NPJ( Visão do STF quanto ao principio de presunção de inocência)
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NPJ( Visão do STF quanto ao principio de presunção de inocência)


Disciplina<strong>direito Constitucionalii</strong>6 materiais5 seguidores
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Visão do STF quanto ao principio de presunção de inocência.

Supremo Tribunal Federal, tem uma visão que relativizou o principio da presunção de inocência, onde o réu condenado em segunda instância por colegiado, poderá cumprir a execução provisória da pena. Levando o STF a entender que dessa forma o judiciário esta combatendo diretamente a impunidade. Contudo, o próprio STF reconhece que pode haver falhas no julgamento, mais a suprema corte afirma que embora possa ocorrer erros nos julgados existem medidas cautelares que poderão ser usadas para sanar os equívocos que por ventura venha a ocorrer.
O Ministro Teori Zavascki, argumenta que a mudança da jurisprudência não afeta o principio constitucional da presunção de inocência.
 \u201c(...), a execução da pena na pendência de recursos de natureza extraordinária não compromete o núcleo essencial do pressuposto da não culpabilidade, na medida em que o acusado foi tratado como inocente no curso de todo o processo ordinário criminal, observados os direitos e as garantias a ele inerentes, bem como respeitadas as regras probatórias e o modelo acusatório atual. Não é incompatível com a garantia constitucional autorizar, a partir daí, ainda que cabíveis ou pendentes de julgamento de recursos extraordinários, a produção dos efeitos próprios da responsabilização criminal reconhecida pelas instâncias ordinárias. (...) Nesse quadro, cumpre ao Poder Judiciário e, sobretudo, ao Supremo Tribunal Federal, garantir que o processo - único meio de efetivação do jus puniendi estatal -, resgate essa sua inafastável função institucional. A retomada da tradicional jurisprudência, de atribuir efeito apenas devolutivo aos recursos especial e extraordinário (como, aliás, está previsto em textos normativos) é, sob esse aspecto, mecanismo legítimo de harmonizar o princípio da presunção de inocência com o da efetividade da função jurisdicional do Estado.

Já o Ministro Celso de Mello, ao se pronunciar sobre a questão, enfatizou que:
\u201c(...) o Supremo Tribunal Federal há de possuir a exata percepção de quão fundamentais são a proteção e a defesa da supremacia da Constituição para a vida do País, a de seu povo e a de suas instituições. A nossa Constituição estabelece, de maneira muito nítida, limites que não podem ser transpostos pelo Estado (e por seus agentes) no desempenho da atividade de persecução penal. Na realidade, é a própria Lei Fundamental que impõe, para efeito de descaracterização da presunção de inocência, o trânsito em julgado da condenação criminal. Veja-se, pois, que esta Corte, no caso em exame, está a expor e a interpretar o sentido da cláusula constitucional consagradora da presunção de inocência, tal como esta se acha definida pela nossa Constituição, cujo art. 5º, inciso LVII (\u201cninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória\u201d), estabelece, de modo inequívoco, que a presunção de inocência somente perderá a sua eficácia e a sua força normativa após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Mais intensa, portanto, no modelo constitucional brasileiro, a proteção à presunção de inocência. Quando esta Suprema Corte, apoiando-se na presunção de inocência, afasta a possibilidade de execução antecipada da condenação criminal, nada mais faz, em tais julgamentos, senão dar ênfase e conferir amparo a um direito fundamental que assiste a qualquer cidadão: o direito de ser presumido inocente até que sobrevenha condenação penal irrecorrível. Tenho para mim que essa incompreensível repulsa à presunção de inocência, Senhor Presidente, com todas as gravíssimas conseqüências daí resultantes, mergulha suas raízes em uma visão absolutamente incompatível com os padrões do regime democrático\u201d.
Ainda que alguns entendam que a nova orientação do Supremo Tribunal Federal constitua um avanço no combate à \u201cimpunidade\u201d e sirva como instrumento para a \u201credução da criminalidade\u201d, percebe-se que a modificação do entendimento até então prevalente constitui um verdadeiro ataque à garantia fundamental da presunção de inocência, sendo, assim, um retrocesso lamentável.
De fato, o texto constitucional é claro no sentido de que a sentença condenatória só pode ser executada depois do seu trânsito em julgado, ou seja, quando não exista mais possibilidade de recurso. Assim, se há recurso pendente de julgamento, a decisão, ainda que confirmada em segunda instância, não transitou em julgado e, portanto, não há possibilidade punição do autor do fato, que ainda deve ser presumido inocente
Assim, na visão do STF o principio da presunção de inocência é um principio e não uma regra para que a mesma seja seguida a risca, contudo lavando a crer que não fere a nossa constituição federal de 1988. Contudo podemos observar que no próprio STF à divergências, pois alguns ministros consideram o que apesar de contribuir no combate a impunidade essa reativação do principio da presunção de inocência fere sim a nossa CF/88.
Essas inseguranças dentro da suprema corte nos deixa apreensivo quanto a uma decisão tão importante, onde uma decisão equivocada pode deixar um pai de família privado de um dos bens mais precioso que temos que é a nossa liberdade.

NOTICIAS STF. Disponível em:<http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=326754> Acesso em 09/03/2018.

SOUKI CASTRO Hassan.Migalhas Jurídicas. Disponível em: <http://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI236516,71043-O+STF+e+a+ameaca+ao+principio+da+presuncao+de+inocencia> Acesso em 09/03/2018.

E-GOV. Disponível em: <http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/o-princ%C3%ADpio-da-presun%C3%A7ao-de-inoc%C3%AAncia-e-sua-aplicabilidade-conforme-entendimento-do-supremo> Acesso em 09/03/2018.