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Parasitologia   Rey

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mormente
entre os que dormem na
mesma cama ou no mesmo
quarto, como as re-infecções
que se prolongam por anos.
Além da transmissão por
via aérea, ela pode dar-se
pelas mãos sujas de outras
ou da mesma pessoa; ou pela
contaminação de alimentos e
objetos que vão à boca.
A super-infecção pode ser
conseqüência do ato de coçar
(relacionado com o intenso
prurido anal), fazendo com
que um número considerável
de ovos se acumule sob as
unhas.
Crianças que chupam dedo
e pessoas que roem unha,
são as mais expostas.
Epidemiologia da enterobíase
Em meados do século XX, estimava-se
existirem 200 milhões de pessoas parasita-
das no mundo, sendo maior a prevalência
nos países de clima frio (mesmo se ricos).
Lá, onde se vive meses em ambientes
fechados, se toma pouco banho e as mudas
de roupas são menos freqüentes, as
reinfecções e superinfecções são facili-
tadas.
Em outros lugares, a vida ao ar livre, o uso
de pouca roupa e os banhos freqüentes
(inclusive os de rio) reduzem os riscos de
enterobíase.
Controle da enterobíase Controle da enterobíase (1)(1)
Nenhuma medida isolada é suficiente para
interromper a transmissão desta helmintíase.
Mas, quando aplicada a todos os membros de
uma família ou de um grupo em causa, a
terapêutica é a mais eficaz.
Ela deve ser repetida a curtos intervalos –
cerca de 20 dias – para que não se complete o
ciclo biológico do parasito. Medidas que devem
acompanhar a quimioterapia são:
– Banhos matinais diários de chuveiro.
– Lavagem cuidadosa das mãos depois de
defecar, antes de comer e de preparar
alimentos.
Controle da enterobíase Controle da enterobíase (2)(2)
Recomenda-se também:
– Manter as unhas curtas e limpas com
escova. Impedir a coçagem, com pomada
antipruriginosa, e vestindo macacões nas
crianças para dormir.
– Mudar freqüentemente a roupa de cama, a
de dormir e a de baixo, lavando-as com
aquecimento a 55ºC ou fervendo-as.
– Evitar superlotação dos quartos, arejá-los
bem e remover a poeira (se possível com
aspirador).
– Manter os sanitários limpos, aplicar
desinfetantes e promover a educação sanitária
dos usuários.
e e Trichuris trichiuraTrichuris trichiura e e 
outros tricurídeosoutros tricurídeos
Os Trichuroidea
São vermes redondos de tamanho
pequeno ou médio, que são filiformes
em sua porção anterior e fusiformes
posteriormente.
As espécies que habitualmente
parasitam o homem são Trichuris
trichiura, cosmopolita, e Trichinella
spiralis, inexistente no Brasil.
T. trichiura é também denominado
tricocéfalo (nome antigo).
A infecção recebe os nomes de
tricuríase, tricurose e tricocefalose.
Estimou-se existirem no mundo
350 milhões de indivíduos com essa
parasitose, dos quais 30 milhões na
América tropical (Stoll, 1947).
A, fêmea; B, macho.
a) vagina; b) útero; c) ovário; d)
reto e ânus; e) faringe; f) canal
deferente; g) espículo; h) cloaca; i)
testículo.
Trichuris trichiura: o parasito
As fêmeas adultas medem 3 a 5 cm
de comprimento sendo os machos um
pouco menores. O segmento delgado
anterior é mais longo que o posterior.
Os órgãos bucais são rudimentares e
o esôfago, formado por uma coluna de
células secretoras (esticócitos), sem
musculatura, que apresenta delgado
canal atravessando todo o segmento
delgado do corpo. O conjunto é o
esticossomo.
Os órgãos reprodutores são muito
simples e singelos tanto no macho
como na fêmea.
A extremidade posterior do macho é
enrolada ventralmente em espiral e, da
cloaca, projeta-se um longo espículo
envolvido por uma bainha cuticular
recoberta de minúsculos espinhos.
Extremidade posterior
do macho, mostrando o
espículo e sua bainha
exteriorizados (seta).
Trichuris trichiura: o parasito
O ciclo de Trichuris trichiura
requer apenas um tipo de
hospedeiro: do gênero humano.
Os vermes adultos habitam
em geral o cecum, poucas
vezes o apêndice, o cólon ou as
últimas porções do íleo.
Alimentam-se aí do líquido
intersticial, do sangue e de
tecidos lisados.
O número de parasitos
albergados por um paciente
está geralmente entre 2 e 10,
mas varia consideravelmente
podendo chegar a centenas,
em casos raros.
Desenho que representa a
implantação de alguns Trichuris
na mucosa do intestino grosso.
Eles podem viver 6 a 8
anos.
Trichuris trichiura: o parasito
Cada fêmea fecundada
elimina entre 3.000 e 7.000
ovos por dia.
Os ovos têm forma muito
característica, elíptica, com
casca tripla, de tonalidade
castanha; medem 50-55 µm
de comprimento por 22-24
µm de largura e contêm uma
célula ainda não dividida.
Nos extremos do ovo, há 2
tampões polares de aspecto
hialino, por onde se dará a
eclosão da futura larva.
Os ovos não embrionam en-
quanto no interior do intes-
tino.
A formação de uma larva
tem lugar no meio exterior, ao
fim de 11 dias em tempera-
tura de 35ºC; de 3-4 semanas
a 26ºC e só ao fim de 4 a 6
meses se a 15ºC.
O ovo
Tricuríase
No laboratório os ovos
permanecem infectantes cer-
ca de 5 anos.
Mas em condições naturais
devem resistir, pelo menos,
durante vários meses.
Quando ingeridos, chegam
diretamente ao intestino
grosso, sem migrações por
outros órgãos.
Aí, as larvas deixam o ovo
por um de seus pólos e se
fixam à mucosa, mergulhan-
do nesta seu segmento
delgado.
Tornam-se vermes sexual-
mente maduros ao fim de 1 a
3 meses.
Na grande maioria das
vezes, o parasitismo é assin-
tomático, não se sabendo a
partir de quantos vermes os
sintomas aparecem.
Pensa-se que eles são
devidos a um irritação da
inervação local, com refle-
xos sobre o peristaltismo e a
absorção intestinal, ou a
fenômenos de hipersensibi-
lidade.
TricuríaseTricuríase
Diagnóstico
Qualquer método de exame
de fezes é adequado para o
diagnóstico, dada a abundân-
cia de ovos nas fezes dos
pacientes e sua forma carac-
terística.
Para se avaliar a carga
parasitária utilizam-se técni-
cas como a de Stoll (de
preferência) ou a de Kato-
Katz.
Nas infecções leves há
menos de 5.000 ovos por
grama de fezes.
Nas pesadas, há mais de
10.000 ovos/grama.
Em crianças, pode haver
apenas nervosismo, insônia,
inapetência e eosinofilia.
Mais vezes, ocorrem diar-
réias, dor abdominal, tenes-
mo e perda de peso.
Outros distúrbios digesti-
vos podem estar presentes.
Em crianças pequenas, a
produção de diarréia persis-
tente tende a gerar um
quadro de desidratação.
E uma irritação intestinal
intensa, por elevada carga
parasitária, chega a produ-
zir prolapso retal.
Tratamento da tricuríase
Vários anti-helmínticos são eficazes para
o tratamento da tricuríase.
As preferências atuais são para:
Mebendazol – A dose é de 100 mg, duas
vezes ao dia, durante 3 dias (600 mg no
total). Também podem ser usados o
albendazol e o flubendazol.
Pamoato de oxantel – Nos casos leves,
administrar 10 mg por quilo de peso do
paciente, em dose única, por via oral. Nos
demais, dar essa dose duas vezes ao dia,
durante 3 dias.
Epidemiologia da tricuríase
A tricuríase é doença cosmopolita,
com distribuição semelhante à da
ascaríase.
A prevalência oscila entre 30 e
80% da população geral, incidindo
principalmente em crianças.
No Brasil a prevalência é próxima
de 30%, sendo mais elevada na
Amazônia e na faixa litorânea, de
clima equatorial e chuvas distribuí-
das pelo ano todo.
Em Alagoas 71% das pessoas
examinadas, no período 1974-1976,
eram positivas; em Sergipe 80%.
As crianças apresentam as cargas
parasitárias mais altas e as
sintomatologias mais pronunciadas. A - Prevalência da tricuríasesegundo a idade. B - Carga
parasitária segundo a idade
(Bundy & Cooper, 1989).
Epidemiologia e controle Epidemiologia e controle 
da tricuríaseda tricuríase
As únicas fontes de
infecção são as humanas,
cabendo às crianças em
idade pré-escolar a maior
responsabilidade na trans-
missão