Todos os resumos da obra de Giddens
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Todos os resumos da obra de Giddens


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de gerações. Elas introduzem valores, hábitos e atitudes através de um currículo oculto. Nesse sentido, os modos de emprego da linguagem estão relacionados a essas diferenças culturais e crianças da classe baixa sofrem um baque cultural maior ao entrarem na escola. Quanto ao que foi dito por Illich, as crianças passam muito tempo na escola, onde aprendem muito mais do que é oficialmente ensinado nas aulas, tendo uma amostra do que vai ser o mundo do trabalho.
 - Willis: uma análise da reprodução cultural	
 Willis se dedicou a investigar como ocorre a reprodução cultural. O sociólogo observou um determinado grupo de garotos de uma escola que se autodeterminavam ''os caras''. Ele percebeu que eles viam na escola um ambiente hostil, mas que poderia ser manipulado para seus próprios objetivos e consideravam que o trabalho seria bem parecido com a escola, mas não viam a hora de começarem a trabalhar, pois aguardavam com impaciência o momento de receberem um salário e gostavam do status de adulto que o trabalho proporcionava, porém não estavam interessados em ''construir uma carreira''. Willis salienta que o trabalho em ambientes de produção, muitas vezes, envolve aspectos semelhantes àqueles criados por esses rapazes em sua cultura de oposição à escola e só depois de muito tempo é que eles podem acabar percebendo que estão presos em um trabalho árduo, que não traz recompensas.
 - Aprendendo a não trabalhar: os \u201cmachões\u201d dos anos de 1990
 Mais de duas décadas após esse estudo, outro sociólogo, Ghaill, interessava-se no modo como os estudantes do sexo masculino desenvolvem formas específicas de masculinidade na escola, como parte de sua passagem para a vida adulta. Ele observa um grupo de garotos pertencentes à classe de trabalhadores na Parnell School. Diferentemente dos ''caras'', os garotos cresciam com o fantasma do alto nível de desemprego, da queda da base manufatureira na região e dos cortes nos benefícios do governo destinados aos jovens. Notou-se uma confusão generalizada dos estudantes quanto à relevância da educação para o futuro. Dos quatro grupos sociais identificados por Ghaill, os \u201cmachões\u201d eram o grupo mais típico da classe trabalhadora na escola, suas atitudes em relação à educação eram publicamente hostis, tratavam os professores com desdém e eram considerados \u201cperigosos\u201d pela administração da escola. Assim como ''os caras'' do estudo de Willis, os machões também associavam o trabalho e as conquistas acadêmicas a algo inferior e efeminado. Segundo Mac na Ghaill, os machões continuavam a fantasiar a sociedade do \u201cpleno emprego\u201d à qual seus pais pertenciam. Ainda que alguns de seus comportamentos dessem uma impressão de hipermasculinidade e, portanto, de defesa, eles fundamentavam-se diretamente em uma visão de mundo típica da classe trabalhadora que havia sido herdada das antigas gerações.
O gênero e a educação
 O currículo formal das escolas é o mesmo tanto para meninas quanto para meninos. No entanto, várias relações contribuem para o desenvolvimento de diferenças de gênero dentro do ambiente escolar. Essas diferenças são representadas, por exemplo, na obrigatoriedade de meninas a usarem vestidos e saias e nos livros usados para estudo que retratam o gênero feminino como passivo e ligado ao âmbito doméstico, enquanto o masculino é o aventureiro, herói e independente.
 Pesquisadoras feministas realizaram importantes estudos para definir como o gênero influencia o processo de aprendizado. Elas constataram que os currículos escolares eram frequentemente dominados pelo sexo masculino, mas nos últimos anos houve uma reversão e percebe-se que os meninos estão com um desempenho abaixo do esperado. Acredita-se que o \u2018\u2019fracasso dos meninos\u2019\u2019 esteja ligado a questões sociais maiores, como o crime,  o desemprego, as drogas e a monoparentalidade. Os meninos que abandonam cedo a escola terão menos possibilidades de encontrar um bom emprego e criar famílias estáveis.
 Na última década ocorreu uma reviravolta no desempenho dos gêneros. A explicação é dada, em grande parte, pela influência do movimento feminista sobre a autoestima e as expectativas das meninas. Outro resultado do feminismo é que os professores e educadores estão mais conscientes quanto à discriminação entre os gêneros existentes dentro do sistema educacional. 
 Dentre as teorias que explicam a disparidade de gênero nas escolas está aquela que considera a diferenciação nos estilos de aprendizado que há entre meninos e meninas. Enquanto estas são vistas como mais organizadas, motivadas e maduras, usando a conversa e habilidades verbais para socializarem, aqueles se interagem de maneira mais ativa, como através de esportes e tendem a ser mais bagunceiros. 
 Outra linha de raciocínio tem por foco o comportamento machista que é reproduzido por muitos meninos através de atitudes contrárias à educação e ao aprendizado. E mesmo com os conceitos de masculinidade mudando na sociedade, derrubando o antigo papel do homem provedor e alterando a natureza do trabalho, os meninos, voltados para trabalhos manuais, acabam por acreditar que as qualificações e a própria escola são perda de tempo. 
 Esse desempenho alarmante dos meninos que antes era atribuído a uma \u2018\u2019ociosidade saudável\u2019\u2019 dos mesmos, agora provocam controvérsias e tentativas frenéticas de melhoria de resultados, sendo que a \u2018\u2019igualdade de resultados\u2019\u2019 tornou-se prioridade máxima. 
 Entretanto, Giddens afirma que essa atenção nos meninos serve para esconder outras formas de desigualdade na educação, como o fato de ser menor a probabilidade das meninas escolherem disciplinas que levam a carreiras na tecnologia, ciências e na engenharia e a desvantagem no mercado de trabalho quando comparadas a homens com mesmo nível de qualificação. Os críticos afirmam que mais do que gênero, deve-se levar em consideração também a classe e a etnicidade como responsáveis pelas maiores desigualdades dentro do sistema educacional. Concentrar-se no fracasso dos meninos é um procedimento enganoso, já que os homens continuam a ter um papel dominante nas posições de poder da sociedade. No ensino superior, por exemplo, o número de mulheres teve um aumento regular ao longo do período do pós-guerra. Porém, no tocante às posições acadêmicas, apenas um pequeno percentual dos professores universitários eram mulheres e em todos os lugares estavam desproporcionalmente nas series iniciais e nas funções não estáveis, além de o salário dos docentes do sexo masculino ser maior. 
Educação e etnicidade
 Relatório de Swann (1985): Constatou diferenças significativas nos níveis médios de sucesso educacional entre grupos de diferentes origens étnicas. Verificou-se que as crianças de famílias das Índias Ocidentais tendiam a sair pior na escola. As crianças asiáticas tiveram o mesmo desempenho das crianças brancas, apesar do fato de que, na média, suas famílias estavam em situação econômica pior do que a das famílias brancas.
 Trevor Jones (1993): É possível que muitos membros de grupos étnicos minoritários continuem a estudar pelas dificuldades em arranjar emprego.
 Jovens de origem indiana e chinesa têm uma probabilidade maior de seguirem o ensino superior, ao passo que as mulheres e os homens negros caribenhos, as bangladeshianas, as paquistanesas continuam marcando pouca presença na universidade.
Exclusão social e educação escolar
 Muitas vezes traçam-se elos entre a expulsão de alunos da escola e outro fenômenos, como faltas, delinquência, pobreza e supervisão limitada dos pais.
 1997-1998: mais de 12 mil alunos foram expulsos das escolas britânicas. Os meninos representaram 84% das expulsões. Os índices de expulsão também diferiram de acordo com a etnicidade, sendo maior em negros caribenhos e de outras origens.
 Explicação para o alto índice de expulsão de alunos negros: em cenários individuais, a aplicação das politicas de expulsão talvez seja racialmente discriminatória,