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Parasitologia   Rey

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da tricuríase.
O peridomicílio é a área
mais afetada, devido à
poluição fecal do solo,
onde as condições de
saneamento e de higiene
são precárias.
Os ovos dos trícuros são
mais sensíveis à desidra-
tação que os de áscaris,
razão pela qual é nos solos
úmidos e sombreados onde
permanecem mais tempo
vivos.
As medidas de controle
são aquelas recomendadas
em relação à ascaríase e
demais parasitoses trans-
mitidas pelo solo (geo-
helmintíases).
Capilaríase e Capilaríase e 
triquinelosetriquinelose
CapilaríaseCapilaríase
Capillaria hepatica é um
tricurídeo muito freqüente
como parasito de ratos e de
outros roedores (presente em
40-90% dos Rattus norvegi-
cus); e podendo ser encon-
trado em outros mamíferos,
como cães e gatos.
A fêmea mede 2 cm de
comprimento e o macho 1 cm
apenas.
Habitam o parênquima
hepático, onde depositam
seus ovos que formam aglo-
merados visíveis a olho nu.
Os ovos se parecem com
os de Trichuris, mas têm a
casca externa com canalícu-
los que lhes emprestam
aspecto estriado.
Medem 50 a 68 µm de com-
primento por 30 µm de largo.
Para a transmissão do para-
sito é necessário que um
roedor infectado seja comido
por um carnívoro e este eli-
mine os ovos de Capillaria em
suas fezes.
No meio externo, os ovos
levam 2 meses para embrio-
nar e tornarem-se infectantes
para outros roedores.
Ovo de 
Capillaria 
hepatica
CapilaríaseCapilaríase
A infecção humana é muito
rara, causando hepatite,
hepatomegalia acentuada e
dolorosa, com fibrose.
Nos casos graves, há
febre, anorexia, vômitos,
anemia e eosinofilia elevada
(até 80% de eosinófilos). O
paciente apresenta grande
astenia.
Nas formas mais benignas,
os sintomas são discretos e
a evolução pode terminar
pela cura espontânea.
Mas, em geral, a infecção
leva o paciente à morte.
Os ovos não aparecem nas
fezes dos pacientes.
Diagnóstico
É feito por biópsia ou na
mesa de autópsia.
A ingestão de fígado de
caça pode fazer com que os
ovos, sem eclodir, apareçam
nas fezes de pessoas sadias,
simulando uma infecção.
Admite-se que a origem da
infecção humana decorra da
ingestão de ovos dissemina-
dos por cães e gatos que
caçaram roedores infecta-
dos, tendo esses ovos em-
brionado no meio ambiente.
A prevenção requer a elimi-
nação dos ratos e as demais
medidas já recomendadas
para o controle das geo-
helmintíases.
Trichinella spiralis e triquinelose
A triquinelose é doença
relacionada com o consumo
da carne de porco crua ou
mal cozida e seus produtos
derivados.
Ela é também chamada tri-
quinelíase, triquiníase ou tri-
quinose.
Seu agente principal é a
Trichinella spiralis (super-
família Trichuroidea, família
Trichinellidae) cujas larvas se
encontram na carne do porco
e, sendo ingeridas, migram
para os tecidos do homem,
onde se encistam.
Os parasitos circulam entre
ratos (que são canibais) e
porcos, que por vezes comem
ratos, vivos ou mortos.
A doença é cosmopolita e
constitui problema na Europa
Oriental e Meridional, na Amé-
rica do Norte e em alguns
focos da África e América do
Sul. Não foi registrada no
Brasil.
Em algumas regiões os pa-
sitos pertencem às espécies
T. nelsoni e T. nativa, que
circulam entre animais silves-
tres.
Trichinella spiralis
Os vermes adultos são muito peque-
nos: as fêmeas (B) medem 3-4 mm e os
machos (A), 2 mm de comprimento.
A boca é simples; o esôfago é
muscular em sua parte inicial e o resto
formado pelo esticossomo.
O ânus terminal é dotado de duas
papilas cônicas, no macho, por entre
as quais projeta-se a parede da cloaca
durante a cópula.
Os helmintos vivem ao longo do
intestino delgado, presos à mucosa ou
em sua espessura, mas não nos
cólons.
Depois da fecundação os machos
são eliminados e as fêmeas aprofun-
dam-se nos tecidos. Elas são vivíparas.Trichinella spiralis:
A, macho; B, fêmea.
B
Triquinelose
As fêmeas parem de 350 a 1.500
larvas de primeiro estádio, durante 2
a 16 semanas.
Parte das larvas são eliminadas
com as fezes, enquanto a maioria
invade a circulação sanguínea ou
linfática sendo disseminada pelo
organismo.
Apenas as que se localizarem na
musculatura esquelética poderão
evoluir. No interior das fibras sofrem
três mudas e crescem de 0,1 mm a
1 mm, em um mês.
Aí se enrolam e são isoladas por
uma cápsula fibrosa segregada pelo
hospedeiro.
Nos tecidos humanos, podem per-
manecer vivas 5 a 10 anos, sem evo-
luir.
Duas larvas encistadas de 
Trichinella spiralis, 
no músculo.
Triquinelose: patologia (1)
Se a carne triquinada do
porco for consumida crua ou
mal cozida, as larvas serão
libertadas no estômago, pela
digestão, invadirão a mucosa
duodenal (onde terá lugar a
4ª muda) e 2 a 3 dias depois
completam sua maturação
sexual.
A produção de larvas tem
início 4 a 7 dias depois.
Somente os vertebrados de
sangue quente podem ser
infectados; e isto só ocorre
com os de hábitos carnívoros
ou onívoros.
A imunidade aumenta com
a idade e nas reinfecções,
mas parece obedecer a
mecanismos complexos.
Patologia
Os casos variam de assin-
tomáticos a benignos ou
graves, segundo a carga
parasitária e as condições
do indivíduo.
Na fase de invasão, que
dura uma semana, as mani-
festações dependem do
número de larvas infectan-
tes, podendo causar duode-
nite e jejunite, com náuseas,
vômitos, cólicas e diarréia.
Na fase migratória, muitos
embriões são destruídos nos
mais diversos tecidos, sobre-
vivendo apenas os que
chegam aos músculos es-
queléticos.
Triquinelose: patologia (2)
Os grupos musculares mais
atingidos são os de maior
atividade, como o diafragma,
os masseteres, os linguais
etc.
As manifestações clínicas,
causadas por inflamações e
edemas localizados, são as
mais variadas.
Podem surgir de repente
nas pálpebras superiores,
nas têmporas ou nos lados
do nariz.
Há febre remitente, aumen-
to dos linfonodos, das glân-
dulas salivares e eosinofilia
entre 20 e 70% ou mais de
eosinófilos no sangue.
Depois, aparecem mialgias
de tipo reumático, dificulda-
des respiratórias, de degluti-
ção, de mastigação e da fala.
Em alguns casos há parali-
sias espásticas dos membros
e miocardite.
As fibras musculares para-
sitadas degeneram e são
cercadas por uma inflama-
ção difusa.
Outras manifestações que
podem ocorrer nesse período
são exantemas, urticárias,
bronquites e pneumonites.
A mortalidade em geral fica
abaixo de 1%; mas nas
epidemias chega a 35%.
Triquinelose: patologia (3)
Por esse tempo as fêmeas
já deixaram de produzir mais
larvas, cessando a parasite-
mia. Elas não tardarão a mor-
rer ou a serem eliminadas
com as fezes, ao fim de 1 ou
2 meses.
A evolução pode ser para a
caquexia e a morte ou para a
regressão progressiva das
manifestações e cura do
paciente.
Aos 6 meses muitos cistos
começam a calcificar-se, ao
mesmo tempo que as larvas.
Mas algumas larvas resis-
tem vivas um ano ou mais.
No sistema nervoso os
quadros são ainda mais
variados, indo das cefaléias
até as alucinações e o
coma.
O envolvimento cardíaco
pode levar ao óbito.
Período de encistamento:
A partir dos 20 ou 30 dias,
o organismo desenvolve uma
reação inflamatória em torno
de cada larva.
Donde resulta uma fibrose
e formação de um cisto que
isola os parasitos. Em seu
maior diâmetro o cisto
medem cerca de 0,4 mm.
Triquinelose: diagnóstico
Em todos os casos, o
diagnóstico desta parasito-
se é sempre difícil.
Os quadros mais suges-
tivos apresentam:
- febre alta e irregular
que dura 1 a 9 semanas (em
92,5% dos casos);
- edema palpebral supe-
rior (em 95,2%) e
- distúrbios intestinais
nas primeiras semanas.
Depois, mialgias (em
90% dos pacientes);
- hiper-eosinofilia (em
98,6% deles) e
- hemorragias lineares
sob as unhas.
Como antecedente, há
consumo