ASPECTOS PROCESSUAIS DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL LEI 9605 98
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ASPECTOS PROCESSUAIS DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL LEI 9605 98


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O autor em foco registra, ainda: 
 
 
A tutela penal do meio ambiente é, sem dúvida, absolutamente necessária. 
A intervenção penal se faz indispensável, mas deve ser limitada às formas 
mais graves de agressão ao bem jurídico em causa, de molde a servir 
efetivamente para a prevenção e a repressão. E elaborada cuidadosamente 
através de uma legislação tecnicamente correta, sem as maxi e as mini-
cretinices da Lei 9.605/98. Aconselhável será partir para a elaboração de 
uma outra lei, que seria resultado de um amplo debate, com a participação 
dos cientistas penais das nossas Universidades e dos Institutos 
especializados em questões criminais, e de estudiosos idôneos da temática 
do meio ambiente. 
 
 
 
 
Veja-se, nesse diapasão, mais um autor vem criticar a Legislação ambiental: 
 
 
69 LUISI, 2003, p. 96. O autor suscita: Convém fique claro ser possível a responsabilidade penal da 
pessoa jurídica. muitas legislações a prevêem. O que se sustenta é que, face aos princípios básicos 
atualmente reitores do nosso direito penal positivo, a responsabilidade penal da pessoa jurídica é 
incabível. Em um sistema penal em que a culpabilidade é elemento indissociável da configuração do 
crime, ou pelo menos, como querem alguns poucos, condição e medida da aplicação da pena, é 
evidentemente inadmissível a responsabilidade das referidas e fictas \u201cpessoas\u201d. Em um direito penal, 
como o nosso, que tem como um de seus pilares a responsabilidade penal subjetiva, um ser ficto como 
a pessoa jurídica não pode ser penalmente responsável. Para se inserir a responsabilidade penal em 
causa entre nós, necessário se faria retroagir à responsabilidade objetiva, fazendo do crime apenas um 
fato típico e antijurídico. 
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[...] Ora, a Lei no 9.605/98, não expressou para cada previsão de fatos 
típicos imputáveis às pessoas jurídicas a medida de pena a que estas 
estariam submetidas na hipótese de praticarem tais condutas. Muito ao 
contrário, a previsão das penas aplicáveis a tais entes morais fora 
estipulada em um único dispositivo em que se encontram elencados 
genericamente todos os tipos de sanção e elas cabíveis. 
É, portanto, por demais evidente que a Lei no 9.605/98, ao menos no 
tratamento penal destinado às pessoas jurídicas, não foi suficiente para dar 
efetividade ao comando constitucional que admite a responsabilização das 
pessoas jurídicas. Veja-se que sequer está aqui a discutir a compatibilidade 
de tal comando constitucional (art. 225, § 3º) com a compreensão a respeito 
da culpabilidade que, consoante parte da doutrina, representa verdadeiro 
empecilho à responsabilização das pessoas jurídicas pela impossibilidade 
de sua avaliação, mantendo-se, de tal forma, a força do princípio societas 
delinquere non potest. Antes disso, o que se está aqui a concluir é que, 
mesmo para os que entendem ser possível a responsabilização penal das 
pessoas jurídicas no direito brasileiro, a lei 9.605/98 não viabilizou tal 
pensamento. Tudo, por que, pela deficiência de técnica na previsão das 
penas, tornou a tipicidade, aspecto do primeiro elemento do conceito de 
crime, o fato típico deficiente quanto ao seu preceito secundário. Aliás, 
conforme já apontado, há de se ter em linha de conta que a tipicidade deve, 
necessariamente, englobar tanto o preceito primário como o secundário, 
pois que, sem um deles, impossível se torna a tutela do direito penal.70 
 
 
Nessa mesma orientação, Rocha71: 
 
 
[...] Ora bem, no Brasil o legislador de 1988, de forma simplista, nada mais 
fez do que enunciar a responsabilidade penal da pessoa jurídica, 
cominando-lhe penas, em norma genérica. Também não estão listados os 
delitos em que pode ocorrer a responsabilização, de modo que é preciso 
verificar, concretamente, quais condutas, digo, atividades podem ser 
imputadas à pessoa jurídica, pela própria natureza desta. 
Em primeiro Lugar não é possível utilizar a teoria do delito tradicional para 
fundamentar dogmaticamente a responsabilidade penal da pessoa jurídica. 
 
70 ARÊAS, Paulo André Morales. A Responsabilização Penal das Pessoas Jurídicas na Lei no 9.605/98 e o Princípio 
da Legalidade. Temas de Direito Ambiental. Rio de Janeiro: Faculdade de Direito de Campos. 2006, p. 279, v. 6. 
Coleção José do Patrocínio. O autor frisa: \u201co que se observa finalmente é que, devido às constantes criações 
normativas fora de um contexto sistemático, acaba-se por estabelecer um verdadeiro complexo de disposições 
legais que, quando não são conflitantes, são inseridas num sistema incompatível com as suas próprias disposições. 
No mesmo sentido Prado: Assiste - já sem surpresa -, hordiernamente, a uma verdadeira enxurrada legislativa na 
área penal, produzida, em geral, ao arrepio de qualquer critério lógico-científico e sem o cuidado mínimo exigível 
num setor do ordenamento jurídico altamente sensível, ponto nodular mesmo do Estado de Direito Democrático e 
garantista. As novas leis são, na maioria das vezes aprovadas por acordo de lideranças, imposição governamental 
ou por pressão de interesses ou lobbies diversos e inconfundíveis. O resultado dessa fúria legiferante é o 
enxurreiro, gerador de uma situação caótica, formada por um amontoado de leis esparsas [...], tecnicamente 
sofríveis, contraditórias, desiguais e desproporcionais (bem jurídico protegido/sanção penal), violadoras dos mais 
elementares princípios constitucionais penais e fonte de grave insegurança jurídica. configurando, destarte, o que 
se deve evitar: uma verdadeira HUIDA HACIA AL DERECHO PENAL (PRADO, 2001, p. 2). 
71 O autor faz referência a responsabilidade civil: se o ordenamento jurídico é um sistema harmônico, 
cujas características fundamentais são a unidade e a adequação valorativa, a construção 
dogmática da responsabilidade civil deve constituir referência obrigatória para a compreensão da 
responsabilidade penal que a Constituição recentemente estabeleceu para a pessoa jurídica. Os 
diversos ramos do direito sempre se inter-relacionam, de modo que é a responsabilidade jurídica 
que se apresenta nas conseqüências distintas impostas pelo direito civil e penal (ROCHA, 2005, 
p. 46. 
 39
A pessoa jurídica não é uma realidade ontológica sobre a qual se possa 
aplicar um método interpretativo cunhado para a pessoa física. Por outro 
lado, o legislador nacional deixou claro que a responsabilidade penal da 
pessoa jurídica não deve se fundamentar em nova teoria do delito. 
[...] A Lei nº 9.605/98 definiu os pressupostos para a responsabilidade da 
pessoa jurídica por crimes ambientais e estabeleceu penas compatíveis 
com sua natureza peculiar. 
O caminho adequado para resolver o problema somente poderá ser 
encontrado nas teorias da responsabilidade, não na perspectiva de que a 
pessoa jurídica seja autora de crime. Portanto, a solução do problema da 
responsabilidade penal da pessoa jurídica deverá ser construída fora dos 
domínios da teoria do delito, que estabelece quem seja autor de crime. com 
efeito, não há dispositivo constitucional ou legal que afirme ser a pessoa 
jurídica autora de crime. 
A solução que o direito civil dá ao problema da responsabilidade da pessoa 
jurídica deve ser considerada pelo direito penal para a construção de seu 
peculiar edifício teórico. Não se pode querer que, em essência, o ilícito civil 
não se diferencia do ilícito penal. A responsabilidade civil e penal decorre de 
violação ao ordenamento jurídico e o interesse em prevenir o dano constitui 
traço comum entre a responsabilidade civil e penal.72 
 
 
 
 
Quanto à efetividade ou à eficácia das normas de direito ambiental, Antunes73 
sustenta que essas normas são de eficácia plena, isto é, não dependem de 
regulamentação, razão pelo qual Milaré74 denomina que a proteção ao meio 
ambiente é forma autônoma e direta: as normas