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LIVRO DE ECONOMIA RURAL Utilizado na UFRAACS - Livro gtz[1]

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de Luís XV, atribuiu grande ênfase ao setor rural ao defendê-lo como único capaz de gerar riqueza. 
Deste momento histórico em diante, a produção rural marca cada vez mais, sobretudo na 
economia brasileira, importância para o desenvolvimento intersetorial da economia. Até os anos 30, o 
Brasil dependia praticamente da economia do café, depois iniciou a diversificação da produção e da 
agroindustrialização dos produtos rurais, de modo que na segunda metade do século XX, a pauta de 
exportação de produtos rurais se ampliou consideravelmente para café, açúcar, suco de laranja, 
algodão, soja, milho, pimenta-do-reino, frutas, flores, madeira, papel e celulose, peixe, camarão, 
carnes, óleo vegetal, entre outros. 
No início do século XXI, o Brasil passou a ser o maior exportador de carnes, suco de laranja, 
açúcar, álcool e o segundo maior exportador de soja, por exemplo. Em 2004, o agronegócio brasileiro 
exportou US$ 39 bilhões, gerando um superávit de US$ 34,1 bilhões, representando 48,46% das 
exportações totais. 
O agronegócio respondeu por 21,6 milhões de empregos, cerca de 30% da população 
economicamente ativa e 34% do produto interno bruto (PIB), ou US$ 206 bilhões. 
Na Amazônia, o agronegócio empregou 1,3 milhão de pessoas, em 2004, 45% da mão-de-
obra ocupada na região, participou como 22% das exportações e com 39% do PIB, cerca de R$ 33 
bilhões. 
Pelo que se observa, a Economia Rural é um tópico importante dentro da ciência econômica, 
merecendo destaque no ensino de graduação e pós-graduação nos principais cursos agrícolas e não-
agrícolas das principais universidades do Brasil e do Mundo. 
O conceito de Economia Rural diz respeito ao conjunto dos conhecimentos que envolvem as 
relações de produção, processamento, distribuição e consumo das coisas rurais, agora e no futuro. A 
definição de Economia Rural se refere ao estudo das formas como o homem escolhe utilizar 
tecnologia e recursos escassos (como trabalho, capital, recursos naturais e capacidade de gestão) 
em atividades alternativas (agrícola, pecuária, florestal, extrativa) para produzir alimentos e fibras 
e distribuí-los para atender às necessidades de consumo das populações presentes e futuras, 
sem destruir a natureza. 
 
 
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Este conceito amplo de Economia Rural carece de compreensão sobre como utilizá-lo na 
prática para cumprir as funções socioeconômicas da agricultura e contribuir para enfrentar, talvez, o 
maior problema da humanidade neste século que é a fome e a desnutrição. Sabe-se que o setor rural 
é o que apresenta a maior capacidade de resposta, a um menor custo e maior dinamismo por: 
a) Utilizar racionalmente os fatores de produção, tecnologia apropriada e reduzir os impactos 
ambientais; 
b) Produzir alimento e fibra para consumo, processamento e exportação, reduzindo a fome; 
c) Criar oportunidade de trabalho e emprego, gerar e distribui renda, ampliar o tamanho do 
mercado de produtos e de fatores, reduzindo a pobreza; 
d) Contribuir para controlar a inflação e equilibrar a balança comercial, via exportações de 
commodities e produtos de maior valor agregado; 
e) Colaborar com o desenvolvimento econômico em função das ligações que estabelece com as 
atividades a montante e a jusante, formando cadeias produtivas integradas e dinâmicas. 
Um dos pontos cruciais da aplicabilidade do conceito de Economia Rural e compreender o 
que são os fatores de produção e como são alocados nas atividades rurais. 
1.2 FATORES DE PRODUÇÃO 
Por fatores de produção, compreendem-se os meios utilizados pelo homem para produzir 
bens e serviços, destinados à população presente e futura. Esses fatores possuem as características 
de serem limitantes em quantidade, em função do Estado da arte, e versáteis por ter uso múltiplo e 
permitir combinações em proporções variáveis. 
A classificação mais usual para os fatores de produção é a seguinte: trabalho (T), capital (K) 
e recursos naturais (N). 
a) Trabalho (T): é a contribuição do ser humano na produção, na forma de atividade física 
(trabalho do diarista na agricultura, peão na pecuária, técnico agrícola, funcionários na 
agroindústria, etc.) e atividade mental (gestão e controle – contador, administrador, 
agrônomo; consultor – veterinário, agrônomo, engenheiro florestal, zootecnista, engenheiro 
de pesca, advogado, etc.). O trabalho na unidade de produção rural é identificado por: 
emprego permanente (trabalho remunerado e com carteira assinada, consultoria 
permanente), emprego temporário (trabalho remunerado com ou sem carteira assinada; mão-
de-obra do diarista ou trabalho eventual), trabalho da família (a grande maioria não é 
remunerada), serviço de empreitada (prestação de serviço), mutirão (geralmente ocorre nas 
comunidades rurais, mediante a troca de dias de trabalho onde todos participam). 
b) Capital (K): o capital pode ser classificado em fixo e variável, de acordo com o tempo de uso. 
O capital fixo é o conjunto de ferramentas, equipamentos, máquinas e instalações (armazém, 
casa de máquinas, estábulo, conjunto de irrigação, estrada, barragem, etc.), fabricados ou 
construídos pelo homem e que contribuem para a produção de bens e serviços. Este tipo de 
capital é incorporado lentamente ao processo produtivo e uma vez adquirido, seu custo 
independe da quantidade produzida. Assim, se um agricultor adquire um trator por 100 
unidades monetárias, cujo uso racional permite arar 300 ha de terra por ano e o agricultor ara 
apenas 20 ha e deixa o trator parado o resto do ano, o custo empatado é o mesmo que 
trabalhasse os 300 ha. Portanto não há como recuperar o custo investido em capital fixo que 
não é utilizado. O capital variável, como o próprio nome indica, varia com a quantidade 
produzida. Ele se incorpora ao processo produtivo em um único ato de produção. São 
exemplos: sementes, adubo, fertilizantes, agrotóxicos, mão-de-obra temporária, combustível, 
sacaria, etc. Se para o cultivo de um hectare são necessários 200 kg de adubo, cinco 
hectares necessitam de uma tonelada de adubo. Portanto, o uso do insumo varia com a 
quantidade produzida. 
c) Recursos Naturais (N): são os elementos da natureza que o homem utiliza para produzir 
bens. A terra é o principal fator de produção entre os recursos naturais. A terra oferece o 
substrato de sustentação das lavouras (culturas temporárias e permanentes), pastagens para 
a pecuária, plantio de florestas, construção de edificações rurais, etc. De acordo com sua 
fertilidade e proximidade dos mercados e da infra-estrutura de estradas, alcança maior preço 
 
 
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no mercado. A terra é um ativo importante que serve como garantia para a obtenção de 
empréstimos bancários e para a formação de parceria com agroindústrias, cooperativas, etc. 
A água também é um importante fator de produção e responde por grande parte das boas 
colheitas e produção de pastagens, de acordo com sua distribuição pluviométrica. A água 
utilizada na irrigação afeta diretamente a produção e a qualidade do produto. A água utilizada 
na produção de energia, produção de peixe e camarão em cativeiro, consumo dos animais e 
consumo humano também é considerado como recurso natural de grande influência na 
produção rural. A floresta é outro recurso natural que fornece madeira para as construções 
rurais, cercas, estábulos, lenha, carvão e proteção de encostas, margens de rios, etc. O clima 
(insolação, temperatura, chuva, umidade, vento, etc.) também contribui de forma significativa 
para o bom desempenho da produção rural. Os minerais (nitrogênio, fósforo, potássio, 
calcário, ferro, etc.) são importantes fatores de produção. Por último, são considerados como 
recursos naturais os animais como aves de postura, matriz leiteira, eqüídeos, etc. 
Atualmente, grande atenção tem sido dada ao uso dos recursos naturais de forma 
sustentável, sendo reconhecido pelo mercado consumidor, que paga um prêmio aos produtos 
gerados

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