no gerenciamento das mudanças inevitáveis, nas 
inovações estratégicas e na consolidação do compromisso, 
da lealdade e da responsabilidade. 
Éramos convidados a lidar com situações simples, 
previsíveis, prognosticáveis. As oportunidades eram óbvias 
e em condições muitas vezes inalteráveis. Acreditávamos 
que o trabalho era lidar com rotinas e tudo podia ser 
planejado e programado com antecedência. 
Embora tudo isso ainda vigore e seja necessário que 
assim ocorra, as situações do mundo moderno são 
complexas e de difícil análise, imprevisíveis, não 
prognosticáveis. As oportunidades devem ser procuradas e 
as condições estão em constante transformação. O 
planejamento e a programação nem sempre podem ser feitos 
com antecedência e a rotina torna-se exceção. 
O campo das emoções do ser humano torna-se o 
território a ser explorado pelos estudiosos e pelos 
psicólogos da linha organizacional. Quem se conhece e sabe 
lidar com as próprias emoções certamente sairá na frente na 
hora de ser escolhido para desempenhar determinadas 
funções no trabalho. 
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As emoções, ou melhor, “o espírito que nos move”, 
são poderosos elementos direcionadores e organizadores do 
pensamento. Situam-se nas camadas profundas do 
psiquismo inconsciente e ativam determinantes sentimentos 
na consciência. Elas produzem energia à espera de 
movimento adequado. Governam a nossa vida consciente 
sem que nos demos conta. 
O raciocínio lógico obedece a emoções. São emoções 
que geram atitudes. Inteligência e emoção não se opõem. As 
emoções são a base dos pensamentos. Para a elaboração 
destes concorrem: estímulos ambientais, estímulos 
orgânicos (conscientes e inconscientes), estímulos 
psicológicos (conscientes e inconscientes), intuições e 
inspirações e a vontade do Espírito. 
Segundo Jung o ser humano dirige-se para a realidade 
através de funções que se transformam em atitudes 
psíquicas. Quando associadas aos comportamentos e de 
acordo com a direção da energia psíquica elas se 
transformam em tipos psicológicos. São quatro as funções 
psíquicas: pensamento, sentimento, sensação e intuição. 
Elas são responsáveis pelos modos de apreensão da 
realidade. A função pensamento nos faz entender as coisas e 
os eventos de forma utilitária e causal. A função sentimento 
nos auxilia a atribuir juízos de valor. A função sensação nos 
possibilita apreender a realidade como ela é, com forte 
ligação sensorial. A função intuição nos permite estabelecer 
conexões espaciais e temporais aos eventos que se passam 
conosco. Independente dessa classificação, que por si só já 
nos bastaria, podemos captar a realidade de modos tão 
distintos quantas sejam as configurações da psiquê humana. 
A nossa visão de mundo, isto é, as expectativas e 
configurações que atribuímos à realidade, são o principal 
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direcionador da forma como e do que captamos dela. A 
realidade torna-se como a água que adota a forma do vaso 
que a contém. 
Por esse motivo os sentimentos que se encontram em 
nosso mundo inconsciente são determinantes para o que 
captamos da realidade. Eles moldam o que assimilamos e 
enviesam nosso destino. Cultivar emoções nobres, saber 
viver emoções que nos deprimem e senti-las com o Espírito 
voltado para o amor é fundamental ao nosso 
desenvolvimento psíquico. 
Os sentimentos de amor, felicidade, medo, ódio, 
tristeza, saudade, repugnância, bem como o sentimento 
íntimo da existência de Deus, devem ser vividos pelo 
Espírito com o compromisso consciente de retirar deles o 
melhor. Não só os sentimentos como as emoções ligadas à 
ansiedade, à surpresa, à raiva, dentre outros, devem também 
ter o mesmo tratamento. 
Certos sentimentos inibem ataques ao psiquismo 
daquele que tem a satisfação de experimentá-los. O amor e 
a felicidade, dentre outros, favorece o desenvolvimento 
espiritual e prepara o Espírito para a aquisição dos 
parâmetros das leis de Deus. Fundamental é senti-los 
constantemente. 
Já sentimentos como o medo e a ansiedade devem ser 
sentidos e deles se retirar proveito utilizando-se a energia 
por eles gerada em favor do momento em que os 
experimentamos. 
Durante os momentos em que sentimos as emoções 
devemos estabelecer a diferença entre as sensações físicas 
experimentadas pelo corpo e os sentimentos do Espírito, a 
fim de melhor aproveitarmos as energias por elas geradas. 
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As emoções não estão no cérebro embora as 
sensações físicas centralizadas no sistema nervoso central 
contribuam para que elas sejam percebidas de forma intensa 
ou não. Confundimos sensações físicas com emoções e não 
percebemos o quanto o sistema nervoso contribui para que 
isso se dê. 
Quando o sistema nervoso ou seus elementos 
periféricos estão com defeito pensamos que o problema é do 
Espírito. Às vezes o problema é perispiritual e afeta o corpo, 
que, nem sempre, apresenta qualquer deficiência. Howard 
Gardner, Psicólogo da Universidade de Harvard, 
desenvolveu o conceito de Inteligências Múltiplas. Ele 
coloca que a lesão que causa distúrbio de leitura em uma 
cultura (digamos na Itália) não produz qualquer distúrbio 
numa cultura onde a leitura procede por um mecanismo 
diferente (digamos Japão). Diz que a forma cognitiva é a 
mesma para a linguagem, para a música, para o gesto, para a 
matemática ou para o desenho. No seu trabalho ele afirma 
que não existe apenas um número determinado de 
inteligências e que estas não são sistemas sensoriais nem 
devem ser pensadas em termos valorativos. As inteligências 
existem não como entidades fisicamente verificáveis, mas 
apenas como constructos científicos potencialmente úteis. 
Ele considera que são “sinais” de uma inteligência: 
 
1. Isolamento potencial por dano cerebral, isto é, a 
ausência das habilidades características por 
deficiência física congênita ou adquirida; 
2. Existência de “idiotas sábios”, prodígios e outros 
tipos de excepcionais, isto é, a presença de sinais 
exacerbados de habilidades características; 
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3. Conjunto de operações, ou mecanismos de 
processamento de informações recebidas, 
identificáveis, isto é, a reunião de elementos 
distintos que configuram e encerram uma 
habilidade específica; 
4. Uma história desenvolvimental distinta, isto é, a 
existência de um processo evolutivo observável na 
espécie, ao longo do tempo; 
5. Apoio de tarefas experimentais distintas, isto é, a 
possibilidade de isolamento das habilidades a 
partir de comportamentos passíveis de repetição; 
6. Apoio de achadospsicométricos, isto é, 
possibilidade de medir aquelas habilidades através 
de escalas pré-definidas; 
7. Suscetibilidade à codificação em um sistema 
simbólico, isto é, a possibilidade de 
universalização das habilidades observadas. 
 
Pode-se perceber que o critério de aferição é 
puramente baseado nas funções cerebrais. As capacidades 
do Espírito não são consideradas. As habilidades que 
ocorrem em situações fora da rotina, não demonstráveis 
explicitamente, são desprezadas. 
Utilizando a classificação de Gardner analisarei as 
inteligências a que ele se refere e, ousadamente, 
acrescentarei uma última. 
 
Inteligência Lógico-Matemática. 
 
É assim denominada a capacidade de raciocínio lógico 
e a compreensão de modelos matemáticos. Habilidade de 
lidar com conceitos científicos. O desenvolvimento dessa 
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habilidade decorre do pragmatismo e da necessidade de 
adaptação à realidade. O uso das sensações corporais 
fortalece o desenvolvimento das habilidades dessa 
inteligência. Ela se caracteriza também pelo uso 
predominante da função pensamento. A forte ligação do ego 
com o corpo favorece a expansão dessa inteligência, visto 
que o desenvolvimento cognitivo acompanha o crescimento 
corporal. É uma inteligência fortemente validada na maioria 
das culturas de nosso planeta. 
Essa habilidade permite ao Espírito desenvolver a 
capacidade de adaptação ao mundo e de moldá-lo segundo 
sua vontade. Com ela ele apreende os elementos que o 
capacitam a assimilar a lei de Deus que o possibilita a 
estabelecer a noção de causalidade. A busca e descoberta da 
própria natureza são favorecidas por essa inteligência. Ela 
foi mãe da ciência empirista e favoreceu um viés 
característico de uma época. O Espírito terá que dar saltos 
largos para apreender outras habilidades fora desse domínio. 
 
Inteligência Lingüístico-Verbal 
 
Apresenta-se como o domínio da expressão através da 
linguagem verbal. Facilidade de expressar-se pela palavra 
falada ou escrita em um ou mais idiomas. Favorece a 
comunicação e desenvolve a habilidade de autopercepção. 
Essa habilidade é responsável pelas formas de entendimento 
e compreensão do discurso e do curso do pensamento. Com 
ela consegue-se ordenar e dar forma material ao 
pensamento. As pessoas que têm essa habilidade 
desenvolvida costumam ter sensibilidade à repercussão dos 
sons das palavras na própria mente. Têm facilidade na 
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compreensão do que lêem tanto quanto em falar e escrever o 
que pensam e sentem. 
Essa inteligência permite ao Espírito a capacidade de 
desenvolver em si o sentido da percepção do outro e de 
diferenciar-se dele. Desenvolve a habilidade em entender a 
si mesmo e de compreender seu semelhante. 
 
Inteligência Musical 
 
Essa inteligência se caracteriza pelo domínio da 
expressão com sons e com harmonia. Facilidade em 
entender a linguagem musical. É a habilidade de “falar” e 
“ouvir” através da sonoridade. A característica básica é a 
constância de sons e ritmos na consciência que parecem vir 
do inconsciente. Essa capacidade permite o 
desenvolvimento da memória tonal. A linguagem escrita ou 
verbal não influencia na composição musical. A melodia 
surge como uma onda que se assemelha ao pensamento. Por 
vezes ela, pelo seu poder de penetrar a intimidade do 
Espírito, consegue inibir temporariamente outras 
inteligências, sobretudo a lógico-matemática. A linguagem 
musical é uma espécie de meta-linguagem que vai além dos 
limites cerebrais. 
O desenvolvimento dessa inteligência permite ao 
Espírito a apreensão da musicalidade que impregna todo o 
Universo e a percepção da melodia da Vida, isto é, do ritmo 
de Deus. Faculta possibilidades de comunicação além dos 
limites materiais, transcendendo corpo e perispírito. É a 
linguagem da alma elevada. 
 
 
 
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Inteligência Corporal-Cinestésica 
 
Essa inteligência permite o domínio do movimento do 
corpo e do funcionamento orgânico. Permite a coordenação 
motora do corpo com objetividade. Capacidade de utilizar o 
corpo como instrumento de comunicação. 
O uso do corpo e a integridade dele representam 
aquisições importantes e a consciência de seu valor como 
instrumento de crescimento e desenvolvimento pessoal é 
característica dessa habilidade. Essa inteligência não se 
limita ao domínio do movimento corporal, mas também à 
habilidade com o perispírito. 
O aprendizado que permite a inteligência corporal-
cinestésica dá ao Espírito a consciência da 
instrumentalidade. Com ela, ele desenvolve o poder de 
manipular os implementos necessários à sua evolução. 
 
IInnttee lliiggêênncciiaa EEssppaacciiaall 
 
É essa inteligência que nos permite o sentido de 
movimento, de localização e de direção. Com ela temos a 
percepção do espaço e tempo em que nos incluímos. 
Auxilia-nos na percepção de formas geométricas no espaço. 
Ela é que nos torna capaz de recriar aspectos da experiência 
visual, mesmo na ausência de estímulos físicos relevantes. 
Sua influência nos leva a “sair” do casulo do corpo e, 
de fora, perceber o espaço a nossa volta. Ela é responsável 
pelo referencial físico espacial que adotamos. O 
desenvolvimento dela tornou-se possível a partir da 
capacidade imaginativa humana e de sua percepção de 
futuro. No Espírito ela provoca a percepção das leis que se 
referem à existência do Universo e sua infinitude. Seus 
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limites vão cada vez mais se expandindo e ampliando sua 
compreensão do infinito. 
 
Inteligência Intrapessoal 
 
Essa inteligência ou habilidade representa a 
capacidade de autocompreensão, automotivação e 
conhecimento de si mesmo. É uma aquisição pertencente ao 
surgimento da sociedade humana organizada. É a habilidade 
de administrar os sentimentos a seu favor, com um 
propósito definido. O desenvolvimento desse talento 
permite a facilidade de mobilizar a energia psíquica pessoal 
no equilíbrio das emoções. Com ela adquirimos o 
discernimento de distinguir prazer de dor, não nos 
permitindo viver sob o domínio de ambos. 
Essa é a inteligência que mais aprendizagem permite 
ao Espírito. Com ela é possível adiantar-se no processo 
evolutivo espiritual. As habilidades espirituais superiores 
são facultadas em maior escala quando o indivíduo entra na 
posse dessa inteligência. É a utilização da energia psíquica 
pessoal a favor dos processos internos e do crescimento 
íntimo. 
 
Inteligência Interpessoal 
 
É o domínio da capacidade de se relacionar com o 
outro, entender reações e criar empatia. É a capacidade de 
administrar convivência em grupos. Compreende também a 
inteligência naturalista, que é a facilidade de apreender os 
processos da natureza. A habilidade dessa inteligência está 
no alto grau de sociabilidade e de relacionar-se 
indistintamente. 
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O Espírito na experiência da inteligência interpessoal 
permite-se aprender a convivência com seu semelhante e a 
interiorizar a grandeza de Deus na obra da criação do 
próprio ser. Ela permite ao Espírito o uso da energia 
psíquica pessoal na exteriorização de si mesmo em favor do 
externo a si mesmo, isto é, em benefício do meio que o 
cerca. 
 
A união dessas duas habilidades, a inteligência 
intrapessoal com a inteligência interpessoal, forma o que se 
conhece com o nome de Inteligência Emocional, a qual 
analisaremos adiante. 
 
Inteligência Intuitiva 
 
Capacidade de questionar e obter respostas inusitadas 
e criativas, utilizando a criatividade e a atenção, buscando 
captar novas formas de percepção dos problemas e da vida. 
A intuição não é algo contrário à razão, masalgo fora de 
seu domínio. Na intuição estão envolvidos os seguintes 
fatores: capacidade de lidar com as emoções e sentimentos, 
visão holográfica, atenção concentrada, consciência da 
distinção entre o si mesmo e o corpo físico, valorização do 
subjetivo, memória fotográfica e inspiração aguçada. 
O desenvolvimento dessa inteligência pode ser feito 
sempre que: 
 
1. Buscarmos momentos de silêncio exterior e 
interior simultaneamente; 
2. Desenvolvermos o surgimento de momentos de 
inspiração (“insights”); 
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3. Valorizarmos os símbolos captados do 
inconsciente inclusive através dos sonhos; 
4. Evitarmos a mente julgadora; 
5. Tirarmos proveito da energia do medo e da raiva; 
6. Questionarmos nossas dúvidas de forma clara; 
7. Usarmos a empatia no contato com o outro; 
8. Tivermos conexões emocionais claras, isto é, não 
tomarmos decisões secretamente, não reagirmos a 
sugestões, não enviarmos mensagens confusas e 
não nos comunicarmos indiretamente. 
 
Essas são as inteligências ou habilidades do espírito 
com ou sem os corpos de que se utiliza para lidar com o 
mundo. É claro que não são as únicas do Espírito, mas são 
as que conseguimos perceber. 
Deter-me-ei na Inteligência Emocional, não só pela 
sua importância como também pela necessidade de melhor 
aprendermos sobre ela com o intuito de integrá-la ao 
Espírito. 
Enquanto a Inteligência Interpessoal nos remete para 
fora, isto é, nos ensina a lidar com o outro, a Intrapessoal 
nos leva para dentro de nós mesmos, educando-nos ao 
convívio conosco mesmos. A primeira é progressiva, leva-
nos a extroversão e a segunda é regressiva, induz-nos a 
introversão, no que diz respeito ao movimento da energia 
psíquica pessoal. Uma leva ao oposto fora de nós e a outra 
ao si mesmo. A primeira desenvolve o sentido masculino, a 
outra o feminino. São como o Yang e o Yin, faces de uma 
mesma realidade. Na exacerbação a primeira leva à euforia 
e a segunda à depressão. No equilíbrio desenvolve -se a 
empatia e a auto-estima. 
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A Inteligência Emocional é a capacidade de 
reconhecer sentimentos, e aplicá-los eficazmente como uma 
energia em favor da sobrevivência, adaptação e crescimento 
pessoal. É a capacidade de sentir, entender e aplicar 
eficazmente o poder e a perspicácia das emoções como uma 
fonte de energia, informação, conexão e influência 
humanas. 
Mahatma Gandhi dizia, demonstrando ter integrado 
seus defeitos e chegado ao equilíbrio e a harmonia espiritual 
desejável a qualquer ser humano: “Sou um homem mediano 
com uma capacidade menos que mediana. Admito que não 
sou intelectualmente brilhante. Mas não me importo. Existe 
um limite para o desenvolvimento do intelecto, mas nenhum 
para o do coração.” 
O desenvolvimento da inteligência emocional se dá 
com o aparecimento da EMPATIA, que é a capacidade de 
se identificar com o outro, sentindo o que ele sente. 
Pressupõe: compreensão, tolerância e paciência. 
 
A inteligência emocional compreende: 
 
1. Autoconhecimento 
2. Administração de humores 
3. Automotivação 
4. Educação do impulso 
5. Sociabilidade 
 
Autoconhecimento 
 
Inicialmente remeto o leitor ao livro “Psicologia e 
Espiritualidade”, de minha autoria, que aborda essa temática 
do ponto de vista psicológico. Aqui o farei dentro dos 
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limites da abordagem diretamente relacionada à aquisição 
da Inteligência Emocional. 
O autoconhecimento visando o desenvolvimento da 
Inteligência Emocional é a capacidade de reconhecer uma 
emoção quando ela ocorre, educando-a para melhor 
governar a própria Vida. É preciso para tanto reconhecer na 
emoção uma oportunidade de intimidade ou aprendizado e 
transmissão de experiência. Essa espécie de 
autoconhecimento inclui a capacidade de tomar consciência 
das emoções viscerais, isto é, daquelas instintivas, portanto, 
inconscientes. Abrange a compreensão e a capacidade de 
lidar com pensamentos perturbadores sendo capaz de 
regular os próprios estados emocionais. No processo de 
autoconsciência é importante o reconhecimento dos 
próprios sentimentos, o que é fundamental em momentos de 
decisão. Para desenvolver essa autoconsciência é preciso: 
 
1. Estabelecer objetivos; 
2. Diminuir os objetivos vagos tornando-os 
específicos; 
3. Trabalhar sempre por etapas; 
4. Aprender a sentir; 
5. Ter consciência de seus limites e pontos fracos; 
6. Ter coragem de perdoar a si mesmo e aos outros. 
 
Administração de Humores 
 
A palavra humor aqui é empregada no sentido do 
estado de espírito, com o qual nos colocamos diante do 
mundo externo. O mau humor atrapalha nossa disposição 
para viver e dificulta o crescimento espiritual. Para o 
desenvolvimento da Inteligência Emocional é fundamental 
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estimular uma personalidade agradável. Reenquadrar 
situações na busca de uma nova forma de ver e perceber a 
realidade que nos incomoda. Tentar descobrir o que em nós 
foi incomodado e que perturbou nosso mundo interior. 
Reinterpretar conscientemente as situações de forma 
positiva é um dos modos mais eficazes de abrandar a raiva. 
Diante de problemas que nos pareçam insolúveis é 
oportuno dar um longo passeio a pé, refletindo sobre os 
motivos pelos quais a Vida nos colocou naquela situação. 
Fazer exercícios respiratórios buscando renovar o ar das 
camadas mais profundas dos pulmões. Aprender a meditar e 
rezar, fazendo da oração um hábito, atraindo as boas 
influências espirituais. 
Educar o próprio humor significa autocontrole e 
facilidade de concentração na solução de problemas e nos 
embates naturais da Vida. 
Procurar não atribuir as próprias deficiências aos 
outros ou a fatores irreversíveis. Pensar no fracasso como 
uma deficiência de estratégia e não como defeito pessoal de 
caráter. Compreender que toda mudança decorre a partir de 
quando entramos em contato com o que nos opõe, 
sobretudo quando nos dispomos a transformar o 
antagonismo em energia criativa. 
 
Automotivação 
 
A automotivação é outro requisito para o 
desenvolvimento da Inteligência Emocional. É preciso 
reunir sentimentos de entusiasmo, garra e confiança para 
conquistar objetivos que se deseje. O otimismo faz bem à 
saúde; estimula o sistema imunológico. Quando 
conseguimos identificar os pensamentos negativos e 
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derrotistas assim que eles ocorrem, podemos reenquadrar as 
situações em termos menos catastróficos. Estabelecer 
limites ao mesmo tempo em que exploramos as estratégias 
para a solução dos problemas, mantendo o otimismo diante 
das derrotas e sendo persistentes nos objetivos, é garantia 
para iniciarmos a conquista da Inteligência Emocional. 
Dentro da automotivação é preciso imaginar o sucesso 
sem expectativas, ensaiando as possibilidades de vitória. 
Considerar o próprio mérito, comemorando os feitos e 
valorizando sua atuação. 
 
Educação do Impulso 
 
A essência do autocontrole emocional é a capacidade 
de educar ou adiar o impulso a serviço de um objetivo. É ter 
a capacidade de adiar gratificações e recompensas. Quem 
consegue torna-se mais sociável, mais opinativo e capaz de 
enfrentar as frustrações da vida. Os outros têm mais 
tendência à teimosia, à indecisão e ao estresse. 
Quando quiser educar os impulsos deve lembrar-se 
dos objetivos a longo prazo. É a receita para adiar 
recompensas imediatas indesejáveis. Sempre que possível 
deve-se fugir da rigidez do certo e do errado, libertando-se 
do recalque e da culpa. Esta dualidade que nos obriga a 
escolhas nos tem levado a polarizações seguindo os ditames 
coletivos e que geralmente vão de encontro à nossa 
realizaçãoessencial. Elas, as escolhas do ‘certo’, 
eliminando o ‘errado’, nos afastam do verdadeiro processo 
de aquisição da felicidade. 
 
 
 
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101
Sociabilidade 
 
É fundamental estabelecer relações com as pessoas, 
buscando uma convivência saudável e transparente. Nas 
relações com as pessoas transmitimos e captamos estados de 
espírito dos outros de forma sutil. Tendo grande número de 
contatos pessoais, construímos uma rede de contatos sólida. 
Para ampliarmos nossas relações é preciso que aprendamos 
a ouvir com empatia, legitimando os sentimentos das 
pessoas. Na medida do possível ajudando-as a encontrar as 
palavras para identificar e verbalizar a emoção que estão 
sentindo. Num nível mais amplo é preciso envolver-nos em 
projetos sociais, formando redes de ajuda comunitária sem 
finalidade lucrativa financeira. 
É preciso agir com empatia o que traz uma 
compreensão melhor a respeito dos sentimentos dos outros, 
pois ela é a base da liderança competente; lidar com pessoas 
exige: capacidade de ouvir, vontade de ver as coisas pela 
ótica do outro e generosidade. Para melhor nos 
sociabilizarmos devemos aprender a dar valor aos 
sentimentos que estão por trás dos comportamentos, 
possibilitando uma maior facilidade de fazer amigos. 
Desenvolver a cordialidade e a capacidade de se comunicar 
profundamente. Aprender a tratar bem, sobretudo às pessoas 
simples. 
Os parâmetros que norteavam as avaliações cognitivas 
ultrapassadas, sem considerar o equilíbrio emocional, 
valorizavam as pessoas ambiciosas, produtivas, previsíveis, 
pouco a vontade com a sexualidade e emocionalmente frias. 
Os novos parâmetros estão valorizando as pessoas 
socialmente equilibradas, comunicativas, harmonizadas, 
com visão ética, responsáveis, solidárias e atenciosas. 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
102
Para desenvolver essa personalidade precisamos 
aprender a usar mais determinadas formas de conversação, 
tais como: 
1. Diante da dificuldade em compreender alguém – 
Por favor, ajude-me a entender. Fale mais sobre... 
2. Quando quiser uma opinião sobre algo 
controvertido – 
Quais são suas idéias e sentimentos em relação a ...? 
3. Quando a opinião do outro deve ser levada em 
consideração para uma tomada de decisão – 
O que é importante para você no que se refere a ...? 
4. Quando quiser valorizar a opinião do outro – 
Como você lidaria com...? 
 
Não basta, é claro, aprender a usar algumas frases, 
nem as mudanças devem ser externas, porém quando 
aprendemos a nos relacionar com as pessoas, damos 
grandes passos para a conquista do pensar e sentir visando o 
equilíbrio emocional. 
Muitas vezes aquilo a que chamamos senso de justiça 
é uma forma de encobrir a incapacidade de estabelecer 
conexões emocionais. Exageramos quando aplicamos aos 
outros, mas costumamos ser condescendentes conosco e 
com aqueles por quem nos sentimos atraídos. 
 
Inteligência Emocional na Educação 
 
Esse é o maior campo de aplicação dos princípios da 
Inteligência Emocional, visto que é onde aprendemos a 
cultura e os valores da sociedade na qual estamos 
integrados. 
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A educação, em geral, baseia-se em passar 
conhecimentos e em fazer com que o próprio aluno construa 
seu saber. A maiêutica socrática parece ser revivida no que 
se chama educação construtivista. Porém como preparar o 
aluno para descobrir seu próprio saber? É necessário um 
método que antecipe a aprendizagem e que vise prepará-lo a 
enfrentar suas próprias deficiências e a conhecer seu mundo 
emocional. É preciso preparar o aluno para aprender e esse 
preparo deve começar no lar e ter sua continuidade na pré-
escola. 
Além de preparar o aluno é preciso também, numa 
seqüência de estruturação de condições, dar-se atenção ao 
professor. Ele precisa adequar-se à exigência da preparação 
emocional, isto é, adequar-se para ser preparador 
emocional, aprendendo a educar e regular os próprios 
estados emocionais. 
Para o professor também cabem os mesmos requisitos 
que se espera das pessoas que desejam desenvolver a 
Inteligência Emocional. Além disso, o professor deve 
buscar: 
1. Compreensão melhor a respeito dos sentimentos 
dos outros, percebendo as emoções das crianças; 
2. Facilidade de fazer amigos, reconhecendo na 
emoção uma oportunidade de intimidade ou 
aprendizado e transmissão de experiência; 
3. Aprender a adiar gratificações; 
4. Saber lidar com os altos e baixos da vida, 
considerando que a criança também vive essa 
realidade, impondo limites ao mesmo tempo em 
que explora estratégias para a solução dos 
problemas que ela porventura atravessa; 
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104
5. A empatia como base da educação competente, 
considerando que ouvir com empatia legitima os 
sentimentos da criança; 
6. Entender que educar é também mexer com a 
emoção, ajudando a criança a encontrar as 
palavras para identificar e verbalizar aquela que 
ela está sentindo; 
7. Perceber que as interações emocionais entre os 
membros de um grupo passam a ser a base da 
transmissão de valores e da formação de pessoas 
equilibradas. 
Além de preparar o professor para transmitir os 
princípios da Inteligência Emocional e para agir segundo 
esses mesmos princípios, resta educar os pais como co-
participantes dessa magna tarefa. 
Lidar com crianças hoje exige, sobretudo, empatia, 
capacidade de ouvir e vontade de ver as coisas pela ótica 
dela, além de uma boa dose de generosidade. 
Encontramos pais que, de forma simplista, não dão 
importância, ignoram ou banalizam as emoções negativas 
ou positivas da criança. Há aqueles que, de forma crítica, 
desaprovam as manifestações emocionais dos filhos, 
principalmente as demonstrações dos sentimentos 
negativos. Há outros que, embora aceitem as demonstrações 
emocionais dos filhos, não orientam nem estabelecem 
empatia educativa. É preciso citar os autoritários que 
impõem limites e exigem obediência irrestrita sem qualquer 
possibilidade de que seus filhos exteriorizem suas 
manifestações emocionais. 
De alguma maneira devemos aprender, nós pais, que 
temos o dever de impor limites aos nossos filhos, porém 
também de sermos flexíveis, compreendê-los em suas 
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dificuldades, dando-lhes boa dose de carinho e atenção 
amorosa. Inclusive é importante que os pais expressem suas 
emoções para que seus filhos aprendam a viver as deles, isto 
é, não ter vergonha de ser gente perante eles. 
A violência é característica da sociedade enferma e, 
por esse motivo, precisamos preparar nossos filhos para 
essa doença sem lhes incutir o mesmo desejo de responder 
também com a mesma moeda. A preparação emocional é 
fundamental para que não nos armemos nem nos tornemos 
estranhos uns aos outros. Por outro lado, cada vez mais os 
jovens estão antecipando a atividade sexual sem a 
maturidade necessária para exercê-la e para fazer as 
escolhas adequadas à sua evolução espiritual. É aí também 
que a preparação emocional contribui na definição dos 
valores que vão nortear as escolhas adequadas. Os vícios 
ligados a drogas, em particular à maconha e ao álcool, se 
proliferam sem que se tenha controle da situação. Muitas 
vezes isso decorre da falta de preparação emocional no lar, 
onde se deveria buscar o entendimento, a fraternidade, a 
compreensão emocional. Há conflitos naturais no lar e, via 
de regra, eles começam na adolescência, debaixo dos 
olhares, quando ocorrem, de seus pais. 
Para iniciar o processo de preparação e para melhor 
lidar com nossos filhos devemos, quando com cada um 
deles interagirmos: 
 
1. Olhar sempre nos olhos quando lhe falarmos; 
2. Conversar muito com ele sobre váriosassuntos; 
3. Reservar espaço no tempo dele para a música; 
4. Estimular a pessoa criativa que mora dentro dele; 
5. Aplaudir e estimular seus acertos. 
 
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A educação das emoções não exclui a disciplina. 
Quanto mais envolvidos com os filhos, mais se participa da 
vida deles. Quanto mais envolvidos na vida deles, mais 
influência se tem sobre eles. 
Outro ambiente onde necessitamos desenvolver 
habilidades emocionais é o do trabalho profissional. Ali 
ocorrem conflitos cuja solução se tornaria bem simples se 
tivéssemos um pouco mais de Inteligência Emocional. 
Quando nossas crenças e valores entram em choque 
com os de pessoas com as quais lidamos diretamente ou 
mesmo com os da empresa; quando não encontramos 
motivação para a execução de tarefas as quais somos 
obrigados a executar; quando nos sentimos diminuídos e 
inferiorizados perante situações onde o poder está em jogo; 
e, quando nosso trabalho interfere na saúde física e 
psicológica sobrevindo mal estar e estresse, é fundamental 
buscarmos o necessário preparo emocional para enfrentar 
esses desafios. 
As fontes de conflito no trabalho não se resumem às 
apresentadas no parágrafo anterior, pois há aquelas que 
dizem respeito à própria organização da empresa, 
envolvendo mudanças estruturais, alteração de metas e 
objetivos empresariais, bem como limitação de recursos 
financeiros. Essas situações interferem direta ou 
indiretamente na vida da pessoa exigindo respostas 
emocionais à altura. 
Para melhorar nossa Inteligência Emocional e 
despertar os potenciais criativos interiores que a fortalecem 
devemos: 
 
1. Não nos aborrecer com coisas pequenas; 
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107
2. Cultivar o otimismo e o entusiasmo, que significa 
ter Deus dentro de si; 
3. Cultivar a persistência objetiva; 
4. Desenvolver a própria singularidade, um estilo 
pessoal e a simplicidade; 
5. Sempre reconhecer os próprios erros; 
6. Saber ouvir e escutar o outro; 
7. Aprender a fazer distinção entre os atos e a pessoa 
que os pratica; 
8. Olhar nos olhos da pessoa com quem falar; 
9. Acreditar naquilo que disser; 
10. Dar feedback emocional; 
11. Reconhecer e sentir a emoção, não negá-la ou 
minimizá-la; 
12. Cultivar a amorosidade, a humanização e a 
compaixão. 
 
Na busca em direção ao aprendizado da Inteligência 
Emocional devemos acreditar no sucesso pessoal e na Vida, 
independentemente da saúde física, considerando que 
qualquer derrota é aprendizado importante tanto quanto a 
vitória. Persistir em buscar alternativas diferentes para os 
problemas aparentemente insolúveis, sem se atribuir 
incompetência. Manter as expectativas, considerando-as e 
ampliando-as também para resultados negativos, pois fazem 
parte de qualquer caminhada. 
Além dos objetivos imediatos e mais próximos, 
devemos desenvolver internamente a crença num objetivo 
global para a Vida como um presente de Deus. Considerar 
importante planejar, organizar e responsabilizar-se por tudo 
que ocorre na própria vida. Aprender a guiar-se pela razão e 
pelos sentimentos, buscando alternativas que conciliem 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
108
essas possibilidades. Estimular em si mesmo, no próprio 
caráter, os aspectos mais puros e nobres que possui. Amar a 
simplicidade, as pessoas, a si mesmo e a Vida. Considerar-
se cria do Universo, acreditando em si mesmo e não 
desenvolvendo obstáculos ao próprio crescimento espiritual. 
Fundamental é desenvolver a auto-estima. Para tanto 
não é preciso nada de excepcional na personalidade. É 
suficiente considerar-se filho de Deus e, portanto, detentor 
de habilidades mínimas para o desempenho adequado na 
arte de viver. Cultivar a segurança física, valorizando 
adequadamente o corpo, não se sentindo intimidado ou com 
medo da Vida. Ter sua crença pessoal sobre a própria 
origem divina, sentindo-se pertencente a um grupo, 
consciente de ter senso de capacidade e competência e, 
acima de tudo, tendo o sentimento de que a própria vida tem 
significado e uma direção definida. 
Buscar não se perturbar com pequenas derrotas, 
consciente de que melhorará o próprio desempenho na 
próxima vez. Não permitir que a própria ansiedade 
atrapalhe o preparo para enfrentar novas provas. Cultivar a 
simpatia e o encanto pessoal, administrando a vaidade 
natural. Aprender a nominar instantaneamente as próprias 
emoções. 
Aferir o estágio em que se encontra sua Inteligência 
Emocional, analisando os seguintes itens: 
CONFIANÇA = Senso de controle e de domínio 
sobre a maneira de encarar suas probabilidades de vencer ou 
fracassar nos projetos que põe em prática; 
CURIOSIDADE = Como se colocar diante da 
vontade de descobrir coisas. Sentir verdadeiramente prazer 
em descobrir coisas novas; 
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AUTOCONTROLE = Capacidade de controlar suas 
emoções dentro de limites. Tempo mínimo em que “guarda” 
raiva, medo, tristeza, frustração; 
INTENCIONALIDADE = Você agride a pessoa que 
o aborrece ou responde ao gesto que lhe desagradou? Você 
intenciona agredir ou apenas responde às agressões? 
RELACIONAMENTO = Capacidade de entrosar-se 
com outras pessoas. Compreender e ser compreendida. 
Verificar se cumprimenta as pessoas com respeito 
emocional. 
COMUNICAÇÃO = Ser claro nas idéias que passa. 
Percepção dos sentimentos que desperta nas outras pessoas 
COOPERATIVIDADE = Ser prestativo sem 
bajulação. Equilibrar necessidades suas com as do grupo. 
EMPATIA = Colocar-se no lugar do outro. Sentir-se 
como o outro. Solidariedade. Simpatia; 
RECONHECER AS EMOÇÕES DO OUTRO = 
Ouvir o outro com interesse e consideração; 
LEGITIMAR OS SENTIMENTOS DO OUTRO = 
Não negar ou minimizar o sentimento do outro; 
CAPACIDADE DE CRÍTICA = Criticar o gesto e 
não a pessoa. Distinguir a atitude separadamente da pessoa 
que a toma; 
ENCORAJAR SOLUÇÕES = Não ter respostas 
prontas. 
As emoções são reconfigurações do Espírito. O uso da 
inteligência não deve se limitar a conhecer os objetos ou 
mesmo servir para lhes caracterizar com nomes ou 
utilidades. Ela representa aquisição superior do Espírito e 
deve ser colocada a serviço do amor, sem o qual se torna 
ferramenta inútil e perigosa. 
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A Inteligência Emocional, ou a capacidade de 
administrar afetos, emoções e sentimentos, é o fator mais 
importante da evolução do Espírito em seu atual estágio no 
planeta. Essa aquisição possibilitará a percepção de leis 
transcendentes que o capacitarão a alcançar limites fora do 
sistema solar. 
Há um cumprimento Hindu que resume o estado de 
espírito que identifica o equilíbrio emocional. As pessoas 
quando se cumprimentam sentem algo descrito da seguinte 
maneira: 
“Eu reverencio a grandeza que há em você. Eu 
reverencio o lugar em seu coração onde moram sua 
coragem, honra, amor, esperança e sonhos. Eu reverencio o 
lugar em você onde, se você estivesse nesse lugar em você e 
eu estivesse nesse lugar em mim, haveria somente um de 
nós.” 
 
 
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Razão 
 
 
 
 
Essa faculdade, advinda desde o Pleistoceno, 
corresponde ao momento em que o ser humano, espírito 
imortal, adentra um corpo onde a estrutura cortical lhe 
permitiria a elaboração de imagens com alto padrão de 
definição. As experiências vividas nos corpos animais, bem 
como nas espécies macacóides e hominais, lhe creditaram 
implementos psíquicos capazes de, habitando um corpo 
humano, ter consciência de sua individualidade. 
Porém não é o cérebro humano que lhe daria a razão, 
mas sua constituição perispiritual, já estruturada nas 
referidas experiências. O perispírito altamenteorganizado 
lhe permite a capacidade de forjar o corpo humano tal qual 
ele hoje existe. 
O Princípio Espiritual ainda estagiando no corpo 
físico do animal superior, o mamífero, ainda não possui 
implementos psíquicos suficientes para construir o corpo 
humano. Seu perispírito ainda não possui as características 
psíquicas capazes de impulsionar a formação da camada 
cortical do sistema nervoso. O princípio vital, diferenciação 
do Fluido Universal, moldável pelo psiquismo espiritual só 
dá origem àquela camada quando o Espírito possui 
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determinados elementos das leis de Deus. Elementos esses 
que surgem nas experiências solitárias do Espírito e na 
complexidade das organizações sociais. A razão vai surgir 
dessas experiências coletivas. Ela é forjada nas vivências 
das comunidades humanóides que existiram há mais de um 
milhão de anos. 
Hoje não é mais possível ao Princípio Espiritual que 
habita os corpos animais dos mamíferos próximos ao ser 
humano adquirir, no planeta, a razão. As condições sociais 
que propiciaram a geração dos elementos das leis de Deus 
são possíveis em planetas mais atrasados que a Terra. A 
aquisição deles é impraticável aqui, pois as condições 
climáticas e sociais não lhes permitem. 
O animal, isto é, o Princípio Espiritual que nele 
habita, não é dotado de razão visto que ainda não conseguiu 
viver as experiências que o capacitariam à transformação 
psíquica. No reino animal superior existirão experiências 
vivenciais exaustivamente repetidas que possibilitarão o 
surgimento da razão. São elas que, impregnadas no 
perispírito, darão surgimento à razão no Espírito. Eis 
algumas delas: 
1. As lutas pela supremacia nos grupos animais; 
2. A defesa de territórios; 
3. Os cuidados com a manutenção alimentícia de 
seus dependentes; 
4. A previsibilidade de alguns fenômenos da 
natureza; 
5. A aquisição de uma linguagem mais compreensiva 
em seu grupo; 
6. As manifestações afetivas embrionárias nas trocas 
sexuais; 
7. As perdas diante da morte; 
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8. As manifestações de emoções instintivas diante de 
doenças; 
9. A repetição de tendências comportamentais 
recompensadoras pelo grupo; 
10. As experiências perceptivas do tempo; 
11. As vivências que alicerçam as dimensões 
espaciais. 
Portanto, do macaco para o homem há uma distância a 
ser perseguida pelo Princípio Espiritual que habita no 
primeiro. Provavelmente não houve esse marco definido, no 
qual se pode afirmar o início da razão, mas seguramente, ela 
não existe no primeiro e está presente no segundo. O ser 
humano foi se descobrindo como tal e distanciando-se cada 
vez mais do reino animal, na fase humanóide. A aquisição 
de capacidades que lhe deram tal condição se alicerçou ao 
longo de milhares de anos e só foi possível através de 
reencarnações sucessivas. 
A razão no Espírito é resultante da aquisição de 
importantes elementos constituintes das leis de Deus. Só 
após ter adquirido certas faculdades é que o Princípio 
Espiritual alcança a condição de Espírito. 
A razão permite ao Espírito ingressar no ciclo da 
percepção de si mesmo como individualidade e na 
possibilidade de considerar a existência de Deus como 
causa de sua existência. O apogeu desse ciclo foi iniciado 
desde o Século XVI com o surgimento do Racionalismo. 
Nós ainda estamos sob o domínio dele, pois não vivemos 
suficientes experiências para alcançar uma nova fase. Esse 
ciclo só irá se concluir na medida que o Espírito adquira 
outras faculdades que o capacitarão a perceber sua essência 
e atingir o sentimento pleno da existência de Deus em si 
mesmo. 
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Podemos afirmar que o Espiritismo é a base em que se 
assenta o novo ciclo, pois incorpora os princípios do 
racionalismo e apresenta os paradigmas espirituais que 
farão o Espírito incorporar novas faculdades a si mesmo. 
É a razão que permite ao Espírito estabelecer a 
diferença entre a própria existência e a Natureza a sua volta. 
Com ela ele se vê separado do mundo, sentindo-se distinto 
dele. 
Pode-se dizer que a consciência de si mesmo irá dar 
os primeiros passos para poder fixar no Espírito as noções 
superiores de amor. 
A razão não transformou o ser humano em superior 
ou mesmo completou seu ciclo evolutivo. Apenas lhe 
forneceu mais uma ferramenta para a compreensão do 
Universo. Ela é apenas mais um degrau evolutivo. Com ela 
ele deve buscar novos instrumentos que lhe permitam 
avançar no rumo da felicidade. 
Quanto mais nos quedamos diante da razão, deixando 
de lado o rico material oriundo das emoções, mais nos 
distanciamos da verdadeira Vida. 
 
 
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Emoção e Sentimento 
 
 
 
 
Assim como a razão é decorrente de experiências 
sucessivas na evolução do Espírito, a educação das emoções 
surge como resultante das vivências emocionais no campo 
do convívio e das relações interpessoais. 
A emoção é uma reação afetiva, aguda e momentânea, 
de curta duração com ou sem reações somáticas e ocorre, na 
maioria das vezes de forma instintiva. O sentimento, mais 
complexo que a emoção, é uma configuração afetiva 
estável, de duração maior e que está associada a conteúdos 
psíquicos mais consistentes. O sentimento se constrói a 
partir de experiências ou reflexões conscientes que se 
associam a redes emocionais inconscientes. 
O questionamento quanto às reações emocionais 
próprias e aquelas provocadas nos outros, permite o 
surgimento e o desenvolvimento da educação das emoções. 
O Espírito necessita evoluir nesse campo a fim de agregar 
faculdades ao perispírito para que possa alcançar novas leis 
de Deus. 
Parece-nos que o Criador reservou às emoções um 
capítulo posterior à aquisição da Razão quando idealizou a 
alma humana, o Espírito. A integração da Razão ao Espírito 
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é patamar necessário à educação das emoções, visto que 
estas alcançam o ponto do Espírito mais próximo de Deus. 
As emoções são o encontro da idéia com a energia 
impulsionadora da Vida. Os pensamentos são a mesma 
idéia, porém já contaminada ou influenciada pelas emoções. 
As emoções devem ser sentidas com equilíbrio e 
harmonia, pois facultam-nos possibilidades de contato com 
as vibrações superiores do Universo. É preciso aprender a 
vivê-las sem as limitações características da alma medrosa e 
intimidada pela racionalidade excessiva. 
O sentir com o coração é o desabrochar para permitir-
se a manifestação de Deus sob a forma mais sublime, 
percebendo que a Vida é mais do que a racionalidade e a 
capacidade de escolher palavras para construir frases ou 
saber fazer conexões lógicas. As emoções equilibradas 
podem nos fazer conectar com as forças superiores do 
Universo. 
Deus parece que endereça o ser humano ao caminho 
da busca pelo seu equilíbrio emocional. Toda a cultura, todo 
o saber, toda a racionalidade, toda a sabedoria, bem como 
todo o intelecto podem levar o ser humano a dar passos 
muitos largos em sua evolução, porém jamais o farão sentir 
a Vida em sua beleza e sua generosidade. Por mais que 
conheça o mundo e o Universo, ninguém chegará ao cume 
da evolução sem aprender a sentir emoções e a educá-las 
nas relações com seus semelhantes. 
De que vale o saber se, o que se conhece, não enxuga 
a própria lágrima de quem sente a dor na alma? Toda a 
construção humana deve ter seu sentido voltado para a 
felicidade, e esta é alcançada no equilíbrio e na harmonia do 
mundo interior das emoções do Espírito. 
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O Espírito é livre para manifestar-se e viver a própria 
Vida que estruturoupara si. A conquista do livre arbítrio 
torna-o eternamente responsável pelas construções 
emocionais que abriga em si mesmo e pelas que fomenta 
nos outros. Os sentimentos são produtos que se constroem a 
partir da complexa união de experiências vividas ao longo 
da trajetória evolutiva. Não são simples momentos em que 
nos permitimos extravasar a energia reprimida. São frutos 
de construções onde se misturam idéias, símbolos, 
complexos, desejos, vontade, sexo, poder, etc. Eles nascem 
do fundo da alma e trazem seu histórico milenar. Educá-los 
é o mesmo que organizar o próprio passado, colocando-o a 
serviço do presente, na direção do futuro. 
As conexões emocionais são matéria prima da psiquê. 
São elas que contêm nossa força propulsora para a 
felicidade. 
 
 
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Sensibilidade 
 
 
 
 
A sensibilidade é uma das primeiras percepções que o 
ser espiritual experimenta em sua jornada evolutiva através 
do perispírito. Ela possibilita o contato entre o Espírito e a 
matéria. Pode-se dizer que é através dessa faculdade que vai 
se formar, nos primórdios da evolução, o envoltório que 
servirá de liame entre o Espírito e a matéria e que o 
capacitará a apreender as leis de Deus. 
Ela é a base do sentido táctil que nos permite interagir 
com o meio ambiente e nos dele distinguirmos. Ela nos 
possibilita sentirmo-nos ligados ao Universo e integrados a 
ele. É ela que nos dá a percepção de limites e 
possibilidades, trazendo-nos a noção de espaço. 
Com as experiências constantes do contato com a 
matéria, essa faculdade vai se aprimorando e tornando-se 
cada vez mais complexa até permanecer no inconsciente e 
imperceptível ao ego, assumindo a condição de 
automatismo biológico. 
O Espírito, nas suas experiências de contato, 
submetendo-se às condições a priori, condiciona-se à 
percepção embrionária que lhe dará a capacidade futura de 
sentir emocionalmente. Hoje, quando conseguimos sentir 
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emoções, mesmo aquelas mais aversivas, devemos ter a 
consciência de que isso se deve ao trabalho exaustivo de 
repetidas experiências ao longo de milhões de anos no 
contato com a matéria bruta. 
As condições a priori dizem respeito à capacidade de 
acoplar-se à matéria, a qual tem a propriedade de 
flexibilizar-se na presença do Espírito, moldando-se de 
acordo com as necessidades evolutivas dele. O Espírito, por 
força das leis de Deus, promove alterações na matéria 
(matéria = mãe Þ natureza moldável). 
No período em que se acopla ao princípio vital 
organizado nas plantas, o Princípio Espiritual estará 
absorvendo os elementos constituintes das leis de Deus que 
dizem respeito à formação da capacidade de sentir e 
emocionar-se. 
A sensibilidade física é o embrião da faculdade do 
Espírito em sentir as emoções primitivas no animal e base 
para os sentimentos superiores da alma elevada. 
Tudo o que o corpo experiencia transfere-se para o 
perispírito que codifica cada fase do processo. Por sua vez o 
Espírito absorve o resultante de tais experiências e o integra 
às suas estruturas de consolidação das leis de Deus. 
Mesmo as sensações primárias que o espírito vive, 
nos seus gozos animais, são transferidas ao perispírito que 
as associa a outras, integrando-as em parâmetros que se 
conectarão na intimidade do Espírito. 
A sensação física apurada em certas pessoas não lhes 
garante a correspondente sensibilidade perispiritual, nem 
tampouco evolução espiritual maior. Isto se deve tão 
somente à repetição de experiências próprias e hereditárias 
no campo da sensibilidade orgânica. 
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A sensibilidade observada nas pessoas que as torna 
capazes de sentir presenças espirituais ou de pressentir 
eventos futuros também parece decorrer de exercícios e 
habilidades conquistadas. 
A sensibilidade para perceber os sentimentos e os 
aspectos sutis da Vida decorre das aquisições do Espírito 
nas experiências ricas em emoções e que atingem a alma 
divina. Essa sensibilidade está presente nos Espíritos que já 
alcançaram maturidade para a percepção da grandeza do 
amor. 
 
 
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Eu ou ego 
 
 
 
 
Chamo de eu ou ego a representação do Espírito no 
mundo. Ele é a síntese momentânea da personalidade 
integral. Através dele o Espírito se realiza, transformando 
milhões de anos de evolução na efemeridade de um instante. 
A existência do ego é fundamental ao Espírito, visto que sua 
manifestação direta no mundo sem esse intermédio tornar-
se-ia impossível dada a natureza de sua essência. 
Segundo Jung, o ego é o sujeito da consciência e 
surge constituído de disposições herdadas e de impressões 
adquiridas inconscientemente. Jung também considerava o 
ego um complexo. Creio também que o ego, por representar 
o Self, também traz um modelo dele oriundo. 
É a consciência emprestada ao mundo pelo Espírito 
dando-lhe a feição material. Torna-se sua manifestação de 
identidade ao se apresentar ao mundo. 
Mesmo durante o sono, nos estados de coma, na idade 
infantil, ele está presente, ainda que temporariamente 
inibido. No sono, face ao entorpecimento do corpo, ele se 
encontra mais livre dos condicionamentos da matéria carnal. 
Nos estados de coma, bem como no período de preparação 
reencarnatória permanece vigilante em face da possibilidade 
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de deixar ou entrar no corpo. Na criança, logo após o 
nascimento, inicia-se nova fase de agregação de valores, 
emoções, conhecimentos e experiências para a estruturação 
do ego. 
A formação do eu é uma exigência evolutiva 
imprescindível à aquisição das leis de Deus. Sem essa 
estrutura funcional é impossível a percepção da 
singularidade do Espírito. É com o ego que o espírito se 
realiza e apreende as leis de Deus. 
A cada nova experiência reencarnatória, quando ainda 
criança, por força da convivência social, a psiquê vai 
formando uma identidade pessoal que permite o 
aparecimento do ego. As fases estabelecidas por Piaget para 
o desenvolvimento cognitivo sinalizam para a maturação de 
estruturas psíquicas, portanto perispirituais, no processo de 
aprendizagem. A primeira fase é a sensório-motor, na qual 
há o predomínio das sensações e imagens e pressupõe a 
assimilação por repetição dos estímulos ambientais. A 
segunda fase é a pré-operatório, na qual há o domínio dos 
símbolos e o desenvolvimento da linguagem e dos 
sentimentos interpessoais. A terceira fase é a operatório-
concreto na qual há o domínio de classes, de números e o 
pensamento lógico se estrutura. E, por último, a fase 
operatório-formal, na qual estrutura-se o pensamento 
abstrato. Essas fases descrevem de forma lógica como as 
capacidades latentes do Espírito, já estruturadas no 
perispírito, alcançam a vida consciente, porém se referem 
necessariamente à formação do eu. 
Sua estruturação se inicia a cada nova encarnação e 
desencarnação visto que, sempre que a realidade externa 
muda radicalmente, ele se apresenta como recurso do 
Espírito para o necessário aprendizado. 
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O corpo faz parte do eu ou ego enquanto este se sentir 
identificado com aquele. Por conseguinte o ego se auto-
estrutura contraindo-se ou se expandindo. 
Antes de transcender o ego ou mesmo de tentar anulá-
lo, devemos pensar em conhecê-lo, estruturá-lo, e, se for o 
caso, redefini-lo. É equívoco pensar em renúncias e 
desapego quem ainda não conseguiu,por motivos diversos, 
da atual ou de outras encarnações, estruturar adequadamente 
seu ego. 
O ego estabelece o domínio do tempo. Por causa dele 
existe passado, presente e futuro. Não há tempo no domínio 
do Espírito. Da mesma forma, o ego delimita um espaço. 
Para o Espírito não há espaço, mas apenas existência. 
A entrada no corpo, físico ou perispiritual, desloca a 
consciência do Espírito para o ego. A matéria atrai o 
Espírito à semelhança de um imã sobre um metal. 
O ego é um portal de acesso à zona consciente e elo 
de ligação psíquica da matéria com o perispírito. Por ele 
transitam todas as experiências do campo da consciência, 
desde aquelas que são captadas diretamente pelos sentidos 
até as que são devolvidas do inconsciente. 
O acesso do ego aos conteúdos do inconsciente 
gravados no perispírito, bem com às leis de Deus já 
conquistadas pelo Espírito é automático e não depende da 
suspensão da consciência, porém nunca é direto, visto que 
eles são guardados no formato de símbolos conectados 
emocionalmente. O ego trabalha de forma linear e 
seqüencial, portanto numa freqüência incompatível à 
existente no perispírito. O que ocorre é que o acesso nem 
sempre é desejado, porém a influência dos conteúdos é 
constante. 
 
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Desejo 
 
 
 
 
O desejo, seja sexual ou não, o movimento em todas 
as suas gradações, desde Aristóteles, as motivações ou 
necessidades conforme estabeleceu Abraham Maslow, as 
exigências de identificações coletivas dentre outros 
impulsos que direcionam as ações humanas, não são mais 
do que expressões do influxo criador que encontra 
possibilidades de manifestação externa a partir da estrutura 
íntima do Espírito, a quem cabe dar-lhe expressão 
específica. 
O desejo é gerador da vontade e pertence às estruturas 
mais íntimas do Espírito; é através das experiências 
acumulativas do Espírito que ele se enraíza no perispírito 
gerando os condicionamentos. A maioria dos desejos do ser 
humano obedece aos condicionamentos orgânicos ainda 
embrionários e perispirituais já consolidados. 
O processo evolutivo implica em educar os desejos, já 
transformados em condicionamentos a serviço do Espírito. 
Erradicá-los não só é prejudicial como, de certa forma, 
impossível. É nesse sentido que toda repressão gera 
necessidade de realização futura, visto que se trata, muitas 
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vezes, de se tentar intervir em condicionamentos 
perispirituais. 
O Espírito necessita educar seus instintos e utilizar 
seus desejos com o objetivo de extrair de suas experiências 
as leis de Deus. 
O desejo é a força interna que move a vontade. E esta 
é o ato voluntário com objetividade para a realização de 
algo. O animal não possui vontade. Seu instinto é a 
manifestação do desejo oriundo de sua essência divina. 
Por condicionamento, sem o necessário preparo 
educativo do desejo, o ser humano costuma atendê-lo 
abruptamente assim que ele irrompe à consciência. Às 
vezes, nem à consciência ele precisa vir para que nos 
movamos para atendê-lo, face ao automatismo perispiritual 
inconsciente. Por esse motivo atende a desejos dos quais 
mais tarde se arrepende, atribuindo aos estímulos externos 
sua ocorrência. 
A educação do desejo se inicia com a percepção de 
sua existência, identificação dos fatores que estimulam seu 
surgimento, experimentação moderada e adequada de sua 
realização, renúncia a atendê-lo quando lhe perceber o dano 
que possa causar, mobilização da energia gerada por ele 
para outro foco, e por fim, com seu direcionamento para os 
objetivos de auto-realização. 
As obsessões espirituais, ocorrência comum ao ser 
humano, típica do nível evolutivo em que nos encontramos, 
decorrem, muitas vezes, da realização inadequada dos 
desejos. 
As medicações inibidoras da motivação, da ansiedade 
e da mobilidade, longe de erradicarem os desejos humanos, 
os ampliam adiando sua expressão para algum momento em 
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que o Espírito se sinta mais corajoso para realizá-los. Toda 
repressão gera acúmulo que necessita de escape. 
No ser humano é importante que seu desejo o guie 
para a felicidade, sem que amarras psíquicas o prendam ao 
passado e sem que ele mesmo tente desviar ou boicotar seu 
destino. 
 
 
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Vontade 
 
 
 
 
A vontade é o desejo educado. Pertence ao Espírito 
dotado de razão e deverá, para seu progresso, estar a serviço 
da evolução. Ela é uma potência que nasce na intimidade do 
Espírito, sendo continuação ou expressão da Vontade 
Divina. 
Enquanto o desejo é o impulso inconsciente para 
realizar algo, a vontade é a disposição consciente para fazê-
lo. Nela a iniciativa faz parte de conexões emocionais e 
racionais dirigidas a determinado fim. 
A falta de ânimo numa pessoa não lhe anula o desejo, 
mas apenas inibe sua vontade, que estará impedida pelo 
direcionamento do desejo a outro móvel. 
É fundamental que estejamos sempre a nos perguntar 
a serviço de que objetivo está a vontade, para que não nos 
peguemos de surpresa atendendo a desejos inconscientes 
contrários aos nossos propósitos de Vida. Esse objetivo 
deve pertencer aos ideais de Vida e ser considerado como 
algo que transcende o tempo e as limitações do corpo. 
Quando nossa vontade nos dirige para objetivos que 
nem sempre estão de acordo com o que queremos de bom 
para nós, pode ser que estejam ocorrendo influências 
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externas (de encarnados ou de desencarnados), além 
daquelas oriundas do nosso mundo interior (inconscientes). 
Muitas vezes nos afirmamos sem força de vontade por não 
percebermos a sutileza dessas influências. Face à 
interferência dos complexos e das influências espirituais, a 
vontade dirige os nossos pensamentos para um alvo 
determinado, nem sempre consciente. Esses complexos, na 
sua maioria estruturados no decorrer das vidas sucessivas, 
necessitam da percepção consciente da natureza de seus 
conteúdos para que a vontade possa se manifestar em sua 
plenitude. Mesmo conscientes do que queremos e 
percebendo a direção de nossa vontade, isso não significa 
que lhe conheça seus motivos estruturais. 
Mesmo que se encontre um nome para definir essa 
objetividade inconsciente sempre há que considerar a 
impossibilidade de obstaculizar-lhe a direção ascencional. É 
preciso que nos conscientizemos desse movimento a que a 
Vida nos conduz. Entendê-lo e trabalhar na mesma direção 
do movimento é condição essencial à felicidade; aprender a 
perceber o fluxo espontâneo da vida e para onde ela nos 
leva, diminuindo a ansiedade e a impulsividade. 
Ela é direcionadora do princípio da evolução do 
Espírito. É o motor da existência real. Saber educá-la e 
direcioná-la a serviço do amor e da Vida é garantia de 
felicidade. 
É necessário em algum nível realizar a vontade. Por 
algum motivo ela é o impulso criador do Espírito querendo 
fluir. Muitas vezes sua manifestação em algumas atitudes 
nos choca pela flagrante oposição ao amor, à paz e à 
harmonia; no entanto devemos ter o discernimento para 
avaliar o nível de evolução daquele que a manifesta a fim de 
não dispararmos em nós o crivo forte do juízo ao 
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comportamento alheio. O respeito ao equívoco do outro é 
fundamental ao nosso equilíbrio. 
O perispírito contém várias configurações que 
representam as diversas experiências reencarnatórias, os 
inúmerosprocessos existenciais, bem como as aquisições 
evolutivas. A vontade perpassa essas configurações, 
trazendo novas reconfigurações que mobilizam a matéria 
sutil do perispírito gerando pensamentos e atitudes. 
O Espírito, no ato da criação, não possui livre arbítrio, 
visto que essa é uma conquista decorrente das experiências 
no contato com a Vida. Nele há apenas o impulso natural 
para o desenvolvimento. 
É preciso que coloquemos a vontade a serviço da 
própria felicidade dentro dos objetivos singulares de Deus 
para conosco. Onde a vontade é conscientemente e 
harmonicamente exercida, o destino se mostra mais flexível, 
os caminhos se abrem à disposição do Espírito para que 
melhor possa escolher. 
O que nos move para construir e realizar na Vida pode 
ser chamado de necessidade, instinto, motivação, desejo, 
impulso; não importa o nome, porém devemos ter a 
consciência de que é isso que nos leva a atender algum 
anseio íntimo; esse anseio é a expressão de Deus no 
Espírito. Há que considerar a existência de uma motivação 
inconsciente no ser humano da qual ele só se dá conta 
quando ascende na escala evolutiva. Ele tem um desejo, ou 
necessidade latente, em realizar, em construir, em fazer, em 
movimentar-se na Vida. 
Há um influxo criador divino. Há algo que de Deus 
emana e flui e que perpassa cada ser, que, devido à 
configuração ou arranjo de cada “molde”, corporifica-se. 
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Os motivos pelos quais realizamos as coisas são 
manifestações características da expressão de Deus e podem 
ser entendidos sob vários ângulos distintos: quando 
buscamos a satisfação dos instintos nas manifestações 
primárias da energia, nem sempre educadas; nas respostas 
ao ambiente que nos estimula a trocas para o necessário 
convívio; quando nos aparece o desejo de poder que nos 
convida ao exercício da autoridade; no desejo de satisfação 
sexual com a permuta das energias geradoras de vida; 
quando queremos segurança para estabelecer uma base 
pessoal; sempre que percebemos a necessidade de amor no 
equilíbrio das relações pessoais; quando queremos a 
aceitação dos outros para que nos sintamos existentes; ao 
buscar uma significação para a própria vida; na busca da 
necessária socialização por conta da existência do outro; na 
necessidade de crescer e amadurecer para fazer face aos 
desafios da Vida; no impositivo da autopreservação, 
condição inerente à imortalidade; quando temos a 
necessidade de valorização pessoal na busca da 
individuação; na necessidade de realização do próprio 
destino e do si mesmo; quando estamos em busca daquilo 
que consideramos ser o Criador da Vida ou quando estamos 
à procura de algo ou alguém que nos complemente; Em 
todas essas circunstâncias estaremos expressando a Vontade 
Divina para a manifestação do Deus interior que nos habita. 
A motivação é uma estrutura básica da personalidade. 
Sem ela estamos a mercê do inconsciente e das influências 
externas. Tê-la sob o fluxo que nos leva às realizações 
superiores do Espírito nos garante a conquista da harmonia. 
A motivação se traduz num certo querer, numa 
inclinação para um objeto além de nós, num impulso para a 
saída da inércia, numa tendência a que algo se realize fora 
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de nós, num anseio a que algo se concretize; todas essa 
possibilidades nos levam à manifestação daquilo que flui de 
Deus para a realização de Sua obra. 
A necessidade do encontro com o outro, bem como a 
necessidade do encontro com Deus, são também 
manifestações desse fluxo criador e realizador da Vida. 
Deus quando criou o Espírito e conseqüentemente fez 
o Universo, colocou-Se nele para que o ser O buscasse de 
acordo com suas possibilidades evolutivas. 
O impulso criador da vida é dotado de um certo poder 
de renovação e criatividade. Quando, através da motivação 
e da vontade, o colocamos a serviço do amor, realizamos a 
obra divina. 
 
 
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Poder 
 
 
 
 
O poder, enquanto desejo de dominar e determinar o 
destino alheio representa a assunção do orgulho como 
complexo preponderante na consciência. É o egoísmo 
levado ao extremo. 
Como expressão do egoísmo e do orgulho, o poder é 
radicalmente contrário ao amor, sendo impossível sua 
convivência com ele. Onde o poder se apresenta o amor se 
recolhe. 
Quando se permite que o ego domine a Vida e ele se 
identifique com as representações da autoridade, da 
subserviência e do predomínio da obediência cega, surge o 
poder cuja manifestação básica destrói as forças amorosas 
do Espírito. 
Não obstante as manifestações destrutivas do poder, 
sua experimentação, quer na posição de mando ou de 
obediência, é necessária ao Espírito. Tais experiências o 
farão aprender leis que o ajudarão a co-criar em nome de 
Deus. Não basta saber obedecer; é preciso ao Espírito 
aprender a mandar. 
Por ser criado da Divina Essência, mais tarde, quando 
a evolução lhe permite, é comum ao Espírito acreditar que é 
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Deus. Não percebe a necessidade de entender a distinção 
essencial entre Criador e criatura. Deus é. O ser humano 
existe a partir de Sua Vontade. A evolução do Espírito 
também é a descoberta de sua essência e a constatação 
paulatina de seu poder interior. Descobre ele que seu 
crescimento em busca de Deus é a conquista da liberdade de 
ser. Caso não fosse um processo de amadurecimento 
espiritual levá-lo-ia ao desejo irrefreado de poder. 
Quando se afirma que “querer é poder” deve-se ter em 
mente que o querer foi burilado para que não se imagine a 
possibilidade de algo absoluto. Seria melhor afirmar-se que 
“saber querer é poder” ou ainda que “descobrir o querer da 
Vida é poder”. Esse poder representa a capacidade de 
motivar-se para realizar. 
Quando vamos em busca do poder estamos querendo 
afirmar a necessidade de estabelecer uma identidade pessoal 
perdida no emaranhado do inconsciente. A inferioridade 
certamente está lá exigindo compensação. O poder que se 
exerce sobre alguém deverá sempre ser percebido como 
algo de extrema responsabilidade, pois somos responsáveis 
por entrar no destino alheio. 
Quando a Vida nos oferece uma posição de comando, 
devemos entender que precisamos exercê-la com o máximo 
de equilíbrio a fim de desempenharmos, naquele instante o 
papel a nós reservado por Deus. Ele nos confere a sublime 
tarefa de representa-lO junto àqueles que ainda não O 
percebem. 
Por mais que queiramos fugir dessa responsabilidade, 
um dia estaremos exercendo esse papel. Sua 
desincumbência feliz será determinante para a vivência de 
experiências nos outros campos da Vida. 
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Por muito tempo prevaleceu na sociedade humana, 
como também entre os animais, o predomínio do poder 
sobre a igualdade. A força, o poderio militar, as reservas 
econômicas e as conquistas intelectuais estabeleceram 
hierarquias entre as coletividades. Um dia, quando o amor 
vigorar como princípio de união entre nós, prescindiremos 
daquelas formas de domínio. 
 
 
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Impulso Criador 
 
 
 
 
Nada cresce ou se cria. Só o Espírito se move. Ele 
representa o impulso criador da Vida. Por ser ele que 
descreve e percebe a Vida tal qual ela é, sua existência se 
torna condição imprescindível. Tudo na Vida, portanto, é 
impulso criador. 
O impulso que nos leva a viver e a realizar no mundo 
não parece ser diferente para cada ser humano.O desejo de 
ter prazer, de ter poder ou mesmo a busca por uma auto-
realização, parece-nos ter uma origem comum. Essa origem 
advém da estrutura íntima do Espírito que contém a 
capacidade de ser receptivo ao influxo criativo de Deus e, 
ao mesmo tempo, a disposição de aplicar esse ganho 
externo vindo do Criador. 
Todos somos “convidados” ao uso desse impulso 
participando da organização e manutenção do Universo. 
Usando a criatividade e aplicando as leis de Deus, com o 
livre arbítrio contribuímos com Ele na expansão da 
Natureza. 
A esse impulso, quando se manifesta na busca pela 
expressão instintiva que inclui a conservação da própria 
vida, chamamos de primário. É nessa fase que o ser 
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solidifica sua existência pela estruturação e defesa da vida 
orgânica. É primário por que é básico e primitivo. Está 
presente em todos os seres da Natureza. É a manifestação 
do Impulso Divino na forma mais inconsciente possível. 
Por sua causa o Espírito estará atuando na Vida 
deterministicamente sem consciência de sua existência e, 
principalmente, de sua individualidade. 
Após o aprendizado, recebendo por milhões de anos 
as primeiras manifestações do Impulso Divino, o ser viverá 
a fase em que ele se manifestará de forma secundária. É 
quando ele passará a expressá-lo através: do sexo, do desejo 
de referenciar-se e do estabelecimento de um espaço 
próprio. Embora continue a manifestá-lo na forma 
primitiva, ele buscará refinar esse impulso interno 
irrefreável, nas ações que podem ser, mesmo que por 
instantes, postergadas. Nesse período seu desejo de poder se 
manifestará, instalando-se nele as primeiras ocorrências 
egóicas. 
Em toda sua evolução o Espírito estará sujeito a esse 
impulso, sendo característica de maturidade a educação de 
seu uso. 
O impulso terciário, isto é, a manifestação do Impulso 
Divino, de forma mais madura ocorrerá quando o Espírito 
começar a compreender que é inevitável fugir dele e que 
deve utilizá-lo a serviço da Vida. Com ele buscará livrar-se 
de seus medos, das tensões psíquicas provocadas pelas 
experiências comuns e estará consciente de sua utilidade na 
aquisição do conhecimento das leis de Deus. 
É ainda nessa fase que ele aprenderá o significado das 
relações afetuosas, do amor, do perdão e de outras formas 
superiores de expressão daquele Impulso. 
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A descoberta da necessidade de auto-realização, da 
realização do si mesmo, da individuação, ou de qualquer 
denominação que venhamos a dar ao sentido da Vida, 
pressupõe uma percepção plena da natureza do Impulso 
Divino bem como do conhecimento de sua utilidade. 
Esse impulso também foi chamado de energia 
psíquica, a qual se localiza no perispírito e nos permite a 
realização de todas as emoções, pensamentos e atitudes. 
 
 
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Mente, Cérebro e 
Pensamento 
 
 
 
 
A mente, aparelho psíquico, ou psiquê, se situa no 
perispírito e é responsável pela gama de fenômenos que 
atravessa o cérebro a caminho do Espírito. Ela não é uma 
criação arbitrária da evolução, mas um mecanismo de 
captação e atuação de que se serve o Espírito e 
deliberadamente constituída para servir a seus propósitos. 
A psiquê é um enigma, um mistério tanto quanto a 
própria Natureza. Temos apenas uma pálida e imperfeita 
idéia do que ela é. 
Podemos perceber que o cérebro, como qualquer 
máquina, obedece a um programa pré-definido. Sua 
deficiência não impede o ato de pensar, visto que este surge 
na intimidade do Espírito e se irradia através das 
propriedades do perispírito. O cérebro não gera pensamento 
tanto quanto não é responsável pelos fenômenos sutis da 
mente. Esta, tanto quanto o pensamento, é anterior a ele e 
em nada dele depende. 
Embora alguns problemas psicológicos possam 
indiretamente decorrer de disfunções cerebrais, visto que o 
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ser em evolução nem sempre sabe lidar com obstáculos, 
impressionando-se com eles, as anomalias ou transtornos 
psíquicos decorrem de deficiências estruturais na mente. 
A profusão de pensamentos que ocorrem na mente 
humana sempre esteve presente em sua evolução e se 
constitui aquisição importante discernir a procedência deles. 
A construção do ego decorre também da necessidade de 
organizar os pensamentos que surgem do inconsciente, da 
influência de entidades desencarnadas, dos fenômenos 
telepáticos, bem como dos que, pelo ato da vontade, se 
formam na consciência. 
O pensamento nos parece ocorrer como uma fala 
dentro de nós, porém ele é uma emanação ou expressão do 
Espírito que, utilizando-se da sutil energia do perispírito, o 
faz nascer. 
Para que o pensamento se desenvolva e forme uma 
idéia é preciso que ocorram algumas operações básicas onde 
interferem os afetos, o desejo e a vontade. As operações 
básicas são: o conceito, o juízo e o raciocínio. O conceito é 
a expressão dos elementos gerais dos objetos e fenômenos e 
decorrem sempre da generalização. O juízo ocorre quando 
estabelecemos uma relação entre dois ou mais conceitos. E 
o raciocínio decorre da relação entre juízos. Essas operações 
ocorrem no perispírito e não dependem das estruturas 
cerebrais, salvo quando estamos encarnados e desejamos 
expressá-las. 
Ele é uma espécie de voz interior que constantemente 
nos obriga a conectá-lo a algo consciente. Torna-se difícil 
não pensar, salvo se o Espírito utilizar-se de outra forma de 
expressão para manifestar a Vontade Divina. 
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Em termos materiais o pensamento é uma onda de 
freqüência altíssima que impressiona a matéria de forma 
sutil, mas consistente a tal ponto de movê-la. 
O pensamento é uma emanação coercitível, isto é, 
obrigatória enquanto tivermos um corpo, seja este carnal ou 
perispiritual. Sua matéria prima é a energia sutil do 
Universo. Seu fluxo é determinado pelo impulso criativo do 
Espírito. Sua construção é de responsabilidade do Espírito. 
Seus elementos e símbolos de ligação são encontrados na 
consciência e no inconsciente. 
O ego parece ser o filtro de um feixe luminoso 
proveniente do Espírito que, constantemente apontando para 
a vida externa, perpassa por entre as redes de conexões 
emocionais existentes na zona inconsciente. 
Esse filtro tem funções de alcance interno dentro de 
limites estabelecidos pela evolução do Espírito. A 
lembrança é uma função na qual o filtro estará buscando 
conectar-se a conteúdos internos quando o resultante das 
experiências estiver no perispírito e a conteúdos externos 
quando ainda estiverem no córtex. 
O pensar, isto é, o organizar o pensamento em torno 
de uma idéia diretora é um dialogar consigo mesmo. Isso se 
dá através da comparação que fazemos com algo conhecido. 
O “penso, logo existo” decorre da necessidade da existência 
de um interlocutor interno para que o ego se sinta 
referenciado. 
Os “biochips” a que me referi lá atrás poderão servir à 
armazenagem de processos informacionais úteis e que 
talvez alcancem a mente. 
O corpo não parece ter sido construído para abrigar 
um ser espiritual. O cérebro não contempla mecanismos 
com os quais o Espírito possa manifestar suas 
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potencialidades. A máquina orgânica foi concebida e está 
sendo estruturada para a vida na matéria a fim de fazer face 
aos desafios das condições externas. Tudo no organismo 
humano, em particular no cérebro, gira em torno da vida 
material e de atender a respostas a estímulos oriundos dela. 
O cérebro foi concebido para regular o corpoa fim de que 
ele se adapte aos embates físicos. É quimera querer, através 
dele, explicar o Espírito. Ele é mero reflexo, imperfeito e 
pobre, do corpo espiritual. Seu funcionamento e sua 
estrutura não correspondem nem ao seu molde perispiritual, 
que dirá ao Espírito. 
Creio que o Espírito, ao utilizar-se do corpo, deve ser 
como alguém adulto que, desejando se deslocar de uma 
cidade a outra distante, só dispõe de um pequeno velocípede 
infantil. A limitação é o desafio a ser vencido pelo Espírito, 
visto que, se nascesse perfeito, não valeria a pena existir. 
Estudar o cérebro é dever da ciência e ele deve ser 
cada vez mais conhecido a fim de que possa ser utilizado 
todo o potencial que o corpo pode oferecer ao Espírito para 
seu aprendizado. É equívoco pensar que se possa alcançar o 
Espírito tendo-se mapeado o cérebro e após a descoberta de 
todas as funções que ele desempenha. Não há região no 
corpo onde se possa limitar o Espírito ou mesmo o 
perispírito. 
Notamos que há uma certa confusão entre o que é a 
mente e seus atributos e o que é o Espírito. Os processos 
mentais ou psicológicos estão presentes tanto nos 
encarnados quanto nos desencarnados. As percepções extra-
sensoriais não são reveladoras ou provas da existência do 
Espírito, mas tão somente uma demonstração de 
propriedades psíquicas pertencentes ao perispírito. No 
perispírito, quer ligado ao corpo físico ou não, há estruturas 
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que permitem o pensar, o sentir, o memorizar, bem como 
todas as funções que atribuímos ao cérebro além de outras 
por hora desconhecidas. 
A mente não parece “tocar” o cérebro, mas justapor-se 
a ele sofrendo-lhe e provocando influência como um imã o 
faz quando se depara com um objeto metálico suscetível ao 
alcance de seu campo. A ligação entre o perispírito e o 
corpo físico, através de conexões sutis na base do cérebro, 
percebidas por videntes, estabelece uma íntima união entre 
os dois corpos. Essas conexões são de natureza energética e 
se enraíza na estrutura molecular, porém ainda é de forma 
não impregnante. 
 
 
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Psicopatologia e Doenças 
Mentais 
 
 
 
 
Parto do pressuposto de que o Espírito não adoece 
nem tampouco se degenera. O Espírito é essência divina, 
princípio inteligente e, como tal, não sofre qualquer 
processo de degradação ou involução, característica do 
adoecer. O Espírito sempre evolui, acrescentando à sua 
ignorância o resultante das experiências vividas. 
As falhas de caráter, a maldade, os desvios de 
personalidade, observados nos indivíduos e comumente 
caracterizados como enfermidades da alma, são decorrentes 
da ignorância do Espírito quanto às leis de Deus. Portanto a 
“doença” é o desconhecimento das leis de Deus. É 
exatamente esse desconhecimento que será causa da grande 
maioria dos transtornos psíquicos. 
É preciso também entender que os conceitos de desvio 
de personalidade e de normalidade são extremamente 
difíceis de se alcançar com precisão. O indivíduo 
considerado normal é aquele que está ajustado ao seu meio 
conseguindo sentir-se bem psicologicamente e 
espiritualmente. Acresce também o fato dele sentir que sua 
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vida tem um ou mais objetivos e que ele está encontrando 
no que faz o sentido da própria Vida. É um conceito 
flexível, visto que, as condições externas, isto é, do meio em 
que ele vive, poderá estabelecer uma norma de conduta não 
aceitável em outra época ou em outro meio ou cultura. 
Não se deve pensar que o indivíduo “anormal” 
apresenta um estereótipo definido, com sintomas 
observáveis, ou que aquele que é “normal” não apresenta os 
mesmos sintomas. Essa separação entre o que é normal e o 
que é anormal é perigosa, visto que não consegue resumir a 
gama de variações em que se apresenta a psiquê humana, 
nem se consegue perceber todos os sintomas oriundos dos 
distúrbios psíquicos. 
A separação que se faz entre aquilo que é normal do 
que é anormal pode ser perigosa, pois, em se tratando do ser 
humano, a subjetividade desempenha papel importante. Do 
ponto de vista de quem examina, a comparação com 
modelos de comportamento pré-estabelecidos através de 
critérios enviesados induz muitas vezes a erros graves. Por 
sua vez o paciente, ou quem o encaminha, muitas vezes 
induz (ao próprio paciente, à família ou a outro profissional) 
a equívocos com diagnósticos precipitados e sem base em 
observações acuradas. Disposto a obter sua cura ele pode 
mascarar certos sintomas ou apresentar apenas aqueles que 
configuram um diagnóstico que já lhe foi apresentado. O 
mascaramento, às vezes involuntário, dos sintomas 
apresenta-se como alternativa de fuga ao processo de efetiva 
cura. Esse mascaramento faz parte da própria doença do 
indivíduo e só é perceptível depois de repetidas 
observações. 
Uma entrevista ou um breve encontro, tendo como 
base algumas respostas do doente, não deve ser suficiente 
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para um diagnóstico preciso. Deve-se observar na pessoa: a 
aparência (higiene pessoal, vestuário, deformidades físicas, 
etc.), conduta diária (traços do caráter), sentimentos 
(emoções típicas, humor, labilidade emocional, etc.), 
percepção sensorial (qualidade e quantidade das percepções 
dos cinco sentidos), pensamento (curso, conteúdo e forma), 
sono (duração, qualidade e alterações), uso de substâncias 
químicas (drogas ou medicações), grupo familiar 
(relacionamentos e responsabilidades); acrescemos a esses 
itens a necessidade de apurar a intuição, a fim de que o 
exame possa trazer elementos não observáveis percebidos 
pela própria experiência do entrevistador bem como pelo 
auxilio espiritual. A observação deve estender-se aos 
aspectos decorrentes dos fenômenos mediúnicos na vida do 
indivíduo, a fim de se completar o quadro e se estabelecer 
um diagnóstico mais preciso. Mesmo que se apresente um 
diagnóstico do indivíduo, deve-se ter em mente que ele 
nunca é definitivo ou rígido. As mudanças podem ocorrer a 
qualquer momento, inclusive no ato da entrevista. O 
diagnóstico a que chegue o entrevistador não deve ser 
passado ao entrevistado, mesmo que ele o insista. A ele 
deve ser apresentado o que deve ser feito para que ele 
encontre equilíbrio em face de seus processos que lhe 
causam sofrimento. Quando possível é sempre bom uma 
entrevista em particular com parentes próximos ao doente. 
Os distúrbios de natureza psíquica, anteriormente 
chamados de loucura ou doença mental, devem ser 
especificados detalhadamente haja vista a gama de sintomas 
que a natureza humana revela quando quer expressar seu 
estado interior. O que se convencionou chamar de doença 
mental pode ter origem física, psicológica ou perispiritual. 
O termo é inadequado tanto quanto as formas de tratamento 
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convencionais. Cada ser humano que se encontre em 
desarmonia interior por força da ignorância do próprio 
Espírito, apresentará uma sintomatologia específica, com 
diagnóstico distinto e com tratamento6 singular. Chamar de 
loucura é o mesmo que dizer que todos os seres humanos 
são exatamente iguais. 
Os desequilíbrios e transtornos psíquicos se devem a 
uma irrupção inapropriada do inconsciente perturbando a 
adequação do indivíduo ao meio, na qual ocorrem ou não a 
contribuição das influências espirituais nocivas. 
Fundamental para o equilíbrio do indivíduo é a preservação 
da unidade da relação Self-ego alcançada pela internalização 
e integração à personalidade do conteúdo daquela irrupção. 
Os tratamentos químicos convencionais e aquelesque 
se baseiam na contenção física partem do pressuposto que o 
problema está na organização (ou desorganização) cerebral. 
Embora possam cometer equívocos quanto às causas, a 
administração de medicamentos, em certos casos, torna-se 
imprescindível a fim de se diminuir o sofrimento do 
indivíduo. Há casos, mesmo se tratando de obsessão, em 
que a medicação é necessária como também o internamento 
em casas especializadas. Trata-se, nestes casos, de 
processos de subjugação de difícil erradicação, nos quais 
vítima e algoz se interpenetram sem se poder distinguir 
quem é quem. Ambas as providências visam evitar um 
sofrimento maior para o doente. 
 
6 Chamo de tratamento médico o uso de medicação prescrita por um psiquiatra; 
tratamento psicológico a aplicação de algum tipo de psicoterapia efetuada por um 
psicólogo; tratamento espiritual ou espírita aquele executado num Centro Espírita, com 
passes, água fluidificada, reunião mediúnica intercessora, oração pelo doente, além das 
recomendações de que ele faça leituras edificantes, aprenda a orar e buscar sua 
transformação interior. As recomendações incluem o grupo familiar. 
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A medicação ataca os sintomas, inibindo parcialmente 
a manifestação de certos conteúdos do inconsciente. Por 
detrás da não aparição dos sintomas continuam existindo e 
ocorrendo fenômenos dissociativos necessitando 
compensação adequada. O Espírito está sempre ativo. 
É comum confundir-se os transtornos psíquicos com 
certos comportamentos socialmente não aceitáveis. E para 
facilitar nossa compreensão poderemos dividi-los de acordo 
com a procedência e com o tipo de manifestação, embora 
sempre considerando que eles decorrem da ignorância do 
Espírito. 
Os primeiros são aqueles que se manifestam no corpo 
e provocam distúrbios psíquicos diversos, decorrentes de 
mal funcionamento ou mal formação do sistema nervoso. 
São os transtornos provocados ou por distúrbios 
neurológicos ou que decorrem de alguma anomalia 
genética. No primeiro caso podemos encontrar transtornos 
provocados por acidentes e traumatismos que interferirão na 
capacidade de manifestação adequada da consciência. Nos 
traumatismos nem sempre existem problemas perispirituais, 
visto que a deficiência está na máquina física. A 
inadaptabilidade ao mal funcionamento do corpo físico 
pode gerar traumas emocionais, portanto perispirituais, ao 
indivíduo, agravando sua problemática. A degeneração 
cerebral, a senilidade, as isquemias cerebrais, as síndromes 
do sistema nervoso central e periférico podem trazer 
distúrbios psíquicos de acordo com o nível de evolução do 
Espírito, pela forma como ele vai lidar com seu problema. 
Do ponto de vista reencarnatório os casos os quais não são 
resultantes de imperícia, negligência ou imprudência do 
indivíduo, são decorrentes de agressão impetrada numa 
encarnação anterior nas áreas correspondentes ao corpo 
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físico próprio ou de outra pessoa. Quando a deficiência é 
genética, isto é, adquirida no processo reencarnatório, a 
problemática é mais grave e suas causas mais complexas. 
Essas alterações, sejam posteriores ao processo 
reencarnatório ou não, nem sempre resultam em transtornos 
psíquicos. E quando o são, podem trazer distúrbios na 
consciência, na capacidade de atenção e concentração, no 
sentido de orientação, na memória, na capacidade 
intelectual pela impossibilidade física de manifestá-la, bem 
como em outros tipos de alterações a depender da região 
cerebral atingida. Sempre, nesses casos, o problema é 
orgânico, sem alteração na mente. 
O segundo caso advém dos imprints perispirituais que 
alteram a formação do corpo físico no processo 
reencarnatório. Os transtornos psíquicos decorrentes de 
alterações cromossômicas no código genético são fruto das 
experiências de reencarnações anteriores nas quais o ser 
humano promoveu desordens psicológicas a partir de seu 
próprio comportamento. Essas desordens foram de tal 
monta e com tal complexidade que são capazes de alcançar 
sua estrutura perispiritual. 
De acordo com o capítulo V do CID-10, 10ª revisão 
da Conferência Mundial da Saúde, que trata dos 
Transtornos Mentais e Comportamentais, os desequilíbrios 
psíquicos podem ser divididos em dez tópicos, cuja 
seqüência não obedece nenhum princípio de valoração: 
 
1. Transtornos Mentais Orgânicos, Inclusive os 
Sintomáticos; 
2. Transtornos Mentais e Comportamentais Devidos 
ao Uso de Substância Psicoativa; 
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3. Esquizofrenia, Transtornos Esquizotípicos e 
Transtornos Delirantes; 
4. Transtornos do Humor (Afetivos); 
5. Transtornos Neuróticos, Transtornos 
Relacionados com o Estresse e Transtornos 
Somatoformes; 
6. Síndromes Comportamentais Associadas a 
Disfunções Fisiológicas e a Fatores Físicos; 
7. Transtornos da Personalidade e do 
Comportamento Adulto; 
8. Retardo Mental; 
9. Transtornos do Desenvolvimento Psicológico; 
10. Transtornos do Comportamento e Transtornos 
Emocionais que Aparecem Habitualmente durante 
a Infância ou a Adolescência; 
11. Transtorno Mental não Identificado. 
 
Essa classificação é meramente didática e 
convencional, embora embasada em Congressos 
internacionais e feita por especialistas do mundo todo. Em 
alguns casos transcrevi a descrição constante no capítulo 
referido. É possível estabelecer-se outro modo de 
classificação ou mesmo a inclusão de outros tipos de 
transtornos, porém evitarei isso, não só por falta de 
capacidade e por exigir maior espaço que um capítulo de 
um livro. Apenas comentarei os diversos transtornos 
relacionados pela Organização Mundial de Saúde. Embora 
essa divisão seja criteriosa encontramos indivíduos cujo 
transtorno apresenta sintomas de vários tipos e que são 
descritos em tópicos diferentes. Essa divisão não inclui as 
cefaléias, a epilepsia, bem como uma gama de problemas 
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que afetam o Sistema Nervoso e que são tratadas no 
capítulo VI. 
O fato de se diagnosticar o sintoma de um 
desequilíbrio psíquico ou mesmo de estabelecer uma 
classificação para suas variações não implica em 
estabelecer-se suas causas, mas apenas em enquadrá-los 
tecnicamente visando uma terapêutica. 
Por outro lado, a classificação das obsessões em 
Simples, Fascinação e Subjugação é também ampla, embora 
bastante compreensiva. Pode-se observar uma variação 
muito grande tanto nos sintomas como nas causas dos 
transtornos psíquicos que têm como componente a 
obsessão, o que exigirá uma maior especificação dessa 
problemática espiritual. Essa maior especificação facilitará 
os processos de tratamento e cura. 
Devemos entender que os transtornos psíquicos não 
são necessariamente causados pela obsessão espiritual. Ela é 
componente invariável. Muitas vezes não se pode 
determinar onde começa um e termina o outro. 
Independente da ocorrência da obsessão espiritual, a gênese 
dos transtornos está sempre no espírito (encarnado ou 
desencarnado) com sua complexa estrutura mental e seus 
processos emocionais não resolvidos. 
Entre os Transtornos Mentais Orgânicos são 
catalogados aqueles que afetam o cérebro provocando 
alguma disfunção ou lesão cerebral. Enquadra-se nesta 
categoria a Demência, a Síndrome Amnésica, o Delirium e 
as Síndromes Pós-traumáticas. A maioria compromete a 
memória, a consciência, o pensamento, o humor e o sono. A 
alteração no cérebro, na maioria dos casos, está associada à 
lesão perispiritual grave e que dificilmente se resolve numa 
encarnação. O tratamento de passes, a paciência da família, 
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a água fluidificada e a oração,amenizam tais processos. A 
obsessão eventualmente ocorre e é componente secundário 
na causa tanto quanto nos efeitos. O uso de medicação é 
recomendável. 
Nos Transtornos Mentais e Comportamentais 
devidos ao uso de Substâncias Psicoativas (álcool, 
opiáceos, canabinóides, sedativos e hipnóticos, cocaína, 
estimulantes, alucinógenos, fumo, solventes voláteis, etc.) 
os sintomas observáveis se assemelham àqueles catalogados 
entre os decorrentes de disfunções ou lesões cerebrais. Em 
alguns casos (a maioria) são reversíveis os efeitos. Porém o 
uso prolongado causa danos cerebrais irreversíveis, pois 
alcançam o perispírito. O ato de usar tais substâncias em 
excesso parece estar associado à fuga da realidade por 
ausência de limites. Psicologicamente parece que o 
indivíduo busca a contenção de si mesmo na substância que 
vai alterar seu organismo dando-lhe mais oportunidades e 
que chegue a um desfecho limitador. Em crianças e em 
adolescentes o fenômeno está associado à ausência paterna. 
A obsessão é componente coadjuvante no uso de drogas. 
Em alguns casos ela é determinante como causa, mas é 
difícil dizer quem determina a vontade do uso da substância, 
se o obsidiado ou o obsessor. O tratamento desobsessivo 
tem alcance limitado se não se fizer acompanhar de apoio 
psicológico e, em alguns casos, médico. O uso de 
medicação apropriada para cada caso é recomendável. A 
família deve unir-se na busca de cura para o doente, 
sobretudo tendo paciência e procurando o diálogo maduro 
sem a recriminação sobre a atitude do indivíduo nem querer 
o estabelecimento de culpados. Em alguns casos o uso de 
algumas substâncias psicoativas está associado às vidas 
passadas e seu surgimento muito precoce se deve à 
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impregnação perispiritual. Nesse caso é também 
recomendável o tratamento de passes. 
No tópico referente à Esquizofrenia e Transtornos 
Delirantes vamos encontrar uma série de inclusões cujos 
sintomas básicos são: distorções dos pensamentos, 
distorções da percepção, afetos inapropriados, afetos 
embotados, ecos do pensamento, fuga de idéias, fixações 
persistentes, idéias paranóides, alucinações, catatonias, 
anedonias, alterações de consciência, alterações de 
identidade, etc. 
Para o mais principiante dos estudiosos da 
mediunidade não é difícil perceber que neste tópico estão 
catalogados os sintomas típicos da obsessão. A 
esquizofrenia é um termo consagrado na psiquiatria porém 
se tornou extremamente abrangente englobando uma série 
de transtornos por falta de expressão adequada. Ela inclui 
delírios persecutórios, alucinações visuais, auditivas, 
perturbações afetivas, comportamentos irresponsáveis e 
imprevisíveis, discursos incoerentes, enfraquecimento da 
vontade, hipo-atividade, hiperatividade, pobreza na 
comunicação, falta de cuidados pessoais, idéias delirantes, 
retraimento social, distúrbios de comportamento, psicose, 
manias, passividade, desejos suicidas. Esses fenômenos 
associados, no todo ou em parte, enquadram o indivíduo 
como esquizofrênico ou tipo esquizotípico. 
A análise dos sintomas deve ser muito criteriosa a fim 
de não nos precipitarmos em diagnósticos apressados e 
tendenciosos. Os sintomas esquizofrênicos podem ser 
causados por disfunções cerebrais, perispirituais ou por 
obsessão. Há fenômenos provocados pelas disfunções 
cerebrais que nos impedem de afirmar com certeza se 
estaria ocorrendo, por exemplo, uma alucinação visual ou 
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uma vidência obsessiva. O paciente que vai a um 
consultório ou que vai a um Centro Espírita apresentando os 
mesmos sintomas tenderá a prestar informações diferentes 
de acordo com o meio onde esteja e a partir de diagnósticos 
anteriores ou suposições empíricas. 
A análise do histórico de vida, das relações familiares, 
da observação direta e dos fatores subjetivos envolvidos na 
relação entrevistador-entrevistado deve ser criteriosamente 
feita para se ter idéia do encaminhamento a cada caso. 
Pela experiência pessoal, ouso afirmar que, em todos 
os casos de esquizofrenia ou dos transtornos assim 
enquadrados, a obsessão está presente. O tratamento, 
portanto, será, além do acompanhamento médico-
psicológico, a desobsessão nos moldes preconizados pelo 
Espiritismo, isto é, passes, água fluidificada, leituras 
edificantes, orações, além de reuniões mediúnicas 
intercessórias. 
Muitas manias gestuais, a maioria das alucinações 
visuais, os delírios persecutórios atribuídos a vozes 
estranhas, bem como certos tipos de sonhos, todos 
característicos da esquizofrenia se devem às influências 
diretas e insidiosas de espíritos vinculados 
perispiritualmente ao indivíduo encarnado. Em alguns casos 
de epilepsia também se observa a mesma vinculação quer 
direta ou próxima. Nos casos de epilepsia de origem 
mediúnica/espiritual as convulsões observadas são 
autênticas manifestações típicas da mediunidade 
atormentada necessitando de tratamento espiritual. 
Geralmente nos casos de esquizofrenia o tratamento 
espiritual leva algum tempo, entre meses ou anos. 
Nas esquizofrenias costuma-se utilizar medicações 
para contenção de certos sintomas. Em que pese serem 
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recomendáveis e em certos casos o doente não pode deixar 
de tomá-las por muito tempo, elas não resolvem e, às vezes, 
devem ter suas dosagens reduzidas para que se observem 
sintomas mascarados pelos seus efeitos. 
O tópico referente aos Transtornos do Humor inclui 
os episódios maníacos e os episódios depressivos. No 
primeiro caso é citada a hipomania, a mania com e sem 
psicose e o transtorno afetivo bipolar. No segundo caso são 
incluídas a ciclotimia e a distimia. Em ambos os casos as 
características básicas são as alterações de humor e de afeto. 
Nas manias se enquadram as elevações de humor, as 
idéias de grandeza e de superestima. Torna-se bipolar 
quando há aumento e rebaixamento do humor e da 
atividade. 
Nos episódios depressivos ocorrem: o rebaixamento 
do humor, a diminuição da atividade, a perda de interesse, a 
fadiga e lentidão psicomotora, problemas no sono, idéias de 
culpa, anedonia, irritabilidade e desejos suicidas. 
As influências espirituais podem ocorrer nesses tipos 
de transtornos e contribuem muito para que se demorem na 
psiquê do indivíduo. Elas são causa e conseqüência ao 
mesmo tempo, pois o indivíduo atrai suas companhias 
espirituais de acordo com seu estado mental. Elas se 
demoram pela facilidade de conexão que encontram. O 
tratamento espírita e psicológico é altamente recomendável. 
O uso de medicação ansiolítica e antidepressiva é tolerável 
em certos casos, porém deve ser evitada na maioria deles. 
No tópico referente aos Transtornos Neuróticos, 
transtornos relacionados com estresse e transtornos 
somatoformes, estão incluídos as fobias, as ansiedades, o 
pânico, os transtornos obsessivo-compulsivos, as reações ao 
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estresse, as conversões dissociativas e as somatizações 
psicogênicas. 
As fobias (medo de morrer, medo de perder o 
controle, medo de ficar ‘louco’, medo de sair de casa, medo 
de multidão, medo de viajar só, medo de exposição, medo 
de ser criticado, medo de certos animais, medo de sangue, 
medo de lugares altos, medo de escuro, medo de locais 
fechados, medo de viajar de avião) quando não estão 
relacionadas a traumas de infância, pela exposição a algum 
evento grave e não estão associadas a outros transtornos da 
personalidade, isto é, quando tomadas isoladamente, se 
devem à sintonia com eventos semelhantes oriundos de 
vidas passadas. Esses eventos se encontram gravados no 
perispírito e, por um mecanismo cármico, foi aberta uma 
‘janela’ de comunicação. O inconsciente passado se abrepara o presente. Em certos casos as fobias são provocadas 
por influência espiritual. Em geral medicações são inócuas. 
O tratamento espírita alivia, porém o tratamento psicológico 
é fundamental. A Terapia de Vidas Passadas é recurso que 
pode trazer cura em certos casos. 
Os rituais observados nos Transtornos Obsessivos 
Compulsivos (TOC) em muitos casos obedecem a 
imposições causadas pela obsessão espiritual. O ato, às 
vezes, é causado por imitação automática promovida por 
entidade espiritual que tem ligação cármica com o doente. 
Em outros casos o doente obedece a um automatismo 
perispiritual repetindo gestos e atitudes que cometeu no 
passado a fim de se libertar da culpa nele existente. O 
tratamento espiritual é recomendável. O tratamento com 
medicação é inócuo e o psicológico tímido. 
O transtorno de pânico em geral está associado à 
obsessão tendo em vista a existência do medo sem causa 
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aparente, da ansiedade grave, das palpitações cardíacas, das 
sensações de asfixia, das tonturas e sensações de irrealidade. 
Em muitos casos está também associado à abertura do 
inconsciente. O tratamento espiritual é fundamental. O uso 
de medicação é inicialmente recomendável e o tratamento 
psicológico auxilia. 
Nas reações ao estresse (reações a um fato marcante e 
traumático, lembrança de evento desagradável, perturbação 
emocional por luto, separação ou perda financeira, etc.) o 
tratamento psicológico é altamente recomendável. O auxílio 
espiritual contribui para a cura. 
Os transtornos dissociativos e os transtornos 
somatoformes estão associados a processos psicológicos e 
exigem tratamento correspondente. Em alguns casos, 
quando há transe involuntário, recomenda-se o tratamento 
espiritual, por se tratar de obsessão. 
No tópico que diz respeito às Síndromes 
Comportamentais Associadas a Disfunções Fisiológicas e 
a Fatores Físicos estão incluídos os transtornos de 
alimentação (Bulimia e Anorexia), os transtornos do sono 
(insônia não orgânica, hipersonia, sonambulismo e 
pesadelos), as disfunções sexuais não orgânicas e a 
depressão e psicose puerperal. 
Tanto a anorexia quanto a bulimia, quando associadas 
a outros comportamentos psicóticos e a idéias delirantes 
podem ser catalogadas como sintomas secundários de um 
processo mais amplo de desequilíbrio psíquico. 
Isoladamente elas apenas representam aspectos psicológicos 
ligados a complexos e que devem merecer tratamento 
psicoterápico. Quando envolvidas em outros processos que 
ao exame superficial não se observam devem ser tratadas 
não só como distúrbio psicológico como também espiritual. 
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Identificações com personas de encarnações passadas que 
trouxeram uma maior auto-estima, quando num corpo mais 
magro, principalmente na anorexia, podem ser tratadas com 
Terapia de Vidas Passadas. Há casos de anorexias 
decorrentes de vampirização espiritual. Neste caso outros 
sintomas típicos da influência de desencarnados costumam 
estar associados. A bulimia pressupõe um grau maior de 
compulsividade que sugere identificação reativa a um 
passado reencarnatório ou com obsessão espiritual. O 
tratamento psicológico associado ao espiritual é 
recomendado em ambos os casos. O uso de medicação 
tende a surtir efeito redutor. 
A maioria dos transtornos do sono está associada à 
obsessão espiritual. Quando o sono da criança for agitado é 
recomendável que um dos pais, ou ambos, após que durma, 
converse baixinho com ela, falando-lhe palavras de 
confiança, carinho, segurança, impondo-lhe uma das mãos 
sobre o peito, transferindo-lhe energias enquanto ora em seu 
favor. 
As disfunções sexuais não orgânicas (incapacidade de 
participar de uma relação sexual, frigidez, anedonia sexual, 
falta de ereção, falta de lubrificação vaginal, retardo 
orgásmico, ejaculação precoce, oclusão vaginal, dores 
durante a relação, ninfomania, satiríase etc.) devem ser 
tratadas caso a caso. A maioria delas, quando não 
associadas a outros sintomas característicos de psicose, se 
devem a fatores psicogênicos. O tratamento psicológico é 
recomendável em todos os casos. O uso de medicação é 
inócuo e o tratamento espiritual é, em geral, protelador de 
uma efetiva cura, em face do desvio do problema. Em 
alguns casos o problema é perispiritual, decorrente de 
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perturbação no chacra genésico pelo uso inadequado da 
energia sexual na vida presente ou passada. 
As depressões e psicoses puerperais podem estar 
relacionadas com fatores cármicos oriundos da relação entre 
o reencarnante e a mãe. Merecem tratamento médico, 
psicológico e espiritual. 
No tópico referente aos Transtornos da 
Personalidade e do Comportamento Adulto estão 
inclusos: a) indivíduos cuja personalidade possui traços 
paranóicos, esquizóides, anti-sociais, histriônicos, ansiosos, 
perfeccionistas, dependentes; b) indivíduos com transtornos 
dos hábitos e dos impulsos (jogo patológico, piromania, 
roubo patológico, tricotilomia); c) indivíduos com 
transtornos da identidade e da preferência sexual 
(transexualismo, travestismo, fetichismo, exibicionismo, 
voyerismo, pedofilia, sadomasoquismo, bolinagem, 
necrofilia, imaturidade sexual, orientação sexual 
egodistônica). 
Da mesma forma que os itens do tópico anterior cada 
um desses transtornos merece análise específica. A maioria 
desses traços é fragmento de personalidades vividas em 
encarnações passadas que persistem mesmo contra a 
vontade do Espírito. Eles podem fazer parte de outros 
transtornos como aspectos secundários o que implicará em 
outro tipo de análise mais complexa. Tratarei como 
sintomas isolados. Uma mesma pessoa pode apresentar 
traços das várias personalidades adiante descritas, exigindo 
análise mais detalhada. Deve-se verificar a preponderância 
de traços ao longo de certo tempo. Os traços de 
personalidade descritos adiante, como em outros tópicos, 
não se configuram como doenças, mas eles atrapalham o 
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167
desenvolvimento espiritual do indivíduo. Por esse motivo é 
importante a busca de uma cura. 
A personalidade paranóide apresenta uma 
sensibilidade excessiva a contrariedades, recusa a perdoar 
insultos, caráter desconfiado, tendência a distorcer os fatos, 
suspeitas injustificadas a respeito da fidelidade sexual do 
parceiro e um sentimento combativo e obstinado de seus 
próprios direitos. Às vezes há uma superavaliação da 
importância pessoal, havendo freqüentemente auto-
referência excessiva. São pessoas com tendências 
querelantes e propensas ao fanatismo. Pode-se ver que se 
trata de aspectos profundos da personalidade de alguém que 
merece auxílio especializado. As causas para esse tipo de 
personalidade se localizam em vidas passadas onde as 
experiências vividas levaram a essa forma de reação ao 
mundo. Nesse caso a recomendação é tratamento 
psicológico e a busca por uma proposta religiosa ou por um 
sentido superior para a própria Vida. A proposta espírita 
para uma vida espiritualmente sadia pode também ser 
recomendada. 
A personalidade esquizóide apresenta um transtorno 
caracterizado por um retraimento dos contatos sociais, 
afetivos ou outros, com preferência pela fantasia, por 
atividades solitárias e afeita à reserva introspectiva. Acresce 
também uma incapacidade de expressar seus sentimentos e 
a experimentar prazer. Para melhor entendermos esse tipo 
de personalidade é preciso considerar que ninguém é 
obrigado a viver extrovertidamente e em contato social 
intenso. A sociabilidade é desejada, mas a reserva e o gostar 
de viver consigo mesmo é opção também saudável de vida. 
Porém a personalidade aqui analisada apresenta outros 
traços além do simples caráter introvertidoo qual não 
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168
promove o transtorno descrito. As recomendações são as 
mesmas da personalidade descrita no parágrafo anterior. 
A personalidade dissocial ou anti-social e a 
personalidade com instabilidade emocional se caracterizam 
por um desprezo às obrigações sociais, pela falta de 
empatia, pela tendência de oposição às normas sociais 
estabelecidas, pela baixa tolerância à frustração e um baixo 
limiar de descarga da agressividade, inclusive da violência, 
com tendência a culpar os outros. Em alguns casos observa-
se uma tendência a adotar um comportamento 
autodestrutivo, compreendendo tentativas de suicídio e 
gestos suicidas. Os indivíduos com essas características 
também são chamados de sociopatas, psicopatas, amorais, 
‘bordeline’ ou associais. Quando esses traços aparecem 
repentinamente na vida de uma pessoa, sem dúvida 
nenhuma que se deve a uma obsessão espiritual. Quando 
eles iniciam timidamente na adolescência e depois de algum 
tempo alcançam a maturação que caracteriza esse tipo de 
personalidade, pode estar ocorrendo uma obsessão espiritual 
com o agravante da afinidade psíquica e quase cumplicidade 
do encarnado. Qualquer que seja o caso é recomendado o 
tratamento psicológico, o espiritual e, em alguns casos onde 
haja riscos ou exposição perigosa do indivíduo ou de seus 
familiares, é prudente o uso de medicação. 
A personalidade histriônica, também chamada de 
histérica, se caracteriza por uma afetividade superficial e 
lábil, tendência à dramatização, teatralidade, expressão 
exagerada das emoções, sugestibilidade, egocentrismo, 
autocomplacência, falta de consideração para com os 
outros, desejo permanente de ser apreciado e de constituir-
se no objeto de atenção e tendência a se sentir facilmente 
ferido. Esse tipo de personalidade é típico de influência 
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espiritual obsessiva face à sintonia entre o encarnado e o 
desencarnado. Ambos apresentam traços semelhantes de 
personalidade e se comprazem em permanecer assim. As 
recomendações para esse caso são de tratamento 
psicológico e espiritual. Não há necessidade de uso de 
medicação. 
A personalidade anancástica se caracteriza por um 
sentimento de dúvida, perfeccionismo, escrúpulos 
exagerados, verificações, e preocupação com pormenores, 
obstinação, prudência e rigidez excessivas. O transtorno 
pode se acompanhar de pensamentos ou de impulsos 
repetitivos e intrusivos não atingindo a gravidade de um 
transtorno obsessivo-compulsivo. Esse caso requer 
tratamento psicológico. O apoio espiritual é recomendado. 
A personalidade ansiosa ou esquiva se caracteriza por 
sentimentos de tensão e de apreensão, insegurança e 
inferioridade. Existe um desejo permanente de ser amado e 
aceito, hipersensibilidade à crítica e a rejeição, reticência a 
se relacionar pessoalmente, e tendência a evitar certas 
atividades que saem da rotina com um exagero dos perigos 
ou dos riscos potenciais em situações banais. A 
recomendação é pelo tratamento psicológico. Do ponto de 
vista espiritual o problema pode ser decorrente dos 
repetitivos insucessos em vidas passadas que podem 
influenciar uma expectativa de nova ocorrência. 
A personalidade dependente se caracteriza por: 
tendência sistemática a deixar a outrem a tomada de 
decisões, importantes ou menores; medo de ser abandonado; 
percepção de si mesmo como fraco e incompetente; 
submissão passiva à vontade de outros (por exemplo, de 
pessoas mais idosas) e uma dificuldade de fazer face às 
exigências da vida cotidiana; falta de energia que se traduz 
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por alteração das funções intelectuais ou perturbação das 
emoções; tendência freqüente a transferir a responsabilidade 
para outros. O tratamento recomendado é psicológico sem 
necessidade de uso de medicação. O apoio familiar bem 
como o espiritual é importante. 
Há certos comportamentos que tendem à repetição, 
em geral contra a vontade e que aparecem em dado 
momento da vida do indivíduo como alternativa ou fuga 
diante de obstáculos que parecem intransponíveis ou como 
resultante de algo não resolvido ao longo da vida. Em todos 
eles observam-se traços obsessivos espirituais, sempre com 
a conivência do encarnado, requerendo tratamento 
psicológico e espiritual. Nesses casos o uso de medicação se 
torna inócuo. 
O jogo patológico ou compulsivo é um transtorno que 
consiste em episódios repetidos e freqüentes de jogatina que 
dominam a vida do sujeito em detrimento dos valores e dos 
compromissos sociais, profissionais, materiais e familiares. 
Ocorre geralmente na idade adulta tendendo a se tornar 
compulsivo pelo hábito. A tendência pode ser fruto do 
mesmo comportamento em vidas passadas, porém pode ser 
apenas oriundo da atual encarnação como fuga psicológica 
ou por obsessão espiritual. 
A piromania é o comportamento caracterizado por 
atos ou tentativas múltiplas visando pôr fogo em objetos e 
bens sem motivo aparente, associado a preocupações 
persistentes com relação a fogo ou incêndio, quando não 
associados a outros transtornos típicos da psicose ou da 
esquizofrenia. Este comportamento se faz acompanhar 
freqüentemente de um estado de tensão crescente antes do 
ato e uma excitação intensa imediatamente após sua 
realização. O comportamento é fruto da obsessão espiritual 
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por força de um problema psicológico. Às vezes decorre da 
influência do inconsciente de vidas passadas na vida atual. 
O tratamento, portanto, é psicológico e espiritual. Em certos 
casos é recomendável o uso de medicação ansiolítica. 
O roubo patológico (cleptomania) é um transtorno 
caracterizado pela impossibilidade repetida de resistir aos 
impulsos de roubar objetos. Os objetos não são roubados 
por sua utilidade imediata ou seu valor monetário; o sujeito, 
ao contrário, quer descartá-los, dá-los ou acumulá-los. Este 
comportamento se acompanha habitualmente de um estado 
de tensão crescente antes do ato e de um sentimento de 
satisfação durante e imediatamente após sua realização. 
Esse transtorno é assim chamado quando não está associado 
a outro transtorno mental, depressivo ou à esquizofrenia. 
Geralmente é decorrente de influência espiritual obsessiva 
muito embora o desejo mórbido já exista no próprio 
indivíduo de forma inconsciente. O tratamento 
recomendado é psicológico e espiritual. 
A tricotilomania é um transtorno caracterizado por 
uma perda visível dos cabelos, causada por uma 
impossibilidade repetida de resistir ao impulso de se 
arrancar os cabelos. O arrancamento dos cabelos é 
precedido em geral de uma sensação crescente de tensão e 
seguido de uma sensação de alívio ou de gratificação. 
Quando há uma afecção inflamatória pré-existente do couro 
cabeludo, ou quando existe a prática do arrancamento dos 
cabelos em resposta a delírios ou a alucinações ou quando 
há movimentos estereotipados com arrancamento dos 
cabelos o diagnóstico é outro. A tricotilomia está associada 
a episódios vividos em encarnações passadas e requerem 
tratamento psicológico (recomendável Terapia de Vidas 
Passadas). Por vezes acontece com influência obsessiva 
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espiritual motivada por perseguição vingativa, exigindo 
tratamento espiritual. O uso de medicação ansiolítica no 
início do tratamento psicológico e espiritual é 
recomendável. 
Os transtornos de identidade e de preferência sexual 
assim são colocados em face da inadaptabilidade 
psicológica do indivíduo consigo mesmo e em resposta às 
exigências do meio. Não são, portanto, patologias em si. 
Quando um mesmo indivíduo apresenta um conjunto 
variado de comportamentos ou práticas sexuais isso pode 
representaruma síndrome denotando uma focalização 
excessiva de seu interesse geral nessa dimensão. Merecerá 
nesse caso tratamento psicológico. 
O transexualismo é o desejo de viver e ser aceito 
como pessoa do sexo oposto. Geralmente é acompanhado 
de um sentimento de mal estar ou de inadaptação por 
referência a seu próprio sexo anatômico e do desejo de 
submeter-se a uma intervenção cirúrgica ou a um tratamento 
hormonal a fim de tornar seu corpo tão conforme quanto 
possível ao do outro sexo. A impossibilidade de realização 
desse desejo proporciona desconforto psicológico e, em 
certos casos, inadaptabilidade ao meio social. A percepção 
de que sua psiquê consciente é feminina leva o indivíduo a 
esse desejo, que pode ser favorecido, isto é, pode receber a 
contribuição de entidades espirituais. Há um forte apelo de 
personas vividas em encarnações passadas na estruturação 
do desejo. No caso do indivíduo querer mudar seu desejo 
por não concordar ou não se submeter ele é recomendável o 
apoio psicológico e a desobsessão espiritual. Esta última 
tem efeito secundário. 
O travestismo bivalente é o termo empregado para a 
atitude do indivíduo usar vestimentas do sexo oposto 
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durante uma parte de sua existência, de modo a satisfazer a 
experiência temporária de pertencer ao sexo oposto, mas 
sem desejo de alteração sexual mais permanente ou de uma 
transformação cirúrgica; a mudança de vestimenta não se 
acompanha de excitação sexual. Esse é o caso típico da 
influência do passado reencarnatório do indivíduo que o faz 
querer travestir-se. Não se constitui em problema, salvo se 
provocar desconforto psicológico no indivíduo. Nesse caso 
o tratamento será também psicológico. 
O fetichismo se caracteriza pela utilização de objetos 
inanimados como estímulo da excitação e da satisfação 
sexual. Numerosos fetiches são prolongamentos do corpo, 
como por exemplo, as vestimentas e os calçados. Os objetos 
fetiches variam na sua importância de um indivíduo para o 
outro. Esse tipo de prática reflete a necessidade de encontrar 
novas formas de obtenção de prazer, nas quais o encontro 
com o outro tem importância secundária. O uso de fetiches 
torna-se um ato condicionado típico da fuga da realidade. 
Geralmente na sua prática contribui a obsessão espiritual. 
Quando o indivíduo sente algum desconforto psicológico 
nessa prática é necessária uma psicoterapia reforçada pelo 
tratamento espiritual. 
Quando os dois itens anteriores estão presentes num 
mesmo indivíduo diz-se que ele tem o chamado travestismo 
fetichista. As recomendações são as mesmas aplicadas a 
cada uma das situações. 
O exibicionismo é a tendência recorrente ou 
persistente de expor os órgãos genitais a estranhos (em geral 
do sexo oposto) ou a pessoas em locais públicos, sem 
desejar ou solicitar contato mais estreito. Há em geral, mas 
não constantemente, excitação sexual no momento da 
exibição e o ato é, em geral, seguido de masturbação. O 
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contrário do exibicionismo é o voyeurismo que é a 
tendência recorrente ou persistente de observar pessoas em 
atividades sexuais ou íntimas como o tirar a roupa. Isto é 
realizado sem que a pessoa observada se aperceba de o sê-
lo, e conduz geralmente à excitação sexual e à masturbação. 
Ambas as práticas estão relacionadas à necessidade de 
chamar a atenção sobre si e sobre sua própria sexualidade. 
O indivíduo que assim procede acredita que ela é a maneira 
mais adequada a ele para um contato afetivo. As duas 
práticas têm cunho psicológico, porém podem ser fruto de 
atitudes ligadas às vidas passadas, quando não havia o 
pudor tão excessivo quanto hoje. Quando a atitude produz 
satisfação em constranger ou no desconforto que causa a 
exibição, o psicológico é tratamento adequado. O apoio 
espiritual não deve ser descartado. 
A pedofilia é a preferência sexual por crianças, quer 
se tratem de meninos, meninas ou de crianças de um ou do 
outro sexo, geralmente pré-púberes ou no início da 
puberdade. É uma prática que por si só demonstra a 
imaturidade sexual e afetiva em que se encontra o 
indivíduo. Tem raízes na repressão sexual a que o indivíduo 
foi submetido e em práticas sexuais viciosas, geralmente 
ocorridas em vidas passadas. O desejo mórbido em fazer 
sexo com crianças reflete a utilização da energia sexual 
como instrumento de dominação, visto que há sempre 
imposição da prática. Em casos raros a busca é feita pela 
criança. O tratamento psicológico é necessário. O 
tratamento espiritual pode ser importante quando a prática 
está associada à obsessão promovida por espíritos com a 
mesma patologia psíquica. 
O sadomasoquismo é a preferência por uma atividade 
sexual que implique dor, humilhação ou subserviência. Se o 
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sujeito prefere ser o objeto de um tal estímulo fala-se de 
masoquismo; se preferir ser o executante, trata-se de 
sadismo. Comumente o indivíduo obtém a excitação sexual 
por comportamento tanto sádico quanto masoquista. O 
sadomasoquismo é uma prática que transforma o ato sexual 
em encenação e em instrumento de simbolização de 
conteúdos psíquicos. O indivíduo que o pratica não sabe 
distinguir prazer de dor e confunde emoções com sensações. 
Representa uma queda do ato sexual como encontro afetivo 
e íntimo entre pessoas que se amam, para se tornar um 
instrumento autoflagelador e punitivo. A prática abusiva 
exige tratamento psicológico e, muitas vezes, espiritual. Seu 
uso está associado à prática excessiva e ao abuso do sexo 
em encarnações passadas. Às vezes decorrem de abusos 
sexuais sofridos na infância. 
Há outros transtornos da preferência sexual visto que 
esta é uma dimensão muito vivida pelo ser humano e que 
nem sempre se torna pública, mas que trazem incômodo 
psicológico e que merecem tratamento específico, tais 
como: o fato de dizer obscenidades por telefone, de 
esfregar-se contra alguém em locais públicos, a atividade 
sexual com um animal, o emprego de estrangulamento ou 
anóxia para aumentar a excitação sexual, bolinagem e 
necrofilia. Geralmente nesses atos mais esdrúxulos há, não 
só a influência, como também a participação de espíritos 
desencarnados em estado de grave distúrbio psíquico na 
dimensão sexual. 
No tópico referente ao Retardo Mental estão inclusas 
as gradações leve, moderado, grave e profundo. O Retardo 
Mental é a parada do desenvolvimento ou desenvolvimento 
incompleto do funcionamento intelectual, caracterizado 
essencialmente por um comprometimento, durante o 
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período de desenvolvimento, das faculdades que 
determinam o nível global de inteligência, isto é, das 
funções cognitivas, da linguagem, da motricidade e do 
comportamento social. O retardo mental pode acompanhar 
um outro transtorno mental ou físico, ou ocorrer de modo 
independente. A gradação do retardo mental leve inclui a 
dificuldade de aprendizado na escola, o atraso mental leve, 
a debilidade mental, a fraqueza mental e a oligofrenia leve. 
Muitos adultos com retardo mental leve são capazes de 
trabalhar e de manter relacionamento social satisfatório e de 
contribuir para a sociedade. No retardo mental moderado 
ocorrem atrasos acentuados do desenvolvimento na 
infância, mas a maioria dos pacientes aprende a 
desempenhar algum grau de independência quanto aos 
cuidados pessoais e adquirir habilidades adequadas de 
comunicação e acadêmicas. Os adultos necessitarão de 
assistência em grau variado para viver e trabalhar na 
comunidade. Inclui o atraso mental médio e a oligofrenia 
moderada. No retardo mental grave provavelmente deve 
ocorrer a necessidade de assistência contínua. Inclui o 
atraso mental grave a oligofrenia grave. No retardo mentalprofundo devem ocorrer limitações graves quanto aos 
cuidados pessoais, continência, comunicação e mobilidade. 
Inclui atraso mental profundo e oligofrenia profunda. O 
retardo mental está diretamente relacionado a processos 
cármicos de longo curso e a ocorrência de vidas passadas, 
que implicaram em abuso ou perturbações das funções 
cognitivas. As alterações são perispirituais e de difícil 
melhora. O indivíduo permanece na encarnação com as 
limitações impostas pela expiação provacional. 
As matrizes que interferem nas condições 
reencarnatórias a que todos nos submetemos se conjugam 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
177
com o intuito de fazer o Espírito, através de seu perispírito, 
apreender as leis de Deus. A matéria, em especial o cérebro, 
é apenas o campo de materialização dessas matrizes. Suas 
disfunções obedecem rigorosamente às necessidades 
evolutivas do Espírito. Nada além daquilo que é necessário, 
muito embora, para evitar as possibilidades de fracasso e, 
reconhecendo as incapacidades do Espírito, atenuem-se as 
complicações orgânicas a que ele estaria sujeito, graças à 
Misericórdia Divina. 
O retardo mental muitas vezes representa a 
necessidade que tem o Espírito de dar uma parada em seus 
complicados processos que, por imaturidade, o levam ao 
desequilíbrio constante. Nessa reencarnação expiatória ele 
irá desenvolver outras habilidades que estavam inibidas 
pelos desequilíbrios em curso desde muitas encarnações. 
Entre essas outras habilidades incluo a calma, a paciência, 
um ritmo mais desacelerado de viver, etc. Nesse sentido não 
há reencarnação que não possibilite algum tipo de benefício 
ou aprendizado ao Espírito. 
O tratamento adequado visando a adaptação do 
indivíduo ao seu problema e ao seu meio requer cuidado 
especial. A medicação quando recomendada é necessária. O 
tratamento psicológico quando possível deve ser feito. E o 
tratamento espiritual é sempre bem vindo. 
No tópico referente aos Transtornos do 
Desenvolvimento Psicológico são classificados aqueles que 
têm em comum: a) início situado obrigatoriamente na 
primeira ou segunda infância; b) comprometimento ou 
retardo do desenvolvimento de funções estreitamente 
ligadas à maturação biológica do sistema nervoso central; e 
c) evolução contínua sem remissões nem recaída. 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
178
Na maioria dos casos, as funções atingidas 
compreendem a linguagem, as habilidades espaço-visuais e 
a coordenação motora. Habitualmente o retardo, ou a 
deficiência, já estava presente mesmo antes de poder ser 
colocada em evidência e geralmente diminui 
progressivamente com a idade; deficiências também mais 
leves podem, contudo, persistir na idade adulta. 
Os transtornos no desenvolvimento da fala e da 
linguagem, que geralmente estão comprometidas desde os 
primeiros estádios do crescimento da criança, podem ser 
resolvidos a partir de tratamentos convencionais. Não são 
diretamente atribuíveis a anomalias neurológicas, anomalias 
anatômicas do aparelho fonador, comprometimentos 
sensoriais, retardos mentais ou a fatores ambientais. Os 
transtornos específicos do desenvolvimento da fala e da 
linguagem se acompanham com freqüência de problemas 
associados, tais como dificuldades da leitura e da soletração, 
perturbação das relações interpessoais, transtornos 
emocionais e transtornos comportamentais. No transtorno 
da articulação da fala e da linguagem, a utilização dos 
fonemas e a capacidade de utilizar a fala pela criança são 
inferiores ao nível que corresponde a sua idade mental, mas 
no entanto o nível de aptidão lingüística de compreensão da 
linguagem é normal. Incluem-se a dislalia (dificuldade em 
articular palavras), a lalação (forma infantil de falar), a 
disfasia (dificuldade de coordenação e arranjo das palavras) 
ou a afasia (perda da palavra falada ou escrita) de 
desenvolvimento do tipo expressivo. Há também o 
transtorno receptivo da linguagem no qual a capacidade de 
compreensão da linguagem pela criança está abaixo do nível 
correspondente à sua idade mental. Em quase todos os 
casos, a linguagem expressiva estará também marcadamente 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
179
prejudicada e são comuns anormalidades na articulação. 
Classificam-se nesses casos a agnosia auditiva congênita, a 
surdez verbal e outros tipos de afasia. 
Ainda dentro deste mesmo item vamos incluir os 
transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades 
escolares. São transtornos nos quais as modalidades 
habituais de aprendizado estão alteradas desde as primeiras 
etapas do desenvolvimento. O comprometimento não é 
somente a conseqüência da falta de oportunidade de 
aprendizagem ou de um retardo mental, e ele não é devido a 
um traumatismo ou doença cerebrais. Inclui-se o transtorno 
específico de leitura cuja característica essencial é um 
comprometimento específico e significativo do 
desenvolvimento das habilidades da leitura, não atribuível 
exclusivamente à idade mental, a transtornos de acuidade 
visual ou a escolarização inadequada. A capacidade de 
compreensão da leitura, o reconhecimento das palavras, a 
leitura oral, e o desempenho de tarefas que necessitam da 
leitura podem estar todos comprometidos. O transtorno 
específico da leitura se acompanha freqüentemente de 
dificuldades de soletração, persistindo comumente na 
adolescência, mesmo quando a criança haja feito alguns 
progressos na leitura. As crianças que apresentam um 
transtorno específico da leitura têm freqüentemente 
antecedentes de transtornos da fala ou de linguagem. O 
transtorno é acompanhado comumente de transtorno 
emocional e de transtorno do comportamento durante a 
escolarização. A leitura especular e a escrita especular são 
classificadas nesse item. O transtorno específico da 
soletração tem como característica essencial uma alteração 
específica e significativa do desenvolvimento da habilidade 
para soletrar, na ausência de antecedentes de um transtorno 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
180
específico de leitura e não atribuível à baixa idade mental, 
transtornos de acuidade visual ou escolarização inadequada. 
A capacidade de soletrar oralmente e a capacidade de 
escrever corretamente as palavras estão ambas afetadas. 
Ainda no que diz respeito às habilidades escolares há o 
transtorno que implica numa alteração específica da 
habilidade em aritmética, não atribuível exclusivamente a 
um retardo mental global ou à escolarização inadequada. O 
déficit concerne ao domínio de habilidades computacionais 
básicas de adição, subtração, multiplicação e divisão mais 
do que as habilidades matemáticas abstratas envolvidas na 
álgebra, trigonometria, geometria ou cálculo. 
Os transtornos que envolvem as habilidades relativas 
à fala, à linguagem, à escrita podem ter causas distintas no 
que diz respeito às atitudes do indivíduo em vidas passadas. 
Nesses casos a comunicação do ser com o mundo está 
alterada ou comprometida. É nessa capacidade de 
comunicação que se encontram os problemas que se 
instalaram por força da lei de evolução. As dificuldades 
representam oportunidade de aprendizagem. Talvez o 
indivíduo tenha utilizado aquela capacidade de forma 
inadequada em atitudes que alteraram sua estrutura 
perispiritual. Não está descartada a possibilidade de serem 
resíduos de carma negativo do passado reencarnatório ainda 
não completado. A responsabilidade dos pais ou 
equivalentes é resolvida na medida que eles buscam a 
melhora e a cura de seus filhos. Foram co-responsáveis 
pelos problemas que eles atravessam. 
A maioria desses transtornos envolvendo a 
comunicação e a aprendizagem escolar pode ser reversível 
se forem diagnosticados e tratados logo na primeira 
infância. A educação infantil especializada incluindo a 
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181
fono-audiologia, a psicopedagogia, a psicologia infantil, a 
pediatria, dentre outras especialidades, deve ser consultada 
para um tratamento eficaz. O tratamento espiritual contribui 
para a cura quando esses transtornos estão associados à 
hiper-atividade, a dificuldades no sono, à labilidade 
emocional, à agressividade e a outros sintomas típicos das 
influências espirituais aversivas. 
Um outro transtorno que geralmente ocorre na 
infância e que implica nas interações sociais do indivíduo, 
reduzindo sobremaneira seu contato com o outro é o 
autismo. As características principais do autismo são: a) 
desenvolvimento anormal ou alterado, manifestado 
geralmente antes da idade de três anos, e b) apresentação de 
uma perturbação característica do funcionamento no 
domínio das interações sociais, da comunicação e do 
comportamento focalizado e repetitivo. Além disso, o 
transtorno se acompanha comumente de numerosas outras 
manifestações inespecíficas, por exemplo, fobias, 
perturbações do sono ou da alimentação, crises de birra ou 
agressividade (auto-agressividade). Os sintomas do autismo 
nem sempre se fazem acompanhar do retardo mental muito 
embora na maioria dos casos ele esteja presente. Além do 
autismo denotar uma rejeição à reencarnação expiatória do 
indivíduo, ele também apresenta sinais de que o tempo e o 
lugar estão inadequados aos desejos inconscientes que 
possui. Sua mente se encontra fixada numa época que não a 
atual, muito embora deseje voltar-se para o presente. Os 
complexos existentes no inconsciente atraem o ego ao 
passado. Seu foco de interesse se divide sem que o 
indivíduo se aperceba disso. É necessário chamar esse ego 
ao momento em que vive. Tentar penetrar o antigo alvo de 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
182
interesse seria recomendável. O tratamento psicológico, o 
médico e o espiritual são altamente recomendáveis. 
À semelhança do autismo encontramos outros tipos de 
síndromes, com ou sem retardo mental, nas quais também 
aparecem os comportamentos estereotipados repetitivos, a 
marcha alterada, perda parcial ou completa da linguagem, 
perda de habilidades já adquiridas, atividade global 
desorganizada e dificuldades cognitivas, com ou sem 
encefalopatias e retardo no desenvolvimento craniano. Às 
vezes esses sintomas aparecem no todo ou em parte, 
indicando graves processos cármicos em curso. A 
recomendação é a mesma dada ao autismo. 
Há um grupo de transtornos, chamados de 
hipercinéticos, que envolve a falta de perseverança nas 
atividades que exigem um envolvimento cognitivo, e uma 
tendência a passar de uma atividade a outra sem acabar a 
anterior, associadas a uma atividade global desorganizada, 
descoordenada e excessiva. Geralmente as crianças 
hipercinéticas são imprudentes, impulsivas, impopulares, 
sujeitas a acidentes, com problemas disciplinares, 
desinibidas e sem reservas com adultos. Às vezes 
apresentam déficit cognitivo. Esses sintomas geralmente se 
devem a traços da personalidade do indivíduo já 
consolidados em vidas passadas. A educação, por mais 
equilibrada que seja e por mais atenção que se dê a essas 
crianças, não consegue vencer a pesada carga de traços 
inferiores da personalidade. Muitas vezes o indivíduo 
reencarna e continua a merecer a companhia de espíritos de 
sua mesma condição que influenciam a conduta do 
reencarnado, e com sua concordância. Essas crianças devem 
ser encaminhadas a tratamento psicológico desde que se 
note qualquer dos sintomas descritos e a tratamento 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
183
espiritual para o esclarecimento próprio e de quem as 
acompanhe. 
Outra categoria de transtorno é a que contém os 
distúrbios de conduta. São caracterizados por padrões 
persistentes de conduta dissocial, agressiva ou desafiante. 
Tal comportamento abrange grandes violações das 
expectativas sociais próprias à idade da criança; deve ha ver 
mais do que as travessuras infantis ou a rebeldia do 
adolescente e se trata de um padrão de comportamento 
duradouro (seis meses ou mais), não devendo ser 
considerado os atos dissociais isolados. São sintomas 
típicos dos transtornos de conduta as manifestações 
excessivas de agressividade e de tirania, a crueldade com 
relação a outras pessoas ou a animais, a destruição dos bens 
de outrem, condutas incendiárias, roubos, mentiras 
repetidas, cabular aulas e fugir de casa, crises de birra e de 
desobediência anormalmente freqüentes e graves. Às vezes 
alguns distúrbios se restringem ao contexto familiar, o que 
denotará a existência de processos cármicos necessitando de 
ajustes entre os membros. Há casos em que a sociabilização 
ocorre, mas entre o indivíduo e um grupo fora do contexto 
adequado, levando-o à delinqüência “de grupo”. Muitas 
vezes, principalmente na adolescência ocorre o 
comportamento desafiador e de oposição, caracterizado 
essencialmente pela provocação e desobediência não 
acompanhado de atos delituosos ou de condutas agressivas 
ou dissociais graves. 
Pode-se perceber que os transtornos de conduta 
podem ser confundidos com episódios obsessivos 
espirituais e, na maioria deles, principalmente, após a 
puberdade, ela pode ocorrer visto que as defesas 
psicológicas estão ainda por se construírem. Esses 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
184
transtornos devem ser tratados do ponto de vista psicológico 
e espiritual. Caso haja qualquer resistência ao tratamento 
espiritual, o mesmo pode ser feito à distância pelos 
membros da família. Embora de difícil administração, o uso 
de ansiolíticos pode ser feito, porém costuma ser inócuo. 
Há também transtornos típicos da puberdade e 
adolescência mistos da conduta e das emoções, que reúne 
comportamentos inadequados com crises depressivas e de 
ansiedade. São típicos de processos cármicos não resolvidos 
e que redundam em obsessão espiritual. O tratamento 
psicológico e espiritual é recomendável. 
Alguns transtornos são ocasionais e se devem a 
fenômenos externos e acidentais, mas que causam 
perturbação no psiquismo da criança e às vezes do 
adolescente. É exemplo deles o transtorno ligado à angústia 
de separação, que pode alterar sobremaneira a personalidade 
da criança. Neste caso é recomendável o acompanhamento 
psicológico; há também os medos típicos da infância que 
muitas vezes merecem o mesmo acompanhamento; há o 
transtorno caracterizado pela presença de retraimento com 
relação a estranhos e temor ou medo relacionado com 
situações novas, inabituais ou inquietantes; há também 
crianças que se perturbam, durante uma fase da infância, 
pelo nascimento de um irmão. Esse comportamento pode 
ser tratado por um psicólogo, porém pode ser administrado 
pelos pais se não evoluir para a agressividade incontrolável. 
Há uma categoria de perturbações das coordenações 
motoras fina e grosseira ou vocalização descontrolada 
conhecida com o nome de tiques. Um tique é um 
movimento motor (ou uma vocalização) involuntário, 
rápido, recorrente e não-rítmico (implicando habitualmente 
grupos musculares determinados), ocorrendo bruscamente e 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
185
sem finalidade aparente. Os tiques são habitualmente 
sentidos como irreprimíveis, mas podem em geral ser 
suprimidos durante um período de tempo variável. São 
freqüentemente exacerbados pelo estresse e desaparecem 
durante o sono. Os tiques motores simples mais comuns 
incluem o piscar dos olhos, movimentos bruscos do 
pescoço, levantar os ombros e fazer caretas. Os tiques 
vocais simples mais comuns comportam a limpeza da 
garganta, latidos, fungar e assobiar. Os tiques motores 
complexos mais comuns incluem se bater, saltar e saltitar. 
Os tiques vocais complexos mais comuns se relacionam à 
repetição de palavras determinadas,às vezes com o 
emprego de palavras socialmente reprovadas, 
freqüentemente obscenas e a repetição de seus próprios sons 
ou palavras. 
Os tiques motores geralmente estão associados a 
eventos de natureza espiritual. Em alguns casos se devem a 
algum movimento repetitivo que o indivíduo fez em vidas 
passadas do qual se sente culpado. Outras vezes se devem a 
movimentos executados por espíritos que se ligam ao 
encarnado que os repete inconscientemente, bem como 
reações motoras a provocações de desencarnados. Em 
ambos os casos os tratamentos recomendados são: 
psicológico, pois o indivíduo geralmente apresenta 
dificuldades em aceitar e entender o tique; médico, a fim de 
reduzir a ansiedade; espiritual, com o intuito de se tentar 
remover suas causas geradoras. Os tiques vocais podem ter 
as mesmas origens dos motores. As palavras pronunciadas 
de forma desconectada podem ser: respostas a provocações 
oriundas de espíritos desencarnados que obsidiam o 
indivíduo, respostas a interrogações que ressoam na mente 
do indivíduo decorrentes de eventos vividos em outras 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
186
encarnações e que, pela sua forte carga de culpa, ainda 
exigem reparação, e, por fim, repetição inconsciente de sons 
por interferência mediúnica. Os tratamentos são os mesmos 
dos tiques motores. 
Há uma categoria de transtornos comportamentais e 
emocionais cujo início habitualmente ocorre durante a 
infância ou na adolescência e que, quando acontecem 
isolados de outros transtornos, devem ser tratados. São eles: 
a) enurese de origem não-orgânica – micção involuntária, 
diurna e/ou noturna, anormal; b) encoprese de origem não-
orgânica – emissão fecal repetida, involuntária ou 
voluntária, habitualmente de consistência normal ou quase 
normal, em locais inapropriados a este propósito, tendo-se 
em conta o contexto sócio-cultural do sujeito; c) malacia do 
lactente ou da criança – consumo duradouro de substâncias 
não-nutritivas – por exemplo, terra, lascas de pintura, etc); 
d) estereotipias motoras, não ligadas a um transtorno 
psiquiátrico ou neurológico identificado, com movimentos 
intencionais, repetitivos, estereotipados, desprovidos de 
finalidade (e freqüentemente ritmados) – balançar o corpo, 
balançar a cabeça, arrancar os cabelos, torcer os cabelos, 
estalar os dedos e bater as mãos, bater a cabeça, esbofetear a 
face, colocar o dedo nos olhos, morder as mãos, os lábios ou 
outras partes do corpo; e) gagueira ou tartamudez; f) roer 
unhas; g) sucção do polegar. 
A maioria dos transtornos desse último parágrafo se 
faz acompanhar de outros sintomas nem sempre 
perceptíveis aos pais. Todos requerem tratamento 
psicológico adequado. A maioria é decorrente de problemas 
de fundo emocional relacionados com a infância ou com 
processos e experiências de vidas passadas. O tratamento 
espiritual é recomendável. 
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187
A classificação do CID-10 pretende reunir todos os 
sintomas que afetam a vida psíquica do ser humano, porém 
não leva em consideração aqueles decorrentes das obsessões 
espirituais nem tampouco os oriundos das ações cármicas. 
São considerados transtornos aqueles que apresentam algum 
sintoma de alteração nas seguintes áreas da atividade 
humana: 
 
1. Consciência, atenção, orientação, vontade, 
vivência do tempo e do espaço (unidade e 
identidade do eu); 
2. Memória, no que diz respeito à fixação, retenção e 
evocação; 
3. Inteligência (retardo e demência); 
4. Linguagem; 
5. Sensopercepção, sejam quantitativas (hiper e hipo-
estesia e analgesia) ou sejam qualitativas (ilusão e 
alucinações); 
6. Pensamento (forma, curso e conteúdo); 
7. Conduta (atividade do eu, juízo da realidade e eu 
versus realidade); 
8. Afetividade (euforias, elação, exaltação, êxtase, 
ansiedade, depressão, apatia, inapropriação, 
ambivalência, medos, fobias, pânico); 
9. Psicomotricidade, incluindo a hiper e a hipo-
atividade, os tiques, a enurese, as compulsões, as 
atividades repetitivas estereotipadas. 
 
As alterações observadas geralmente decorrem ou são 
iniciadas após certas ocorrências agravantes na vida do ser 
humano. Há momentos que, seja pela emoção própria da 
situação, seja pela semelhança com fatos vividos no passado 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
188
da vida atual ou de encarnações passadas, promovem 
alterações psicológicas e/ou perispirituais. São exemplos 
desses momentos que proporcionam tendências à existência 
e instalação de transtornos psíquicos: 
 
1. Morte de uma pessoa próxima sem a devida 
percepção da imortalidade da alma; 
2. Separação conjugal litigiosa ou grave desilusão 
amorosa; 
3. Morar sozinho sem internalização do significado 
da solidão; 
4. Desemprego ou descontrole financeiro; 
5. Abandono materno ou paterno; 
6. Abuso ou carência sexual; 
7. Trauma de infância; 
8. Deficiência física não resolvida psicologicamente; 
9. Baixa auto-estima ou rejeição; 
10. Pavor da morte; 
11. Ateísmo; 
12. Ocorrência de fenômenos mediúnicos. 
 
É preciso que não esqueçamos da responsabilidade 
pessoal no que diz respeito às obsessões nos transtornos 
psíquicos, pois todos somos responsáveis pela qualidade 
dos espíritos que atraímos e não vítimas deles. 
A psicopatologia da alma é provocada pelo egoísmo e 
pela ausência de referencial superior para a própria vida. 
Quando ela é dedicada à construção da personalidade em 
consonância com o espírito da própria época em que se 
vive, afastam-se as possibilidades dos transtornos psíquicos. 
No meu trabalho como psicólogo clínico não quero 
enxergar os doentes como simples casos de patologia. 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
189
Muitas vezes eles são doentes por que não conseguiram 
perseguir seu próprio modelo de vida. Afastaram-se 
demasiadamente de sua própria busca. Perderam-se no 
labirinto escuro das próprias criações psíquicas. Querem 
fazer o caminho de volta e a doença é a alternativa mais 
rápida. A doença é mero recurso instintivo para o retorno à 
saúde. Muitas vezes vejo em meus pacientes algo diferente 
da doença que me querem mostrar. Percebo que sua 
dificuldade está em se adaptarem à socie dade que lhes exige 
comportamentos padronizados e tipicamente “sadios”. 
Ao se observar os sistemas que classificam os 
distúrbios e transtornos psíquicos, percebe-se que não há 
limites entre o que é psicopatológico e o que não na psiquê. 
Não há limites entre a “neurose” e a “psicose”, ou mesmo 
em outras “doenças” emocionais. Há uma deficiência no 
modelo e na forma como o indivíduo é visto e 
compreendido. 
Existem transtornos psíquicos gerados pela 
deficiência na aparelhagem cerebral, e a grande maioria 
deles se deve à impossibilidade psicológica do ego em lidar 
com os conteúdos do inconsciente, como muitas vezes com 
os da consciência. A patologia psíquica não é decorrente de 
uma disposição química como querem os adeptos da 
psiquiatria farmacológica, pois a rigor não existem doenças, 
mas doentes. O problema está na alma e não 
necessariamente no corpo. A doença é uma mensagem 
enviada para o favorecimento da cura a fim de que o doente 
entenda que ele não é uma vítima da natureza, mas o autor 
de seu próprio desequilíbrio. O corpo é uma totalidade, um 
campo físico, magnético e simbólico. A doença é a perda da 
harmonia e o questionamento de uma ordem que interrompe 
o fluxo da Vida. Ela é um sintoma visível de um processo 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
190
oculto. A cura do doente não se dá com a simples 
erradicação da doença, mas com a integração da causa. 
Um martelo quebrado não consegue pregar 
adequadamente o prego. O desejo de pregar não pertence 
nem ao prego nem ao martelo. Nenhum dos dois sabe do 
que se trata.Ambos apenas obedecem ao impulso de uma 
inteligência que deseja pregar algo. Por analogia podemos 
entender que uma doença pode estar no instrumento da 
inteligência que deseja pregar como também nela que pode 
desejar pregar algo inadequadamente. As neuroses, as 
psicoses, a esquizofrenia, os transtornos psíquicos, a 
síndrome de pânico, as alucinações, dentre outras afecções, 
não são doenças em si, mas apenas a forma encontrada para 
descrever sintomas, sem se saber a real causa por detrás. 
Não basta descobrir e denominar os complexos 
psicológicos ou ainda os transtornos psíquicos sem lhes 
buscar as causas. Tampouco aliviar o sofrimento do ser 
humano, embora meritório e necessário, através de 
medicações, apontará os motivos pelos quais a alma adoece. 
Certamente que esses motivos se encontram nas 
experiências pregressas do espírito que, enfermo da mente, 
apresenta os sintomas em seu comportamento. Apontar as 
causas como decorrentes das experiências equivocadas de 
vidas passadas elucida-nos quanto à origem, porém nos leva 
a continuar a busca da causa que, invariavelmente, está em 
seu mundo íntimo e no modo como ele apreende a lei de 
Deus. 
É na nossa ignorância quanto ao uso do impulso 
criador, da energia da Vida, sobretudo quando ele se 
apresenta como energia sexual, que reside a causa principal 
dos transtornos psíquicos. Não é o sexo a origem dos nossos 
problemas emocionais ou psicológicos nem tampouco é ele 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
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o gerador da vontade, porém, pela excessiva valorização de 
seu uso, resvala-se pelas experiências conflitantes da Vida. 
O psicopatológico visto como o abrir do inconsciente 
sem a oportuna discriminação da consciência necessita não 
apenas de medicação aliviadora, mas, sobretudo de 
esclarecimento e consolo. À mente, em desarmonia consigo 
mesma, necessita ser devolvido o foco da realidade. 
Doenças como o câncer, geralmente decorrentes de 
complexos processos emocionais intensos e negativos 
iniciados em vidas passadas, podem ser resolvidas na atual 
encarnação desde que o Espírito refaça sua vida íntima, 
reveja suas emoções e trabalhe aquelas que estão em 
desarmonia. 
A psicopatologia está relacionada com a “abertura” do 
inconsciente e com a convivência psíquica de “realidades” 
distintas. As experiências vividas em encarnações passadas, 
gravadas no perispírito, se sobrepõem àquelas da vida atual 
que lhes são semelhantes em alguns aspectos. O que 
chamamos de psicopatologia é a inadaptação psíquica aos 
dois ou mais contextos. Isto é possível – a adaptação – 
quando o ego se encontra estruturado. A psicopatologia via 
de regra é a renúncia do ego à realidade social que lhe é 
imposta/apresentada pela Vida. 
Precisamos penetrar no domínio do Espírito 
propriamente dito além de investirmos nos métodos de cura 
de seus males. É importante valorizarmos a função das 
ciências curadoras da alma, porém é também fundamental o 
estudo daquela que lhe esclarece sobre si mesmo. 
Os problemas neurológicos e genéticos, embora 
alterem o corpo físico, são capazes de provocar distúrbios 
psicológicos, visto que é o cérebro que transmite o que vem 
do perispírito e do Espírito. Os transtornos emocionais, 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
192
psicológicos e mentais, em sua maioria se devem a 
problemas radicados no perispírito, por conta das 
experiências do Espírito em vidas passadas. Há ainda 
aqueles que, embora não se encontrem no perispírito, 
provocam os mesmos transtornos, pois são decorrentes da 
obsessão. 
Mais do que propor uma cura para a alma é preciso 
que entendamos os intrincados mecanismos sutis das leis de 
Deus a fim de que alcancemos o Espírito, que é o senhor de 
seu próprio processo. 
 
 
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193
 
 
 
 
 
Amor 
 
 
 
 
É o impulso gerador da Vida que nos impele ao Bem; 
ao belo, ao digno e àquilo que nos parece melhor. É a 
Vontade que nos leva de retorno ao Criador dentro de nós 
mesmos. É a descoberta da existência de um sentimento que 
transcende o desejo e a vontade. 
O amor promana do Espírito e se torna possível sua 
percepção quando este adquiriu pelo menos alguns 
fragmentos das leis de Deus. Embora a força que 
impulsiona uma porção de matéria à outra seja reflexo do 
amor de Deus, ambas as partes não têm “consciência” do 
amor. O amor é um ato consciente e só é possível a partir de 
determinado nível de evolução do Espírito. Os animais, 
portanto, não amam. Nos Espíritos ainda em estágios 
iniciais da evolução, ele se encontra embrionário. A 
aquisição das leis de Deus é que possibilitará sua 
manifestação consciente. 
O amor entre duas pessoas pressupõe: semelhança de 
ideais, identidade de propósitos espirituais e atração física. 
Nem sempre esse parâmetros estão presentes numa relação, 
visto que, às vezes, a semelhança de ideais, por exemplo, 
está baseada na carência ou necessidade. 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
194
Quando estamos amando nos colocamos em sintonia 
com a energia da criatividade universal e nos conectamos ao 
sentido fomentador da Vida. Alimentar o sentimento de 
amor nos permite a conexão com as forças superiores da 
Natureza e a ampliação da consciência para a compreensão 
da Vida. É nesse sentimento que Deus se revela. 
As experiências onde as emoções estão presentes, nas 
quais a paixão aparece e os sentimentos se consolidam, 
servem como alicerces estruturadores da manifestação do 
amor. A racionalidade nos distancia da vivência do amor. É 
preciso viver as experiências da vida com a intensidade 
emocional equilibrada a fim de não passarmos por ela sem 
aprendermos. 
Ama quem permite a vida fluir na direção da 
harmonia e da paz. O Espírito, quando se permite sentir o 
amor, emana em torno de si vibrações que possibilitam o 
crescimento de quem está a sua volta. Mobiliza energias 
curativas e benéficas em favor do que faça. 
O sentimento de amor emana do Espírito e não 
necessita de intermediários para manifestar-se, visto que 
atravessa o perispírito na direção da Vida. 
No nível de evolução em que o ser humano se 
encontra é o máximo sentimento possível. Ainda 
precisamos ampliar as manifestações do amor. 
Desconhecemos sentimentos acima dele e que, 
provavelmente, ocorrem para seres mais adiantados na 
escala evolutiva. 
Sua manifestação na direção de alguém se torna 
possível quando o ser já o integrou a si mesmo, de acordo 
com a máxima “amar ao próximo como a si mesmo”. 
Ninguém ama alguém se não possuir o sentimento em si 
mesmo, isto é, se ainda não o internalizou. 
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195
São necessárias muitas encarnações, muitas 
experiências em cada uma delas, para que se alcance o amor 
desinteressado e livre de necessidades. 
O importante corolário “Amai-vos e Instruí-vos” tão 
bem divulgado entre aqueles que se dedicam ao estudo da 
Doutrina Espírita deve nos remeter à percepção do 
significado dos dois verbos. Amai-vos pode ser entendido 
de duas formas distintas e complementares. Amar uns aos 
outros, num convite à união e, amar buscando desenvolver 
esse sentimento em si mesmo. Instruí-vos parece ter sido 
colocado no sentido de aprender as leis de Deus. É 
importante também entendermos que o amor não é um 
sentimento a ser cultivado sempre de dentro para fora. Ele 
deve ser o sustentáculo do próprio Espírito, isto é, não basta 
amar o próximo, é preciso ser amor, no sentido de tornar-se 
amor. O instruí-vos não significa apenas conhecer e 
aprender sobre aquilo que está fora do ser humano, isto é, a 
Natureza. É preciso também se conhecer, no sentido de se 
tornar sábio. 
O Espírito evolui na busca do Amor de Deus e se 
descobre amor em si mesmo. 
 
 
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197
 
 
 
 
 
Sexo 
 
 
 
 
O que escrever de algo sobre o qual já se disse 
praticamente tudo, muito embora ainda continue sendo um 
mistério para muitos? É uma palavra que resume uma série 
de atos e desejos da Vida, na qual os seres, sejam objetos, 
plantas, animais e o próprio humano, já vivenciaram 
múltiplas vezes. Tentarei escrever sobre o tema excluindo a 
questão moral pela complexidade de que se reveste. 
Parece-me, observando a história da humanidade e as 
diversas culturas, que o sexo tem sido um dos motivos 
principais que o ser humano encontrou para expressar sua 
ânsia de viver. Ele foi e é, para muitos, a forma mais 
poderosa de prazer. 
Diz-se que a energia sexual é poderosa. Talvez 
devêssemos entender que o desejo humano de viver é 
extremamente poderoso quando ele coloca um motivo para 
o qual dirige sua vontade. A vontade de viver do ser 
humano, muitas vezes dirigida para o sexo, é reflexo de sua 
busca em encontrar Deus. 
Seu desejo interno, seu motivo de realização ou sua 
busca superior tem sido expressado no êxtase da comunhão 
sexual. Repetidamente a cada encarnação identificando-se 
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com o corpo e considerando-o como sendo a única 
expressão de si mesmo, é obvio que o orgasmo sexual tenha 
sido tomado como o máximo do prazer e da sensação de 
felicidade. 
Na medida que experimenta outras formas de prazer e 
conceba a felicidade como um estado de espírito, não mais 
tomará o sexo como motivo principal de sua própria 
existência. Entenderá ele como uma modalidade de uso de 
sua energia fomentadora de Vida. 
Como tudo que está ligado ao instinto gera 
automatismo, o sexo também pode levar o ser humano à 
dependência e a considerá-lo estímulo fundamental para sua 
felicidade. Nesse caso a questão não está no sexo, mas no 
corpo que possui “inteligência” instintiva que exigirá 
satisfação. O controle e o domínio do instinto ativado 
exigirão extinção do condicionamento e dessensibilização 
sistemática. 
Quando o sexo sai do domínio do instinto corporal 
torna-se instrumento de realização pessoal e de estimulação 
à criatividade. 
Nos primórdios da evolução, quando o princípio 
espiritual “estagiava” nas formas primitivas da natureza, a 
polarização atrativa estabeleceu a diferença que daria 
origem futuramente à atração sexual e conseqüente 
designação masculina ou feminina. Mais do que uma 
questão anatômica ou energética essa polarização resume 
atitudes para com a Vida. 
Podemos entender que o psiquismo que evolui desde 
os primórdios da Criação essencialmente constitui-se de um 
mosaico muito grande de possibilidades de simbolização e 
manifestação de sua existência. A psiquê humana é uma 
obra de arte, tão rica quanto a própria Natureza. 
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O ser espiritual na sua essência não é masculino nem 
feminino, tampouco é neutro. Em essência, dada sua 
complexidade, ele é uma singularidade em tudo que se 
manifesta. No que diz respeito ao sexo pode-se entender que 
cada ser espiritual se apresenta com características próprias, 
não se detendo em definições clássicas ou com a 
preocupação de rotular-se dentro desse ou daquele conceito 
social. O ser é uma diversidade em matéria de expressão 
sexual. Por força da cultura, do meio e de sua própria 
preferência, adota essa ou aquela designação, porém 
essencialmente ele é todas as possibilidades. 
A anatomia corporal é um ditame da evolução a fim 
de que o espírito, com aquele veículo, apreenda as leis de 
Deus. O perispírito é “programado” para plasmar o corpo 
humano com características anatômicas pré-definidas 
geneticamente. Certamente que em outros estágios 
evolutivos encontrará múltiplas possibilidades de manifestar 
sua diversidade interior. 
Ao inserir-se numa cultura e num corpo e também por 
sua própria necessidade, adota características externas, de 
acordo ou não com a anatomia sexual, para se manifestar. 
Alguns, por insatisfação resvalam nas teias perigosas do 
transexualismo sem entender que o corpo, tal qual ele foi 
plasmado, é oportunidade de crescimento e aprendizado. 
Os limites impostos pela evolução na Terra, ao 
proporcionar apenas dois tipos de anatomia sexual ao 
Espírito, decorrem da necessidade, no estágio evolutivo em 
que ele se encontra, de aprender com a impossibilidade de 
manifestar sua verdadeira natureza íntima. 
O sexo não está necessariamente no Espírito, mas, por 
força da correlação psíquica envolvida no seu exercício, se 
estrutura na mente. A mente é concebida como função 
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perispiritual, abrigando os vários processos cognitivos e 
emocionais. A atividade sexual tanto quanto o desejo e o 
prazer resultante se encontram no perispírito e no corpo 
físico. 
 
 
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201
 
 
 
 
 
Prazer 
 
 
 
 
É muito comum o ser humano viver em busca de 
obter prazer em tudo que faz e deseja. Parece ser algo tão 
natural que faz parte da cultura de todas as sociedades. Nem 
sempre, porém o ser humano o faz de forma saudável e em 
vistas ao seu progresso espiritual. 
Distingo prazer de satisfação emocional, considerando 
que aquele se situa na ligação com a matéria, portanto 
dependendo dos sentidos, e aquela transcende essa conexão 
sendo de natureza subjetiva. 
A satisfação emocional é um estado de felicidade que 
conecta o Espírito aos conteúdos de seu perispírito que lhe 
trouxeram e trazem íntima ligação com o amor. 
Na essência do prazer está o retorno à sensação 
primitiva do ser espiritual, nos primórdios da criação divina. 
O prazer nasce da ligação do ser com a matéria primordial. 
É no início de sua evolução que se enraíza o prazer, fruto do 
contato do Espírito com a matéria. 
O prazer está no corpo físico e a satisfação emocional 
está no perispírito. Prazer precisa do corpo e a satisfação 
emocional prescinde dele ou de qualquer mecanismo que 
não seja psíquico para alcançá-la. 
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O prazer é alcançado graças a estímulos ambientais, 
externos. A satisfação emocional utiliza-se dos estímulos 
internos e alcança a alma em sua essência. 
Muitas vezes o prazer se confunde facilmente com a 
dor, pois ambos pertencem ao corpo físico. No prazer o 
indivíduo necessita de algo externo, o que o transforma em 
objeto, abdicando de sua condição de sujeito. Ele passa a 
depender do corpo, submetendo-se aos instintos. 
O indivíduo torna-se sujeito quando tem o domínio e 
o equilíbrio do prazer do corpo e sabe obter a satisfação 
emocional independente dele. 
A estimulação do prazer pode levar o indivíduo ao 
aumento de seu limiar, exigindo-lhe cada vez mais altas 
doses de recompensa para sua obtenção. Essa prática 
introduz o vício face ao automatismo corporal, induzindo 
tendências psicológicas de difícil reversão. O prazer e a dor 
caminham juntas por se localizarem no corpo. 
O prazer é distinto da felicidade. O ser humano foi 
feito para a felicidade. A felicidade é um estado permanente 
no qual o Espírito se sente uno com Deus. O fim do ser 
humano não é o prazer, mas a felicidade. 
O prazer é uma sensação física. O princípio do prazer 
nos leva à fuga da realidade espiritual, isto é, nos aproxima 
do estado de inconsciência. 
 
 
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203
 
 
 
 
 
Dor e Sofrimento 
 
 
 
 
Faço também distinção entre dor e sofrimento. A dor, 
como disse antes, situa-se no corpo e o sofrimento pertence 
a instâncias subjetivas perispirituais. Portanto doer é 
diferente de sofrer.O sofrimento pressupõe conexão com 
eventos passados que provocaram sensações e emoções 
geradoras de sentimentos de perda, rejeição, derrota, 
abandono, culpa, mágoa, dentre outros. 
A dor é uma sensação física e o sofrimento uma 
percepção do Espírito. A repetição dos processos que 
causam dor pode levar ao sofrimento. O sofrimento pode 
promover renovação e experiência quando o Espírito dele se 
utiliza para refletir sobre suas experiências pregressas 
valorizando os efeitos em vivenciar o amor. 
O sofrimento surge como conseqüência de atos e 
pensamentos do ser em evolução; não se constitui em 
punição deliberada como alternativa de reparação a erros 
cometidos. 
A apologia ao sofrimento como forma de evoluir não 
deve ser buscada, visto que a escolha representa defecção 
em si mesma. O amor é sempre a forma adequada de buscar 
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o conhecimento das leis de Deus. O sofrer é opção 
construída pelo próprio indivíduo, por ignorância. 
Há pessoas que escolhem o sofrer, não por opção para 
evoluir, mas por entenderem ser a única via de solucionar 
seu conflito. 
A conexão com o sofrimento parece promover o 
retorno do indivíduo a si mesmo. Isso o leva a repensar sua 
vida e a tentar buscar uma ligação maior com aquilo que 
acredita ser Deus. Muitas vezes consegue conectar com um 
padrão de lamentação e de consolo que o reconforta, mas 
não lhe acrescenta crescimento espiritual. Às vezes o 
sofrimento o faz conectar-se com Deus quando o indivíduo 
também se conecta com sua própria força interior, isto é, 
com o deus interno. 
O sofrimento também possibilita o aumento do campo 
de percepção do ser pelas ligações que automaticamente faz 
com o inconsciente, ampliando a consciência para a busca 
do crescimento espiritual. Esta possibilidade estará 
condicionada ao estado psíquico e à auto-estima do 
indivíduo que não deverá lhe permitir um padrão de 
tendência derrotista e lamentosa. 
Os processos de sofrimento que se experienciam nas 
várias vidas e que se acumulam psiquicamente exigindo 
compreensão e transformação não alcançam a consciência 
em face do mecanismo reencarnatório do esquecimento do 
passado. O esquecimento na reencarnação torna-se uma 
espécie de defesa contra o “sofrimento” acumulado. 
A dimensão que emprestamos ao sofrimento, ou 
melhor, a energia com que focamos os processos que nos 
causam desconforto é fator fundamental para sua 
permanência. 
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A saída do padrão de sofrimento é proporcionada 
quando se busca conexão com os propósitos pessoais de 
existência. Os objetivos de vida e as finalidades pela quais 
se pretende viver devem ser motivadores para a mudança do 
padrão que caracteriza o sofrimento. Embora ele possa, e o 
faz, ampliar as percepções da alma, não significa dizer que 
deve ser buscado para o crescimento espiritual. Caso ele 
ocorra, por força de mecanismos expiatórios, deve ser 
encarado como oportunidade de alcançar as forças interiores 
da alma em equilíbrio e harmonia com a própria vida. 
 
 
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207
 
 
 
 
 
Saudade 
 
 
 
 
A saudade é um sentimento comum a todo o ser 
humano muito embora as expressões variem nas diversas 
culturas. Embora a palavra possa não ter tradução em outras 
línguas, o mesmo não ocorre com o sentimento que está 
presente na alma humana. Sentir vontade de ver outrem, de 
tocar, de conversar, de presentear, de conviver, bem como 
de amar, é típico desse sentimento. 
Ela permite que o Espírito restabeleça seu referencial 
de vida e que recupere as emoções e sentimentos vividos 
com o outro. As emoções e sentimentos elaborados na 
convivência com o outro voltam à consciência quando a 
saudade ocorre. Basta que algo que lembre o outro apareça 
à consciência ou mesmo de forma inconsciente para que a 
saudade retorne. 
A saudade é uma espécie de formação de um conjunto 
de outros sentimentos que tomam o indivíduo, às vezes de 
forma abrupta e inconseqüente. É uma reação emocional às 
exigências internas de conectar-se com o que existe no 
outro que proporciona felicidade e contentamento. Os 
mecanismos de defesa da projeção e da transferência 
permitem que a saudade assuma a consciência. 
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Ela está presente no psiquismo perispiritual e permite 
que o ser, quando a satisfaz, recupere energias e recomece 
nova trajetória de crescimento. Quando ela não é satisfeita 
costuma levar o indivíduo a um padrão de falta e 
desconexão a si mesmo. Na impossibilidade de atendê-la 
deve o indivíduo, além de relembrar os momentos de 
contato com o outro, trazer à consciência a energia positiva 
que o outro lhe proporcionou. 
Ela pode ser ativada pela carência e pela solidão, o 
que poderá tornar, quando não satisfeita, difícil a liberação 
da energia positiva desejada. 
Nos casos em que o outro se encontra no mundo 
espiritual ou, quando encarnado, em local incerto ou 
impossibilitado de estabelecer a conexão desejada, o melhor 
a fazer é voltar-se para si mesmo e estabelecer outro foco de 
interesse e atenção. 
Às vezes sentimos ‘saudade de casa’ sem sairmos 
dela. É uma saudade de um lugar que não sabemos onde se 
localiza, de pessoas que desconhecemos, de emoções que 
não reconhecemos, de situações nunca vividas. É um 
sentimento de saudade que nos chega, em alguns momentos, 
de algo incerto, como se estivéssemos sendo chamados à 
pátria espiritual. É a saudade de estarmos na posse plena de 
nossas capacidades espirituais. Sentir essa saudade pode ser 
um importante momento para que nos conectemos a Deus 
através da oração. 
 
 
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Linguagem 
 
 
 
 
O Espírito se comunica de duas maneiras distintas. 
Uma diretamente com Deus, visto que emana d’Ele e a 
outra através do perispírito, sua ligação com a matéria. A 
primeira significa uma conexão total e singular com o 
Criador e impossível de ser cortada. O ser sempre estará 
n’Ele e a Ele ligado. As religiões falam em re-ligação, 
porém nunca houve desligamento. A palavra e a ação 
querem significar a focalização das motivações na direção 
do amor e da paz. A segunda diz respeito aos processos 
indiretos de comunicação do Espírito com o Universo. Sem 
o perispírito, na condição de Espírito Puro, a comunicação 
com o universo transcende qualquer percepção cognitiva. 
A linguagem verbal é a forma exterior de 
comunicação, sem ser a expressão essencial do Espírito. 
Tampouco o pensamento o é, visto que ele também, por sua 
vez, é expressão gerada no perispírito. A palavra é apenas 
uma expressão limitada do pensamento, que por sua vez 
também é uma limitação à verdadeira natureza do Espírito. 
Emoções e sentimentos construídos pelo ser espiritual 
necessitam de expressão adequada para seu próprio 
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crescimento. O pensamento e a linguagem são resultantes 
desse processo de exteriorização. 
Antes de alcançar o perispírito, a vontade existente no 
Espírito, quando desejoso em se comunicar, permite-lhe 
conectar-se às vibrações universais oriundas de outros 
Espíritos, na mesma sintonia e no mesmo nível de evolução. 
A cultura valoriza a linguagem como instrumento de 
inserção do ser no mundo sem, no entanto, considerar que 
ele pertence ao mundo independente dela. Ela é instrumento 
de manifestação, mas não lhe determina a existência. Os 
idiomas bem como as formas de comunicação instituídas 
pela cultura refletem o predomínio da separação entre o ser 
e a linguagem em lugar da percepção una do Espírito. A 
busca louvávele importante de um idioma único não deve 
ser motivo do esquecimento das diferentes emoções e 
sentimentos de cada cultura, sob pena de se construir uma 
linguagem fria e distanciada do Espírito. 
A linguagem do Espírito é a emanação de Deus. Sua 
expressão direta traduz o fluxo do amor divino. As várias 
formas de comunicação, em todos os níveis de relação entre 
os seres da Natureza refletem o amor de Deus. Os idiomas 
da Terra expressam as diversidades culturais humanas e têm 
sua existência efêmera. Um dia, e não será apenas através 
da palavra, nos entenderemos ‘em espírito e verdade’. 
Do ponto de vista material nada é possível fora da 
linguagem. Por extensão pode-se dizer que nada é possível 
fora do pensamento. Porém o Espírito não depende nem de 
um nem de outro para expressar sua essência. 
A importância da linguagem, ou melhor, do 
expressar-se pela fala, gestos, mímicas, artes ou outra forma 
material de comunicação está nas possibilidades de relação 
que se estabelece. É nas relações que o Espírito apreende as 
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leis de Deus. É fundamental, por isso, que o ser humano 
expresse seu mundo íntimo. Fale de sua vida interior para 
que ela se revele a ele mesmo. É fundamental para evoluir, 
o confessar-se. Falar de si mesmo com naturalidade. Não ter 
receio de falar de seus próprios defeitos, pois, dessa forma, 
poderá entender-se. Falar das aspirações, dos sentimentos, 
das emoções, dos incômodos internos, das inquietações 
pessoais, isto é, de tudo que esteja no limiar do inconsciente 
e disponível para assumir a consciência. São temas que 
exercem pressão na consciência exigindo exteriorização. 
Bloqueá-los ou reprimi-los consumirá energia psíquica e 
necessidade de liberação futura. 
A linguagem verbal, a expressão visual, a 
comunicação afetiva e emocional, a não-verbal, a telepática, 
a interna (do inconsciente), são emanações do Espírito. Em 
todas elas seu desejo é expressar o amor de Deus. 
 
 
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Imagem 
 
 
 
 
A imagem é uma representação da idéia. Sua 
existência decorre de propriedades da matéria em se 
adequar à idéia diretora, oriunda do Espírito. Por detrás da 
imagem existem milhões de informações, sensações, 
emoções, pensamentos e sentimentos. 
A imagem é um símbolo a ser decodificado e 
compreendido como conseqüência e não causa. Sua 
expressão é fruto da cultura, da época, do meio, da 
consciência e do inconsciente de quem a elabora. 
As imagens com as quais nos afinamos e que nos 
alcançam a motivação, bem como aquelas que nos 
incomodam, falam de nós mesmos, pois apresentam 
aspectos desconhecidos de nossa personalidade. 
As formas materiais captadas pela mente consciente 
não são coisas em si, mas tão somente representação de algo 
incognoscível e inacessível. Só o Espírito percebe a coisa 
em si. O Universo é uma representação do inconsciente 
humano e revela a diversidade das capacidades ali 
existentes. Percebemos o Universo como ele o é, em face da 
existência de capacidades humanas padronizadas. Todos os 
Espíritos, em face da configuração pré-definida por Deus, 
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iniciam o processo de desenvolvimento espiritual da mesma 
maneira. As imagens captadas nas experiências sucessivas, 
em contato com a matéria, vão se superpondo e fornecendo 
possibilidades novas de apreensão do Universo. 
O saber sobre algo não implica em atingir o objeto. A 
palavra, a imagem e o conceito, não são o objeto. A imagem 
é tomada como sendo o objeto, visto que este não é 
acessível à experiência imediata. 
Quando imaginamos, isto é, quando superpomos 
imagens carregadas de conteúdo emocional, fornecemos 
energia para evocação de experiências do inconsciente. A 
imaginação é uma atividade altamente dinâmica que 
mobiliza conteúdos psíquicos. Ela pode nos conectar ao que 
é inacessível à lógica. Leva -nos às fronteiras do corpo com 
o perispírito. A imaginação, como a fantasia, permite o 
encontro da imagem externa com o que existe internamente 
na psiquê. Esse encontro pode nos levar à essência das 
coisas. 
A imaginação é um meio que o ego pode utilizar para 
um contato maior e mais íntimo com o inconsciente. 
Através dela pode-se estabelecer conexões com 
experiências de vidas passadas, trazendo à tona, de forma 
consciente e equilibrada, processos dolorosos ou não. 
Da mesma forma que se pode conectar com conteúdos 
psíquicos de vidas passadas, pode-se também estabelecer 
contatos com entidades espirituais. A mediunidade intuitiva, 
que funciona de forma sutil, ocorre em estados de 
consciência à semelhança da imaginação. 
A imaginação libera certos mecanismos de defesa do 
ego que impedem a conexão com o inconsciente, 
permitindo que se estabeleçam as conexões mediúnicas 
naturais. 
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Longe de ser criação deliberada, a imaginação 
obedece a certos automatismos psíquicos que reúnem 
conteúdos disponíveis no inconsciente à espera de 
expressão consciente. 
Mesmo que se queira imaginar algo completamente 
lógico e racional, usando conteúdos conscientes, estes 
também se aglutinarão segundo um ditame do inconsciente. 
As escolhas que o ego faz são contaminadas pelos processos 
inconscientes. 
A imaginação pode ser importante instrumento para se 
lidar com conteúdos inconscientes. Ela pode, por 
associação, trazer à consciência conteúdos inconscientes 
que exercem pressão inconseqüente exigindo integração. A 
imaginação pode se tornar um mecanismo de simbolização 
de conteúdos inconscientes até que cheguem 
adequadamente à consciência. 
 
 
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Arquétipo 
 
 
 
 
Buscando estabelecer uma base para o funcionamento 
da psiquê e estabelecendo uma estrutura que justificasse a 
gama dos fenômenos humanos, Jung intuiu o conceito de 
arquétipo. Ele penetrou na essência da criação do Espírito, 
no que diz respeito ao seu contato primitivo com o mundo. 
O arquétipo é um conceito que representa uma 
estrutura psíquica pertencente à mente. Por ela passa o 
impulso criador oriundo do Espírito. É uma palavra que 
define uma tendência a alguma ação e que está presente no 
psiquismo de todo ser humano. É um conceito que afirma a 
existência, no psiquismo individual, de tendências a agir 
coletivamente. Eles são as matrizes coletivas sobre as quais 
erigimos nossa individualidade. Originaram-se a partir das 
experiências repetidas que, embora automatizadas no corpo 
físico, geraram matrizes psíquicas. Não são tendências 
instintivas, visto que não pertencem ao corpo, mas ao 
perispírito. Os instintos não são perispirituais, mas 
orgânicos. Eles se enraízam no corpo vital e são a 
“inteligência” do organismo. Os arquétipos estão para o 
perispírito da mesma forma que os instintos estão para o 
corpo físico. 
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Os arquétipos são formas virtuais e configurações da 
psiquê automática. Eles não são passíveis de percepção 
direta, mas sim através de representações e de imagens. 
São na verdade vetores das tendências da vontade , a 
qual se submete ao direcionamento deles. Sua estruturação 
se inicia no contato do Espírito com a matéria através do 
perispírito. Portanto o arquétipo é uma estrutura funcional 
do perispírito e nele se enraíza. Não é um órgão fisiológico, 
mas um princípio de concepção e formação do pensamento 
e, por conseguinte, das emoções, sentimentos e ações. 
O arquétipo não é uma estruturaconcebida a priori ao 
Espírito. Ele se forma na sua ligação com o mundo. 
Fazendo uma comparação podemos dizer que o arquétipo 
primordial do ser é sua tendência ao encontro com Deus. 
Esse seria, então, o primeiro arquétipo e, talvez, o único a 
priori. 
O arquétipo é uma espécie de funil por onde a 
vontade, o desejo, a motivação e o impulso criador 
atravessam, em busca de realização. Configura-se como um 
arranjo espacial na psiquê. 
O Inconsciente Coletivo ou a Psiquê Objetiva era o 
nome dado por Jung para os conteúdos da estrutura psíquica 
que consta em todo ser humano e que constitui os 
arquétipos. 
Jung escreveu que “Os arquétipos são sistemas de 
prontidão que são ao mesmo tempo imagens e emoções. 
São hereditários como a estrutura do cérebro. Na verdade é 
o aspecto psíquico do cérebro. Constituem, por um lado, 
um preconceito instintivo muito forte e, por outro lado, são 
os mais eficientes auxiliares das adaptações instintivas. 
Propriamente falando, são a parte ctônica da psique – se 
assim podemos falar – aquela parte através da qual a 
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psique está vinculada a natureza, ou pelo menos em que 
seus vínculos com a terra e o mundo aparecem claramente. 
Os arquétipos são formas típicas de comportamento que, ao 
se tornarem conscientes, assumem o aspecto de 
representações, como tudo o que se torna conteúdo da 
consciência. Os arquétipos são anteriores à consciência e, 
provavelmente, são eles que formam os dominantes 
estruturais da psique em geral, assemelhando-se ao sistema 
axial dos cristais que existe em potência na água-mãe, mas 
não é diretamente perceptível pela observação. Do ponto de 
vista empírico, contudo, o arquétipo jamais se forma no 
interior da vida orgânica em geral. Ele aparece ao mesmo 
tempo que a vida. “Dei o nome de arquétipos a esses 
padrões, valendo-me de uma expressão de Santo Agostinho: 
Arquétipo significa um “Typos” (impressão, marca-
impressão), um agrupamento definido de caracteres 
arcaicos, que, em forma e significado, encerra motivos 
mitológicos, os quais surgem em forma pura nos contos de 
fadas, nos mitos, nas lendas e no folclore.” 
Suas palavras nos fazem entender que ele estava se 
referindo a algo virtual, além da estrutura do corpo físico 
que permeia os comportamentos coletivos do ser humano. 
Algo que o leva além de sua própria individualidade e que 
não o diferencia dos demais seres humanos. Que não se 
encontra nem no Espírito nem no corpo, mas na estrutura 
intermediária que liga um ao outro. 
 
 
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Identidade, 
Individualidade e 
Personalidade 
 
 
 
 
Podemos pensar que o espírito, o ser humano, é algo 
incognoscível em si, porém quando ele se expressa (se 
manifesta) ele é e será sempre algo de si mesmo e do meio 
no qual se apresenta. Em suas manifestações externas ele 
sempre revela aspectos de sua essência mesclados a outros 
do meio no qual se apresenta. Sempre que se expresse será 
individual e coletivo ao mesmo tempo. 
Sua identidade estará condicionada ao momento, ao 
resultante do acúmulo de suas experiências reencarnatórias 
e à sua singularidade. Os Espíritos são distintos não só pelas 
diferentes experiências ao longo da evolução como também 
pela singularidade que o Criador imprimiu em cada um, no 
ato da criação. Naquele momento o Criador, sem 
estabelecer hierarquia ou injustiça, estabeleceu a unidade de 
cada ser. 
O Espírito logicamente é único em si. Não é possível 
haver duas coisas iguais em si, pois a unidade é o 
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fundamento do universo. A diversidade de unidades 
constitui uma Unidade. 
Nossa identidade se faz não apenas pelas aparências 
ou pelas características intelectuais, emocionais ou sociais 
adquiridas ao longo da evolução, mas principalmente pelo 
sentido pessoal de existir. Cada um é o que lhe constitui o 
mundo íntimo, construído por sobre a base da singularidade 
gerada pelo Criador. Buscar reconhecer em si a própria 
individualidade, isto é, aquilo que em nós difere dos outros 
é fundamental para o crescimento espiritual. 
O que distinguiu um Espírito de outro no ato da 
criação? A resposta não deverá contradizer o princípio da 
igualdade em Deus. Ele não nos fez em série ou em duplas. 
Somos singularidades divinas a serviço do próprio processo 
de auto-iluminação. 
A personalidade é a maneira singular pela qual o 
indivíduo responde ao meio. A personalidade não se resume 
em atos comportamentais, pois é também e principalmente a 
estrutura que os modela e que decide sobre as respostas a 
serem dadas. Alguns atributos do espírito antes de 
reencarnar serão privilegiados em face das provas a que ele 
se submeterá. O conhecimento prévio das provas e o meio 
em que encarnará permitirá que tais atributos sejam 
discriminados. 
O comportamento não define nem resume a 
personalidade humana. Ele é tão somente um de seus 
componentes, visto que boa parte do que se pensa e sente 
não se expressa nas atitudes. Não se pode desprezar a 
necessidade de estabelecer um conceito dinâmico para a 
personalidade. Não só pela condição essencial do Espírito 
como elemento oriundo da força criadora divina, como pela 
necessidade de entendermos como resultante também da 
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dinâmica da relação com um outro. Por si só o Espírito não 
se define, visto que sua existência está atrelada à de Deus, e 
sua personalidade está à de outro ser. 
O desenvolvimento da personalidade, a partir da 
infância, está se referindo à retomada do ego, ou melhor, à 
formação de um ego. É comum se confundir personalidade 
com ego. A estruturação ou consolidação do ego se dá por 
uma integração contínua de fatores motivacionais, 
emocionais e cognitivos internos. As características do ego 
não englobam os aspectos pertencentes à personalidade. A 
formação dela transcende os limites de uma existência e 
nela estão inclusos os conteúdos inconscientes. O ego é 
apenas uma forma dinâmica e funcional da personalidade se 
manifestar. 
O que chamamos de personalidade não é o Espírito 
em si, visto que ele não apresenta a gama de sensações, 
emoções, pensamentos, idéias e sentimentos existentes na 
totalidade que engloba também o corpo e o perispírito. 
Muitas são as possibilidades da personalidade 
encarnada. Em si o ser contém as potencialidades divinas e 
a capacidade de desenvolvê-las. Por conta da cultura e da 
sociedade nos privamos de manifestar tudo de bom que 
encerramos em nós mesmos. Acostumamos a projetar 
nossas melhores qualidades e potenciais em figuras que as 
apresentaram, acreditando, por vezes, que só elas as 
possuem. O que o outro possui existe potencialmente em 
nós. É nosso dever irmos na busca do que somos. 
A individualidade é o próprio Espírito com suas 
aquisições das leis de Deus. Ela independe do corpo físico e 
do perispírito, pois é o rótulo de Deus na Natureza. 
 
 
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Sistemas Psíquicos de 
Defesa 
 
 
 
 
Prefiro substituir a palavra mecanismos, utilizada na 
psicologia, por sistemas, a fim de tornar compreensível a 
forma como o ego e a própria psiquê utilizam-se de seus 
automatismos para adaptar-se a situações que contrariam 
seus objetivos de realização. 
Sistemas de defesa são processos de enrijecimento da 
psiquê necessários à fluidez do crescimento espiritual. 
Geralmente não há consciência de sua utilização. Não são 
em si psicopatologias, pois se tratam de processos 
adaptativoscom fim determinado e podem estar a serviço 
do Self. Eles garantem e sustentam um propósito. 
O sistema de defesa característico da evolução do 
Espírito é aquele intitulado de Esquecimento do Passado. O 
que parece ser uma imposição arbitrária da lei torna-se um 
sistema necessário à evolução do Espírito. Esquecer não é 
uma opção, mas um automatismo. Na reencarnação o ego 
vai lentamente se estruturando e se consolidando nas 
camadas do córtex cerebral. Ele permite à consciência se 
expressar. A consciência do encarnado se expressa através 
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da química cerebral e se o córtex não estiver formado ou se 
ainda está em formação não há consciência na realidade 
material. Aos poucos, com as experiências da vida material, 
vai se imprimindo no córtex a consciência de existir no 
mundo. As experiências então gravadas no perispírito só 
atingem o córtex na proporção que encontram conexões 
com outras da vida atual. O esquecimento então é 
automático, por força da impossibilidade das experiências 
gravadas no perispírito passarem para o novo corpo físico. 
A consciência da atual encarnação é monitorada por um 
novo ego que nada ‘sabe’ do passado. É possível a 
passagem de informações do perispírito para o córtex, isto 
é, para a consciência, desde que haja situações que se 
assemelhem sensorial ou emocionalmente com outras do 
passado e que estejam sendo vividas pelo indivíduo. 
Outro exemplo de sistema de defesa e que também 
ocorre no nível perispiritual é quando o ser humano 
enfrenta, numa existência, um processo extremamente 
traumático e que lhe causa muito sofrimento. Nestes casos 
ele tenderá a isolar tudo o que possa lhe fazer lembrar as 
experiências que fizeram parte dos fatos vividos. Isso se 
constituirá num núcleo encastelado no inconsciente 
perispiritual e fará com que o indivíduo evite, na vida atual, 
viver situações que o aproximem daqueles episódios. Da 
mesma forma, há episódios vividos em encarnações 
passadas que trouxeram imensa felicidade ao indivíduo, nos 
quais ele prefere permanecer, continuando a lembrar-se. 
Ocorre que, pela necessidade em evoluir, deverá atravessar 
experiências não gratificantes na encarnação seguinte e 
tenderá a rejeitá-las, apresentando uma espécie de apatia ao 
mundo em que vive, pela tendência de estar sempre em 
busca de não esquecer o passado. Apresentará uma saudade 
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inexplicável, uma nostalgia sem sentido e um desejo de 
estar em outro lugar. Às vezes, apresenta o desejo 
inconsciente de morrer. Deliberadamente ou não, foge da 
realidade numa espécie de autismo inconseqüente. Em 
ambos os casos a lembrança parcial e controlada do passado 
seria proveitosa. 
O autismo infantil (patológico), não só nos parece 
uma fuga à reencarnação, seja pela vontade ou não, mas 
também um sistema de defesa do Espírito ao que lhe parece 
extremamente aversivo. 
 
 
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O deus interno 
 
 
 
 
Muito mais importante do que buscar onde se localiza 
o Criador é perceber sua necessidade para a consciência e a 
perspectiva da evolução de seu conceito dentro de si 
mesmo. O conceito que se tem de Deus deve, na medida em 
que o próprio indivíduo evolui, modificar-se. Um conceito 
estático a respeito de Deus interfere na evolução do 
Espírito, visto que não lhe permite a percepção de si mesmo 
como um ser dinâmico e em crescimento espiritual. 
É importante concebermos Deus como Causa 
Primeira de todas as coisas, porém é também fundamental 
abrirmos a compreensão para a necessidade psicológica da 
existência de Deus. Essa possibilidade relativiza o tema 
tornando-o mais dialético do que já é. Conceber Deus como 
causa primária de todas as coisas deve ser entendido como 
algo que atende ao intelecto e que merece alcançar o 
coração. Da compreensão racional sobre Deus deve seguir-
se uma internalização emocional. Deus não está lá e você 
cá. Ele deve ser integrado ao próprio desenvolvimento da 
psiquê. 
A contradição existente entre um Deus criador de um 
mundo (Universo) perfeito e um Deus mantenedor de um 
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mundo em aperfeiçoamento não pode ser resolvida na visão 
de separatividade da consciência. É preciso transcender ao 
espírito como ser material para encontrar a unidade dessa 
aparente contradição dialética. Ir ao encontro de Deus 
significa desenvolver em si mesmo Sua presença. 
Há uma contradição em pensar-se que Deus criou o 
mundo do nada, pois essa idéia é absurda em si mesma. 
Deus criador e um mundo criado levam a um impasse 
irredutível, inconciliável. Qual será o pensamento síntese a 
respeito da origem de tudo? Talvez possa surgir se 
pensarmos que criar e não criar derivam da mente que não é 
capaz de fazê-lo. O Universo deriva de Deus, porém é fruto 
de leis universais que o geraram e o mantêm. 
O ser humano consciente, quer encarnado ou não, é o 
que existe de mais belo na Natureza. Ele, pela sua 
consciência, representa o olhar de Deus. O ser humano 
consciente concebe um Deus que se realiza nele. 
O que quer que digamos, pensemos ou sintamos a 
respeito de Deus ou do Espírito em si, será sempre fruto do 
entendimento construído pelo ser humano e estruturado 
segundo uma lógica também humana. 
Os adjetivos com os quais costumamos delinear os 
atributos de Deus são constructos humanos que contribuem 
unicamente para que o próprio ser humano entenda a si 
mesmo. É fato para mim, por um sentido íntimo, que Deus 
existe, porém não sei dizer como e o que ele é. 
O termo religião não deve ser entendido 
exclusivamente no sentido de religação, visto que uma 
aludida separação seria impossível senão absurda. O termo 
deve ser também entendido como uma necessidade do ser 
humano, como pensava Santo Agostinho, em interiorizar-se 
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ligando seu ego com o Self; unindo sua compreensão do 
mundo externo com aquilo que é divino em si mesmo. 
Viver é conscientizar-se de que cada experiência é um 
encontro pessoal com Deus. 
 
 
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Ânima e Ânimus 
 
 
 
 
Jung estabeleceu um dos conceitos mais profundos da 
psicologia humana quando definiu o que era arquétipo. 
Dentre os arquétipos que ele propôs, o que mais chama a 
atenção pela proximidade com a natureza humana é aquele 
que se refere às tendência s contra-sexuais. A ânima e o 
ânimus são os arquétipos que encerram as tendências 
masculina e feminina em buscar aquilo que se opõe à sua 
psiquê consciente. 
Não são tendências do Espírito, mas estruturas 
funcionais do perispírito com as quais lhe permite apreender 
as leis de Deus. A busca pelo sexo oposto não está no 
Espírito, tampouco se trata de uma escolha consciente. A 
ânima, assim como o ânimus, é uma tendência mediadora 
entre a vida consciente e a inconsciente. 
No encontro entre o ser humano e a Natureza, ele é o 
espírito (ânimus da Vida) e ela é a alma (ânima da Vida). 
Deus representa-se no encontro de ambos. A ânima , como 
o ânimus, é a ânsia da Vida. É a vontade e o motivo do 
viver. Sem eles não há sentido na Vida. Todos temos que 
descobri-los, projetá-los e depois percebê-los como partes 
estruturais em nós mesmos. 
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Essas duas polaridades arquetípicas são estão 
encerradas nas conexões cromossômicas nem na anatomia 
genital. Não estão nos hemisférios cerebrais nem presentes 
no prazer sexual.São capacidades perispirituais. 
A distinção funcional entre os hemisférios cerebrais é 
reflexo das expressões polarizadas da alma e que emergem 
das experiências vividas nas reencarnações sucessivas. As 
diferenças existentes no perispírito provocam as 
polarizações e separações no corpo físico. O cérebro ainda 
possui hemisférios por conta da separatividade existente no 
perispírito, portanto na mente. 
Jung diz que “A anima é o arquétipo do feminino, 
que tem papel particularmente importante no 
inconsciente do homem. Eu defini a Anima 
simplesmente como o arquétipo da vida. Existe [no 
homem] uma imago não só de mãe, mas também da 
filha, da irmã, da mulher amada, da deusa celeste e 
da Baubo ctônica. Assim, do homem também faz 
parte o feminino, sua própria feminilidade 
inconsciente, que designei como Anima. A primeira 
portadora da imagem da anima é a mãe. Cada homem 
sempre carregou dentro de si a imagem da mulher; 
não é a imagem desta determinada mulher, mas a 
imagem de uma determinada mulher. Essa imagem, 
examinada a fundo, é uma massa hereditária 
inconsciente, gravada no sistema vital e proveniente 
de eras remotíssimas; é um “tipo” (arquétipo) de 
todas as experiências que a série dos antepassados 
teve com o ser feminino, é um precipitado que se 
formou de todas as impressões causadas pela mulher, 
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é um sistema de adaptação transmitido por 
hereditariedade.” 
Com relação ao ânimus ele diz: “A mulher é 
compensada por uma natureza masculina, e por isso 
o seu inconsciente tem, por assim dizer, um sinal 
masculino. Em comparação com o homem, isto indica 
uma diferença considerável. Correlativamente, 
designei o fator determinante de projeções presente 
na mulher com o nome de animus. Este vocábulo 
significa razão ou espírito. Como a anima corresponde 
ao Eros materno, o animus corresponde ao Logos 
paterno. O animus é uma espécie de sedimento de 
todas as experiências ancestrais da mulher em relação 
ao homem, e mais ainda, é um ser criativo e 
engendrador, não na forma da criação masculina. 
Assim como o homem faz brotar sua obra, criatura 
plena de seu feminino interior, assim também o 
masculino interior da mulher procria germes 
criadores, capazes de fecundar o feminino do 
homem.” 
As várias encarnações em sexos diferentes, bem como 
as polaridades experimentadas perispiritualmente nas 
conexões com a matéria, favoreceram a consolidação 
dessas estruturas psíquicas opostas. No decorrer das vidas 
sucessivas, através das polaridades sexuais, esses dois 
arquétipos são experimentados e reforçados na 
personalidade. A consciência da existência dessas 
polaridades opostas em nós mesmos, pode nos levar à 
tranqüilidade na busca externa de realização com o sexo 
oposto. A semente da totalidade existe em nós mesmos e 
ela se apresenta quando integramos esses dois opostos à 
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consciência. Quando isso ocorre, favorece o sentimento de 
totalidade no ser humano. 
 
 
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Consciência e 
inconsciente 
 
 
 
 
Consciência é consciência do eu. Pode-se afirmar que 
não há propriamente uma consciência, mas sim um campo 
de acesso pelo eu. Esse campo varia para cada indivíduo de 
acordo com suas capacidades evolutivas. Por outro lado o 
inconsciente seria a parte do ser humano não acessível ao 
eu, portanto fora do campo da consciência. Em 
conseqüência consciente e inconsciente se referem a um 
único todo. 
A consciência, como o inconsciente, é uma espécie de 
filtro de entrada e saída de registros informacionais e de 
sentimentos. Não são campos reais, mas virtuais, pois não 
se tratam de entes materiais e estáticos. Contêm registros 
que se perderão ao longo da evolução do Espírito. 
Não se situam no Espírito, mas nas ‘camadas’ 
superficiais e profundas do perispírito e são acessáveis por 
mecanismos sutis desenvolvidos nas experiências de contato 
com a matéria. 
O termo inconsciente é incompleto e indefinido, pois 
pretende conceituar algo negando outro. É como querer 
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descrever uma cadeira dizendo que ela não é uma mesa. O 
inconsciente é, no entanto, a expressão usual para designar a 
codificação transitória das experiências que o ser espiritual, 
encarnado ou desencarnado, vive na sua relação com o 
mundo. Ela pertence ao domínio perispiritual que se 
estrutura em redes conectadas por “nós” emocionais. 
O termo inconsciente é, de certa forma, inapropriado 
para designar seu conteúdo, visto que se trata de uma 
negação de algo (in = não), portanto não define a si mesmo. 
Os conteúdos não são de fato conscientes. Mas para quem? 
Não são conscientes para o ego, mas o são para o Espírito. 
O que é chamado de inconsciente é tudo que se constitui das 
experiências e de seus resíduos já vividos e disponíveis ao 
Espírito. 
Sobre o inconsciente Jung escreveu: “Assim 
definido, o inconsciente descreve um estado de coisas 
extremamente fluido: tudo o que sei, mas que no 
momento não estou pensando; tudo aquilo de que 
antes eu tinha consciência, mas de que agora me 
esqueci; tudo o que é percebido pelos meus sentidos, 
mas que não foi notado pela minha mente consciente; 
tudo aquilo que, involuntariamente e sem prestar a 
atenção, sinto, penso, recordo, quero e faço; todas as 
coisas futuras que estão tomando forma em mim e 
que em algum momento chegarão à consciência: tudo 
isto é o conteúdo do inconsciente.” Jung dizia também 
que “a consciência não se cria a si mesma; emana de 
profundezas desconhecidas.” 
O ego, usando o campo da consciência, acessa-a por 
comparação. Nesse momento ele se torna dual. O 
inconsciente é uno, constituindo-se num todo dinâmico. O 
ego apenas acessa sua superfície, onde se encontram os 
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eventos mais recentes. O inconsciente é uma instância com 
raízes no perispírito. A lógica que vigora no inconsciente é 
não-linear e é estruturada diversamente daquela que 
pertence à consciência. O paradigma no inconsciente é 
emocional, enquanto que na consciência é cognitivo. Tudo 
que é consciente se torna inconsciente. É uma tendência 
inata (funcional) ao automatismo dos processos 
inconscientes. A repetição de experiências induz ao 
automatismo. A consciência, por sua vez, é produto da 
evolução do Espírito que, nos primórdios de sua caminhada 
evolutiva, é “inconsciente pleno”, isto é, uma estrutura que 
vai aos poucos se diferenciando da totalidade inconsciente e 
formando conexões cada vez mais complexas. 
O inconsciente por si só é neutro. Seu dinamismo é 
provocado pela energia psíquica mobilizada 
ininterruptamente pelo Espírito. Se a ele atribuirmos o 
caráter autônomo, como pensam alguns, teremos três 
centros de domínio da personalidade: o ego (na 
consciência), o inconsciente (se a ele atribuirmos 
autonomia) e o Espírito. Em verdade a autonomia do 
inconsciente, tanto quanto do ego, é relativa. O domínio real 
da personalidade pertence ao Espírito, mesmo nos estados 
em que não nos parece existir controle algum. 
A consciência se ilumina quando o ego é tomado 
coercitivamente de assalto e assiste aos lampejos das 
inspirações inconscientes. Consciência e Vida se 
confundem. Nesse sentido o conceito de consciência se 
amplia, englobando a essência do ser que abrange desde a 
dimensão inconsciente ao ego. 
O uso de alucinógenos, ervas, chás, estupefacientes, 
bem como certas medicações que atingem o Sistema 
Nervoso Central, reduzem o bloqueio provocado pelo córtex 
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encefálico, permitindo uma maior manifestação das faixas 
psíquicas da mente que se encontram no perispírito.Esse 
procedimento permite a ampliação do campo da consciência 
que avança pelo inconsciente. Tal prática, se irresponsável 
gera conseqüências muitas vezes irreparáveis ao ego, que se 
vê confuso entre as duas instâncias psíquicas 
simultaneamente. 
A atenção ou focalização na consciência de 
determinado aspecto da vida dependerá dos conteúdos 
presentes no inconsciente; isso ocorre independente da 
consciência poder discriminar os fatores ou os motivos da 
seleção. Essa focalização é um direcionamento da “energia” 
psíquica a um objeto específico. 
O corpo físico proporciona um limite relativo, entre o 
inconsciente e o consciente, que impede a passagem de 
certos registros emocionais de uma instância à outra. Ao 
mesmo tempo em que impede que alguns registros 
carregados de afetos passem do inconsciente para a 
consciência, permite que importantes aquisições lógicas e 
habilidades concretas retornem. Mesmo quando 
desencarnamos, nem sempre temos acesso imediato àqueles 
registros. Há limites além do corpo físico, perispirituais, 
portanto, que impedem a lembrança imediata ou remota. 
 
 
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Objetivos da 
Reencarnação 
 
 
 
 
Os processos educativos de aperfeiçoamento e 
aquisição do saber das leis de Deus se dão de forma lenta e 
constante. São precisos milhares de séculos para que o 
Espírito consolide uma das leis de Deus. A reencarnação é 
um desses processos e ocorre como fenômeno caracterizado 
pela entrada do Espírito num corpo de carne até sua saída. O 
termo, muito embora apropriado, não encerra em si o 
processo de aquisição das leis de Deus. A reencarnação é 
apenas um mecanismo e não implica em si a transformação 
do Espírito. 
A reencarnação deve ser entendida como algo muito 
mais do que a simples tomada de um novo corpo até seu 
abandono, mas também incluindo tudo o que ocorre durante 
a permanência nesse corpo e os preparativos para tal 
período. É na experiência no corpo ou fora dele que se 
apreende as leis de Deus. 
A reencarnação objetiva levar o Espírito a uma forma 
que lhe possibilite descobrir-se e transformar-se para além 
daquilo que acredita ser e que considera como si mesmo. Na 
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reencarnação ele transcende sua própria condição egóica. 
Ela não é uma punição ou mesmo um corretivo, muito 
embora seja assim encarada por segmentos religiosos 
vinculados ao culto da idéia do sofrimento como forma de 
purificação. Há ainda os que vêem Deus como um juiz que 
se utiliza de sentenças expiatórias para punir através da 
reencarnação. A Vida não se resume ao estado de espírito 
desencarnado, mas também compreende o estado de 
encarnado, no qual também se pode perceber a grandeza de 
Deus e a beleza do Universo. O fato do indivíduo quando 
encarnado esquecer o que viveu no mundo espiritual pode 
significar que seu vínculo principal deva ser com as 
experiências no corpo. A Terra é campo de 
aperfeiçoamento, não só do próprio Espírito como também 
da sociedade terrena. 
O esquecimento do passado, após o processo 
reencarnatório, decorre do fato de que a gravação das 
experiências pregressas e seus resíduos é feita no 
perispírito. O ego só tem acesso a esses registros que se 
encontram no inconsciente de forma simbólica. O acesso ao 
inconsciente é dificultado pelas redes de eventos 
pertencentes à vida consciente. Da mesma forma ocorre 
para a maioria dos eventos durante o sono e que são 
gravados também no perispírito. Alguns, pela sua 
intensidade, alcançam o córtex, aparecendo como sonhos. 
Quando encarnados, tanto esquecemos o que fizemos 
em outras vidas como no período em que estivemos fora do 
corpo. Quando desencarnado o espírito também não 
consegue lembrar-se facilmente das vidas anteriores à 
última, bem como de outros períodos em que esteve 
desencarnado. 
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Não se deve temer viver na carne ou fora dela, mas 
buscar viver e aceitar a Vida como um campo de operação e 
transformação pessoal e de experiências, sem se perder a 
noção de responsabilidade pessoal. Ao Espírito é 
intransferível aperfeiçoar-se e ir em busca do si mesmo. 
É preciso se arriscar no mundo e não viver fora dele 
como se a vida na Terra não nos trouxesse preciosas lições 
para o entendimento das leis de Deus. Devemos considerar 
que a Terra, isto é, a descida à matéria, é o campo de Deus, 
oferecido ao ser humano para sua realização. 
Apesar do mundo material ser limitado, é nele que 
devemos aplicar o que sabemos sobre o espiritual. O mundo 
material é também o mundo do humano, portanto é o nosso 
mundo. Falar sobre o mundo espiritual, bem como provar 
sua existência, faz surgir a necessidade de possibilitar sua 
aplicabilidade no mundo da matéria. 
As religiões têm sido responsáveis por apontar o 
caminho do ser humano ao encontro de Deus e de si mesmo, 
porém há um momento da evolução em que o Espírito deve 
seguir por si só para que ele próprio se realize. As religiões 
devem se tornar sistemas dinâmicos sob pena de 
desaparecerem. 
O ser humano em toda sua evolução está em busca do 
entendimento de sua própria existência. Nesse percurso ele 
vai gradativamente compreendendo que, além de sua 
individualidade, ele é parte de um todo. Sua felicidade é a 
realização do si mesmo, isto é, daquilo ao qual cada um se 
propõe e do estabelecimento de uma sociedade harmônica e 
equilibrada. 
A reencarnação possibilita, pelo contato com a 
matéria e daí extraindo-se as leis de Deus, encontrar-se o 
sentido e objetivo da Vida. Deve-se deixar a Vida fluir. A 
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separação estabelecida entre o bem e o mal, entre o certo e 
o errado, leva-nos a polarizar essa busca, não permitindo 
que percebamos a nossa própria individualidade. 
Temos que entender que a reencarnação traz de volta 
o espírito com toda a sua experiência milenar, com aptidões 
e dificuldades. Esse espírito, ao reencarnar, traz de retorno 
sua mente com os automatismos inerentes ao fato de ter 
vivido em várias oportunidades, consolidando hábitos 
psíquicos e gerando formas-pensamento que o obrigam a 
pensar e agir da mesma maneira como sempre o fez ao 
longo de suas existências. 
Para sair dessa roda incansável é necessário irmos na 
busca da transformação interior através da prática constante 
do amor. 
 
 
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Outras formas de 
evolução 
 
 
 
 
A evolução do espírito se dá através da aquisição de 
valores morais e intelectuais que o capacitam a viver no 
Universo em harmonia e consoante as leis de Deus. Essas 
aquisições, a que chamo de apreensão das leis da Natureza, 
lhe servem e ao trabalho de Deus para com Sua criação. 
Para adquirir o conhecimento das leis de Deus, o ser 
criado (Espírito) necessita unir-se a outro elemento que lhe 
é contrário em natureza (matéria). Essa união de opostos é a 
única maneira de se processar a evolução daquilo que é 
criado na direção do que é Criador? Seria possível para nós 
imaginarmos outras formas de evolução? 
A questão dos opostos muito bem tratada por Jung em 
seu famoso livro Mysterium Coniunctionis, parece ser algo 
que pode nos levar ao que é essencial e primordial na 
psiquê. A análise do contato da matéria com o Espírito e a 
relação deste com Deus nos aproxima da percepção da 
essencialidade da temática dos opostos. No Ato da Criação 
do Espírito a questão dos opostos é colocada por Deus 
quando insere o ser no mundo. A busca da unidade dos 
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opostos, ou de algo que os sintetize em uma única realidade 
transcendente a ambos, parece ser o caminho da solução do 
conflitoinstalado. Parece que o caminho do Espírito é a 
busca dessa unidade para a saída dos conflitos da natureza 
humana. 
A concepção teórica do conceito do que é matéria e o 
que é o Espírito resume a questão dos opostos. Tentar 
afirmar que a matéria é o Espírito ou que este é constituído 
de átomos espirituais resulta num “olhar” do Espírito pelo 
viés da matéria. Ainda é tentar reduzir o que é o Espírito à 
matéria. 
Creio que a chave se encontra na gênese do Espírito. 
Ao idealizarmos que se trata de uma configuração que o 
capacita a captar as leis de Deus, podemos pensar que ela 
poderia fazê-lo a partir de sua forma e não de sua 
constituição. 
Especulando sobre a possibilidade da evolução além 
da matéria, pode-se conceber o Espírito Puro criando 
universos e instituindo leis próprias para cada um deles. 
Neles, o Espírito seria uma espécie de arranjo que capta a 
energia divina. Esse arranjo é que forma a Natureza. 
A evolução além da união dos opostos é possível se 
entendermos que eles não são em si entes concretos, mas 
representam a percepção possível ao ser que ainda não 
adquiriu certas estruturas psíquicas. Mais adiante, quando 
mais evoluído moralmente é que o Espírito poderá entender 
a evolução sem aquela dialética. Será, talvez, possível que 
ele mesmo construa uma evolução sem tal dialética. 
As experiências da raça, da cultura, da humanidade 
como um todo, não são diretamente absorvidas, mas sim as 
alterações que elas promovem no “éter” espiritual, 
influenciando cada Espírito. 
Adenáuer Novaes ————————————————————————————————————— 
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A evolução é um trabalho individual e coletivo. O 
Espírito evolui pelo seu próprio esforço, pelo esforço 
coletivo (influência social) e pelo impositivo divino em si 
mesmo.

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