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LIVRO DE ECONOMIA RURAL Utilizado na UFRAACS - Livro gtz[1]

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de Economia e Sociologia Rural, Brasília, v. 30, n. 2, p. 
159-170, 1992. 
SANTANA, Antônio Cordeiro de; KHAN, Ahmad Saeed. Análise sócio-econômica de pequenas 
unidades de produção em Santa Izabel do Pará. Revista de Economia e Sociologia Rural, Brasília, 
v. 28, n. 2, p.255-274, 1990. 
SANTANA, Antônio Cordeiro de; SANTANA, Ádamo Lima de. 500 ano de agricultura no Brasil. 
Movendo Idéias, Belém, v. 5, n. 7, p. 12-19, 2000. 
 
 
 
 
CAPÍTULO 2 
 
 
MERCADO DE PRODUTOS RURAIS 
 
 
2.1 INTRODUÇÃO 
Neste capítulo, apresentam-se os conceitos de mercado e das forças de oferta e demanda 
que o define. Além da representação tradicional da demanda e oferta por meio gráfico, tabular e 
matemática, são desenvolvidas as extensões e feitas aplicações empíricas aos casos reais da 
economia brasileira e da região amazônica. 
Ênfase especial é dada aos conceitos e aplicações da elasticidade da demanda e da oferta 
para os principais produtos agropecuários e florestais. Análises são desenvolvidas para mensurar e 
evidenciar os efeitos de mudanças em políticas públicas, choques exógenos e nas variáveis 
macroeconômicas sobre o equilíbrio de mercado. 
Por fim, empregam-se os conceitos de excedente do produtor e do consumidor para avaliar 
as mudanças na distribuição de renda e do bem-estar social dos produtores e consumidores, diante 
de alterações nas variáveis definidoras da demanda e da oferta dos principais produtos 
agropecuários e florestais. 
2.2 MERCADO: FUNDAMENTOS E APLICAÇÕES 
Inicia-se este capítulo respondendo a uma das perguntas fundamentais que trata do 
entendimento sobre o significado da palavra mercado. Ou seja, o que significa a palavra mercado? 
Literalmente, mercado sempre foi compreendido como um local onde os bens (de consumo e 
duráveis) e serviços são comprados e vendidos ou trocados. Exemplos: mercado de peixe do Ver-o-
Peso, mercado de carne (açougue das feiras municipais; gôndolas de supermercados), mercado de 
commodity da BM&F. Atualmente, com freqüência, as transações de compra e venda de um produto 
ou serviço se efetivam pelo telefone e pela Internet, ou seja, pelo mercado eletrônico. 
Assim, mercado é um processo dinâmico através do qual ocorre a interação (de forma física, 
telefone e/ou Internet) entre compradores (consumidor ou cliente) e vendedores (produtor ou 
empresário) de um bem ou serviço para determinar o preço e a quantidade transacionada no 
mercado desse bem ou serviço. 
Cada mercado tem seu mecanismo de operação: cada bem ou serviço tem um preço; cada 
agente (consumidor ou vendedor) recebe um rendimento pelo que vende e utiliza esse rendimento 
para comprar o que deseja. Essa é a força que torna efetiva a transação de bens e serviços e, como 
conseqüência, a determinação do preço. 
 
 
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O sistema de preços é o instrumento de sinalização de uma economia. É o sistema de preços 
que orienta ao produtor como que deve explorar seus recursos naturais de forma mais intensiva ou 
extensivamente elevada. 
O preço de equilíbrio de mercado é determinado pela interação da oferta e demanda de um 
produto ou serviço. É claro que o preço depende de muitos fatores, contudo, esses fatores só 
influenciam o preço na medida em que se incorporam nas forças que determinam a demanda ou a 
oferta. Assim, a emissão de moeda afeta o preço de equilíbrio porque aumenta o rendimento das 
pessoas e este desloca a demanda. Da mesma forma, a escassez de milho no Brasil fez com que o 
preço do frango aumentasse porque o milho faz parte da ração e esta compõe cerca de 75% do custo 
de produção do frango. Portanto, o custo mais alto deslocou a oferta para cima e para a esquerda e 
fez o preço do frango aumentar. Conclui-se, todavia, que o preço de equilíbrio só é afetado pela 
demanda e oferta. 
Para que serve o mercado? Entre muitas outras finalidades, a análise de mercado serve para: 
? Apoiar a tomada de decisão do produtor sobre o produto que deve ser produzido e na 
quantidade certa, ou seja, ajuda a responder à questão econômica: O que e quanto produzir? 
? Orientar a geração, difusão e implantação de inovações tecnológicas, isto é, responde a 
questão econômica: Como produzir? 
? Identificar os canais de comercialização dos produtos e sua distribuição, que responde à 
questão econômica: Para quem produzir? 
? Estudar os efeitos distributivos de políticas (tributária, subsídio, segurança alimentar, juros, 
crédito, choques climáticos, câmbio, epidemias, barreiras tarifárias e não-tarifárias, etc.) sobre 
a atividade produtiva. 
? Explicar a formação dos preços de mercado dos produtos e serviços. 
Neste texto, para maior facilidade no entendimento, considera-se que o mercado funciona em 
regime de concorrência pura. 
Um mercado em concorrência pura apresenta as seguintes características fundamentais: 
grande número de consumidores e produtores, cujas ações individuais não afetam os preços de 
mercado; produto homogêneo aos olhos dos consumidores e ausência de barreiras e regulamentos à 
entrada ou saída da atividade. Os produtos da agropecuária, de modo geral, se aproximam desse 
conceito, pelo menos no mercado em nível do produtor rural. 
2.3. FORÇAS DO MERCADO: DEMANDA E OFERTA 
A demanda e a oferta se referem ao conjunto de pessoas que realizam transações de compra 
e venda de um produto ou serviço no mercado. Os compradores ou consumidores, em conjunto, 
determinam a demanda, e os vendedores ou produtores, em conjunto, determinam a oferta do 
produto ou serviço. 
2.3.1 Conceito de demanda 
A demanda é a quantidade dos bens ou serviços que os consumidores desejam e podem 
comprar, aos vários preços de mercado, em dado período de tempo, ceteris paribus. Este termo 
significa que as demais variáveis que influenciam a demanda são mantidas constantes e apenas o 
preço varia. 
O consumidor, diz-se, é soberano e é, juntamente com a tecnologia, a força que responde 
pela evolução do consumo ao longo do tempo: antes se consumia alimento in natura; mais tarde o 
mercado foi dominado por produtos beneficiados; atualmente se encontram refeições completas em 
uma embalagem. 
Esta evolução se processou por mudanças nos gostos e na tecnologia que influenciaram a 
demanda e a oferta. 
O que acontece ao Peixe/Frango/Carne se aparece disponível no mercado uma quantidade 
superior àquela que as pessoas desejam e podem comprar ao último preço? 
 
 
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A conseqüência é uma diminuição no preço desses produtos. Por outro lado, se a 
disponibilidade dos produtos for menor do que as pessoas desejam comprar, o preço se eleva. 
Portanto, há uma consciência de que as quantidades dos bens e serviços tendem a variar de forma 
inversa aos preços de mercado. A isto se denominou de lei da demanda. 
A lei da demanda é dada por: A quantidade demandada apresenta uma relação inversa 
ao preço, ceteris paribus. Esta lei se verifica para quase todos os produtos: cereais, carnes, pescado, 
roupas, sapatos, eletrodomésticos, etc. Vale também para os serviços: educação, energia elétrica, 
água, saúde, etc. Em todos esses bens e serviços, a quantidade demandada tende a diminuir quanto 
o preço de mercado aumenta e vice-versa. 
Esta lei pode ser representada por meio de uma equação matemática, uma representação 
tabular ou gráfica, como a seguir: 
Equação de demanda: Qx = a – b Px 
em que: 
Qx é a quantidade demandada do produto X, medido em unidades físicas (kg, @, t, sc, etc.); 
Px é o preço real do produto X, medido em unidades monetárias (R$/kg, R$/@, R$/t, etc.); 
a é o consumo médio de X, na ausência do preço, também conhecido na matemática como o 
coeficiente linear da reta e na estatística como intercepto, medido em unidades físicas; 
b é a magnitude da mudança na quantidade demanda de X, quando o preço muda de uma unidade, 
também conhecido como inclinação da reta. 
Na Figura 2.1, o coeficiente

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