Apostila - Fitopatologia
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Apostila - Fitopatologia


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geralmente 
modificados pela ruptura e suberificação das 
paredes celulares. Caracteriza-se por lesões 
salientes e ásperas em frutos, tubérculos e folhas. 
Ex.: verrugose em frutos cítricos, causada por 
Elsinoe spp.) 
 
· Virescência: formação de clorofila nos tecidos 
ou órgãos normalmente aclorofilados. Ex.: 
tubérculos de batata armazenados com presença 
de luz. 
 
A importância relativa de cada sintoma pode 
variar, dependendo da sua duração e intensidade, 
bem como do hábito ou forma de vida da planta 
afetada (Fig. 1). 
 
 
3. SINAIS 
 
 Sinais são estruturas ou produtos do patógeno, 
geralmente associados à lesão. Além de estruturas 
patogênicas (células bacterianas, micélio, esporos e 
corpos de frutificação fúngicos, ovos de 
nematóides, etc.), exsudações ou cheiros 
provenientes das lesões podem ser considerados 
como sinais. Em geral, os sinais ocorrem num 
estádio mais avançado do processo infeccioso da 
planta. Como exemplos, podem ser lembradas as 
frutificações de alguns fungos, como esclerócios de 
Sclerotium rolfsii em feijoeiro, picnídios de 
Lasiodiplodia theobromae em frutos de manga, 
peritécios de Giberella em trigo, apotécios de 
Sclerotinia em soja, micélio branco de Oidium em 
caupi, massa de uredosporos ou teliosporos 
produzidas em pústulas por fungos causadores de 
ferrugens em diversas plantas. Em algumas 
doenças, como os carvões, os sinais confundem-se 
com os sintomas. Exsudações viscosas compostas 
de células bacterianas liberados de órgãos 
atacados constituem importantes sinais para a 
diagnose, como ocorre com talos de tomateiro 
infectados por Ralstonia solanacearum quando 
submetidos a condições de alta umidade. Como 
exemplo de odor que constitui sinal de doença 
pode-se citar o mau cheiro emanado do colmo de 
cana-de-açúcar atacado por Pseudomonas 
rubrilineans. 
 
 
4. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 
 
AGRIOS, G.N. Introduction. In: AGRIOS, G.N. Plant 
pathology. 4th ed. San Diego: Academic Press, 1997. 
p.3-41. 
 
KENAGA, C.B. Plant disease concept, definitions, 
symptoms and classification. In: KENAGA, C.B. 
Principles of phytopathology. 2nd ed. Lafayette: 
Balt, 1974. p.12-31. 
 
LUCAS, J.A. The diseased plant. In: LUCAS, J.A. Plant 
pathology and plant pathogens. 3. ed. London: 
Blackwell Science, 1998. p.5-19. 
 
ROBERTS, D.A.; BOOTHROYD, C.W. Morphological 
symptoms of disease in plants. In: ROBERTS, D.A.; 
BOOTHROYD, C.W. Fundamentals of plant 
pathology. 2nd ed. New York: W.H. Freeman, 1984. 
p.28-42. 
 
SALGADO, C.L.; AMORIM, L. Sintomatologia. In: 
BERGAMIN FILHO, A.; KIMATI, H.; AMORIM, L. 
(Eds.). Manual de fitopatologia: princípios e 
conceitos. 3. ed. São Paulo: Agronômica Ceres, 1995. 
v.1, p.212-223. 
 
PONTE, J.J. Sintomatologia. In: PONTE, J.J. 
Fitopatologia: princípios e aplicações. 2. ed. São 
Paulo: Nobel, 1986. p.49-60. 
MICHEREFF, S.J. Fundamentos de Fitopatologia ... 
 
 
 
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Figura 1. Representação esquemática das funções básicas da planta e sintomas causados por alguns tipos 
de doenças [adaptado de Agrios (1997)]. 
 
MICHEREFF, S.J. Fundamentos de Fitopatologia ... 
 
 
 
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Unidade 6 
 
 
FUNGOS COMO AGENTES DE DOENÇAS DE PLANTAS 
 
 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
Fungos são organismos eucariontes, 
aclorofilados, heterotróficos, que se reproduzem 
sexuada e assexuadamente e cujas estruturas 
somáticas são geralmente filamentosas e 
ramificadas, com parede celular contendo celulose 
ou quitina, ou ambos. 
 Os fungos obtém o alimento seja como 
saprófitas, organismos que vivem sobre a matéria 
orgânica morta, ou como parasitas, que se nutrem 
da matéria viva. Em ambos os casos, as 
substâncias nutritivas são ingeridas por absorção 
após terem sido parcialmente digeridas por meio 
de enzimas. 
 A maioria dos fungos é constituída de espécies 
saprófitas que desempenham a importante função 
de decomposição na biosfera, degradando produtos 
orgânicos e devolvendo carbono, nitrogênio e 
outros componentes ao solo, tornando assim 
disponíveis às plantas. Cerca de 100 espécies de 
fungos produzem doenças no homem e quase o 
mesmo número em animais, a maioria das quais 
são enfermidades superficiais da pele ou de seus 
apêndices. No entanto, mais de 8.000 espécies de 
fungos causam doenças em plantas, sendo que 
todas as plantas são atacadas por algum tipo de 
fungo, e cada um dos fungos parasitas atacam a 
um ou mais tipos de plantas. 
 
 
2. CRESCIMENTO DOS FUNGOS 
 
O crescimento dos fungos é constituído das 
fases vegetativa e reprodutiva. 
 
 2.1. Fase Vegetativa 
 
Os fungos, em sua maioria, são constituídos 
de filamentos microscópicos com parede celular 
bem definida, chamados hifas. A célula fúngica é 
constituída pelos principais componentes 
encontrados nos organismos eucariotos. A parede 
celular é composta principalmente por 
polissacarídios, pequena quantidade de lipídios e 
íons orgânicos. A membrana plasmática é 
composta por fosfolipídios e esfingolipídios, 
proteínas, além de pequenas quantidades de 
carboidratos. O citoplasma apresenta solutos 
dissolvidos, no qual estão imersas organelas 
membranosas, como mitocôndrias, complexo de 
Golgi e microcorpos, assim como estruturas não 
membranosas, como ribossomos, microtubos e 
microfilamentos. A célula fúngica apresenta 
núcleos dotados de uma membrana nuclear ou 
carioteca (Fig. 1). 
 
Figura 1. Representação esquemática de hifas fúngicas e seus principais componentes. A = estrutura de 
uma hifa jovem; B = estrutura de uma hifa madura; m = membrana; v = vacúolo; gl = globos 
lipóides; n = núcleo; c = citoplasma; mi = mitocondria; s = septo; t = trabécula [adaptado de 
Silveira (1968)]. 
 
 
 Dependendo da classe a que pertence o fungo, 
a hifa pode ser contínua ou apresentar paredes 
transversais que a dividem, denominadas septos, 
sendo portanto chamada de hifa septada. Esta 
possui um poro em cada septo para passagem do 
líquido protoplasmático. A hifa sem septo é 
chamada asseptada, contínua ou cenocítica, 
porque os núcleos distribuem-se num protoplasma 
comum (Fig. 2). 
 
 
 
MICHEREFF, S.J. Fundamentos de Fitopatologia ... 
 
 
 
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Figura 2. Tipos de hifas: (A) cenocítica; (B) septada. 
 
 
 
Os fungos, por serem aclorofilados, não podem 
utilizar energia solar para sintetizar seu próprio 
alimento. A substância de onde os fungos retiram 
os nutrientes de que necessitam chama-se 
substrato, o qual pode ser o húmus do solo, restos 
de cultura, plantas vivas, etc. As hifas ramificam-
se em todas as direções no substrato, formando o 
micélio. 
 As hifas ou micélio, quanto ao número de 
núcleos, podem ser uninucleadas, binucleadas e 
multinucleadas. A extremidade da hifa é a região 
de crescimento. O protoplasma na extremidade da 
hifa sintetiza um grande número de enzimas e 
ácidos orgânicos que são difundidos no substrato. 
As enzimas e ácidos quebram a celulose, amido, 
açúcares, proteínas, gorduras e outros 
constituintes do substrato, que são utilizados 
como alimentos e energia para o crescimento do 
fungo. 
O crescimento do micélio de um fungo 
parasita pode ser externo ou interno em relação 
ao tecido hospedeiro. O micélio externo ocorre 
como um denso emaranhado na superfície de 
folhas, caules ou frutos, que não penetra na 
epiderme dos órgãos e nutre-se através de 
exsudatos (açúcares) da planta. O micélio interno 
pode ser subepidérmico, quando desenvolve entre 
a cutícula e as células epidermais; intercelular, 
quando penetra no hospedeiro e localiza-se nos 
espaços intercelulares, sem penetrar nas células, 
sendo os nutrientes absorvidos através de órgãos 
especiais chamados haustórios (estruturas 
constituídas de células da hifa) ou diretamente por 
difusão através da parede celular; ou intracelular, 
quando penetra