MANUAL VETORIAL DENGUE
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cipalmente de material orgânico acumulado nas paredes e fundo dos depósitos (FFFFFiguraiguraiguraiguraigura 22222).
FFFFFigura 2igura 2igura 2igura 2igura 2
As larvas possuem quatro estÆgios evolutivos. A duraçªo da fase larvÆria depende
da temperatura, disponibilidade de alimento e densidade das larvas no criadouro. Em con-
diç\u131es ótimas, o período entre a eclosªo e a pupaçªo pode nªo exceder a cinco dias.
Contudo, em baixa temperatura e escassez de alimento, o 4\u201d estÆgio larvÆrio pode prolon-
gar-se por vÆrias semanas, antes de sua transformaçªo em pupa.
A larva do Aedes aegypti Ø composta de cabeça, tórax e abdômen. O abdômen Ø
dividido em oito segmentos. O segmento posterior e anal do abdômen tem quatro brânquias
lobuladas para regulaçªo osmótica e um sifªo ou tubo de ar para a respiraçªo na superfície
da Ægua. O sifªo Ø curto, grosso e mais escuro que o corpo. Para respirar, a larva vem à
superfície, onde fica em posiçªo quase vertical. Movimenta-se em forma de serpente, fazen-
do um “S” em seu deslocamento. É sensível a movimentos bruscos na Ægua e, sob feixe de
luz, desloca-se com rapidez, buscando ref\u153gio no fundo do recipiente (fotofobia).
Na pesquisa, Ø preciso que se destampe com cuidado o depósito e, ao incidir o
jato de luz, percorrer, rapidamente, o nível de Ægua junto à parede do depósito. Com a luz,
as larvas se deslocam para o fundo. Tendo em vista a maior vulnerabilidade nesta fase, as
aç\u131es do PEAa devem, preferencialmente, atuar na fase larvÆria.
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 2.1.3. Pupa
As pupas nªo se alimentam. É nesta fase que ocorre a metamorfose do estÆgio
larval para o adulto. Quando inativas se mant\u152m na superfície da Ægua, flutuando, o que
facilita a emerg\u152ncia do inseto adulto. O estado pupal dura, geralmente, de dois a tr\u152s dias.
A pupa Ø dividida em cefalotórax e abdômen. A cabeça e o tórax sªo unidos,
constituindo a porçªo chamada cefalotórax, o que dÆ à pupa, vista de lado, a apar\u152ncia de
uma vírgula (FFFFFigura 3igura 3igura 3igura 3igura 3). A pupa tem um par de tubos respiratórios ou “trompetas”, que
atravessam a Ægua e permitem a respiraçªo.
2.1.4. Adulto
O adulto de Aedes aegypti representa a fase reprodutora do inseto. Como ocorre
com grande parte dos insetos alados, o adulto representa importante fase de dispersªo.
Entretanto, com o Aedes aegypti Ø provÆvel que haja mais transporte passivo de ovos e
larvas em recipientes do que dispersªo ativa pelo inseto adulto (FFFFFiguras 4, 5iguras 4, 5iguras 4, 5iguras 4, 5iguras 4, 5 e 66666).
O Aedes aegypti Ø escuro, com faixas brancas nas bases dos segmentos tarsais e
um desenho em forma de lira no mesonoto. Nos espØcimes mais velhos, o “desenho da lira”
pode desaparecer, mas dois tufos de escamas branco-prateadas no clípeo, escamas claras
nos tarsos e palpos permitem a identificaçªo da espØcie. O macho se distingue essencial-
mente da f\u152mea por possuir antenas plumosas e palpos mais longos.
Logo após emergir do estÆgio pupal, o inseto adulto procura pousar sobre as pare-
des do recipiente, assim permanecendo durante vÆrias horas, o que permite o endureci-
mento do exoesqueleto, das asas e, no caso dos machos, a rotaçªo da genitÆlia em 180\u201d.
Dentro de 24 horas após, emergirem, podem acasalar, o que vale para ambos os
sexos. O acasalamento geralmente se dÆ durante o vôo, mas, ocasionalmente, pode se dar
sobre uma superfície, vertical ou horizontal. Uma \u153nica inseminaçªo Ø suficiente para fe-
cundar todos os ovos que a f\u152mea venha a produzir durante sua vida.
As f\u152meas se alimentam mais freqüentemente de sangue, servindo como fonte de
repasto a maior parte dos animais vertebrados, mas mostram marcada predileçªo pelo
homem (antropofiliaantropofiliaantropofiliaantropofiliaantropofilia).
 F F F F Figura 3igura 3igura 3igura 3igura 3
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O repasto sangüíneo das f\u152meas fornece proteínas para o desenvolvimento dos
ovos. Ocorre quase sempre durante o dia, nas primeiras horas da manhª e ao anoitecer. O
macho alimenta-se de carboidratos extraídos dos vegetais. As f\u152meas tambØm se alimen-
tam da seiva das plantas.
Em geral, a f\u152mea faz uma postura após cada repasto sangüíneo. O intervalo entre
a alimentaçªo sangüínea e a postura Ø, em regra, de tr\u152s dias, em condiç\u131es de tempera-
tura satisfatórias. Com freqü\u152ncia, a f\u152mea se alimenta mais de uma vez, entre duas suces-
sivas posturas, em especial quando perturbada antes de totalmente ingurgitada (cheia de
sangue). Este fato resulta na variaçªo de hospedeiros, com disseminaçªo do vírus a vÆrios
deles.
A oviposiçªo se dÆ mais freqüentemente no fim da tarde. A f\u152mea grÆvida Ø atra-
ída por recipientes escuros ou sombreados, com superfície Æspera, nas quais deposita os
ovos. Prefere Ægua limpa e cristalina ao invØs de Ægua suja ou poluída por matØria orgânica.
A f\u152mea distribui cada postura em vÆrios recipientes.
É pequena a capacidade de dispersªo do Aedes aegypti pelo vôo, quando compa-
rada com a de outras espØcies. Nªo Ø raro que a f\u152mea passe toda sua vida nas proximi-
dades do local de onde eclodiu, desde que haja hospedeiros. Poucas vezes a dispersªo
pelo vôo excede os 100 metros. Entretanto, jÆ foi demonstrado que uma f\u152mea grÆvida
pode voar atØ 3Km em busca de local adequado para a oviposiçªo, quando nªo hÆ recipi-
entes apropriados nas proximidades.
A dispersªo do Aedes aegypti a grandes distâncias se dÆ, geralmente, como resul-
tado do transporte dos ovos e larvas em recipientes.
Quando nªo estªo em acasalamento, procurando fontes de alimentaçªo ou em
dispersªo, os mosquitos buscam locais escuros e quietos para repousar.
A domesticidade do Aedes aegypti Ø ressaltada pelo fato de que ambos os sexos
sªo encontrados em proporç\u131es semelhantes dentro das casas (endofiliaendofiliaendofiliaendofiliaendofilia).
O Aedes aegypti quando em repouso Ø encontrado nas habitaç\u131es, nos quartos de
dormir, nos banheiros e na cozinha e, só ocasionalmente, no peridomicílio. As superfícies
preferidas para o repouso sªo as paredes, mobília, peças de roupas penduradas e mosqui-
teiros.
Quando o Aedes aegypti estÆ infectado pelo vírus do dengue ou da febre amarela,
pode haver transmissªo transovariana destes, de maneira que, em variÆvel percentual, as
f\u152meas filhas de um espØcime portador nascem jÆ infectadas (OPAS/OMS).
Os adultos de Aedes aegypti podem permanecer vivos em laboratório durante meses,
mas, na natureza, vivem em mØdia de 30 a 35 dias. Com uma mortalidade diÆria de 10%,
a metade dos mosquitos morre durante a primeira semana de vida e 95% durante o primei-
ro m\u152s.
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 F F F F Figura 4igura 4igura 4igura 4igura 4
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 F F F F Figura 5igura 5igura 5igura 5igura 5
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 F F F F Figura 6igura 6igura 6igura 6igura 6
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2.2. Transmissores silvestres
Os mosquitos que transmitem a febre amarela silvestre pertencem aos g\u152neros
Haemagogus (Haemagogus janthinomys, Haemagogus leucocelaenus, Haemagogus
capricornii, Haemagogus spegazzinii) e Sabethes (Sabethes cloropterus). Alguns Aedes sil-
vestres (Aedes scapularis, Aedes fluviatilis, e outros) que, em laboratório, t\u152m demonstrado
capacidade de transmissªo, nªo foram, contudo, encontrados naturalmente infectados.
Os Haemagogus sªo mosquitos com hÆbitos selvÆticos. Seus focos sªo encontra-
dos quase sempre em cavidades de Ærvores no ambiente silvestre.
2.3. Aedes albopictus
Em fins de maio de 1986, ocorreu o primeiro achado de Aedes albopictus (Skuse,
1894) no Brasil, em foco localizado na Universidade Rural do Rio de Janeiro, no Município
de Itaguaí. Logo a seguir novos focos foram reportados, , , , , na Universidade de Viçosa, em
Minas Gerais, e nas proximidades das cidades de Vitória e Vila Velha, no Espírito Santo.