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o brasil e a seguranca no seu entorno estrategico america do sul e atlantico sul

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PARTE 2 
O BRASIL E A SEGURANÇA NO ATLÂNTICO SUL ...................................... 197
CAPÍTULO 8
O ATLÂNTICO SUL NA PERSPECTIVA DA SEGURANÇA E DA DEFESA ............... 199
Antonio Ruy de Almeida Silva
CAPÍTULO 9
O ATLÂNTICO SUL E A COOPERAÇÃO EM DEFESA 
ENTRE O BRASIL E A ÁFRICA ........................................................................... 215
Adriana Erthal Abdenur
Danilo Marcondes de Souza Neto 
CAPÍTULO 10
DO MARE LIBERUM AO MARE CLAUSUM: SOBERANIA MARÍTIMA 
E EXPLORAÇÃO ECONÔMICA DAS ÁGUAS JURISDICIONAIS E DA ÁREA .......... 239
Rodrigo Fracalossi de Moraes
PREFÁCIO
Em boa hora, o Ipea edita este novo volume de estudos sobre a Defesa Nacional 
do Brasil no século XXI. Esta meritória iniciativa associa um dos principais centros 
de reflexão do Estado a um assunto que vem merecendo cada vez mais atenção da 
sociedade brasileira.
Nos últimos anos, o debate público sobre a Defesa ganhou corpo no Brasil. 
Tem-se hoje um conjunto de documentos fundamentais, que orienta e esclarece a 
ação do governo nessa área: a Política Nacional de Defesa, a Estratégia Nacional 
de Defesa e o Livro Branco de Defesa Nacional. Estes documentos foram enviados 
pela presidenta Dilma Rousseff ao Congresso Nacional, que os promulgou em 26 
de setembro de 2013. Todos levam a marca do aprofundamento do diálogo entre 
a Defesa e a sociedade. 
Avanço análogo ocorre na imprensa e na academia, que demonstram um 
interesse crescente pelo tema da proteção da soberania brasileira. Como já afirmou 
a presidenta Dilma Rousseff, defesa e democracia formam um círculo virtuoso no 
Brasil deste novo século.
O Brasil é um país que vem crescendo, com inclusão social e projeção internacional, 
em um contexto de plenas liberdades democráticas. Para fazer frente aos desafios externos 
que o aguardam nessa etapa histórica, o Brasil deve se pautar por uma grande estratégia, 
em que a política de defesa e a política externa se conjuguem para prover a paz.
Na América do Sul, de um lado, e no Atlântico Sul e na orla ocidental da 
África, de outro, esse objetivo há de ser alcançado pela intensa cooperação com os 
países vizinhos. É fundamental que o Brasil se cerque de um cinturão de paz e boa 
vontade em todo seu entorno estratégico. Destaque-se, por exemplo, a necessária 
proteção das fronteiras terrestres brasileiras, que tem sido orientada pelo Plano 
Estratégico de Fronteiras, lançado em 2011, e reforçada pelas ações da Operação 
Ágata, que, em 2013, atingiu sua sétima edição.
Ao mesmo tempo, o país precisa estar pronto para se defender contra ameaças 
oriundas de outros quadrantes. Deve-se construir adequadas capacidades dissuasórias 
no mar, em terra e no ar. Isto é essencial para desestimular eventuais agressões à 
soberania brasileira e, desta forma, respaldar a inserção pacífica do Brasil no mundo.
O Brasil tem, ainda, um compromisso direto com a paz mundial, que tem 
sido exercido por meio da participação em missões de paz das Nações Unidas. 
Esta é uma dimensão importante de uma grande estratégia voltada para a construção 
de um mundo mais estável e justo.
8 O Brasil e a Segurança no seu Entorno Estratégico
Esses objetivos requerem forças armadas aprestadas, modernas e integradas. 
E exigem também uma reflexão contínua e de qualidade sobre o papel do país no 
mundo e sobre como a política de defesa brasileira pode ajudar nessa realização. 
É esta a principal contribuição do volume que o leitor tem em mãos.
Celso Amorim
Ministro da Defesa
APRESENTAÇÃO
Uma das maiores conquistas da América do Sul nas últimas décadas foi o fim da 
possibilidade de um conflito armado entre os países do Cone Sul, alcançada a partir 
de um processo de reaproximação política ocorrido ao longo da década de 1980. 
Tal processo, marcado pela reaproximação Brasil-Argentina e Argentina-Chile, 
permitiu o início da efetiva integração desta porção do subcontinente sul-americano. 
Observou-se, a partir de então, uma crescente expansão nos intercâmbios 
econômicos, políticos e culturais entre os países da sub-região, amparados pelo fato 
de que a importância atribuída à estabilidade regional tornou-se parte da cultura 
estratégica de seus governos nacionais.
Fenômeno mais recente é o estreitamento dos intercâmbios entre as porções 
norte e sul do subcontinente sul-americano. Com relações caracterizadas, histori-
camente, pelo baixo grau de contato, os países das duas sub-regiões têm fortalecido 
suas relações em diversos campos e percebem, crescentemente, os benefícios que 
a integração pode lhes propiciar. 
A baixa propensão ao conflito entre os Estados sul-americanos, sobretudo 
no Cone Sul, é um verdadeiro “patrimônio” regional. Recursos que, em outras 
partes do globo, são alocados para o possível enfrentamento dos países vizinhos, 
direcionam-se, aqui, para políticas voltadas à promoção do bem-estar das sociedades 
locais. Contudo, a preservação deste “patrimônio” para as próximas gerações depende 
do desenvolvimento e aprimoramento de mecanismos regionais de confiança, 
coordenação e integração. 
Ao mesmo tempo, a América do Sul atravessa um período preocupante no 
que diz respeito à criminalidade transnacional. A expansão da produção e do tráfico 
de drogas, bem como de diversos delitos conexos, traz consigo o crescimento da 
violência e de diversos problemas de saúde pública, afetando milhares de vidas e 
drenando recursos públicos já escassos. 
É nesse contexto que a segurança na América do Sul deve ser pensada. Por um 
lado, as ameaças interestatais não possuem grande relevância e, nos casos em que 
se mantêm, é possível minimizar a possibilidade de escalada de tensões a partir de 
mecanismos regionais. Por outro lado, a violência está presente de forma acentuada 
no subcontinente: taxas de homicídio mantêm-se elevadas (sobretudo no Brasil e 
na porção norte da América do Sul), e a criminalidade organizada transnacional 
parece um problema cuja solução não se vislumbra no curto prazo. 
10 O Brasil e a Segurança no seu Entorno Estratégico
Nesse sentido, o Brasil desempenha papel essencial, possuindo condições 
econômicas, políticas, demográficas e territoriais que lhe capacitam a fornecer 
alguns dos bens públicos essenciais à região. Tais condições são favorecidas pelo fato 
de que a estabilidade dos demais países sul-americanos se consolidou na política 
externa brasileira como elemento central ao desenvolvimento e estabilidade do 
Brasil: o país só pode avançar em compasso com os seus vizinhos, do que decorre 
a perspectiva presente nos documentos de defesa nacionais de que a América do 
Sul é parte do entorno estratégico brasileiro.
Em paralelo, o Brasil considera também o Atlântico Sul como parte integrante 
de seu entorno estratégico. Assim como há relação direta entre a estabilidade 
sul-americana e a estabilidade brasileira, a paz no Atlântico Sul é condição 
essencial para a manutenção da segurança do Brasil. É pelo oceano que transita 
a maior parte do comércio internacional do nosso país e é nele que se encontra 
parte substancial de nossas fontes energéticas. Os problemas do Atlântico Sul 
são, portanto, problemas do Brasil. 
Deve-se considerar, ainda, que a estabilidade sul-atlântica depende, funda-
mentalmente, de processos ocorridos na costa ocidental africana. Por esta razão, 
o entorno estratégico brasileiro se estende até a outra margem do Atlântico. E este 
é um dos motivos pelos quais o Brasil busca contribuir para o desenvolvimento 
destes países lindeiros, em áreas tão diversas como saúde, educação, agricultura e 
segurança pública. 
É nesse contexto que os trabalhos deste livro foram pensados. Apresentam-se, 
aqui, textos escritos a partir de diferentes perspectivas, elaborados por autores com 
distintas formações profissionais e filiações teóricas, todos compartilhando do 
objetivo de ampliar a compreensão sobre alguns dos principais

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