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TEORIA DA RELAÇÃO JURÍDICA II  - 2º B - Prof. Rainer

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TEORIA DA RELAÇÃO JURÍDICA II – part. 2
VÍCIOS SOCIAIS:
Simulação: Art. 167: ”É nulo o n.j simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substancia e na forma”
Encenação de um n.j que não corresponde à verdade. Violar a lei, enganar terceiros com ou sem prejuízo.
Acordo simulatório: 2 ou + pessoas (simuladores)
Conluio/mancomunação – art. 496: “É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido.”
- A e B em acordo enganam C
Distinção – art. 152: “No apreciar a coação, ter-se-ão em conta o sexo, a idade, a condição, a saúde, o temperamento do paciente e todas as demais circunstancias que possam influir na gravidade dela” – dolo recíproco:
Venda de ascendente para descendente (autorização dos demais descendentes) 
Pai Filho
Amigo de confiança (interposta pessoa)
Art. 550: “A doação do cônjuge adúltero ao seu cúmplice pode ser anulada pelo outro cônjuge, ou por seus herdeiros necessários, até dois anos depois de dissolvida a sociedade conjugal.” - doação de doador casado ao cúmplice de adultério é anulável (doação camuflada de venda)
Classificação da simulação:
I – quanto à extensão:
1- simulação absoluta: existe a encenação (n.j simulado), mas por trás dele nada existe de verdadeiro. Os simuladores nada negariam entre si. Não existe o n.j dissimulado.
2- simulação relativa: existe o n.j simulado (encenação) e existe o n.j dissimulado (o n.j verdadeiro que os simuladores querem ocultar). 
 II – classificação legal: Art. 167, SS 1º: “Haverá simulação nos n.j quando: I- aparentarem conferir u transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II- contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III- os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados.”
Inciso 1º: aparentares conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das quais realmente se conferem ou transmitem.
Simulação subjetiva: é sempre relativa.
Inciso 2º: contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira.
Simulação objetiva: conteúdo do negócio. Pode ser absoluta ou relativa.
Inciso 3º: os instrumentos particulares forem ante ou pós dotados.
Simulação quanto ao tempo da celebração do n.j: pode ser absoluta ou relativa.
Instrumento: qualquer meio físico no qual se registra uma manifestação de vontade (documento). 
Instrumentos particulares: feitos pelos interessados – assinado pelo tabelião.
Instrumentos públicos: escritura publica – crime funcional.
III – quanto aos danos:
1- simulação maliciosa: engana terceiros e causa prejuízo (lesa terceiros)
2- simulação inocente: engana terceiros, mas não prejudica. Motivação moral. Familiar/social.
Art. 167: “É nulo o n.j simulado, mas subsistirá o que se dissimular se válido for na substancia e na forma.”
Caput: é nulo o n.j simulado, mas subsistirá o que se dissimular se válido for na substancia e na forma.
Terceiros de boa-fé em face da simulação: Art. 167, SS 2º: “Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do n.j simulado” 
2 possíveis compreensões: 
1- subsistência do n.j simulado para terceiros de boa fé.
2- os terceiros de boa-fé terão, em face dos simuladores, um direito de indenização.
Reserva mental e simulação: Art. 110: “A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento” querer intenso ≠ sua consciência ≠ vontade declarada
1ª parte: reserva mental unilateral é irrelevante. Vale a vontade como declarada
2ª parte: reserva mental bilateral.
1- reserva mental unilateral = simulação
2- reserva mental bilateral = n.j inexistente
Fraude contra credores:
Conceito: vício social pelo qual um doador insolvente pratica atos de disposição patrimonial, ou atos equiparados a estes dificultando ou impossibilitando que seus credores quirografários consigam judicialmente receber o que lhes é devido.
Definições preliminares:
1- Noção de responsabilidade civil: os bens do doador são a garantia genérica do cumprimento de suas obrigações
2- Processo de execução: ex: apropriação de bens do devedor – penhora de bens. Venda judicial - $$ - satisfação do credor.
3- Ideia de insolvência: não é ausência de bens. Ideia contábil total de bens.
4- Classificação dos créditos: 
1- créditos privilegiados: propriedade garantida em lei. Tributárias/previdenciários/trabalhistas.
2- créditos preferenciais: com garantia real. Hipoteca/penhor.
3- créditos quirografários: os demais/nem privilegiados, nem preferenciais. Os bens do devedor são a garantia da penhora.
Considerações a partir do conceito:
1. Elementos: 
- objetivo (eventus damni): é o n.j fraudulento considerado em si mesmo.
- subjetivo (consilium fraudis): o acordo (intencional, consciente) entre o devedor insolvente e o terceiro que com ele negocia de prejudicarem os credores.
2. Atualmente a fraude contra credores tem um perfil objetivo. O consilium fraudis é, em regra, presumido. Não precisa ser provado.
3. Proximidade da fraude contra credores com a simulação.
4. Ação anulatória do n.j fraudulento, conhecido como ação pauliana.
Prazo 4 anos – art. 178, II: “É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do n.j, contado: II- no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o n.j”
5 situações fraudulentas:
1- atos de disposição gratuita de bens. Ex: doação. O consilium fraudis é presumido.
2- atos de remissão (perdão) de dívida (declara que perdoa – simulação/fraude)
3- atos de disposição onerosa de bens. Ex: compra e venda. Art. 159: ”Serão igualmente anuláveis os contratos onerosos do devedor insolvente, quando a insolvência for notória, ou houver motivo para ser conhecida do outro contratante.”
O adquirente não consegue provar que pagou o preço justo pelo bem (simulação / caixa 2)
4- antecipação de pagamento – art.162: “O credor quirografário, que receber do devedor insolvente o pagamento da dívida ainda não vencida, ficará obrigado a repor, em proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores, aquilo que recebeu.”
5- constituição fraudulenta de garantia – art.163: “Presumem-se fraudatórias dos direitos dos outros credores as garantias de dívidas que o devedor insolvente tiver dado a algum credor.”
Garantias reais: vincular um bem específico ao pagamento de certa dívida. (hipoteca, penhor) Art. 165: “Anulados os negócios fraudulentos, a vantagem resultante reverterá em proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores. P.ú. Se esses negócios tinham por único objeto atribuir direitos preferenciais, mediante hipoteca, penhor ou anticrese, sua invalidade importará somente na anulação da preferência ajustada.”
Efeitos do acolhimento da ação pauliana:
1- atos de disposição gratuita – retorno do bem ao patrimônio do devedor insolvente.
2- atos de remissão de dívidas: anulado o suposto “perdão”, o crédito continua existindo no patrimônio do doador insolvente
3- atos de disposição onerosa: retorno do bem ao patrimônio do devedor insolvente.
4- antecipação de pagamento: o credor que recebeu antecipadamente o pagamento (parte da dívida) fica obrigado a devolver o dinheiro.
5- constituição fraudulenta de garantia (p.ú. art. 165: ”Se esses negócios tinham por único objeto atribuir direitos preferenciais, mediante hipoteca, penhor ou anticrese, sua invalidade importará somente na anulação da preferência ajustada.”) - anula-se apenas a garantia fraudulenta. O crédito continua existindo.
Aspectos processuais:
1- legitimidade ativa para a ação pauliana: qualquer credor quirografário (mesmo isoladamente não precisam ser todos juntos).
Art. 158: “Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores