HAT, RONCO E SAOS
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HAT, RONCO E SAOS


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HIPERTROFIA DO ANEL LINFÁTICO DE WALDEYER 
1.0- INTRODUÇÃO 
\u2022 O anel de Waldeyer compreende as tonsilas palatinas (ou amígdalas), tonsilas nasofaríngeas (ou 
adenoides), tonsilas linguais, tonsilas peritubárias e todo tecido linfoide distribuído pela parede 
posterior da orofarinfe na entrada do trato aerodigestivo. 
\u2022 Principais sinais e sintomas: dispneia, apneia, roncos relacionados a hipertrofia/hiperplasia; dor em 
quadros inflamatórios/infecciosos (virais e bacterianos); problemas de renais e/ou cardíacos 
(complicações sistêmicas das infecções pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A) e halitose 
(caseum nas criptas das tonsilas palatinas); alterações da orelha média por obstrução da tuba auditiva 
ou foco de infecção por bactérias presentes na adenoide. 
2.0- QUADRO CLÍNICO 
\u2022 As manifestações clínicas frequentes da hipertrofia das tonsilas são a apneia e o ronco. 
\u2022 As hipertrofias das tonsilas faríngeas e palatinas são mais frequentes. 
\u2022 Outras manifestações HAT: 
o Dificuldade de aprendizado; 
o Déficit de crescimento; 
o Enurese; 
o Distúrbios de comportamento; 
o Distúrbios de fala; 
o Alterações musculoesqueléticas; 
o Alterações ortodôndicas; 
o Alterações cardiovasculares. 
3.0- CLASSIFICAÇÃO 
\u2022 Durante o exame otorrinolaringológico, deve-se avaliar o tamanho das tonsilas palatinas, que são 
classificadas em cinco diferentes graus, conforme a escala de Brodsky e Koch: 
 
\u2022 O grau de hipertrofia adenoidiana podeser avaliada pela radiografia simple de cavum ou pela 
videonasofibroendoscopia e classificado em cinco diferentes níveis, dependendo da obstrução 
evidenciada ao exame. 
 
 
4.0- AVALIAÇÃO CLÍNICA 
4.1- Anamnese 
\u2022 Apesar de muitas vezes somente queixas como obstrução nasal e roncos serem valorizadas pelos 
pacientes e familiares, muitos outros sinais e sintomas mais importantes devem ser investigados. 
\u2022 Nos dias atuais, aspectos comportamentais e relacionados ao desenvolvimento neuropsicomotor 
ganham destaque em razão das consequências que um sono inadequado ocasionado pela hipertrofia 
dos tecidos linfoides do anel de Waldeyer determinam. 
4.2- Exame físico 
\u2022 Oroscopia: deve permitir uma visualização adequada da orofaringe, sem gerar reflexo nauseoso no 
paciente, pois, nesses casos, as tonsilas do paciente são projetadas medialmente, levando muitas vezes 
a uma impressão equivocada do verdadeiro tamanho das tonsilas. 
o É importante que o observador observe o polo inferior das tonsilas palatinas porque muitas 
vezes esse polo se encontra edemaciado independentemente do polo superior. Quando o 
paciente assume o decúbito dorsal, acaba sentindo a diminuição da passagem do ar. 
\u25aa O uso da nasolaringoscopia tornou esse erro infrequente. 
 
4.3- Exames complementares 
\u2022 O grau de hipertrofia das tonsilas palatinas e faríngeas pode ser avaliado pela radiografia simples de 
cavum e pela videonasofibroendoscopia. 
o O exame da fibroendoscopia possibilita diagnósticos diferenciais o que a radiografia não 
permite. 
o Apesar de a radiografia ser muito utilizada para análise da rinofaringe, é na região da oro e 
hipofaringe com estreitamentos ocasionados pelo volume das tonsilas que se pode ter uma ideia 
do grau de participação desse componente do anel de Waldeyer na clínica do paciente. Sugere-
se a realização do exame digitalizado em perfil da mesma forma que se coletam imagens para 
a realização da cefalometria. 
\u2022 A TC e a RM não têm indicação como exame de rotina. 
o A sua indicação se restringe a diagnóstico diferencial de tumores ou malformações. 
\u2022 No exame de videoendoscopia, a utilização de fibras flexíveis é preferível porque permite a 
visualização de narinas, rino, oro e hipofaringe. Isso permite que haja uma ideia do grau de participação 
dos tecidos linfoides da região nas vias aerodigestivas. 
o É um exame com poucas complicações. 
\u2022 A polissonografia é o exame padrão-ouro para documentação e avaliação de apneias do sono. 
o É um método dispendioso e pouco acessível na rede pública. 
o Esse método acaba medindo as pausas ventilatórias durante o sono. 
\u2022 A oximetria apresenta-se como um bom método alternativo de triagem para avaliação de 
dessaturações, pois tem baixo custo e alta sensibilidade. 
\u2022 A avaliação cardiovascular dos pacientes é feita com maior fidedignidade através de cateterismo 
cardíaco. 
o Esse método é invasivo e inviável para triagens em pacientes em repercussões 
cardiovasculatres. 
\u2022 O ecocardiograma é um método não invasivo, de baixo curto e amplamente utilizado, que permite a 
avaliação anatômica e funcional das cavidades cardíacas e a estimativa das pressões na artéria 
pulmonar, apresentando boa correlação com dados hemodinâmicos obtidos por cateterismo cardíaco. 
\u2022 A avaliação card[iaca fica reservada para casos de suspeita de Hipertensão pulmonar: crianças baixo 
de 2 anos, síndrome de Down, muitas dessaturações na avaliação polissonográfica ou oximetria, 
episódios de cianose ou sinais de IC. 
5.0- COMPLICAÇÕES DA HIPERTROFIA ADENOTONSILAR 
\u2022 Qualquer alteração craniofacial, neuropsicomotora ou postural já deveriam ser consideradas 
complicações importantes. 
\u2022 A hipertensão pulmonar e o cor pulmonale são descritas como sendo as principais complicações para 
HAT. 
\u2022 Noonan defmiu cor pulmonale secundário à obstrução de vias aéreas superiores como "síndrome 
clínica com respiração estertorosa, estridor, sonolência, evidências eletrocardiográficas de hipertrofia 
ventricular direita, sinais radiológicos de cardiomegalia e ocasionalmente edema pulmonar e 
insuficiência cardíaca''. 
\u2022 A obstrução crônica das vias aérea superiores frequentemente se associa com síndrome da apneia do 
sono e, nos casos mais graves, evoluem com hipertensão pulmonar e cor pulmonale. O 
desenvolvimento deste tipo de hipertensão pulmonar fundamenta-se na vasoconstrição pulmonar 
hipóxica durante períodos de apneia que ocorrem nestes pacientes repetidas vezes à noite. Com a 
evolução dos episódios de apneia, a resistência vascular pulmonar tende a aumentar resultando em 
insuficiência cardíaca direita. 
\u2022 A hipertensão pulmonar e cor pulmonale são indicações incontestáveis para realização de 
adenoamigdalectomia, após a qual tem-se normalização clínica rápida e ecocardiográfica em alguns 
meses. 
\u2022 A ecocardiografia é um bom método diagnostico para hipertensão pulmonar em pacientes com HAT 
que apresentam apneia do sono. 
6.0- TRATAMENTO 
\u2022 O tratamento cirúrgico para casos de HAT é controverso. No entanto, quando detectada a hipertensão 
pulmonar, a indicação é absoluta. 
6.1- INDICAÇÃO CIRÚRGICA 
\u2022 De modo geral, as indicações de tonsilectomia e adenoidectomia envolvem roncos e/ou apneias, 
preferencialmente documentdas, tosilites de repetição, abscesso peritonsilar, suspeita de neoplasia 
(assimetria de tonsilas palatinas) e halitose. 
\u2022 O último consenso da Academia Americana de Otorrinolaringologia (2011) informa que as duas causas 
mais comuns de indicação de adenotonsilectomia são distúrbios respiratórios do sono (de ronco 
primário a apneia do obstrutiva do sono) e infecção tonsilar recorrente. Ambas as afecções trazem 
custos altos para o sistema de saúde em termos de números de consultas médicas, uso de medicação 
mais frequente, mais episódios que requerem visita hospitalar, mais dias de aula perdidos e mais dias 
de trabalho perdidos pelos cuidadores. 
\u2022 Além disso, distúrbios respiratórios do sono e tonsilites estão associados a crianças com índices 
menores de qualidade de vida. 
\u2022 No entanto, persiste-se a controvércia sobre os possíveis benefícios da tonsilectomia frente aos riscos 
cirúrgicos e pós-cirúrgicos. 
6.2- DESCRIÇÃO CIRÚRGICA 
\u2022 A tonsilectomia é definida como o procedimento cirúrgico realizado com