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LIVRO DE ECONOMIA RURAL Utilizado na UFRAACS - Livro gtz[1]

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para fora (levar os produtos e 
matérias-primas da fábrica ao consumidor) como também o problema da distribuição para dentro 
(levar produtos e matérias-primas dos fornecedores até a fábrica). Envolvem o gerenciamento de 
redes de fornecimento e fluxos acrescidos de valor dos fornecedores aos clientes finais. Essas 
atividades de distribuição incluem previsão, sistema de informação, compras, planejamento de 
produção, processamento de pedidos, estoque, armazenamento e planejamento de transporte. 
O ponto fundamental do planejamento de logística de transporte é estudar os serviços de 
distribuição que os consumidores esperam dos fornecedores, que inclui: 
• Processamento rápido dos pedidos; 
• Entrega pontual e flexível; 
• Seleção e identificação da mercadoria; 
• Informação sobre o andamento dos pedidos; 
• Aceitação de devoluções ou substituição de produtos defeituosos. 
Assim, um serviço de alta qualidade exige o atendimento aos seguintes requisitos: entrega 
rápida, grandes estoques, sortimentos flexíveis e política liberal de devolução. Isto conflita com a 
busca de obter custo mínimo que requer entrega lenta, estoque pequeno e expedição de maior 
volume de mercadorias por vez. Portanto, a solução recai num problema de otimização condicionada. 
5.5.1.1 Transporte 
Deve-se dar muita atenção às decisões da empresa quanto a transporte. A escolha do meio 
de transporte afeta o apreçamento do produto, a eficiência da entrega e a condição dos produtos ao 
chegarem ao seu destino, sendo que tudo isto afeta a satisfação do cliente. 
Ao expedir os produtos para os armazéns, revendedores ou consumidores, a empresa pode 
escolher entre cinco meios de transporte: ferroviário, marítimo ou fluvial, rodoviário, aéreo ou por 
dutos. O Quadro 5.1 resume as principais características e adequação desses meios de transporte. 
O transporte ferroviário é um dos mais eficientes para a expedição de produtos a granel por 
grandes distâncias (Quadro 5.1). Atualmente ganhou nova dinâmica com a adaptação de vagões 
planos para receber carretas com caminhões e prestar serviços em trânsito para clientes. A grande 
desvantagem ainda é a baixa flexibilidade de transporte. 
O transporte rodoviário é o mais importante no mercado de transporte de cargas brasileiro. 
Este meio de transporte responde pela expedição de cargas entre e dentro das cidades. A grande 
vantagem é a flexibilidade em termos de rotas, programação de tempo e transporte de porta a porta. 
São muito eficientes para transportar cargas pequenas com mercadorias de alto valor e responde 
pela quase totalidade do transporte de safras agrícolas internas no Brasil. 
 
 
 
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Quadro 5.1 – Características e adequação dos principais meios de transporte de cargas de produtos 
da cadeia de suprimento. 
Meio de transporte Produtos tipicamente transportados 
Ferroviário Produtos agrícolas, madeira, minérios, produtos químicos, automóveis. 
Rodoviário Roupas, alimentos, livros, computadores, produtos de papel, produtos 
agrícolas. 
Marítimo ou fluvial Petróleo, grãos, madeira, areia, cascalho, minério de ferro, carvão. 
Por dutos Petróleo, gás, carvão, produtos químicos e minérios. 
Aéreo Instrumentos técnicos, produtos perecíveis, documentos. 
 
 
O transporte fluvial ou marítimo transporta grande quantidade de produtos na Amazônia, por 
meio de barcaças pelos rios da Amazônia (rio Tapajós, rio Madeira, rio Tocantins, rio Amazonas) e 
navios na costa brasileira. A quase totalidade das exportações brasileiras é transportada por navios. 
O transporte por dutos no Brasil se restringe, basicamente, ao transporte de gás, produtos 
derivados do petróleo e minérios. 
O transporte aéreo, em função do custo do frete elevado, é empregado para expedir 
pequenas cargas de alto valor agregado. Na Amazônia, os principais mercados ainda são 
abastecidos de hotifrutigranjeiros, em função de serem produtos perecíveis e não produzidos em 
quantidade e em qualidade no mercado local, são transportados de avião. 
A combinação de alguns modais de transporte é importante para diminuir o custo do produto 
para o consumidor. Na Amazônia, dada a dotação natural de rios navegáveis, a combinação do 
modal rodoviário ou ferroviário com o modal fluvial para transportar minérios, grãos e produtos 
agrícolas processados constitui a principal oportunidade para o agronegócio regional se interligar aos 
mercados regional, nacional e internacional. 
Atualmente, a logística de transporte de grãos que é adotada por grandes empresas 
exportadoras de grãos como Cargil e Maggi, envolve o transporte do produto por meio rodoviário 
(caminhões) de áreas do Mato Grosso (cerca de 20% da produção) e Rondônia até Porto Velho 
(distância entre 500 e 600 km), daí o produto passa para grandes barcaças que navegam o rio 
Madeira e o rio Amazonas até Itacoatiara no Estado do Amazonas (grupo Maggi) ou navegam o rio 
Madeira e o rio Tapajós até Santarém, no Estado do Pará. Nestes pontos o produto é beneficiado e 
armazenado. Depois carrega os navios que levam a produção para os mercados nacional e 
internacional. Portanto, a logística de transporte combina os modais rodoviário, fluvial e marítimo para 
escoar a produção regional. Este, talvez, seja o principal gargalo das cadeias de suprimento da 
região amazônica. 
5.5.2 Fluxos da cadeia de suprimento 
Quantos e quais são os fluxos da cadeia de suprimento? 
As cadeias de suprimentos são movidas por meio dos três fluxos descritos abaixo: 
a) Fluxo de produto, movido pela logística de transporte 
b) Fluxo monetário, contrapartida em dinheiro do fluxo de produto. 
c) Fluxo de informação. 
Estes fluxos respondem pela dinâmica estabelecida entre os diferentes estágios que integram 
cada cadeia de suprimento. 
a) Fluxo de produto 
O fluxo de produto envolve o planejamento e gestão das atividades de fornecimento dos 
insumos, bens de capital e matérias-primas para as unidades processadoras e produtos 
 
 
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intermediários e finais ao longo da cadeia de suprimento. A sua configuração e operacionalidade 
estão vinculadas ao desenho do canal de distribuição e atuação da logística de transporte, já 
descritos anteriormente. 
Este fluxo, para funcionar adequadamente, precisa operar em grande sintonia com o fluxo de 
informação. Inicialmente é necessário determinar a quantidade demandada por insumos, matérias-
primas e produtos finais exigido por cada estágio da cadeia de suprimento. Com base na demanda 
real de um produto em cada estágio da cadeia de suprimento, planeja-se a oferta, elege-se o canal 
de distribuição e o meio de transporte mais eficiente, no sentido de otimizar as necessidades dos 
clientes ao menor custo para o fornecedor. 
Assim, se a demanda final de um produto é de 100 unidades por mês, o varejo deve cuidar 
para que este produto esteja sempre disponível nesta quantidade. Para que isto se concretize, o 
atacado deve ter em estoque quantidade suficiente para atender aos pedidos do varejo. Por sua vez, 
as agroindústrias para fabricar essa quantidade de produto necessitam de que os fornecedores 
entreguem a quantidade exata de matéria-prima com a qualidade exigida e no tempo estipulado. Se 
houver qualquer erro no dimensionamento da demanda final, para mais ou para menos, pode haver 
excesso (escassez) de produto em algum ponto da cadeia, causando oscilação de preços, dos 
custos, riscos e incertezas, que culmina em prejuízo para os membros da cadeia. 
Em função disso, a disponibilidade e qualidade da informação gerada para guiar o fluxo de 
produto é de grande importância para o desempenho de todas as atividades da cadeia. 
b) Fluxo de informação 
O fluxo físico de informação está se tornando uma ferramenta cada vez mais importante para 
a gestão das cadeias de suprimento. A complexidade dos sistemas de gestão do fluxo monetário e de 
produto da cadeia de suprimento coloca

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