APOSTILA OTC - 2014 2S
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Os princípios como base para as demais normas jurídicas
	Os princípios constitucionais tributários prevalecem sobre todas as normas jurídicas, sendo que as mesmas somente são válidas, se editadas em rigorosa consonância com eles.
	A seguir, descrevemos estes princípios, que foram definidos na Constituição de 1988, dentro do capítulo do Sistema Tributário Nacional.
Princípio da Legalidade
	Somente será possível exigir ou aumentar tributos através de Lei que o estabeleça. Assim, não é possível aumentar tributo, seja pela elevação de alíquota, seja pela ampliação de base de cálculo, através de fontes chamadas secundárias (instruções normativas, decretos, portarias, atos declaratórios e outros).
Princípio da Irretoatividade Tributária
	É proibido cobrar tributos em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da Lei que os houver instituído ou aumentado.
Princípio da Anterioridade
	Não é permitido que uma Lei aumente ou institua um tributo no mesmo ano de sua edição. Assim, um aumento no imposto de renda definido em Lei publicada no ano de 2011, somente terá validade a partir de 1º de janeiro de 2012. 
	Esta regra não se aplica aos impostos sobre comércio exterior, IPI e IOF. Já as contribuições sociais (PIS, COFINS, CSLL e CPMF) só podem ser criadas ou aumentadas após completar 90 dias da publicação da Lei. 
	A Emenda Constitucional nº 42/2003 promoveu modificações nas regras referentes ao princípio da anterioridade, acrescentando o prazo de 90 dias para alguns impostos. Assim, é possível dizer que o princípio da anterioridade tem dois desdobramentos:
ANUALIDADE, indica que os tributos NÃO podem ser aumentados, seja por elevação de base ou por aumento de alíquota, no mesmo ano da publicação da lei. Assim, aumento no dia 15/fev ou no dia 15/dez só entrará em vigor em janeiro do ano seguinte.  
NOVENTENA ou NONAGESIMAL, indica que a lei que aumentou tributo só entrará em vigor no mês seguinte após completar 90 dias de sua publicação. Assim, o aumento de alíquota da COFINS em 15/fev entrará em vigor a partir de junho do mesmo ano, enquanto aquele aumento de 15/dez só entraria em vigor em abril do ano seguinte. Tributos cobrados diariamente, como era o caso da CPMF, entram em vigor no dia seguinte ao dia em que completar 90 dias de prazo da publicação da lei. Um aumento na contribuição em 15/abril/2007 entraria em vigor no dia 14/julho/2007.
	REGRAS PARA VALIDADE DE NORMATIVOS PROPONDO AUMENTOS EM 
TRIBUTOS (SEJA POR AMPLIAÇÃO DE BASE OU AUMENTO DE ALÍQUOTAS)
	ANUALIDADE
 E NOVENTENA
	APENAS
ANUALIDADE
	APENAS
NOVENTENA
	EM VIGOR
IMEDIATAMENTE 
	Taxas
 Contribuição de Melhoria
ITBI e ITD
ICMS e ISS
IPTU e IPVA (exceto )
ITR e IGF
Contribuições, exceto Seg. Social
	IR
Base de Cálculo do IPTU e IPVA
	IPI
CSL
COFINS
CPMF
INSS
PIS/PASEP
	II e IE
IOF
Empréstimo
Compulsório
Fonte: Gérson 
Stocco
 e Gustavo 
Damázio
, sócios da Gaia, Silva e 
Gaede
 Associados.
Princípio da Isonomia Tributária
	É proibido instituir tratamento desigual entre contribuintes com situação equivalente, sendo proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos.
	Este princípio não significa que todos os contribuintes devem ser submetidos ao mesmo tratamento tributário. Um contribuinte com renda de R$ 10 mil pode ser tributado pelo IR com alíquota superior a outro contribuinte, cuja renda seja R$ 2 mil. Neste caso, não há que se falar em ofensa ao princípio da isonomia tributária. 	
Princípio da Competência Tributária
	A Constituição define expressamente quais impostos podem ser cobrados pela União, pelos estados e pelos municípios, sendo esta divisão denominada competência tributária. Assim, a União não pode, por exemplo, cobrar impostos incidentes sobre serviços, pois esta é uma competência atribuída, regra geral, aos municípios e, em parte, aos estados.
	A Constituição de 1988 autorizou a União a cobrar imposto sobre grandes fortunas. Contudo, até o momento (dez/2010), não houve lei federal instituindo o imposto. Admita que o município de Búzios-RJ, por exemplo, institua o Imposto sobre Grandes Fortunas, cobrando-o dos moradores do balneário que sejam proprietários de imóveis avaliados acima de R$ 1 milhão. A criação seria inconstitucional, pois o imposto é de competência da União.
Princípio da Capacidade Contributiva
	Este é um dos princípios mais questionados pelos contribuintes, embora seja muito subjetivo. Diz ele que os tributos devem ser graduados conforme a capacidade econômica do contribuinte. De fato, muitos contribuintes argumentam que não suportam arcar com o ônus tributário imposto pelas autoridades fazendárias. Em alguns casos, o argumento vai para o detalhe mais específico.
	Por exemplo, as empresas distribuidoras de energia elétrica reclamam na justiça o pagamento do PIS e da COFINS sobre as faturas emitidas para clientes inadimplentes. No momento da emissão da fatura, é configurada a receita, sendo esta considerada base para diversos tributos, entre eles PIS e COFINS, cujo vencimento se dá no mês seguinte. Ocorre que, em muitos casos, a receita não se materializou, ou seja, o dinheiro não foi e nem será recebido, não cabendo, na opinião das empresas, o pagamento das contribuições.
Princípio da Lei Complementar
	Cabe à Lei Complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre a definição dos tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados na Constituição Federal, e a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculos e contribuintes.
	A exigência é justificada pela relevância do assunto, já que a aprovação de uma Lei Complementar exige um quorum mais qualificado (maioria absoluta) que a aprovação de uma Lei Ordinária (maioria simples). 
	A diferença entre maioria simples e maioria absoluta é que a primeira é alcançada com 50% mais um dos deputados e/ou senadores presentes à sessão de cada casa do Congresso Nacional (Senado Federal e Câmara dos Deputados). Já a maioria absoluta somente acontece quando há aprovação de 50% mais um do total de membros de cada casa. No Senado Federal, por exemplo, a maioria absoluta só acontece com voto favorável de 41 Senadores.
Reserva de Lei para Anistia
	Significa que qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal. Se o tributo tem origem no povo, via Constituição Federal, qualquer redução de tributo específico para um segmento ou pessoa, física ou jurídica, tem que ser através da lei, que é o instrumento no qual o povo está, teoricamente, representado.	
4.4. Hierarquia do sistema tributário nacional 
CONSTITUIÇÃO FEDERAL
	É a Carta Magna do País que constitui, define e estrutura o Estado de direito. A Constituição atual é a de 1988. Prevalece sobre todas as demais leis. Só pode ser alterada via Emenda Constitucional, exceto para as chamadas cláusulas pétreas, que não podem ser modificadas. A divisão federativa do País em unidades autônomas (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) é um exemplo de cláusula pétrea. 
	A Constituição define também a competência tributária de cada ente, apresentando os impostos e contribuições que podem ser criados e cobrados por cada um. Por exemplo, os estados não podem cobrar impostos sobre a renda, pois esta atribuição é exclusiva da União. 
EMENDA CONSTITUCIONAL
	É o único instrumento legal permitido para se proceder a modificações na Constituição. As Emendas podem ser propostas por:
Um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal;
Do Presidente da República; ou
De mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.
LEI COMPLEMENTAR
	A ideia original