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Gestão de Projetos Públicos Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Ms. Rodrigo de Souza Marin Revisão Textual: Profa. Esp. Kelciane da Rocha Campos Ciclo de vida de um projeto • Origem dos projetos • Processos e ciclo de vida de um projeto • Metodologia de gestão · Apresentar os aspectos do ciclo de vida de um projeto, ressaltando seus pontos mais consideráveis. OBJETIVO DE APRENDIZADO Caro(a) aluno(a), Nesta unidade, abordaremos os aspectos mais consideráveis do ciclo de vida de um projeto. Para que você possa aprofundar seus conhecimentos, não deixe de acessar o Material Complementar, anotando as suas dúvidas, para que, em momento oportuno, você possa apresentá-las ao professor. Bons estudos! ORIENTAÇÕES Ciclo de vida de um projeto UNIDADE Ciclo de vida de um projeto Contextualização A gestão de projetos é um tema de natureza interdisciplinar, que se mostra cada vez mais importante, dia após dia. Sua importância é notada desde as ideias que surgem no chão de fábrica das empresas, transitando pelas inovações tecnológicas, até o desmembramento do planejamento estratégico de qualquer entidade, pois todos esses fatores necessitam da visão de projetos para serem transformados em resultados, uma vez que com a utilização de um método para gerenciamento de projetos pode-se trabalhar de maneira organizada e gerar parâmetros de gestão para que a tomada de decisão seja mais fácil. Nesta unidade, você conhecerá os aspectos e os processos de gestão, assim como as áreas de conhecimento da gestão de projetos. 6 7 Origem dos projetos Existem vários fatores que fazem com que um projeto seja originado, podendo ser de motivação interna, externa ou através de uma imposição legal. Para identificar a origem, é necessário avaliar também a sua finalidade. Quando é gerado por uma necessidade de um serviço ou bem para uso próprio, é considerado de origem interna. Uma vez que foi gerado tendo como fator motivador a necessidade de um cliente, é considerado de origem externa. Quando o projeto é gerado através de uma lei, decreto ou qualquer outro ato governamental, é classificado como imposição legal (VALERIANO, 2015). De maneira simplificada, um projeto nasce de uma necessidade, e a necessidade causa ideias. Essa é a fase comumente conhecida como concepção dos projetos. Nesse período, as ideias são formadas para criarem aspectos de projetos, e é nesse momento que tanto os objetivos, como as expectativas e as justificativas são estabelecidos. É possível que nessa etapa seja estabelecido o que será preciso no que se refere aos recursos e aos prazos. Tem-se a visão inicial do projeto quando todas essas informações estão claras, e uma vez que a visão inicial do projeto já está estabelecida, a próxima etapa é a gestão de portfólios, onde os programas e projetos são inseridos num processo sistematizado de análise, classificação, priorização e seleção (TRENTIM, 2014). Essas simulações são capazes de garantir às empresas quais são os projetos viáveis ou que “valerão à pena” serem iniciados ou continuados em execução. Importante! De acordo com o PMI, portfólio é uma coleção de projetos, programas e outras atividades agrupadas para facilitar o gerenciamento efi caz e atingir os objetivos estratégicos do negócio. Você Sabia? 7 UNIDADE Ciclo de vida de um projeto Processos e ciclo de vida de um projeto A gestão de projetos está focada em duas áreas intimamente ligadas: o produto e o trabalho gerencial. No começo de um projeto, o produto é dividido em seus elementos constitutivos e a gestão é programada e realizada conforme as áreas de interesses gerenciais: objetivo do projeto, tempo, custo, qualidade, equipe e pessoas (KANABAR, 2012). Os campos de produto e de gestão são realizados por várias operações e formam processos diferentes. De acordo com a norma ISO (ABNT, 2005a, p. 12), processo é “um conjunto de atividades inter-relacionadas ou interativas que transformam insumos em produtos”. Vários processos utilizados no projeto possuem características peculiares, e agrupados formam um ciclo de vida do projeto. Esses grupos de processos basicamente são: · Iniciação; · Planejamento; · Execução; · Monitoramento e controle; e · Encerramento. Essas fases não são sequenciais. É comum algumas partes serem finalizadas quando outras estão ainda em execução (VALERIANO, 2015). A figura a seguir demonstra como normalmente os grupos são posicionados, porém isso não quer dizer que o processo deve ocorrer nessa mesma sequência cronológica. Es fo rç o Fa se d e In ic ia çã o F a se d e Pl an ej am en to Fa se d e Ex ec uç ão F a se d e En ce rr am en to Fase de Monitoramento e Controle Tempo 8 9 Fase de iniciação Essa etapa dá início ao projeto, devido a uma série de percepções, desejos e expectativas que são estimulados por uma necessidade ou uma solicitação mostrada por uma organização externa ou por uma oportunidade na entidade que vai realizar o projeto (KANABAR, 2012). Prossegue para a etapa de identificar o problema e criar a solução, isto é, detectar a necessidade de maneira que possa supri-la. Nessa etapa, é comum elaborar as estimativas aproximadas do que será necessário no que se refere a custos e prazos, e isso é o que dá base para a autorização do projeto (TRENTIM, 2014). Essa fase é caracterizada pelo interesse da organização em dar seguimento para a fase seguinte. Fase de planejamento Tendo em mãos as informações alcançadas com base na fase de iniciação e o conteúdo do termo de aprovação do projeto, nasce o planejamento, determinando aos poucos o objetivo do projeto (TRENTIM, 2014). Essa fase é costumeiramente desmembrada em duas subfases, sendo planejamento preliminar, onde é elaborado um anteprojeto (que é muito útil para a proposta de aprovação do projeto) e planejamento detalhado, que serve como sustento para execução e controle do projeto. · Planejamento preliminar: possui informações gerais da empresa em que será iniciado, definindo o produto do projeto, de maneira que se possa alcançá-lo, bem como os custos e prazos, todos os recursos necessários, riscos, entre outros. Nessa subfase a divisão do produto até segundo ou terceiro nível é o bastante. O planejamento preliminar é extremamente útil para negociar com os stakeholders, objetivando a conciliação de objetivos e esforços aplicados e o início da definição das responsabilidades. · Planejamento detalhado: é realizado somente após o planejamento preliminar, e este objetiva a permissão e controle de sua execução. Nessa subfase, é necessário estabelecer todas as atividades que englobam a utilização dos recursos. No planejamento detalhado, os vários processos administrativos, técnicos e compromissos internos são pré-estabelecidos. Nessa subfase é fundamentado um esqueleto de controle conforme a definição das condições de execução é realizada. Tal controle será efetuado sobre o produto, processos gerenciais e administrativos, custos e prazos. Aqui a equipe do projeto é definida (VALERIANO, 2015). 9 UNIDADE Ciclo de vida de um projeto Fase de execução Todas as tarefas planejadas são colocadas em ação, nos termos de qualidade, prazo, custos e de maneira que se alcancem os objetivos das partes interessadas. Essa etapa é caracterizada por um trabalho intenso da equipe, que é coordenada pelo gerente de projeto. O gerente delega funções de gerenciamento de qualidade a um integrante da equipe, a outro integrante emprega o gerenciamento do suprimento e assim por diante. Devem ser documentados todos os resultados da execução e estes são parte essencial do gerenciamento das comunicações (KANABAR, 2012).Fase de monitoramento e controle A etapa de Monitoramento e Controle percorre todo processo juntamente com a fase de execução, e durante a sua realização poderá originar diversas ajustagens ou retoques no planejamento inicial, mas mantendo o objetivo do projeto. Essa fase é caracterizada por ser útil para: · detectar as variações ocorridas comparando-se ao plano de gerenciamento inicial; · fiscalizar as mudanças e recomendar ações preventivas; · controlar as atividades do projeto em relação às linhas base e ao plano; · intervir em situações que possam atrapalhar o controle integrado de alterações. Somente podem ser implementadas as alterações que forem aprovadas; os impactos dessas alterações devem ser analisados antes de serem aprovados. O monitoramento contínuo oferece uma ampla visão do andamento do projeto e sua saúde, e auxilia a detecção de áreas que necessitem de atenção especial (GIDO e CLEMENTS, 2013). Fase de encerramento Quando o projeto atinge o seu objetivo, deve ser encerrado, com algumas medidas finais, quando o produto for aceito. As providências para a conclusão de contrato, encerramento administrativo, devoluções de materiais e outros devem ser tomadas, e deve ser realizada uma análise geral e levantamento de lições aprendidas antes de realizar a dispensa da equipe (KEELING, 2008). 10 11 Quando o objetivo do projeto não for atingido, ele deverá ser encerrado, com os métodos para um encerramento adequado sendo aplicado. Diversas atividades são encerradas no decorrer do projeto, e conforme elas se encerram com sucesso seus responsáveis são dispensados. Ao mesmo tempo em que os fatos vão acontecendo, são geradas condições de detalhamento de partes do projeto, e também de seu plano, que não tinham detalhes minuciosos, que são necessários para a realização (VALERIANO, 2015). É claro que começar um projeto sem um planejamento detalhado e completo envolve muitos riscos. Todavia aguardar a conclusão de todos esses detalhes pode trazer inquietude para quem decide. Esse é mais um ponto a ser considerado no balanço de resultados. Metodologia de gestão Um motivador que influencia profundamente o resultado final é o método de gerenciamento que é utilizado durante a realização da execução do projeto. Geralmente é na fase de execução onde todos os recursos podem ser desperdiçados se houver falha de comunicação, atraso, alteração de custos e outros fatores. A seguir apresentaremos algumas metodologias de gestão. Cascata ou waterfall Essa é uma metodologia tradicional, e se caracteriza por ter fases sequenciais, onde os esforços não se cruzam ou se sobrepõem. Nesse método, é preciso fazer todo o planejamento detalhado para então começar a execução. A gestão de projeto com essa metodologia fica mais engessada, e pode não ser satisfatória às necessidades de projetos que sejam mais complexos ou que envolvam incertezas, mas quando se refere a um resultado final mais previsível essa metodologia é bastante realizável (VALERIANO, 2015). 11 UNIDADE Ciclo de vida de um projeto Metodologia incremental Essa metodologia é semelhante ao planejamento em ondas sucessivas. Nesse método de gerenciamento, há um macroplanejamento do projeto, que consiste em fases e seus principais alvos. Mas as fases não são planejadas com detalhes no começo do projeto. As fases são planejadas e executadas incrementalmente e o projeto é executado de maneira interativa (VALERIANO, 2015). 12 13 Agir Planejar Executar Co nt ro la r Agir Planejar Executar Co nt ro la r Agir Planejar Executar Co nt ro la r Fase 1 Fase 2 Fase 3 Metodologia ágil Esse método surgiu com base na metodologia de desenvolvimento de software. O ponto central desse método é o desenvolvimento do produto a partir de um backlog ou uma série de requisitos (VALERIANO, 2015). O progresso do projeto acontece ao longo das sprints, que são unidades básicas do Scrum. Sprints são espaços de tempo para a execução incremental do projeto, e produzem entregas parciais de forma progressiva (TRENTIM, 2014). 13 UNIDADE Ciclo de vida de um projeto Fonte: Adaptado de: Guia PMBOK, 2013 Existem ainda outras metodologias. Podem-se utilizar vários métodos em um mesmo projeto, introduzindo-os de acordo com a necessidade (TRENTIM, 2014). Veja a comparação das metodologias. Acesse: https://goo.gl/Ykjmgd (BRAINSTORM DE TI. Uma comparação entre os modelos ágil e cascata de desenvolvimento de software.)Ex pl or 14 15 Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros AMA manual de gerenciamento de projetos. DINSMORE, Paul Campbell; CABANIS-BREWIN, Jeannette. AMA manual de gerenciamento de projetos. Rio de Janeiro: Brasport Livros e Multimídia, 2009. 498 p. Gerenciamento de projetos: teoria e prática. NOCÊRA, Rosaldo de Jesus. Gerenciamento de projetos: teoria e prática. Santo André: Ed. do Autor, 2009. 975 p. Leitura Gerenciamento de projetos - A importância de gerenciar projetos. https://goo.gl/E48bE5 Estudo de caso sobre a importância do gerenciamento de projetos na implementação com sucesso do planejamento estratégico https://goo.gl/YrcQz2 15 UNIDADE Ciclo de vida de um projeto Referências ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR ISO 9000 - Sistemas de gestão de qualidade - Fundamento e Vocabulário. Rio de Janeiro: ABNT, 2005. GIDO, Jack; CLEMENTS, James P. Gestão de projetos. Tradução de Vertice Translate; revisão técnica de Silvio Burrattino Melhado. São Paulo: Cengage Learning, 2013. KANABAR, Vijay; WARBURTON, Roger D. Gestão de projetos. Traduzido por: Cecília Bartalotti. São Paulo: Saraiva, 2012. KEELING, Ralph. Gestão de projetos: uma abordagem global. São Paulo: Saraiva, 2008. PMI - Project Management Institute. Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos (Guia PMBOK). 5 ed. Pennsylvania: PMI, 2013. TRENTIM, Mário Henrique. Gerenciamento de projetos: guia para as certificações CAPM r e PMP. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2014. VALERIANO, Dalton. Moderno gerenciamento de projetos. 2ª ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2015. 16