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Resumo genética de populações

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à prole, que favorece o sucesso 
reprodutivo da fêmea. Mas em espécies em que o macho contribui apenas com gametas e nas 
quais virtualmente todas as fêmeas se acasalam, o valor adaptativo da fêmea não é 
influenciado pela sua escolha do macho.
A seleção sexual fugitiva é um exemplo fascinante de como a seleção pode prosseguir 
sem adaptação. Ela pode reduzir o tamanho da população e ser, desse modo, danosa à 
população como um todo. Pode ser demonstrado que as fêmeas preferem machos exagerados 
não porque estes forneçam genes que irão favorecer a sobrevivência ou a fecundidade dos 
descendentes, mas meramente porque as filhas de machos exagerados tenderão a preferir 
machos com aquelas características. Nesses modelos, então, a evolução da preferência da 
fêmea não é um processo adaptativo.
A evolução da recombinação e do sexo
Entre os problemas difíceis e intrigantes da teoria evolutiva estão aqueles da origem e 
manutenção da recombinação e da reprodução sexual e a questão das condições que 
favorecem a evolução de fenômenos como a autofertilização e a partenogênese.
Explicações para a manutenção do sexo e da recombinação podem ser moldadas em 
termos de seleção de grupo ou em termos de outros tipos de seleção. Uma explicação comum 
de seleção de grupo é que a recombinação favorece a habilidade das populações para se 
adaptar a ambientes em alteração e que as populações assexuadas possuem uma taxa de 
extinção mais elevada.
As vantagens e desvantagens do sexo e da recombinação
Os biólogos teóricos têm, portanto, procurado pelas vantagens da recombinação que 
possam manter a reprodução sexuada numa população. Um fator que pode ter um papel á a 
flutuação ambiental de curto prazo que favorece genótipos recombinantes. Esse modelo 
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explica a recombinação apenas se a flutuação em vários fatores ambientais segue um padrão 
muito particular ou se o ambiente continuamente oferece novos desafios. Outro modelo 
propõe que num mosaico de micro-ambientes diferentes, a competição entre a descendência 
geneticamente uniforme de um genótipo assexual e a descendência diversificada de um 
genótipo sexuado irá favorecer alguma variedade do último. Se, entretanto, a adaptação a cada 
micro-ambiente é conferida por combinações específicas de alelos de muitos locos, parece 
provável que a recombinação será desvantajosa. A partenogênese e outros mecanismos que 
reduzem a recombinação são relativamente raros nos organismos que habitam ambientes 
biologicamente complexos, tais como as florestas tropicais, nos quais as pressões seletivas 
podem ser tão diversificadas e variáveis que favoreçam a recombinação.
Endo e exocruzamento 
A auto-fertilização pura, a forma mais extrema de endocruzamento, resulta, em ultima 
instancia, numa população de genótipos homozigotos e nenhuma recombinação. Embora 
populações de plantas habitualmente endocruzantes tipicamente sejam variáveis 
geneticamente, pode -se esperar que elas, assim como as formas assexuadas, sofram altas 
taxas de extinção devido à sua habilidade reduzida em gerar novos genótipos. Mas esse efeito 
de longo prazo ao nível populacional não explica porque tanto o endocruzamento quanto o 
exocruzamento evoluem e são mantidos.
Imagine que numa população de plantas exocruzantes, mas auto-compatíveis, surja um 
alelo que, em condição de homozigose, cause a auto-fertilização de todos os óvulos da planta, 
mas que seu pólen, no entanto, seja dispersado a outras plantas. Tal alelo possui, 
automaticamente, uma forte vantagem seletiva, porque ele contribui com duas cópias gênicas 
(no óvulo e no pólen) à geração seguinte pela auto-fertilização, assim como com cópias únicas 
através da fertilização de outras plantas. A autofertilização pode claramente apresentar outras 
vantagens ecológicas: a fertilização á assegurada se a população é esparsa ou os polinizadores 
são escassos. De fato, a auto-fertilização é comum entre espécies colonizadoras de plantas e 
em ambientes tais como o ártico, que são desfavoráveis a insetos polinizadores. 
A principal desvantagem da auto-fertilizaçao é a depressão endogamia que surge da 
homozigosidade para alelos recessivos deletérios e presumivelmente é por essa razão que a 
auto-incompatibilidade e outros mecanismos de exocruzamento evoluíram em numerosas 
plantas. Se uma população já se tornou altamente endogâmica, entretanto, essa desvantagem é 
reduzida, porque muito da carga mutacional terá sido expurgada pela seleção natural. De fato, 
existe alguma evidência de que a depressão endogâmica e seu oposto, a heterose, são menos 
pronunciados em espécies habitualmente endocruzantes que naquelas exocruzantes. Assim, os 
alelos para a auto-compatibilidade ou auto-fertilização podem ser desvantajosos em grandes 
populações com fertilização cruzada, mas vantajosos em populações pequenas ou 
endogâmicas por outras razões.
RESUMO: A adaptação pode ser percebida em vários níveis, desde o gene até a população, 
correspondendo à seleção em cada uma deles. Existe uma controvérsia considerável sobre a 
dominância das adaptações ao nível de grupo, porque estas necessitam da seleção de grupo, a 
qual é frequentemente mais fraca que a seleção ao nível do gente ou do organismo individual. 
A adaptação é um conceito difícil de ser provado e o valor adaptativo de uma característica 
deve ser demonstrado ao invés de ser tomado como premissa, uma vez que numerosos fatores, 
além da adaptação, podem influenciar a evolução de um caráter. Diversos métodos de análise 
da adaptação, alguns explicitamente genéticos e outros não, contribuíram para nossa 
compreensão de características tais como o comportamento social, bionomias e sistemas 
genéticos.
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