A Ciência do Direito - Agostinho Ramalho
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A Ciência do Direito - Agostinho Ramalho


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no domínio científico uma ruptura, ela não elimina a verdade 
anteriormente aceita como se deixasse de ser científica. A negação que sobre ela se exerce é 
de outra espécie. Não podemos esquecer que ela não se restringe aos aspectos substantivos, 
mas envolve também o método, a técnica e o objeto. É indispensável ressaltar a mudança do 
objeto. Trata-se de um campo específico sobre o qual a teoria anterior já não mais tem o 
direito de falar, ao qual ela não mais pode se aplicar (se é que antes o teria divisado, ou 
pretendido dar-lhe alguma explicação)\u201d. Id. Ibid., p. 9. 
43. Basta observarmos que é a partir da teoria que se vai ao objeto, para que fique claro que a 
elaboração científica, pelo menos em seu momento inicial, não é, de modo algum, indutiva. 
44. Cf. FREUND, Julien. Op. cit., p. 35 (Grifos nossos). 
45. BACHELARD, Gaston. Op. cit., p. 133. 
46. \u201cNão vejo, pois, em definitivo, senão um critério distintivo entre as ciências e a Filosofia; 
aquelas se ocupam das questões particulares, enquanto esta tenderia ao conhecimento total 
(...)\u201d (Mas esse) \u201cConhecimento total é atualmente, e pode ser para sempre, caso de síntese 
provisória e de síntese em parte subjetiva, porque dominada, de fato, pelos julgamentos de 
valor não universalizáveis, mas especiais a certas coletividades ou mesmo a certos 
indivíduos\u201d. PIAGET, Jean. Psicologia e epistemologia. Por uma teoria do conhecimento. 
Trad. de Agnes Cretella. Rio de Janeiro, Forense, 1973, p. 98-9. 
47. \u201cO ver-de-perto das ciências não pode prescindir do ver-de-longe da Filosofia.\u201d 
MARTINS, José Maria Ramos. Discurso de posse como Reitor da Universidade do 
Maranhão. São Luís, UFMA, 1975, p. 6, mimeografado. 
48. \u201cA Filosofia não se funda sobre a Psicologia, a Sociologia etc., mas tem por tarefa 
interrogar-se sobre os fenômenos e as leis que estas apresentam, quando não porque já contêm 
uma filosofia implícita\u201d. JAPIASSU, Hilton Ferreira. A epistemologia da 
interdisciplinaridade nas ciências do homem. Rio de Janeiro, P.U.C, 1975, p. 9, 
mimeografado. 
49. JAPIASSU, Hilton Ferreira. Introdução ao pensamento epistemológico. Rio de Janeiro, 
Francisco Alves, 1977, p. 74 (Grifos do autor). 
50. Cf. JAPIASSU, Hilton Ferreira. Introdução ao pensamento epistemológico. Rio de 
Janeiro, Francisco Alves, 1977, p. 52. 
51. PONTES DE MIRANDA, Francisco Cavalcanti. Op. cit., t. I, p. 35. 
52. \u201cO pensar filosófico tem um duplo inconveniente: de um lado, ele nos ensina a criticar (não 
rejeitar, mas passar ao crivo, examinar) as opiniões recebidas ou impostas, as tradições 
transmitidas, as idéias admitidas; de outro, ensina-nos a ultrapassar o conformismo e o não-
conformismo em vista de uma coerência sempre maior do pensamento e da ação. (...) O velho 
SÓCRATES não fez outra coisa, ao defrontar-se com os sofistas. Estes tentaram confinar a 
reflexão dentro de uma alternativa: seguir as tradições sem nada compreender, ou simplesmente 
ser o mais forte e vencer na vida. SÓCRATES recusou-se a ficar preso dentro dessa alternativa. 
Aos tradicionalistas, aos defensores do status quo, dizia. \u201ctudo isso deve ser repensado, 
refletido, criticado, ser medido segundo uma norma de verdade e de bem\u201d. Aos cínicos, 
defensores da lei do mais forte e do maior acúmulo de bens, respondia: \u201cuma vida que não foi 
examinada não merece ser vivida\u201d. JAPIASSU, Hilton Ferreira. Introdução ao pensamento 
epistemológico. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1977, p. 162, 166 (Grifos do autor). 
BIBLIOGRAFIA ADICIONAL 
 
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WARAT, Luís Alberto et alii. Filosofia e teoria social. Florianópolis, UFSC, 1979, 
mimeografado. 
Capítulo III 
 
AS CIÊNCIAS SOCIAIS 
 
\u201cNenhuma época acumulou sobre o homem conhecimentos tão 
numerosos e tão diversos quanto a nossa. Nenhuma época conseguiu 
apresentar seu saber sobre o homem sob uma forma que mais nos 
toque. Nenhuma época conseguiu tornar esse saber tão prontamente e 
tão facilmente acessível. Mas nenhuma época soube menos o que é o 
homem.\u201d (MARTIN HEIDEGGER. Kant e o problema da metafísica, 
p. 219.) 
 
1. Ciências sociais e ciências naturais 
 
A especificidade das ciências sociais é hoje um fato aceito na maioria dos círculos 
científicos e acadêmicos. No entanto, inúmeros foram os obstáculos que os seus fundadores 
tiveram de enfrentar para conferir às ciências sociais estatuto científico e assegurar-lhes 
credibilidade, quer no que tange às suas elaborações teóricas e metodológicas, quer