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A IMPUGNAÇÃO DOS CRÉDITOS HABILITADOS À LUZ DA LEI 11.101

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18 desta Lei;
Apesar de a atribuição de organizar o quadro geral de credores ser do administrador judicial, a incumbência de trazer ao processo a relação de todos os credores é do devedor que pretende a recuperação judicial ou a decretação da falência. 
Em observância e respeito a publicidade da recuperação ou falência do devedor, é publicado o primeiro edital no diário oficial do estado, para que todos tenham conhecimento de que aquele devedor teve a falência decretada ou teve a recuperação judicial deferida para processamento e, diante disso outros credores podem vir a se habilitar no processo. Publicado o edital têm os credores o prazo de até 15 (quinze) dias úteis para verificar se possuem algum crédito com o referido devedor e consequentemente procederem a devida habilitação.
É com a publicação e abertura do prazo acima referido que, ao mesmo tempo se encerra a primeira e se inicia a segunda etapa para verificação e habilitação dos créditos que é onde reside a temática deste título. 
Publicado o edital e transcorrido o prazo para os credores verificarem se têm créditos e assim se habilitarem, o administrador judicial tem 45 (quarenta e cinco) dias para publicar uma nova relação de credores, um novo quadro geral de credores, e posteriormente publicar um segundo edital, conforme previsto no artigo 7º, §§ 1º e 2º da Lei de Falência:
Art. 7o A verificação dos créditos será realizada pelo administrador judicial, com base nos livros contábeis e documentos comerciais e fiscais do devedor e nos documentos que lhe forem apresentados pelos credores, podendo contar com o auxílio de profissionais ou empresas especializadas.
§ 1o Publicado o edital previsto no art. 52, § 1o, ou no parágrafo único do art. 99 desta Lei, os credores terão o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar ao administrador judicial suas habilitações ou suas divergências quanto aos créditos relacionados.
 § 2o O administrador judicial, com base nas informações e documentos colhidos na forma do caput e do § 1o deste artigo, fará publicar edital contendo a relação de credores no prazo de 45 (quarenta e cinco) dias, contado do fim do prazo do § 1o deste artigo, devendo indicar o local, o horário e o prazo comum em que as pessoas indicadas no art. 8o desta Lei terão acesso aos documentos que fundamentaram a elaboração dessa relação.
Esse segundo edital é publicado devido a possibilidade do administrador judicial ter cometido algum erro seja na relação dos credores seja no valores referentes aos crédito respectivos, ou ainda, uma pessoa (de má-fé ou não) pode estar tentando habilitar um crédito já pago ou mesmo falsificado, dentre outras hipóteses.
É o entendimento do Professor Fábio Ulhoa Coelho quanto à impugnação: [19: 	 COELHO, Fábio Ulhoa. Comentários à Lei de Falências e de recuperação de empresas. 9. ed. São Paulo, 2013.]
É este o instrumento processual adequado para aduzir judicialmente a pretensão de ingressar no quadro de credores ou ver o valor do crédito ou sua classificação alterados. Como a divergência perante o administrador judicial não teve acolhida, o assunto é, pela impugnação, submetido ao juiz. (COELHO, 2013, pág. 82)
E assim, diante desses procedimentos já exemplificados e das inúmeras possibilidades de equívocos, o quadro geral de credores, bem como os créditos (seus valores) podem ser impugnados no prazo de 10 (dez) dias. 
Podem impugnar: qualquer credor, o comitê de credores, o devedor, seus sócios ou o Ministério Público, ou seja, pelos legitimados do artigo 8º da Lei 11.101/05, sendo este um rol taxativo, onde se encontra também as 04 (quatro) hipóteses em que esses legitimados podem impugnar os créditos. São elas: a) para apontar a ausência de qualquer crédito; b) manifestar-se contra a legitimidade; c) importância ou 4) classificação de crédito relacionado.
Segundo Mapa Jurídico (2017), sendo a impugnação autuada em separado deverá ser dirigida ao juiz por meio de petição, instruída com os documentos que tiver o impugnante, o qual indicará as provas consideradas necessárias. Conforme previsto no artigo 13, caput, § único da Lei de Falência o juiz dará 10 (dez) dias para os impugnados se manifestarem, 05 (cinco) dias para o comitê de credores e o devedor apresentarem cada um sua manifestação e 05 (cinco) dias para o administrador judicial apresentar seu perecer final. [20: 	 VERIFICAÇÃO e habilitação de créditos na lei falimentar. Disponível em: http://www.normaslegais.com.br/guia/clientes/verificacao-habilitacao-creditos-lei-familentar.htm Acesso em: 02 nov. 2017.]
As impugnações suspenderam o processo principal até que o juiz prolate a decisão, podendo ser realizada Audiência de Instrução e Julgamento. Esta suspensão irá prevalecer até que sobrevenha a decisão sobre a impugnação, tendo em vista que o processo principal não pode seguir enquanto não estiver definido o quadro geral de credores. 
Registra-se, ainda conforme Mapa Jurídico (2017) que, cada impugnação será autuada em separado, com os documentos a ela relativos, mas terão uma só autuação as diversas impugnações versando sobre o mesmo crédito. Conforme exposto por Fábio Ulhoa Coelho:[21: 	 VERIFICAÇÃO e habilitação de créditos na lei falimentar. Disponível em: http://www.normaslegais.com.br/guia/clientes/verificacao-habilitacao-creditos-lei-familentar.htm Acesso em: 02 nov. 2017.][22: 	 COELHO, Fábio Ulhoa. Comentários à Lei de Falências e de recuperação de empresas. 9. ed. São Paulo, 2013.]
A impugnação é feita por petição instruída com os documentos que o impugnante tiver. Nela, devem ser indicadas as provas que pretende produzir para sustentação do alegado. Aqui trata-se de postulação judicial, ato privativo da advocacia. Ao contrário da apresentação de divergência, portanto, a impugnação não pode ser feita pelo próprio credor. (COELHO, 2013, pág. 82)
Transcorridos os prazos concedidos para apresentação das impugnações os autos de impugnação serão conclusos ao juiz, que homologará o quadro geral de credores, vejamos:
 Art. 15. Transcorridos os prazos previstos nos arts. 11 e 12 desta Lei, os autos de impugnação serão conclusos ao juiz, que:
        I – determinará a inclusão no quadro-geral de credores das habilitações de créditos não impugnadas, no valor constante da relação referida no § 2o do art. 7o desta Lei;
        II – julgará as impugnações que entender suficientemente esclarecidas pelas alegações e provas apresentadas pelas partes, mencionando, de cada crédito, o valor e a classificação;
        III – fixará, em cada uma das restantes impugnações, os aspectos controvertidos e decidirá as questões processuais pendentes;
        IV – determinará as provas a serem produzidas, designando audiência de instrução e julgamento, se necessário.
A decisão prolatada será de importância para verificar qual será o destino do crédito retardatário. Assim conclui-se que a impugnação é mecanismo utilizado pelo credor que (COELHO, 2013) constatou divergência na relação de credores e valores relacionados a suscitou, porém, não teve sua observação considerada. [23: 	 COELHO, Fábio Ulhoa. Comentários à Lei de Falências e de recuperação de empresas. 9. ed. São Paulo, 2013.]
4 POSSIBILIDADE DE HABILITAÇÕES RETARDATÁRIAS DE CRÉDITOS DE PRIMEIRA ESPÉCIE
Inicialmente, é importante salientar que os créditos da falência são classificados em extra concursais e concursais. Tendo em vista que a falência é uma execução concursal, a LRF elenca uma ordem de pagamento expressa em seu art. 83, em que apenas quando os créditos de classe são pagos integralmente, a próxima classe começara a ser paga.
Quanto aos créditos, são divididos em: trabalhistas, que ficam na primeira classe; créditos com garantia real; créditos tributários; créditos privilegiados; créditos com privilégio geral; créditos quirografários, que não possuem preferência prevista em lei, ou seja, são créditos residuais; e por fim, os créditos subordinados, que são aqueles que onde os sócios e os administradores da sociedade falida desfrutam em face da pessoa jurídica,

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