A SOCIEDADE DOS INDIVÍDUOS- Resumo
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A SOCIEDADE DOS INDIVÍDUOS- Resumo


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A SOCIEDADE DOS INDIVIDUOS. 
 
Neste livro o autor Norbert Elias abordou como tema inicial o conceito de 
sociedade, ele começa constatando que todos sabemos o significado deste 
termo, onde afirmou que a definição desta palavra já se popularizou de tal modo, 
que não temos contraversões quando escutamos, porém, ele questiona o 
entendimento desta expressão. \u201cQuando uma pessoa diz \u201csociedade\u201d e a outra 
escuta, elas se entendem sem dificuldade. Mas será que realmente nos 
entendemos? \u201d (ELIAS,1994, p.13). Elias, levanta a afirmação que uma 
sociedade só existe pela quantidade de indivíduos que a compõe e de suas 
funções dentro dela, e que seus fatores históricos não dependem exatamente 
dos intuitos de apenas uma pessoa. De acordo com Elias (1994, p. 13). 
(...). Ela só existe porque existe um grande número de pessoas, só 
continua a funcionar porque muitas pessoas, isoladamente, querem e 
fazem certas coisas, e, no entanto, sua estrutura e suas grandes 
transformações históricas independem, claramente, das intenções de 
qualquer pessoa em particular. 
Elias faz uma crítica sobre as construções sociais, ele alega que as coisas são 
criadas em distinção, e nem tudo tem uma mesma base de construção, como os 
modos artísticos de se expressar. \u201c É com bastante frequência, ao serem 
confrontados com fenômenos sociais (...), como é a evolução dos estilos 
artísticos (...) \u201d (ELIAS,1994, p.14). É abordado neste mesmo conceito como a 
psicologia social e a ciência, lidam com o indivíduo e a sociedade, onde o autor 
afirma que a ciência separa o ser humano da sociedade, para um possível 
estudo onde é analisado separadamente o indivíduo, que para este, ele não 
precisa de sociedade para ter uma construção psicológica. Já a psicologia social 
une indivíduo e sociedade no mesmo contexto, onde ambos se constituem e se 
influi, para a sua construção, ou seja, a sociedade é de suma importância para 
a construção de hábitos, estilos de vida e até mesmo formando opiniões. 
Segundo Elias (1994, p. 15). 
(...). Na ciência que lida com fatos dessa espécie, encontram-se, de 
um lado, ramos de pesquisa que tratam o indivíduo singular, como que 
se pode ser completamente isolado e que buscam elucidar, a estrutura 
de suas funções psicológicas independentemente de suas relações 
com as demais pessoas. Por outro lado, encontram-se correntes, na 
psicologia social ou de massa, que não conferem nenhum lugar 
apropriado ás funções psicológicas. 
O autor levanta a questão sobre a harmonização entre as necessidades e as 
individualidades, onde ambas as vertentes são importantes para a construção 
do indivíduo, onde é cobrado individualmente pela sua função dentro do corpo 
social. Elias diz que a adequação da sociedade, só é possível se o individual e 
o social andarem juntos, que assim as desordens e desconfortos, serão 
extinguidos do meio social, mas isso só seria possível se todos os seres que a 
compõe estiverem em plena harmonia, e só é possível a individualidade ser 
propicia \u201c(...) se a estrutura social pertinente for mais livre de tensão, perturbação 
e conflito\u201d (ELIAS,1994, p.17), porém segundo o escritor, não temos essa 
oportunidade para solucionar o individual juntamente com o social, porque hoje 
é solucionado cada um separadamente e uma mediante a outra. 
Nesta obra é colocado os conflitos entre indivíduo e sociedade, onde o autor 
relata que não são muito claras as causas, porém é gerado uma aversão quando 
se é colocado esse assunto. Essa disputa é dada quando o indivíduo é colocado 
como menos importante do que a sociedade. Elias questiona uma outra forma 
de compreender este embate: \u201c Mas e se uma compreensão melhor da relação 
entre o indivíduo e a sociedade só pudesse ser atingida pelo rompimento dessa 
alternativa ou isto/ ou aquilo, desarticulando a antítese cristalizada? \u201d 
(ELIAS,1994, p.18). 
O autor trata do que ele chama de ordem oculta, afirma que cada indivíduo tem 
uma determinada função, um determinado lugar, onde cada qual tem seu papel, 
e é impossível mudar repentinamente para um cargo muito distinto do seu que 
já está pré-determinado. Segundo Elias (1994, p.20). 
(...). Não lhe é possível, simplesmente, passar para outra função, 
mesmo que o deseje. O atacadista de papel não pode, subitamente, 
transformar-se num mecânico, o desempregado num diretor de fábrica. 
Menos ainda pode qualquer deles, mesmo que o queira, tornar-se 
cortesão, cavaleiro ou brâmane, salvo na realização de desejo de um 
baile a fantasia. (...) 
Elias diz que apesar de suas funções distintas, cada pessoa só exerce suas 
funções porque existem outros indivíduos em função dela, ou que dependem 
para exercer outra atividade. De acordo com Elias (1994, p.22). 
(...). Entretanto esse arcabouço básico de funções interdependentes, 
cuja a estrutura e padrão conferem a uma sociedade seu caráter 
específico, é criação de indivíduos particulares, pois cada indivíduo, 
mesmo o mais poderoso, mesmo o chefe tribal, o monarca absolutista 
ou o ditador, faz parte dele, é representante de uma função que só é 
formada e mantida em relação a outras funções, as quais só podem 
ser entendidas em termos da estrutura específicas desse contexto 
total. 
Nas circunstâncias onde o escritor retrata que a individualidade de cada ser, 
atinge diretamente no meio social, onde o fracasso e o sucesso do grupo está 
associado particularmente em cada pessoa, entre tanto não atinge apenas a si 
particularmente, mas o grupo em que está inserido. \u201c(...) eles acreditam que a 
substancia tangível das estruturas e regularidades sociais esteja localizado no 
indivíduo\u201d (ELIAS,1994, p.24). Ainda nesse contexto o escritor usa o exemplo 
das pedras que unidas formam uma casa, como se as pedras fossem cada 
indivíduo e casa que é a junção das pedras é a sociedade, que mesmo cada 
pedra sendo diferente ainda forma uma única casa. Elias diz (1994, p.25). 
A relação entre os indivíduos e a sociedade é uma coisa singular. (...). 
Apesar disso, a experiência adquirida observando-se a relação entre 
as partes e o todo em outras esferas pode, até certo ponto, ajudar-nos 
nesse aspecto. (...). Dá se algo semelhante com a casa. Aquilo a que 
chamamos sua estrutura não é estruturas das pedras isoladas, mas a 
das relações entre diferentes pedras têm em relação umas às outras 
na umidade da casa. 
O escritor diz que para termos uma melhor clareza do indivíduo, temos que 
observar as pessoas em seu redor, para termos uma melhor compreensão das 
influências, que cada um faz ao indivíduo em particular, e mesmo com essa 
influência cada indivíduo, constrói uma percepção diferente em relação a vida. 
Elias afirma que \u201c(...) para chegarmos a uma clareza maior nessa direção, é 
preciso mais do que uma simples revisão de hábitos mentais. O que se faz 
necessário é uma revisão fundamental de toda a composição tradicional de 
autoconsciência\u201d (ELIAS,1994, p.24). Com isso, ele quis dizer que não basta ter 
uma compreensão do ser, como a maioria das pessoas intendem como 
compreensão, mas sim ir além disso. 
O autor trata a relação do indivíduo diante aos outros, como se dependesse de 
uma geração anterior para formar características particulares de cada ser-
humano. Ele apresenta o exemplo da criança, que ao nascer ainda não está 
totalmente \u201csociável\u201d, que ao passar dos seus anos ela vai aprendendo com seu 
progenitor os hábitos que se tem diante uma sociedade civilizada, e que se essa 
criança não tivesse alguém para educa-la ela não saberia como se comportar 
diante o corpo social. Elias afirma (1994, p.27). 
(...). Somente na relação com os outros seres humanos é que a criatura 
impulsiva e desamparada que vem ao mundo se