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Parasitologia   Rey

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Leishmaníase tegumentar difusaLeishmaníase tegumentar difusa
Forma clínica de leishmaní-
ase, atribuída à Leishmania
pifanoi, caracterizada por seu
acentuado dermotropismo e
tendência à disseminação das
lesões cutâneas, que, em geral,
não se ulceram.
Como pode ocorrer também
com L. amazonensis e com L.
mexicana, pensa-se que esteja
relacionada com as condições
imunológicos do hospedeiro.
A sorologia mostra reduzida
produção de anticorpos e a
imunidade celular está ausente.
Mas, para outras infecções, a
resposta imunológica é normal.
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Leishmaníase tegumentar difusaLeishmaníase tegumentar difusa
No rosto, as lesões infiltrativas
são disseminadas e encontram-se
sobretudo nas orelhas, lembrando
a lepra lepromatosa.
Isso tem levado muitos pacien-
tes a serem encaminhados para
os serviços de hanseníase.
Mas o diagnóstico é fácil, desde
que suspeitado, em vista da
abundância de leishmânias nas
lesões.
A evolução é crônica e muito
lenta. Há grande proliferação de
histiócitos, abarrotados de para-
sitos, que seguem aumentando ao
longo dos anos.
O tratamento dá bons resultados nas formas incipientes.
Os casos têm sido descritos na Venezuela e em outros
países da América. No Brasil, foram vistos na Amazônia, no
Nordeste e na Bahia.
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Leituras complementares
MARTINS, A.V. – American Sand Flies (Diptera: Psicodidae,
Phlebotominae). Rio de Janeiro, Academia Brasileira de
Ciências, 1978 [195 páginas].
PESSOA, S. B. – Endemias Parasitárias da Zona Rural Brasileira.
São Paulo, Fundo Editorial Procienx, 1963 [780 páginas].
PESSOA, S. B. & MARTINS, A. V. – Parasitologia Médica. 9a ed.
Rio de Janeiro, Guanabara-Koogan, 1974.
REY, L. – Bases da Parasitologia. 2a edição. Rio de Janeiro,
Guanabara-Koogan, 2002 [380 páginas].
REY, L. – Parasitologia. 3a edição. Rio de Janeiro, Guanabara-
-Koogan, 2001 [856 páginas].
WORLD HEALTH ORGANIZATION – Basic Laboratory Methods in
Medical Parasitology. Geneva, WHO, 1991.
1
PARASITOLOGIA 
MÉDICA
PARASITOLOGIA 
MÉDICA
4a. LEISHMANÍASE VISCERAL4a. LEISHMANÍASE VISCERAL
Complemento multimídia dos livros “Parasitologia” e “Bases da Parasitologia 
Médica”. Para a terminologia, consultar “Dicionário de termos técnicos de
Medicina e Saúde”, de
Luís Rey
Fundação Oswaldo Cruz
Instituto Oswaldo Cruz
Departamento de Medicina Tropical
Rio de Janeiro
2
LEISHMANÍASE VISCERAL
O calazar no Brasil
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Leishmaníase visceral no Brasil
A leishmaníase visceral,
também denominada calazar,
é endêmica em várias partes
do mundo e pode dar lugar a
epidemias.
O quadro clínico carac-
teriza-se por febre irregular,
hépato-esplenomegalia e
anemia.
Na fase terminal, se não
for tratada, produz caquexia
e mortalidade elevada.
Ela tem por causa flage-
lados do complexo “L.
donovani”, cuja nomencla-
tura varia segundo diferen-
tes autores.
A Leishmania donovani e a
Leishmania infantum, ambas
do Velho Mundo, são espécies
bem caracterizadas.
No Brasil, costuma-se dar o
nome de Leishmania chagasi
ao agente do calazar local,
ainda que seja sabidamente
importado da Europa.
Os flagelados do complexo
L. donovani estão adaptados
para viver a 37oC, o que lhes
permite infectar as vísceras e
estruturas profundas.
Esse tropismo explica a
patologia da doença e sua
gravidade.
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Leishmaníase visceralLeishmaníase visceral
Sob a forma de amas-
tigotas, os parasitos
crescem sobretudo nas
células de Kupffer do
fígado e nas do sistema
fagocítico mononuclear
do baço, da medula óssea
e dos linfonodos.
Também crescem nos
pulmões, nos rins, nas
supra-renais, nos intesti-
nos e na pele.
As células hospedeiras
destruídas permitem a
disseminação dos para-
sitos, que podem ser vis-
tos circulando no sangue,
inclusive no interior de
monócitos.
Macrófago abarrotado de leishmânias 
em multiplicação.
5
Leishmaníase visceralLeishmaníase visceral
Inseto flebotomíneo do 
gênero Lutzomyia
Os transmissores são insetos
dípteros da subfamília Phlebo-
tominae e do gênero Lutzomyia.
Os flebotomíneos infectam-se
quando sugam o sangue de
pessoas ou animais parasita-
dos.
No intestino do inseto, a
multiplicação sob a forma
promastigota é intensa; mor-
mente se, depois, esse inseto
fizer um repasto com sucos de
plantas.
Dias depois, ao picar novamente, esses flebotomíneos
inoculam seus parasitos (as formas promastigotas
metacíclicas) nas pessoas, que, se forem suscetíveis,
contraem a leishmaníase visceral.
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Patologia da leishmaníase visceral
A resposta inicial do
organismo à inoculação dos
parasitos é um processo
inflamatório local com produ-
ção de pápula ou nódulo de
base endurecida.
Esse processo pode evoluir
para a cura, assegurando
certa imunidade ao paciente,
ou regredir localmente depois
da disseminação da infecção.
Nesse caso, a imunidade
humoral tende a produzir uma
hipergamaglobulinemia de
IgG, indicando haver distúrbio
do sistema imunológico.
A reação de Montenegro
positiva indica que há,
também, imunidade celular.
A esplenomegalia, a hepato-
megalia e as alterações da
medula óssea são devidas à
hiperplasia e hipertrofia do
sistema macrofágico, que vão
comprimindo e substituindo as
estruturas normais.
Anemia, leucopenia e pla-
quetopenia são os resultados
desse processo.
Os histiócitos, em lugar de
protegerem o organismo do
hospedeiro, passam a servir
de meio de cultura para as
leishmânias.
Em conseqüência, a enorme
produção de antígenos parasi-
tários irá provocar tolerância
imunológica.
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Variedades de leishmaníase 
visceral
Paciente com acentuada 
hepatoesplenomegalia e 
emagrecimento.
Clínica e epidemiologicamente há
certas diferenças a registrar:
A leishmaníase visceral ou calazar
indiano, devido à Leishmania dono-
vani, afeta quase sempre adultos (5 a
6%, apenas, são crianças ou
adolescentes).
Suas lesões são riquíssimas em
parasitos, facilitando a infecção dos
flebótomos. Não há reservatórios
animais, mas costuma haver
epidemias.
O calazar infantil do Mediterrâneo
e do Brasil, causado por L. infantum
(= L. chagasi), só afeta adultos em 1
ou 2% dos casos, tendo como reser-
vatórios o cão doméstico e outros
canídeos.
Ocorre também na África Oriental,
China e Sudeste da Ásia.
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Leishmaníase visceral no Brasil
Crianças de Sobral, CE, 
com calazar por 
Leishmania infantum
O período de incubação é de 2 a 4
meses, após o que forma-se uma pápula
no local da picada (em geral no rosto) que
desaparece antes de surgirem os demais
sintomas.
O início clínico pode ser lento e
progressivo, com adinamia, anorexia e
palidez, e, mais tarde, febre. Mas pode
começar de forma abrupta, com febre
alta, contínua ou não. A anemia e a
desnutrição aumentam com o tempo.
Podem ocorrer hemorragias.
A esplenomegalia é a 2a manifestação
em importância. O baço endurecido chega
a ultrapassar a cicatriz umbilical. O fígado
também aumenta de tamanho.
A desnutrição progressiva leva à
caquexia, com morte em curto ou em
médio prazo nos casos não-tratados.
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Diagnóstico e tratamento do calazarDiagnóstico e tratamento do calazar
A pesquisa de parasitos é
o método básico para fazer o
diagnóstico.
As leishmânias podem ser
encontradas em aspirado de
medula óssea, do baço ou de
linfonodos, sendo a punção
esternal (ou a punção da
crista ilíaca, em crianças) as
preferidas.
Fazer um esfregaço em
lâmina adequada, fixá-lo e
corá-lo. Examinar ao micros-
cópio.
Os métodos sorológicos
(ELISA, a imunoeletroforese
ou a imunofluorescência indi-
reta, servem para inquéritos
ou para quando não forem
encontrados os parasitos.
Os tratamentos de primeira
linha são feitos com antimo-
niais pentavalentes, de uso
prolongado e administração
parenteral:
Antimoniato de meglumine
(ou antimoniato de N-metil-
glucamina).
Estibogluconato