Lei nº 11.101 de 2005 da Falencia
41 pág.

Lei nº 11.101 de 2005 da Falencia


DisciplinaDireito Societário186 materiais2.307 seguidores
Pré-visualização19 páginas
de cada um, páginas escrituradas, data do início da escrituração e do último lançamento, e
se os livros obrigatórios estão revestidos das formalidades legais;
 II \u2013 dinheiro, papéis, títulos de crédito, documentos e outros bens da massa falida;
 III \u2013 os bens da massa falida em poder de terceiro, a título de guarda, depósito, penhor ou retenção;
 IV \u2013 os bens indicados como propriedade de terceiros ou reclamados por estes, mencionando-se essa
circunstância.
 § 3o Quando possível, os bens referidos no § 2o deste artigo serão individualizados.
 § 4o Em relação aos bens imóveis, o administrador judicial, no prazo de 15 (quinze) dias após a sua
Lei nº 11.101 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11101.htm
26 de 41 23/03/2015 22:59
arrecadação, exibirá as certidões de registro, extraídas posteriormente à decretação da falência, com todas as
indicações que nele constarem.
 Art. 111. O juiz poderá autorizar os credores, de forma individual ou coletiva, em razão dos custos e no
interesse da massa falida, a adquirir ou adjudicar, de imediato, os bens arrecadados, pelo valor da avaliação,
atendida a regra de classificação e preferência entre eles, ouvido o Comitê.
 Art. 112. Os bens arrecadados poderão ser removidos, desde que haja necessidade de sua melhor guarda e
conservação, hipótese em que permanecerão em depósito sob responsabilidade do administrador judicial, mediante
compromisso.
 Art. 113. Os bens perecíveis, deterioráveis, sujeitos à considerável desvalorização ou que sejam de
conservação arriscada ou dispendiosa, poderão ser vendidos antecipadamente, após a arrecadação e a avaliação,
mediante autorização judicial, ouvidos o Comitê e o falido no prazo de 48 (quarenta e oito) horas.
 Art. 114. O administrador judicial poderá alugar ou celebrar outro contrato referente aos bens da massa falida,
com o objetivo de produzir renda para a massa falida, mediante autorização do Comitê.
 § 1o O contrato disposto no caput deste artigo não gera direito de preferência na compra e não pode importar
disposição total ou parcial dos bens.
 § 2o O bem objeto da contratação poderá ser alienado a qualquer tempo, independentemente do prazo
contratado, rescindindo-se, sem direito a multa, o contrato realizado, salvo se houver anuência do adquirente.
Seção VIII
Dos Efeitos da Decretação da Falência sobre as Obrigações do Devedor
 Art. 115. A decretação da falência sujeita todos os credores, que somente poderão exercer os seus direitos
sobre os bens do falido e do sócio ilimitadamente responsável na forma que esta Lei prescrever.
 Art. 116. A decretação da falência suspende:
 I \u2013 o exercício do direito de retenção sobre os bens sujeitos à arrecadação, os quais deverão ser entregues
ao administrador judicial;
 II \u2013 o exercício do direito de retirada ou de recebimento do valor de suas quotas ou ações, por parte dos
sócios da sociedade falida.
 Art. 117. Os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser cumpridos pelo administrador
judicial se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e
preservação de seus ativos, mediante autorização do Comitê.
 § 1o O contratante pode interpelar o administrador judicial, no prazo de até 90 (noventa) dias, contado da
assinatura do termo de sua nomeação, para que, dentro de 10 (dez) dias, declare se cumpre ou não o contrato.
 § 2o A declaração negativa ou o silêncio do administrador judicial confere ao contraente o direito à
indenização, cujo valor, apurado em processo ordinário, constituirá crédito quirografário.
 Art. 118. O administrador judicial, mediante autorização do Comitê, poderá dar cumprimento a contrato
unilateral se esse fato reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e
preservação de seus ativos, realizando o pagamento da prestação pela qual está obrigada.
 Art. 119. Nas relações contratuais a seguir mencionadas prevalecerão as seguintes regras:
 I \u2013 o vendedor não pode obstar a entrega das coisas expedidas ao devedor e ainda em trânsito, se o
comprador, antes do requerimento da falência, as tiver revendido, sem fraude, à vista das faturas e conhecimentos
de transporte, entregues ou remetidos pelo vendedor;
 II \u2013 se o devedor vendeu coisas compostas e o administrador judicial resolver não continuar a execução do
contrato, poderá o comprador pôr à disposição da massa falida as coisas já recebidas, pedindo perdas e danos;
 III \u2013 não tendo o devedor entregue coisa móvel ou prestado serviço que vendera ou contratara a prestações, e
Lei nº 11.101 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11101.htm
27 de 41 23/03/2015 22:59
resolvendo o administrador judicial não executar o contrato, o crédito relativo ao valor pago será habilitado na classe
própria;
 IV \u2013 o administrador judicial, ouvido o Comitê, restituirá a coisa móvel comprada pelo devedor com reserva de
domínio do vendedor se resolver não continuar a execução do contrato, exigindo a devolução, nos termos do
contrato, dos valores pagos;
 V \u2013 tratando-se de coisas vendidas a termo, que tenham cotação em bolsa ou mercado, e não se executando
o contrato pela efetiva entrega daquelas e pagamento do preço, prestar-se-á a diferença entre a cotação do dia do
contrato e a da época da liquidação em bolsa ou mercado;
 VI \u2013 na promessa de compra e venda de imóveis, aplicar-se-á a legislação respectiva;
 VII \u2013 a falência do locador não resolve o contrato de locação e, na falência do locatário, o administrador
judicial pode, a qualquer tempo, denunciar o contrato;
 VIII \u2013 caso haja acordo para compensação e liquidação de obrigações no âmbito do sistema financeiro
nacional, nos termos da legislação vigente, a parte não falida poderá considerar o contrato vencido
antecipadamente, hipótese em que será liquidado na forma estabelecida em regulamento, admitindo-se a
compensação de eventual crédito que venha a ser apurado em favor do falido com créditos detidos pelo
contratante;
 IX \u2013 os patrimônios de afetação, constituídos para cumprimento de destinação específica, obedecerão ao
disposto na legislação respectiva, permanecendo seus bens, direitos e obrigações separados dos do falido até o
advento do respectivo termo ou até o cumprimento de sua finalidade, ocasião em que o administrador judicial
arrecadará o saldo a favor da massa falida ou inscreverá na classe própria o crédito que contra ela remanescer.
 Art. 120. O mandato conferido pelo devedor, antes da falência, para a realização de negócios, cessará seus
efeitos com a decretação da falência, cabendo ao mandatário prestar contas de sua gestão.
 § 1o O mandato conferido para representação judicial do devedor continua em vigor até que seja
expressamente revogado pelo administrador judicial.
 § 2o Para o falido, cessa o mandato ou comissão que houver recebido antes da falência, salvo os que versem
sobre matéria estranha à atividade empresarial.
 Art. 121. As contas correntes com o devedor consideram-se encerradas no momento de decretação da
falência, verificando-se o respectivo saldo.
 Art. 122. Compensam-se, com preferência sobre todos os demais credores, as dívidas do devedor vencidas
até o dia da decretação da falência, provenha o vencimento da sentença de falência ou não, obedecidos os
requisitos da legislação civil.
 Parágrafo único. Não se compensam:
 I \u2013 os créditos transferidos após a decretação da falência, salvo em caso de sucessão por fusão,
incorporação,