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Exame Clínico do Ouvido
Divisão do Aparelho Auditivo:
Orelha Externa: pavilhão da orelha + meato acústico externo.
Orelha Média: caixa do tímpano = tuba auditiva + membrana timpânica + ossículos (martelo, bigorna e estribo).
Orelha Interna (labirinto): cóclea + aparelho vestibular + canais semicirculares.
Cóclea: possui o Orgão de Corti, constituído de células ciliadas sensoriais que são estimuladas pela movimentação da endolinfa na janela oval e são responsáveis pela transformação de ondas de compressão em impulsos nervosos que são enviados ao SNC pelo nervo vestibulococlear.
Anamnese:
Relação médico-paciente se apresenta com especial importância em casos de surdez acentuada.
Na história clínica de pacientes com doenças no ouvido há fatores importantes como: idade, sexo, profissão, hábitos de vida e condições socioeconômicas.
Otosclerose: acontece entre os 20 e os 40 anos e sexo feminino; presbiacusia: após os 70 anos; otite média serosa: criança até os 10 anos; doença de Menière: 40 a 50 anos.
Otites médias incidem em maior frequência em pacientes de baixas condições socioeconômicas. 
Sinais e Sintomas:
Otalgia (dor de ouvido)
Otorreia (saída de líquidos pelo ouvido: água, pus, muco, LCR)
Otorragia (sangramento decorrente de lesões no meato acústico externo, ruptura da membrana timpânica ou fraturas de base de crânio)
Prurido (decorrente de eczema/inflamação cutânea do canal auditivo, diabetes, hepatite crônica ou linfomas)
Distúrbios da audição/Disacusia (perda da capacidade auditiva: hipoacusia – leve ou moderada - surdez – acentuada – anacusia – total)
Disacusia de transmissão: lesões situadas no aparelho transmissor das ondas sonoras – orelhas externa e média e líquidos labirínticos.
Disacusia neurossensorial/de percepção: lesão nos elementos preceptores ou receptores das ondas sonoras – órgão de Corti e/ou nervo acústico – vestibulococlear VIII)
Zumbidos (causas ópiticas: tampão de cerume obturante, corpo estranho, otite externa, inflamações agudas ou crônicas, presbiacusias, doença de Minière/ causas não ópticas: HA, angiospasmos, estase cefálica, hipertireoidismo, menopausa e tabagismo)
Vertigem (Subjetiva: paciente girando em torno dos objetos, Objetiva: objetos giram em torno do paciente). Possui origem labiríntica ou no nervo vestibulococlear = sistema vestibular.
Vertigem Periférica: alterações na orelha interna, doença de Menière, Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB), labirintite por infecções virais e bacterianas, uso de medicamentos.
Vertigem Central: disfunções cerebelares, insuficiência vértebro- basilar, tumores.
Vertigem de Posição: só surge em determinadas posições da cabeça.
Exame Físico:
INSPEÇÃO
PALPAÇÃO (identificação de pontos dolorosos, inchaço de linfonodos)
OTOSCOPIA (exame do meato acústico externo e da membrana timpânica)
Membrana Timpânica normal: transparente, brilhante, permite visualização do triângulo luminoso e a saliência do cabo do martelo.
Doenças do Ouvido:
Otite Aguda Externa: processo inflamatório da pele do canal auditivo externo. Causas: retenção de água no meato, permanência prolongada de corpos estranhos, corrimentos purulentos, ferimentos, atrito ao coçar o ouvido. O edema inflamatório pode obstruir o lúmen do meato (hipoacusia), também pode simular mastoidite aguda.
Otite Externa Eczematosa: hipersensibilidade da pele do meato acústico externo e/ou pavilhão da orelha. Causas: alergias alimentares e uso de medicamentos. Ao exame físico, nota-se descamação epitelial difusa e edema.
Otite Externa Grave: normalmente ocorre no paciente diabético ou muito debilitado. Características: otorreia purulenta, dor e processo de osteíte do meato, na otoscopia percebe-se granulação do meato, não deixando ver a membrana timpânica. Processo infeccioso pode se estender para regiões vizinhas.
Furúnculo no Meato Acústico: infecção estafilocócica do órgão pilosebáceo, decorrente de fatores da otite externa aguda.
Otomicose: processo inflamatório de meato acústico externo por fungos
Corpos Estranhos: pode desencadear otite externa secundária, com reação edematosa.
Rolha Ceruminosa: causada pela hipersecreção ceruminosa e pode gerar surdez súbita e acentuada, por isso deve ser removida.
Otites Médias Agudas: processos inflamatórios da orelha média de origem viral ou bacteriana, normalmente associados a rinites, sinusites, rinofaringites que são propagados para a orelha média por meio da tuba auditiva.
Simples: mais comum em crianças, causa hipoacusia, sensação de ouvido “cheio” ou “entupido” e ruídos subjetivos. Pode regredir em 3 a 4 dias ou evoluir e perfurara membrana timpânica, seguindo alívio da dor.
Do Lactente: observada no lactente, membrana timpânica normal, mas com presença de pus. Sintomas: elevação da temperatura, diarreia aquosa, vômitos e perda rápida de peso.
Necrosante: instala-se no decurso de febres eruptivas, sarampo e escarlatina. Ocorre a perfuração de membrana timpânica, otorreia purulenta, lesões irreversíveis da mucosa da caixa timpânica e até processos osteíticos. Tende à cronicidade.
Serosa: acúmulo de líquido seroso ou mucoso no interior da orelha média, gera hipoacusia, dor e sensação de ouvido “cheio”. Normalmente atinge crianças até os 10 anos.
Otites Médias Crônicas: persistência de uma perfuração do tímpano através dos anos e pelo exsudato catarral ou purulento, oriundo da orelha média e drenado pelo meato acústico externo.
Matoiditite Aguda: infecção bacteriana da mastoide.
Labirintite: invasão infecciosa intralabiríntica. Inflamação do ouvido interno ou dos nervos que ligam o ouvido interno ao cérebro. Causa vertigem, zumbidos e surdez neurossensorial. Pode gerar complicação intracraniana (meningite, abscesso do cerebelo).
Doença de Menière: acúmulo excessivo de endolinfa no labirinto membranoso que, aos poucos, distende o ducto coclear. Causa vertigem, zumbidos, hipoacusia neurossensorial, sensação de ouvido “cheio”, pode evoluir para surdez total.
Surdez: diminuição da audição uni ou bilateralmente, causada por lesão do canal auditivo, da orelha média, da orelha interna ou do VIII nervo craniano.
Presbiacusia: deficiência auditiva que surge com a idade mais avançada. Características: pavilhão da orelha se enrijece, diminui o número de fibras elásticas da membrana timpânica, ossículos se tornam osteoporóticos e limitam seus movimentos.
Exames complementares:
Teste de Rinne: utilizado para comparar as percepções auditivas entre a condução nas vias aéreas (CA) e a condução óssea (CO).
Positivo (normal): condução aérea mais sensível (maior) que condução óssea.
Negativo (surdez de condução): condução óssea mais sensível (maior) que condução aérea.
Teste de Weber: o diapasão é colocado no vértice da abóboda craniana, normalmente a vibração é percebida igualmente em ambos os ouvidos (Weber Indiferente). Mas em casos de alteração tem-se:
perda auditiva condutiva unilateral – percepção do som no lado pior (ouvido afetado) = surdez de transmissão
perda auditiva neurossensorial unilateral – percepção do som no lado melhor (ouvido não afetado) = surdez neurossensorial
Audiometria Tonal: tem por finalidade fixar o limiar de audição em cada frequência sonora. Identifica surdez de transmissão, neurossensorial e mista.
Exame Clínico do Nariz
Anamnese: 
Doenças das fossas nasais estão relacionadas com idade, sexo, profissão, antecedentes e condições socioeconômicas.
Sinais e Sintomas:
Obstrução Nasal (quando é crônica gera respiração bucal e transtorno dos reflexos pulmonares, com prejuízo na expansão torácica e ventilação pulmonar)
Rinorreia (corrimento nasal, epistaxe quando é sanguíneo)
Secreção muito fétida = sífilis nasal, neoplasias malignas, corpo estranho, ozena.
Corrimento seroso ou seropurulento = rinite diftérica
Para o diagnóstico de hanseníase é importante realizar esfregaços no muco nasal.
Espirro (crises de espirro são comuns no início da rinite catedral aguda do resfriado comum e são um mecanismo de defesa; presentes também nas rinopatias alérgicas).
Alteraçõesno olfato (hiposmia = diminuição; anosmia = abolição; hiperosmia = aumento; parosmia = interpretação errônea do cheiro; cacosmia = sentir maus odores)
Dor (presente nos processos inflamatórios e neoplasias nasossinusais)
Alterações da fonação (voz anasalada = rinolalia; causas: véu palatino curto ou paralítico, vegetações adenoides hipertrofiadas, destruição do septo nasal, obstrução nasal aguda ou crônica e fenda palatina)
Dispneia (todas as causas de obstrução nasal bilateral podem gerar dispneia de maior ou menor intensidade; importante observar nos casos de síndrome da apneia do sono)
Ronco
Exame Físico:
INSPEÇÃO (observar os tipos de nariz e suas particularidades)
Nariz reto
Nariz grego (sem sulco nasofrontal)
Nariz aquilino (recurvado como bico de águia)
Nariz arrebitado (ponta virada para cima) 
Características peculiares:
Goma sifilítica (nariz em sela)
Leishmaniose (destruição das narinas, lábio superior e pirâmide nasal = focinho de anta)
Hanseníase (nariz com aspecto leonino)
Hipotireoidismo (infiltração mixedematosa)
Hipertrofia das vegetações adenoides (face adenoideana: boca entreaberta, lábio superior levantado, prognatismo do maxilar superior)
Rinosderoma (alargamento da pirâmide nasal devido à doença infecciosa crônica e progressiva – bacilo de Frisch)
PALPAÇÃO (reconhecer crepitações e desnivelamentos)
RINOSCOPIA (cabeça inclinada para trás, avaliar mucosa – normal: cor vermelho-opaca, úmida, com superfície lisa e limpa)
Rinoscopia anterior: afastar a asa do nariz por meio de um espetáculo para observar as conchas nasais, os meatos, o septo, o assoalho da fossa nasal e a fenda olfatória.
Doenças do Nariz 
Rinites: é a irritação e inflamação da membrana mucosa no interior da cavidade nasal, pode ser causada por vírus ou alergias.
Rinite catarral aguda: rinite do resfriado, causada pelo vírus Rinovírus, gera crises de espirro, coriza, elevação da temperatura, calafrios, astenia e obstrução nasal.
Rinite aguda do lactente
Rinite diftérica: rinorreia purulenta, geralmente bilateral, às vezes sanguinolenta.
Rinte do sarampo
Rinite mucopurolenta crônica
Rinite hipertrófica: obstrução nasal aumenta em decúbito
Rinite atrófica ou ozena: atrofia osteomucosa, formação e eliminação de crostas, fetidez característica.
Rinite vasomotora: inflamação não alérgica e não infecciosa da mucosa nasal, relacionada à mudança de temperatura e da umidade do ar, odores fortes, disfunção do sistema nervoso autônomo; gera espirros, prurido, obstrução nasal e início súbito.
Adenoides: hiperplasia das amídalas faríngeas (vegetações adenoides), muito comum na primeira infância. Causa obstrução nasal permanente, respiração bucal de suplência, estagnação de exsudatos catarrais ou purulentos nas fossas nasais e tendência a surtos agudos de otite média.
Epistaxe: causa locais: traumatismos acidentais ou cirúrgicos; causas gerais: sintoma de estados febris, afecções hemorrágicas, pneumonia, gripe, febre tifoide, nefrite aguda, etc. Também é comum na arteriolosclerose, na hipertensão arterial e nas nefrites crônicas.
Rinossinusites: processos inflamatórios infecciosos da mucosa sinusal são facilmente propagados através de orifícios e canais para os septos nasais. Seio maxilar: sinusite maxilar odontogênica.
Sinusite Aguda: agressão inflamatória aguda de mais de uma cavidade sinusal a um só tempo, acontece com maior frequência nos seios anteriores (maxilar, frontal e etmoide anterior).
Sinusite Crônica: decorre de frequentes sinusites agudas de repetição e de doenças gerais que diminuem a capacidade de defesa do organismo. Causa sensação de peso ou tensão infra ou supraorbitária, cacosmia e obstrução nasal.
Leishmaniose: lesão cutânea inicial pruriginosa, com formação de nódulo, que pode ulcerar. As lesões mucosas são sempre secundárias às cutâneas.
Hanseníase
Tuberculose: manifesta-se no nariz em forma de rinite com mucosa sangrante, granulomatosa, ulcerada e recoberta de crosta.
Neoplasias: benignos: papilomas, osteomas; malignos: carcinoma.
Insuficiência Respiratória.

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