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Parasitologia   Rey

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Serviço do Prof. N.C. Caminha,
Rio de Janeiro.
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Diagnóstico da infecção
Várias técnicas permitem o diagnóstico da infecção:
Na fase aguda, o exame de sangue a fresco (onde se vê o
parasito em movimento), em gota espessa ou estirada,
coradas pelo método de Giemsa (ou de Leishman) permitem
visualizar os tripanossomos circulantes, que são então
abundantes.
Uma gota de sangue (A) é
depositada sobre uma lâmina de
microscopia e estendida, para
fixação e coloração posterior.
Uma gota espessa (B) pode ser
desemoglobinizada, fixada e
depois corada, para melhor
visualização dos parasitos.
OutrasOutras técnicastécnicas possíveispossíveis sãosão aa hemoculturahemocultura ee aa
PCR,PCR, sese bembem queque estaesta últimaúltima nãonão tenhatenha entradoentrado aindaainda
nana rotinarotina diagnósticadiagnóstica..
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Sorologia e xenodiagnóstico
Também o xenodiagnóstico ppode ser
utilizado, sobretudo na fase crônica, e
consiste em fazer alguns triatomíneos
limpos (criados no laboratório e alimen-
tados sobre aves) sugarem o sangue do
paciente (figura).
No xenodiagnóstico, uma amostra de
sangue, retirada por punção venosa, é
posta dentro de um preservativo (não
lubrificado) e exposta aos insetos (que
estiveram em jejum prolongado) para que
suguem.
Se o paciente for positivo, decorridas
2 a 6 semanas, o exame microscópico
das fezes desses insetos mostra a
presença de tripomastigotas infectantes.
Na fase crônica, a sorologia (pela imunofluorescência,
hemaglutinação ou pelo método de ELISA) é mais eficiente
por demonstrar a presença de anticorpos específicos no
soro.
FrascoFrasco (c)(c) cobertocoberto comcom telatela dede
filófiló (a,(a, b),b), tendotendo suportessuportes (d,(d, e)e)
parapara osos triatomíneostriatomíneos ee umum
preservativopreservativo contendocontendo oo
sanguesangue aa testartestar (f)(f)..
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Tratamento da tripanossomíaseTratamento da tripanossomíase
Só existe tratamento medicamentoso para a
fase aguda, quando se utiliza o benznidazol (ou
o nifurtimox), com resultados variáveis
segundo as linhagens de Trypanosoma cruzi.
O controle de cura é difícil, sendo feito pela
sorologia, pela hemocultura ou pelo xenodia-
gnóstico.
Na fase crônica, o tratamento é sintomático,
sendo a cardiopatia chagásica medicada como
as de outras etiologias.
Tanto o megaesôfago como o megacólon são
tratados cirurgicamente.
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PREVALÊNCIA
Os inquéritos feitos no Brasil, em 1980, pelo método de
imunofluorescência indireta, indicavam uma prevalência
global de 4,4%, variando de Estado para Estado, segundo
mostra o gráfico abaixo, onde Minas Gerais, Rio Grande
do Sul e Goiás figuravam com as maiores prevalências.
Estimava-se existirem no Brasil 6 milhões de pessoas
sorologicamente positivas. A situação hoje é bem outra.
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Reservatórios
A tripanossomíase americana é uma zoonose de animais
silvestres, originária dos Andes bolivianos, que os
movimentos populacionais levaram primeiro para o Peru,
Paraguai, Chile e Argentina, depois para o sul do Brasil.
Em nosso país, muitos mamíferos silvestres podem ser
reservatórios, tais como os tatus e os marsupiais, como o
gambá, além de roedores e macacos.
Dasypus 
novemcinctus Didelphis marsupialis
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Os insetos vetoresOs insetos vetores
Em geral, a infecção é transmitida por insetos da família
Reduviidae e dos gêneros Panstrongylus, Triatoma e
Rhodnius. São possíveis também a transmissão congênita,
ou por transplante e a transfusional sanguínea.
No Brasil, os principais vetores são: Triatoma infestans
(de hábitos domésticos) e Panstrongylus megistus
(doméstico ou silvestre, segundo as regiões).
Mas, várias outras espé-
cies silvestres, que transmi-
tem a infecção entre os
animais, podem contaminar
pessoas que penetrem no
ecossistema onde vivem.
Ou quando, por acaso,
esses insetos invadem as
casas, como faz o Triatoma
braziliensis, de hábitos peri-
domésticos e o principal
transmissor da infecção em
todo o Nordeste do Brasil.T. infestans P. megistus
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Distribuição dos vetoresDistribuição dos vetores
Os insetos triatomíneos dis-
tribuem-se do sul da Argentina
(Patagônia) até o sul dos EUA.
Porém, o principal transmis-
sor da doença de Chagas –
Triatoma infestans – ocupa os
países andinos a partir do Peru
até o Uruguai, o Paraguai e o
sul do Brasil.
Panstrongylus megistus – o
segundo vetor em importância
– encontra-se principalmente
no Brasil e no Paraguai.
Triatoma braziliensis – habi-
ta o Nordeste do Brasil.
Rhodnius prolixus – vive nos
focos do norte do Continente
Sul-Americano.
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Fatores epidemiológicos (1)
A importância maior do Triatoma
infestans está no fato de ter-se
adaptado ao ambiente doméstico,
vivendo nas casas com paredes de
barro, onde se abriga e se
multiplica nas fendas e em outros
esconderijos, durante o dia.
Saem à noite para sugar sangue,
pois são hematófagos em todas as
fases evolutivas.
A figura mostra seus estádios de
desenvolvimento nas paredes de
barro:
• Os ovos (1).
• Ninfas de primeiros estádios (2).
• Ninfas de quinto estádio (3).
• Insetos adultos (4).
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Fatores epidemiológicos (2)
As casas rurais com paredes de barro e sem revestimento,
ou com cobertura de palha, oferecem um microambiente muito
favorável para triatomíneos como os Triatoma infestans, que
se domiciliaram no Brasil.
Sendo uma espécie exótica, que não se adaptou aos novos
ambientes silvestres, sua erradicação é possível mediante o
uso de inseticidas aplicados nas moradias.
A borrifação das pa-
redes internas das
casas (e tetos de pa-
lha) com inseticidas
de ação residual tem-
-se revelado eficiente
para interromper a
transmissão da ende-
mia por T. infestans.
Outrora ela era feita
com o hexacloro-
benzeno (ou BHC) e,
atualmente, com os
piretróides.
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O programa de controle da endemiaO programa de controle da endemia
Não existindo terapêutica eficaz, nem processo de
imunização que proteja os indivíduos suscetíveis, a ação
contra essa tripanossomíase consiste basicamente na
eliminação dos principais triatomíneos vetores com
inseticidas.
O êxito obtido, de
início, no Estado de
São Paulo (desde
1984) e, depois, em
extensas regiões do
país levou à convic-
ção de que é possível
eliminar a transmissão
domiciliar.
Com isso, tem-se
impedido o apareci-
mento de novos casos.
Foto de J. C. Pinto Dias, Brasília.
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Controle do Triatoma infestans
Redução das áreas de dispersão do T. infestans no Brasil, 
no período compreendido entre 1983 e 1999.
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Problemas do controleProblemas do controle
Em regiões onde os
insetos vetores têm hábitos
silvestres, como no Nordes-
te do Brasil, e costumam
invadir as habitações huma-
nas, o controle é mais difícil,
visto que, após cada borrifa-
ção, haverá reinvasão dos
domicílios rurais.
Isso exige a aplicação
periódica dos inseticidas de
ação residual, por tempo
indefinido; ou até que as
precárias habitações rurais
venham a ser substituídas
por construções que ofere-
çam total proteção contra os
insetos.
Outro problema é o contro-
le dos doadores de sangue.
Os que estão infectados
devem ser identificados soro-
logicamente para que seu
sangue não seja utilizado.
Os bancos de sangue
devem fazer seleção rigorosa
e sistemática dos doadores
(o que nem sempre tem
acontecido) para evitar a
transmissão transfusional.
O mesmo problema ocorre
nos transplantes de órgãos.
São medidas necessárias
enquanto existirem na po-
pulação pessoas portadoras
de infecções crônicas, ainda
que assintomáticas.
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Resultados do controle da 
tripanossomíase americana
Resultados do controle da 
tripanossomíase americana
Situação do controle da
tripanossomíase americana
após 1980, de acordo com
as taxas de infecção
registradas nos grupos
populacionais (indicados