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Aula 03

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longo e 
gradual processo de elaboração. Pode-se afirmar que o presidencialismo foi 
uma criação americana do século XVIII. A péssima lembrança que tinham da 
atuação do monarca, enquanto estiveram submetidos a coroa inglesa, mais a 
influência dos autores que se opunham ao absolutismo, como Montesquieu, 
determinou a criação de um sistema que, consagrando a soberania da vontade 
popular, adotava ao mesmo tempo um mecanismo de governo que impedia a 
concentração do poder. O sistema presidencial norte-americano aplicou, com o 
máximo rigor possível, o princípio dos freios e contrapesos, contido na doutrina 
da separação dos poderes. As características básicas do presidencialismo, 
segundo Dallari são: 
� O Presidente da República é o chefe de estado e o chefe de governo: o 
mesmo órgão unipessoal acumula as duas atribuições, desempenhando 
as funções de representação, ao mesmo tempo em que exerce a chefia 
do poder executivo. 
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� A chefia de governo é unipessoal: a responsabilidade pela fixação de 
diretrizes do poder executivo cabe exclusivamente ao Presidente da 
República. 
� O Presidente da República é escolhido pelo povo: o povo escolhe 
diretamente o nome do chefe de governo, não apenas os parlamentares. 
Assim, mesmo que determinado partido recebe menos votos, ainda 
assim pode eleger o presidente. 
� O Presidente da República é escolhido por um prazo determinado: para 
não configurar uma monarquia eletiva, foi estabelecido um prazo 
determinado para o mandato do presidente. 
� O Presidente da República tem poder de veto: orientando-se pelo 
princípio da separação de poderes, os constituintes norte-americanos 
atribuíram ao Congresso a totalidade do poder legislativo. Entretanto, 
para que não houvesse o risco de uma verdadeira ditadura do legislativo, 
reduzindo-se o chefe do executivo à condição de mero executor 
automático das leis, lhe foi concedida a possibilidade de interferir no 
processo legislativo através do veto. 
Os defensores do parlamentarismo consideram-no mais racional e menos 
personalista, porque atribui responsabilidade política ao chefe do executivo e 
transfere ao Parlamento a competência para fixar a política de Estado, ou, pelo 
menos, para decidir sobre a validade da política fixada. Os que são contrários a 
esse sistema de governo argumentam com sua fragilidade e instabilidade, 
sobretudo na época atual em que o Estado não pode ficar numa atitude 
passiva, de mero vigilante das relações sociais. O Estado precisa de mais 
dinamismo e energia, que não se encontram no parlamentarismo. 
O regime presidencial tem sido preferido nos lugares e nas épocas em que se 
deseja o fortalecimento do poder executivo, sem quebra da formal separação 
de poderes. A seu favor argumenta-se com a rapidez com que as decisões 
podem ser tomadas e postas em prática. Além disso, cabendo ao presidente 
decidir sozinho, sem responsabilidade política perante o parlamento, existe 
unidade de comando, o que permite um aproveitamento mais adequado das 
possibilidades do Estado. O principal argumento que se usa contra o 
presidencialismo é que ele constitui, na realidade, uma ditadura a prazo fixo. 
Eleito por um tempo certo e sem responsabilidade política efetiva, o presidente 
pode agir francamente contra a vontade do povo ou do Congresso sem que 
haja meios normais para afastá-lo da presidência. O presidencialismo 
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conduziria à reprovável e abusiva concentração de poderes nas mãos de uma 
única pessoa, à hipertrofia de seu poder pessoal, ao governante onipotente. 
O presidencialismo traz na aparência a estabilidade dos governos, mas uma 
vez desencadeadas as crises e não podendo os dirigentes ser removidos antes 
de expirado o prazo constitucional do mandato que exercem, a solução 
ordinariamente conduz às revoluções, golpes de Estado, tumultos e ditaduras, 
fazendo instáveis as instituições mesmas. 
Segundo Bonavides: 
A esses vícios outros se vêm somar: a influência perturbadora do presidente 
na operação sucessória, buscando eleger seu sucessor ou até mesmo, se for 
o caso, reformar a Constituição para reeleger-se; a debilidade e a 
subserviência do Congresso à vontade presidencial, convertendo-se o 
Legislativo num Poder ausente, caracterizado por impotência crônica, 
sistema onde não há em verdade a colaboração dos poderes, senão o 
predomínio de um poder sobre outro ou a disputa de hegemonia entre os 
poderes; onde as crises de governo geram a crise das instituições; onde o 
Congresso, entrando em conflito com o Executivo, só dispõe de 
instrumentos negativos de controle: a recusa de dotações orçamentárias, a 
obstrução legislativa, etc. 
O Ministério no sistema presidencial é um corpo de auxiliares da confiança 
imediata do Presidente, responsável perante este, sem nenhum vínculo de 
sujeição política ao Congresso. Nos países onde o presidencialismo é mais 
próximo ao modelo americano tradicional, os ministros são pessoas estranhas 
às casas legislativas, em cujas dependências o presidente jamais vai recrutá-
los, fazendo assim realçar o princípio da separação dos poderes. 
Essa regra vem sendo consideravelmente abalada em alguns Estados como o 
nosso. Surgiu o conceito de presidencialismo plebiscitário para descrever o 
sistema no qual o chefe do Poder Executivo é escolhido diretamente pela 
população para mandatos fixos, independente do apoio parlamentar. Supõe-se 
que o presidente, usualmente mediante apelos populistas, estabelece um 
vínculo de legitimidade diretamente com a população, enfraquecendo a 
representação parlamentar. Entende-se que o capital político eleitoral do 
Presidente da República é uma força capaz de imprimir coerência a este 
sistema altamente fragmentado. Essa suposição tem como base a 
comunicação direta dos candidatos à presidência com o grande eleitorado 
nacional, a crença de que a adesão desse grande eleitorado é estável e 
propicia ao presidente, de maneira contínua, o poder político de que ele 
carece. 
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Além de ser caracterizado por um presidencialismo plebiscitário, dizemos que 
no Brasil também vigora o "presidencialismo de coalizão". Essa expressão 
foi cunhada por Sérgio Abranches em 1988. Como as eleições para presidência 
e parlamento são distintas, o eleitor pode optar por eleger um presidente de 
um partido e um representante parlamentar de outro. Neste caso, o 
presidencialismo difere do parlamentarismo justamente pelas origens distintas 
do poder executivo e do poder legislativo. 
A "coalizão" está relacionada aos acordos feitos entre partidos, geralmente por 
meio da ocupação de cargos no governo e alianças entre forças políticas para 
alcançar determinados objetivos. Na maioria das vezes a coalizão é feita para 
sustentar um governo, dando-lhe suporte político no legislativo e influenciando 
na formulação das políticas. 
Segundo Abranches, a lógica da formação das coalizões tem dois eixos: o 
partidário e o regional (estadual). Além de buscar formar a coalizão com base 
em interesses partidários, o governo tem de olhar também para os interesses 
regionais. Segundo o autor: 
É isso que explica a recorrência de grandes coalizões, pois o cálculo relativo 
à base de sustentação política do governo não é apenas partidário-
parlamentar, mas também regional. 
Segundo Abranches, há outros países que apresentam governos de coalizão. 
No entanto, o Brasil é o único país que, além de combinar proporcionalidade, 
multipartidarismo e o “presidencialismo imperial”,