fichamento édipo
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fichamento édipo


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Ao analisar o capítulo "Lacan com Freud\u201d é possível observar que apesar da retomada 
das teorias de Freud em alguns aspectos da obra lacaniana, há um desenvolvimento destes de 
uma dada maneira que o resultado constitui se não uma nova teoria, tal como ocorre com o 
complexo de Édipo. Nesse sentido, no presente estudo é possível observar, sobretudo, a 
descrição dos três tempos lógicos pensados a partir da constituição do sujeito no interior desta 
estrutura edípica, apresentados no Seminário 5: as formações do inconsciente, de Lacan. 
Começando pelo primeiro tempo do Édipo, o estudo trás a importância do estádio do 
espelho para esse momento, dado que, de acordo com Faria (2016), é a partir \u201cda alienação 
fundamental inicial no Outro materno, como espelho, que o primeiro tempo do édipo em 
Lacan pode ser pensado\u201d (p.53) Nesse sentido, tal estádio tem uma relevância na medida em 
que consiste na passagem que faz de uma imagem despedaçada do corpo, uma unidade, 
denominada por Lacan como \u201cortopédica\u201d, sendo essa primeira relação de realidade vivida 
pela criança a partir da mãe, portanto, o primeiro tempo no édipo. 
Tal relação inicialmente estabelecida entre mãe-criança é uma relação na qual a 
criança se vê em completo assujeitamento ao Outro materno, visto que a satisfação de suas 
necessidades depende da forma de como seu grito é recebido e significado pela mãe. Faria 
trás que este assujeitamento faz da mãe, no primeiro tempo, a potência da satisfação da 
criança, fazendo da mãe o que Faria (2016) coloca como \u201cum Outro onipotente, que tem e dá 
ou recusa, mas que, inquestionavelmente, tem para dar\u201d (p.58). Desse modo, a partir da 
configuração dessa figura da mãe enquanto um Outro onipotente, inicia o complexo de Édipo. 
Lacan, no entanto, diferente de Freud não coloca a questão da falicidade da mãe do 
imaginário da suposição de que a mãe tenha um pênis, mas ressalta o aspecto simbólico da 
própria criança sendo tomada como o que ocupada privilegiadamente a posição de falo 
materno e não o pênis. 
Ademais, Faria coloca que o fato de ocupar privilegiadamente o lugar de falo materno 
introduz a criança num \u201ccurto-circuito\u201d no qual da identificação fálica é o que fornece as 
FICHAMENTO 
Universidade Federal do Triângulo Mineiro- UFTM 
Instituto de educação, letras, artes, ciências humanas e sociais 
Disciplina: Psicopatologia Geral I 
Discente: Gabriela Vieira Murali 
Docente: Profº. Drº. Tiago Humberto Rodrigues Rocha 
4° período- Turma XVIII 
Faria, M. R. (2016). Lacan com Freud. In M. R. Faria (Org.), Constituição do Sujeito e Estrutura 
Familiar (pp.49-92). Taubaté, SP: Cabral. 
 
condições de passagem de um corpo despedaçado a uma unidade do eu, mas também mantém 
a criança em completo assujeitamento diante da onipotência do Outro. Nesse sentido, é nesse 
curto-circuito que se estabelece o que Lacan chama, no Seminário 5, uma \u201cidentificação 
primitiva\u201d. Tratando-se dessa relação ser, no primeiro tempo, baseada na ilusão que a criança 
tem de ser o falo materno como colocado por Faria (2016): \u201ca criança, identificada 
imaginariamente ao objeto do desejo materno, tem a ilusão de ser esse objeto (p.62)\u201d. Tal 
identificação desconhece o estatuto do falo como elemento simbólico, colocado por Lacan, 
como \u201cetapa fálica primitiva\u201d. 
Para mãe, no entanto, o falo é um objeto simbólico já desde antes o nascimento do 
filho, sendo um elemento simbólico preexistente à entrada do sujeito no Édipo, tal como a 
linguagem está marcado desde o início, mesmo que ainda não se tenha valor efetivo. Dessa 
maneira, se o primeiro tempo do Édipo permite mostrar a anterioridade logica da linguagem 
ao sujeito por meio da posição da mãe como Outro, a autora coloca ser possível de mesma 
forma situar o que denomina anterioridade logica do pai, cujo lugar está marcado ates mesmo 
que sua função se torne efetiva para a criança. Tratando-se objetivamente, ele pode ou não 
esta presente no ambiente familiar mas, para a criança, se passa como se o mesmo ainda não 
tivesse entrado, visto o primeiro tempo ser uma etapa que ocorre entre a mãe e a criança, 
mesmo que, no entanto, a mãe seja um sujeito para o qual o pai já ocupa um lugar desde o 
início. 
Em vista dos aspectos expostos, é possível constatar que, como trás Faria (2016): 
o primeiro tempo possui a característica de ser um tempo de \u201csuspensão\u201d, não apenas 
da articulação do falo como elemento simbólico, que ordena o campo da linguagem 
para a criança, mas igualmente da entrada do pai, que ainda não \u201cestá\u201d para a criança, 
mas que já está, em potência, de forma velada, no Outro materno\u201d (p.67). 
 
Dessa forma, portanto, o primeiro tempo ao mesmo tempo em que se constitui uma 
etapa altamente estruturante, segundo Lacan, deve ser superada. 
No segundo tempo, todavia, Lacan dispõe a saída da criança de sua ligação com o 
desejo materno, uma vez que há a compreensão da mãe como não possuidora do falo, 
implicando com isso, a quebra de ilusão desta de ser o falo materno. Tal fato é apontado no 
capítulo como uma dupla incidência da castração, dado que a percepção de que a mãe é 
castrada implica no entendimento de eu a criança não é o falo que supunha ser. Nessa 
perspectiva Faria pontua que o que é castrado, para Lacan, não é o sujeito, e sim a mãe, visto 
se tratar dos efeitos da falta no outro sobre a própria criança, e não de algo que se efetiva 
nesse sujeito que é a mãe. Portanto, mesmo que a marca da castração materna já fosse 
preexistente, a posição de assujeito diante de um Outro fálico-onipotente não permitia 
condições da criança de apreender tal dado. No segundo tempo, portanto, a criança passa a ter 
que lidar com um Outro faltante, desejante. 
Diferente de o que aponta a teoria freudiana, para Lacan, o fator de constatação da 
castração materna está na própria ausência da mãe, que pode estar presente ou não, situando 
uma falta, uma hiânica na relação entre a criança e a mãe, não estando ligada necessariamente 
às saídas ocasionais da mãe mas sim tratando-se, como assinala Faria (2016), \u201cdo efeito de 
um elemento, absolutamente particular, que seja capaz de indicar que há, na mãe, um desejo 
outro que não pela criança\u201d (p.70) e, é justamente por desejar \u201coutra coisa\u201d, x, que nela pode 
ser situada uma falta. Tal falta para Lacan é definida como privação por meio da passagem da 
frustação à privação. 
Na privação, a falta é real, contudo, incide sobre um objeto simbólico, uma vez que o 
objeto sobre o qual incide essa falta não é a mãe, e sim a criança na posição de falo materno. 
A partir dessa nova articulação, Lacan situa a entrada do pai como privador da mãe, o que 
castra. Sendo privador por representar uma interdição à mãe na relação da mesma com a 
criança,e também tendo uma posição ambígua por ser considerado, de mesma forma, como 
trás Faria (2016), \u201caquele a quem a criança remete essa hiânica na relação com o outro 
materno\u201d (p.76) estando por trás da relação da mãe com seu objeto de desejo, passando a ser 
o responsável pela interdição do incesto. Tendo em vista tais aspectos, é senão por meio da 
mediação da mãe que é permitido a entrada do pai, uma vez que ele se faz representante da 
falta, estando essa falta instaurada no nível da mãe. 
Por isso tudo, Lacan coloca o segundo tempo como um ponto nodal no Édipo, visto 
ser essa privação a que a criança assume ou não, aceita ou recusa, dependo disso as diferentes 
saídas do complexo de Édipo, vistas no terceiro tempo. No terceiro tempo, por fim, é 
estabelecida a configuração final do complexo de Édipo. Como trazido no capítulo por Faria 
(2016): 
\u201cé pelo terceiro tempo que se pode, finalmente, definir o Édipo como um ordenador da 
sexualidade humanda, que depende fundamentalmente da instauração da