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A IMPUGNAÇÃO DOS CRÉDITOS HABILITADOS À LUZ DA LEI 11.101

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poder indubitavelmente concluir-se que o incidente é falho de autonomia processual, sempre pressupondo, portanto, a existência de uma causa principal”,diferente do que ocorre nas ações autônomas de impugnação. [33: 	 LEITÃO, 1992, p. 15. ]
A confusão gerada no entendimento da natureza jurídica deste instituto é também evidenciada na doutrina, quando alguns o conceituam como incidente processual e alguns outros como processo incidente, ou quando trazem a decisão final desta ação como sentença e outros como decisão interlocutória.Como questão incidental em outro processo, a impugnação poderia se apresentar como ação incidental ou incidente processual, cuja diferença é indispensável se saber, pois, por exemplo,é com base neste critério que identificamos se o procedimento é ou não encerrado por sentença. [34: 	“ação incidente que tem por fito obstar a habilitação de crédito” FAZZIO JUNIOR, 2005, p. 83.][35: 	 “Da sentença que decide sobre impugnação [...]” Almeida, 2012, p. 261. Da mesma forma Oliveira: “Depois da oitiva em audiência dos advogados e do parquet, proferirá a sua sentença definitiva.” Oliveira, 2005, p. 167.][36: 	 “Estando os autos das impugnações prontos, o juiz prolatará decisão interlocutória, resolvendo e decidindo sobre as impugnações.” Moraes, 2013, p. 110.]
Incidente processual é questão acessória, que aparece e vem a ser proposta no curso de um processo principal, devendo ser julgada antes da decisão deste, porque “visa à solução da questão secundária que se enxertou na questão fundamental.” Contudo, não gera uma nova relação processual. Independentemente de haver, ou não, a formação de autos apartados, jamais nasce uma nova relação jurídica processual, ao passo que o que caracteriza o processo incidental é justamente o fato de haver a constituição de uma nova relação jurídica processual. Além disto, no caso dos incidentes processuais deve haver obrigatoriamente a suspensão do processo do processo principal, por força do art. 313, inciso V, alínea “a” do Código de Processo Civil,o que não ocorrerá nos processos incidentais.[37: LEITÃO, 1992, p. 15. ]
A lei 11.101/2005, em sua redação sobre a impugnação de créditos, parece transparecer a natureza jurídica de incidente processual, primeiramente quando traz no art. 13, parágrafo único, sua autuação em separado e, mais claramente, no art. 17,quando chama de decisão e não de sentença o julgamento proferido pelo juiz ao final da demanda, completando com a afirmação de que desta caberá agravo de instrumento.Nesse contexto, pode-se entender que a natureza jurídica das impugnações de crédito é de incidente processual, devendo ser perfeitamente aplicadas a elas todas as determinações deste instituto processual.[38: Art. 1015, CPC: “Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre [...]”. Conforme afirma Moraes: “Em relação a esta decisão caberá agravo de instrumento por interpretação teleológica e sistemática do parágrafo único do art. 17 da lei falimentar[...]”Moraes, 2013. P 110.]
6 CONCLUSÃO
Em virtude dos fatos mencionados acima, verifica-se que o incidente processual é uma questão acessória, que vem a ser proposta no curso de um processo principal, devendo ser julgada antes deste, mas observa-se que não gera uma nova relação processual, portanto, o que pode caracterizar o processo incidental é o fato de não haver a constituição de uma nova relação jurídica processual. Além do mais, deve haver a suspensão do processo principal. Nesse sentido, é notável que a natureza da impugnação de créditos é de incidente processual, devido sua autuação em separado e a decisão proferida ao final do processo, a qual cabe o recurso de agravo de instrumento. 
Na nossa concepção, é notório que a impugnação é um incidente processual, de acordo com a Lei de Falência, mesmo essa não sendo totalmente clara, quanto a natureza jurídica. Quanto ao seu processamento, observa-se que deve haver obrigatoriamente a suspensão do processo principal, o que não é verificado por alguns Juízes em casos concretos, visto que o processo principal continua fluindo normalmente com os autos de incidente processual em andamento. Nesse parâmetro, constata-se que os atos constitutivos realizados no procedimento principal deveriam ser considerados nulos, em casos que acontecera no andamento do incidente processual. 
Dessa forma, ficou evidente o entendimento de alguns autores sobre a relação da natureza jurídica e o processamento da impugnação dos créditos, o que, podem ser consideradas como incidente processual. Mas, alguns autores não pensam da mesma forma, encontrando-se a solução como processo incidente. Nesta senda, com a discussão travada, verifica-se que o presente artigo trata da impugnação como incidente processual, o que é resultado da pesquisa, abrindo, portanto, a realização de novos estudos que mostram resultados diferentes no futuro, até porque, os Tribunais mudam de opinião constantemente. 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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COELHO, Fábio Ulhoa. Comentários à Lei de Falências. 9ª ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
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FAZZIO JUNIOR, Waldo. Nova Lei de Falência e Recuperação de Empresas. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2005.
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LEITÃO, Helder Martins. Dos incidentes da instância. 3. ed. Portugal: elcla editora, 1992.
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OLIVEIRA, Celso Marcelo de. Comentário à nova Lei de falências. São Paulo: IOB Thomson, 2005. 
PIMENTA, Eduardo Goulart. Recuperação de empresa: um estudo sistematizado da nova lei de falências. São Paulo: IOB Thomson, 2006.

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