Aspectos Antropológicos e Sociológicos da Educação
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Aspectos Antropológicos e Sociológicos da Educação


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Aspectos Antropológicos e Sociológicos da Educação / Aula 1 - Antropologia e Cultura 
 
 
Para explicar as diferenças entre as muitas sociedades e instituições, principalmente aquelas dos \u201cpovos exóticos\u201d, a Antropologia desenvolveu uma 
metodologia própria baseada, inicialmente, em relatos e, posteriormente, em observação direta. 
 
Para começar a pensar antropologicamente, é necessário que você conheça a definição de Homem. 
 
Ao contrário dos outros animais, o ser humano elabora, compartilha e transmite cultura aos seus descendentes. 
Se os outros animais agem orientados pelos instintos, o animal humano ofusca os instintos através do desenvolvimento da cultura. 
Outra definição importante é a de Cultura. Apesar de praticarem e transmitirem a cultura, nem sempre os seres humanos se esforçaram por defini-la e analisá-
la. 
 
De acordo com Lakatos e Marconi (1999): 
 
Podemos inferir que a classificação mencionada acima é aceita em termos de senso comum, não tendo respaldo em nenhuma teoria científica que mereça 
credibilidade. 
 
De acordo com Tomazi (2000), o primeiro a criar uma definição de cultura foi Edward Tylor (Inglaterra 1832 \u2013 1917), ao juntar na palavra inglesa culture os 
sentidos que, no final do século XVII e início do século XVIII, eram carregados pela palavra alemã kultur e pela palavra francesa civilization. 
Para esse autor, em seu livro Primitive Culture de 1871, \u201cCultura ... tomada em seu sentido etnográfico amplo é o todo complexo que inclui conhecimento, crença, 
arte, moral, lei, costume e quaisquer outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade\u201d. 
Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/12/Edward_Burnett_Tylor.jpg 
Definição de cultura, na concepção de Tylor, é aprendida e não transmitida geneticamente, esse aprendizado se dá por meio da comunicação e da linguagem. Fica 
explícita também a oposição entre natureza e cultura, sendo a cultura considerada superior à primeira. 
A partir de então, Cultura tornou-se um conceito central na Antropologia e nas outras Ciências Sociais e, em decorrência disso, houve uma proliferação de 
definições. 
Num texto de 1952, intitulado Culture: a critical revew of concepts and definitions, A. L. Kroeber e C. Kluckhohn fizeram a análise de 160 definições em inglês 
concebidas por antropólogos, sociólogos, psicólogos, psiquiatras e outros. 
 
Teoria da Evolução 
No século XIX, o pensamento social foi muito influenciado pela Teoria da Evolução das Espécies de Charles Darwin. Vários foram os pensadores que viam nas 
sociedades um movimento semelhante ao observado nos organismos. Para esses estudiosos, a sociedade evoluiria, natural e necessariamente de um estágio 
primitivo, para um estágio avançado. 
O darwinismo social serviu, como justificativa para a intervenção europeia (colonialismo) em sociedades da África, Ásia, América e Oceania. 
 
Etnia X Raça (definição e limitações do termo para tratar a humanidade) 
Os conceitos de raça e etnia são importantes, segundo Dias (2006), porque configuram agrupamentos humanos cuja identidade ocorre por suas características 
exteriores, sejam estas culturais ou ainda físicas ou hereditárias. 
Isto favorece a identificação entre os membros, que se reconhecem como pertencentes a determinado grupo, ao mesmo tempo em que os diferencia de outros 
grupos. 
 
Determinismo 
Existem doutrinas que afirmam que objetos e acontecimentos são e ocorrem de determinada maneira por serem regidos por leis ou forças que os fazem assim. 
Acredita-se que a possibilidade de escapar do determinismo é mínima ou nula. Podemos citar duas formas de determinismo: 
 
Para os antropólogos essas doutrinas nada têm de correto, pois pode-se observar que uma das características da espécie humana é a capacidade de romper as 
suas próprias limitações. 
Etnocentrismo 
Etnocentrismo é um fenômeno universal originado no fato de que o ser humano, ao enxergar o mundo através das lentes de sua Cultura, passa a considerar o 
seu modo de vida como o mais correto e mais natural. 
 
 
Relativismo Cultural 
Existe uma tendência em abandonar os juízos de valor no que diz respeito às diferentes culturas. Não existe, em termos de cultura, nem melhor nem pior, nem 
mais nem menos, nem superior nem inferior. Os padrões de beleza, de justiça, de moralidade etc., são relativos à cultura na qual os indivíduos estão inseridos. 
Existem diferenças no modo de pensar e de agir entre as diversas culturas que, segundo o relativismo cultural, devem ser respeitadas. Porém, muitas vezes essa 
posição tem sido encarada como descaso, apatia, em relação ao outro. 
 
 
Com base no que acabamos de ver, cite exemplos de contextos e situações que mostram a relação entre educação e cultura ocorrendo de maneira não 
sistemática e formal. 
Corrigir 
Vamos conhecer agora os mitos, a religião e a ideologia como sistemas culturais e suas funções como ferramentas educativas desde as primeiras comunidades 
humanas. 
Mitos 
De acordo com Chauí (2004), o vocábulo tem sua origem na palavra grega mythos, derivada de dois verbos: 
 
 
O mito narra a origem do mundo e de tudo o que nele existe de três formas: 
 
O mito aparece em todas as culturas. A seguir você terá mais informações sobre este tema. 
Chauí (2004) afirma que o mito possui três funções: 
\uf0b7 1ª FUNÇÃO EXPLICATIVA 
Explica o presente por alguma ação passada cujos efeitos persistiram no tempo. Como exemplo, a autora cita a crença de que uma constelação existe 
porque no passado crianças fugitivas e famintas morreram na floresta e foram levadas ao céu por uma deusa que as transformou em estrelas. 
\uf0b7 2ª FUNÇÃO ORGANIZATIVA 
Organiza as relações sociais (de parentesco, de alianças, de poder, de sexo, etc.), legitimando e garantindo a permanência de um sistema complexo de 
proibições e permissões. 
\uf0b7 3ª FUNÇÃO COMPENSATÓRIA 
Narra uma situação passada que é a negação do presente e que pode servir para compensar os homens de alguma perda ou para assegurar que um erro do 
passado foi corrigido no presente, oferecendo uma visão estabilizada e regularizada da natureza e da vida comunitária. 
Segundo a autora, o mito tem caráter educativo porque, na narrativa, encontramos mensagens ou normas que acabam orientando os comportamentos 
necessários para a vida em grupo. 
De acordo com Meksenas (2000),há um mito muito difundido entre alguns índios do Brasil, no qual a origem da noite é atribuída à atitude de um grupo que, 
não obedecendo às tradições do seu povo, quebrou um coco proibido. Dali fugiu a noite, escurecendo toda a mata. Os deuses, sentindo piedade dos demais 
índios, devolveram-lhes a claridade do dia, mas com a condição de que agora seria sempre intercalada com um período noturno, para que todos se lembrassem 
do ocorrido. 
Não nos preocupando em saber se realmente a existência da noite pode ser explicada por esse mito ou pela ideia científica do movimento do globo terrestre, o 
que importa é saber que esse mito acaba sendo educativo porque ele fixa uma norma social: os perigos que podem aparecer a um grupo quando não se 
respeitam certas tradições ou o cuidado que devemos ter com o desconhecido. (p. 21) 
Apesar da nossa sociedade valorizar o pensamento científico, não podemos dizer que os mitos ficaram no passado. De acordo com Chauí, o pensamento 
conceitual e o pensamento mítico podem coexistir na mesma sociedade. Para ela, a predominância de uma ou outra forma do pensamento depende, de um lado, 
das tendências pessoais e da história de vida dos indivíduos e, de outro, do modo como uma sociedade ou uma cultura recorrem mais à uma do que à outra 
forma para interpretar a realidade, intervir no mundo e explicar-se a si mesma. (2004, p. 164) 
Religião 
 
 
A religião é um vínculo