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Parasitologia   Rey

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no campo ou o
contato com o solo.
Deve-se evitar de manipu-
lar as lesmas e proibir as
crianças de brincar com
moluscos.
Leituras complementares
FRAHIA, H, et al. – Lagoquilascaríase humana e dos
animais domésticos. Zoonoses. Revista Internacional
(Brasília). 1: 25-33, 1989.
MORERA, P. – Angiostrongilíase abdominal. Um problema
de saúde pública? Revista da Sociedade Brasileira de
Medicina Tropical, 21: 81-83, 1988.
MOTA, E. M. & LENZI, H. L. – Angiostrongylus costa-
ricensis life cycle: a new proposal. Memórias do Instituto
Oswaldo Cruz, 90: 707-709, 1995.
REY, L. – Parasitologia. 3a edição. Rio de Janeiro, Editora
Guanabara, 2001 [856 páginas].
TEIXEIRA, C. G.; CAMILO-COURA, L. & LENZI, H. L. –
Histopathological criteria for the diagnosos of abdominal
angiostrongyliasis. Parasitological Research, 77: 606-611,
1991.
TEIXEIRA, C. G. – Estudos sobre angiostrongilíase abdomi-
nal no sul do Brasil. Tese. Fac. de Medicina da UFRJ, 1986.
PARASITOLOGIA 
MÉDICA
PARASITOLOGIA 
MÉDICA
20. ENTEROBÍASE E TRICURÍASE 20. ENTEROBÍASE E TRICURÍASE 
Complemento multimídia dos livros “Parasitologia” e “Bases da Parasitologia 
Médica”. Para a terminologia, consultar “Dicionário de termos técnicos de
Medicina e Saúde”, de
Luís Rey
Fundação Oswaldo Cruz
Instituto Oswaldo Cruz
Departamento de Medicina Tropical
Rio de Janeiro
EnterobíaseEnterobíase
Enterobius vermicularis
Este nematelminto (outrora denomi-
nado Oxiurus vermiculares) é agente
etiológico da enterobíase (ou oxiuríase)
parasitose intestinal peculiar à espécie
humana e freqüente, em crianças.
A fêmea cilíndrica e com extremi-
dades afiladas (A) mede cerca de 1 cm.
A cutícula lisa forma 2 expansões
cervicais (a).
O macho (B) muito menor, tem a
extremidade posterior enrolada ventral-
mente.
O hábitat dos vermes adultos é a
região cecal do intestino grosso
humano e suas imediações, onde vivem
aderidos à mucosa.
A, fêmea; B, macho; e C, ovo de Enterobius
vermicularis; a) aletas cervicais; b) esôfago; c)
intestino; d) útero; e) vagina; f, ovário; g) reto e
ânus; h) canal ejaculador; i) testículo.
Fisiologia e ciclo do enteróbio
Os enteróbios têm um esôfago
com bulbo posterior (flexa) e um
intestino simples.
Ovário, oviduto e útero são
duplos e a vagina abre-se no
limite entre terço anterior do
corpo e o médio; o ânus fica no
início do terço posterior.
A fêmea fecundada, quando
cheia de ovos no útero, relaxa sua
inserção e é arrastada para fora
do intestino sendo exprimida no
ânus, razão pela qual expulsa
grande quantidade de ovos na
pele em torno.
A morte da fêmea, ao fim de 35-
50 dias, também libera ovos.
Extremidade anterior de Enterobius vermicularis
onde se vê o esôfago com um bulbo dotado de
mecanismo valvular (flexa) e parte do útero com
ovos.
Enterobius
vermicularis
Fisiologia e ciclo do enteróbio
Os ovos são característicos, medindo
50 a 60 µm de comprimento por 20 a 30
µm de largura.
São mais achatados de um lado e, além
de sua dupla casca, contêm uma larva L2
já formada por ocasião da postura.
Os ovos só se tornam infectantes após
contato com o O2 no períneo ou no meio
ambiente.
Na temperatura da pele (30ºC) essa
maturação faz-se em 4 a 6 horas.
Quando ingeridos, eclodem no intestino delgado do novo
hospedeiro (ou do próprio paciente: é a auto-infecção),
desenvolvendo-se as larvas até vermes adultos, enquanto
migram lentamente até o cecum. Não há ciclo pulmonar.
No hábitat definitivo copulam e as fêmeas começam a
produzir ovos.
Patologia e clínica da enterobíase
A ação patogênica é,
principalmente, de natureza
mecânica e irritativa, ao
produzirem os vermes peque-
nas erosões da mucosa onde
se fixam.
Ou ao provocarem uma
inflamação catarral quando o
parasitismo for intenso.
Só em casos extremos
estão presentes milhares de
vermes; pois, geralmente,
eles são muito poucos.
Em geral apenas uma de
cada dez crianças infectadas
apresenta sintomas, podendo-
se encontrar uma ou algumas
fêmeas, no períneo, a cada
manhã.
O principal sintoma é o
prurido na região anal, que
leva o paciente a coçar-se e
chega, mesmo, a produzir
escoriações.
O períneo fica vermelho e
congesto, podendo dar lugar a
infecções.
Também podem surgir le-
sões na mucosa retal.
Em meninas soe haver pru-
rido vulvar.
Fenômenos de hipersensi-
bilidade devem estar presen-
tes pois os pacientes sentem
também prurido nasal.
Crises de urticária não são
raras.
Diagnóstico da enterobíase
Irritabilidade, distúrbios
do sono ou insônia podem
resultar do parasitismo.
Na esfera genital, a irrita-
bilidade local leva, even-
tualmente, a um exagerado
erotismo, masturbação ou
ninfomania.
No parasitismo intenso,
instala-se uma colite crô-
nica, com fezes moles ou
diarréia e inapetência.
Em conseqüência, há um
emagrecimento do pacien-
te.
Pensa-se em enterobíase nos
casos de prurido anal que se
agrava à noite, com eosinofilia
ligeira (4 a 15% de eosinófilos)
e sem outras causas.
O exame de fezes (com
enriquecimento) só revela 5 a
10% dos casos.
O diagnóstico é fácil quando
as pessoas que cuidam das
crianças encontram os vermes
no períneo, na roupa íntima ou
de cama.
Fêmeas adultas
de Enterobius
(com 1 cm) en-
contradas no
períneo ou na
roupa íntima.
Diagnóstico da enterobíase
O melhor método para o
diagnóstico é a busca de ovos (ou
vermes) no períneo, de manhã antes
do banho, pela técnica da fita adesiva:
Um segmento desta (a) é disposto
em volta de uma lâmina de mi-
croscopia com a parte colante para
fora (A).
Colocada contra o ânus (B) e,
depois, aproximando-se as nádegas,
os parasitos da pele aderem à fita que
é em seguida colada sobre a lâmina
(C).
Examinar a lâmina ao microscópio.
Tiras de papel (b) foram previamente coladas aos
extremos da fita adesiva para facilitar seu manejo e permitir
anotações sobre a identificação do paciente, data etc.
C
Tratamento da enterobíase
O tratamento é feito com
um dos medicamentos
seguintes, de largo espectro,
que agem também contra
outros helmintos intestinais:
Albendazol, dose única (400
mg), por via oral, a repetir 2
semanas depois.
Mebendazol, 100 mg duas
vezes ao dia, durante 3 dias.
Pamoato de pirantel, dose
única (10 mg/kg) por via oral,
a repetir após 15 dias.
Piperazina (50 mg/kg), to-
mar durante uma semana).
Mais específico e igual-
mente eficiente é o pamoato
de pirvínio (5 a 10 mg/kg em
dose única, por via oral).
A expectativa de cura com
um só tratamento é de 80 a
90%. Com dois, aproxima-se
de 100%.
Apesar da curta vida dos
helmintos, o parasitismo dura
em geral muitos anos devido
à facilidade com que ocor-
rem as reinfecções.
Donde ter-se que tratar, ao
mesmo tempo, toda a família
ou os grupos inteiros nas
escolas, asilos e orfanatos.
Epidemiologia da enterobíase
O mecanismo de transmissão
é explicado por acumularem-se
os ovos no períneo, sobretudo
durante a noite, passando daí
para os lençóis, pijamas e a
roupa íntima.
De manhã, ao movimenta-
rem-se os lençóis, onde os
ovos se haviam acumulado,
ao despir ou trocar de roupa,
(puxando-a pela cabeça),
eles são facilmente suspen-
didos no ar, como as
poeiras.
E são então aspirados.
Fato semelhante ocorre,
também, quando os pacien-
tes vão ao toalete.
A escola constitui lugar de
fácil transmissão.
A população escolar é a
mais parasitada, seguida da
pré-escolar e das pessoas
que cuidam das crianças.
Circulação de ovos de Enterobius.
Epidemiologia da enterobíase
A atmosfera de dormitórios
e banheiros freqüentados por
pessoas parasitadas costuma
ser rica de ovos embrionados.
Quando aspirados e deglu-
tidos com as secreções
brônquicas, esses ovos,
contendo larvas L3, passam a
infectar as pessoas susce-
tíveis.
Isso explica não só as
hétero-infecções,