terapia ocupacional com usuarios do CAPS
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de 
atenção substitutiva e extra-hospitalar, desempenham um 
papel fundamental na reinserção familiar e social de pessoas 
portadoras de transtornos mentais, assistidas por este 
modelo de atenção à saúde, que se opõe ao regime 
hospitalocêntrico. 
Dentro deste contexto se adéqua também a Terapia 
Ocupacional, a qual passou por várias modificações, 
utilizando como recurso terapêutico a atividade. 
Segundo BENETTON (2006), a \u201cocupação\u201d foi 
utilizada desde a antiguidade, como uma medida para 
assistência e também cuidados aos doentes, tendo como a 
primeira técnica não médica o \u201ctreinamento de hábitos\u201d, que foi 
estabelecida por Eleonor Clarke Slagle (1917), como primeiro 
ensino e assistência em Terapia Ocupacional. 
A \u201cocupação\u201d, até o início do século XX, com fins 
assistenciais, teve sua nomeação em diferentes línguas e também 
em diferentes países como: tratamento moral, tratamento do 
trabalho, ergoterapia, laborterapia, reeducação ocupacional e 
ainda de praxiterapia. O termo Terapia Ocupacional surgiu em 
1914, em um encontro de trabalhadores hospitalares e da 
Secretaria Estadual da Insanidade, em Boston. Em meados de 
1915, organizou-se o primeiro curso profissionalizante para 
Terapeutas Ocupacionais, por Slagle. Foi quando também, fundou-
se a Sociedade Nacional para Reeducação pela Ocupação e mais 
tarde da Terapia Ocupacional, onde a profissão passou a construir 
seu caráter, tendo como seu espaço a ocupação de pacientes 
institucionalizados, com o objetivo da promoção destes à 
sociedade. (BENETTON, 2006) 
Ainda Benetton (2006), cita que para a criação da profissão, 
existiram duas providências, a de ocupar pacientes psiquiátricos 
com a premissa humanista onde o trabalho seria essencial para a 
cura, e também a providência econômica, criando as chamadas 
indústrias hospitalares com os objetivos de, suprir os custos da 
internação e o outro de suprir os familiares dos internados, também 
financeiramente. Essas providências tomadas não foram 
satisfeitas, pois somente pacientes menos grave se envolviam com 
o trabalho no hospital, houve também resistência do mercado para 
a venda destes produtos. 
De acordo com BENETTON (2006), na França, Philippe 
Pinel criou em um ambiente asilar o tratamento moral, o qual pode 
ser definido como um programa terapêutico, possuindo três ideais, 
a liberdade, a racionalidade e a humanidade, onde os alienados 
que se apresentavam com algum distúrbio da razão, deveriam ser 
tratados com liberdade e humanidade. Já as doenças que se 
apresentavam com contradição da razão, ilusões, desordem moral 
ou atitudes anti-sociais, deveriam ser seguidas pelo trabalho. Seu 
objetivo era que o alienado adquirisse seu equilíbrio razoável, e o 
trabalho seria delimitado como o meio de organização do ambiente 
asilar, diminuindo o ócio desorganizador. 
Desde então, as atividades buscavam a cura, o trabalho 
produtivo passa a ser enfatizado e é também através deste que se 
inicia a busca pela reinserção social. 
Com o tratamento ocupacional de Meyer (apud Benetton, 
2006), buscava-se encontrar o equilíbrio e a consciência da 
realidade, e as suas ocupações eram prescritas de acordo com o 
grau de consciência do paciente. Primeiramente, os materiais eram 
utilizados para estimular sensorialmente, em seguida vieram os 
afazeres domésticos, de hábitos, de habilidades, de adaptações e 
de hábitos úteis que eram considerados como treinamentos 
voltados para os cuidados próprios, e em sua última etapa, o 
desenvolvimento de decisões, vontades e estratégias. 
Em sua Terapia Ativa, Simon (apud Benetton, 2006), 
combatia a inatividade, organizava o meio manicomial, e 
desenvolvia a responsabilidade do doente mental através do 
trabalho produtivo, o qual era realizado em etapas semelhantes a 
produções em série, onde os doentes mentais ocupavam-se e 
mantinham o ambiente manicomial organizado. 
Schneider (apud Benetton, 2006) criou o programa de 
\u201cOcupação Biológica\u201d o qual oferecia aos doentes atividades 
considerando suas aptidões remanescentes, que ofereciam um 
equilíbrio psíquico e somático e também a uma descarga dos 
processos psíquicos e patológicos que tinham como objetivo aliviar 
os sintomas e conservar a função. Baseado neste programa que se 
designou a Terapia Ocupacional dentro do modelo médico no qual 
a escolha da atividade ocorria conforme os sintomas de cada 
doença ou síndrome de cada paciente. 
A Terapia Ocupacional desde seu surgimento teve como 
essência o fazer algo, que se aprimorou com o passar dos anos, 
atingindo, então, finalidades terapêuticas a partir deste fazer, e não 
a mera ocupação. 
Benetton (1994) também ressalta a importância da 
atividade aos doentes mentais para que se mantenham ativos, 
trazendo-os de volta para o mundo real, sendo necessária a 
existência da Terapia Ocupacional para direcionar estas atividades 
baseando-se nas suas necessidades. 
As atividades para Benetton (1994), não existem apenas 
para serem feitas, mas também conversadas, discutidas, 
debatidas, mudando de lugares, de pessoas, incluindo também a 
possibilidade de não realizá-las, estabelecendo-se assim um 
processo terapêutico e educacional. O ensino das atividades é 
imprescindível, pois é através deste que acontece a realização das 
atividades, começando a dar sentido a Terapia Ocupacional, é 
também neste momento que se desperta a criatividade do 
paciente, para que o mesmo crie ou recrie uma melhor forma de 
viver. 
Como objetivo final da Terapia Ocupacional, a inclusão 
social, torna-se mediada pela construção do cotidiano, através do 
fazer atividades. 
Para Duarte e Tedesco (2002) por ser a Terapia 
Ocupacional uma profissão que visa a inclusão social, sua 
intervenção deve se iniciar a partir da construção do dia a dia 
enfatizando o contexto do paciente, identificando seus sintomas e 
por meio do fazer ajudar a minimizar as dificuldades ou a encontrar 
outras formas de suprir as suas necessidades. 
As atividades em Terapia Ocupacional ocorrem de diversas 
maneiras e devem englobar o indivíduo como um todo 
considerando seus aspectos biopsicossociais, focalizando objetivos 
específicos para cada paciente considerando-o como um ser único 
e dotado de especificidades e particularidades inerentes ao seu 
ser. 
Benetton (2003) oferece uma estruturação cotidiana não 
enfatizando doenças, deficiências, entre outras; por meio do fazer 
oferece a construção de um novo cotidiano, promovendo ainda a 
vivência de espaços saudáveis. 
Em sua tese de doutorado Benetton (1994) define este 
método como dinâmico, pois em primeiro lugar se baseia na 
exploração dos processos existentes em qualquer realização de 
atividades, e em segundo lugar por realizar-se através de uma 
relação triádica, que compõe-se de terapeuta, paciente e atividade. 
Conforme Moraes (2007) a relação triádica é considerada o 
núcleo da Terapia Ocupacional Dinâmica, sendo que através dela 
é que todos os procedimentos são pensados e realizados, pois é 
uma relação dinâmica, no sentido de movimentar-se, onde a 
atividade varia sua aproximação entre o terapeuta e o paciente. 
Segundo Benetton (2006), cada atividade possui uma 
dinâmica própria para a sua execução. Entretanto essa realização 
pode variar conforme a particularidade do indivíduo. Portanto 
quando isto ocorre, esta atividade pode vir a ser uma maneira de 
comunicação, com isso o paciente expressará seus sentimentos. 
Ferrari e Tedesco (2000) afirmam que a dinâmica triádica é 
constituída dos três termos, os quais caminham juntos com uma 
mesma importância onde nenhum destes se anulam ou se 
desmembram. 
Para Takatori (2001), a Terapia Ocupacional tem como 
instrumento de suas ações as atividades. Estas atividades estão 
presentes no cotidiano das pessoas e acredita-se que por meio 
das experiências, com o fazer presente na relação terapêutica, é 
que