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LIVRO DE ECONOMIA RURAL Utilizado na UFRAACS - Livro gtz[1]

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instituições e bens públicos, o estímulo à inovação pela competição existente e a 
melhoria da motivação e da avaliação de desempenho das empresas participantes. 
A importância dos Clusters reside no fato de que a concorrência moderna depende em alto 
grau da produtividade e não do acesso a insumos ou da economia de escala de empreendimentos 
isolados, sendo esta produtividade dependente do grau de sofisticação da gestão das empresas, a 
qual é fortemente influenciada pelas condições do ambiente empresarial local, vinculadas aos 
diferentes Clusters. Assim, de acordo com Porter, os Clusters afetam a maneira das empresas 
competirem de três formas principais: aumentando a produtividade das empresas sediadas na região; 
indicando a direção e o ritmo da inovação que sustentam a produtividade futura; e estimulando a 
formação de novas empresas, o que reforça o próprio Cluster. 
d) Arranjo Produtivo Local (APL) 
Se caracteriza pela existência no local ou região de atividades produtivas com características 
comuns, pela existência de uma infra-estrutura tecnológica significativa (instituições de ensino 
superior,centros de capacitação profissional, de pesquisa tecnológica, etc.), bem como pela 
existência de relacionamentos dos agentes produtivos entre si e com os agentes institucionais locais, 
consolidando a geração de sinergias e de externalidades positivas. Possuem todas essas 
características com alto nível de coesão e organização entre os agentes: Incluem fornecedores de 
insumos específicos, componentes, máquinas e serviços, criando uma infra-estrutura produtiva 
especializada;- Muitas vezes estendem sua atuação até aos canais de distribuição e consumidores, 
envolvendo os fabricantes de produtos complementares e as empresas de setores industriais afins, 
que guardam características semelhantes, tecnologias ou insumos comuns;- Incluem instituições que 
fornecem treinamento especializado,educação, informação, pesquisa e suporte técnico às empresas 
participantes do arranjo (como universidades, instituições de pesquisa, escolas técnicas,laboratórios, 
infra-estrutura em tecnologia industrial básica - TIB, etc.);- Também fazem parte destes arranjos, 
instituições governamentais,agências de fomento, entidades ligadas ao setor empresarial, entre 
outras instituições envolvidas com a coordenação das ações e com as políticas de apoio à inovação, 
melhoria da competitividade e desenvolvimento tecnológico. 
Fonte: Ministério da Ciência e Tecnologia - www.mct.gov.br 
 
 
 
 
113
 
Comparativo dos diferentes tipos de Cadeias Produtivas de acordo com os critérios de 
análise selecionados 
CRITÉRIOS DE 
ANÁLISE FILIÈRE CLUSTER SUPPLY CHAIN 
REDES 
(Peq. e Médias 
Empresas) 
Competitividade 
Parte dos 
produtos finais 
para analisar a 
cadeia – grau 
médio 
Parte da 
concentração 
espacial dos 
recursos e 
serviços para 
realizar a análise – 
grau alto 
Enfoca 
especificamente 
os produtos finais 
e suas 
características – 
grau alto 
Analisa a estruturação 
do processo com 
vistas aos produtos – 
grau alto 
Políticas 
setoriais 
Pela visão 
abrangente da 
cadeia e das 
diversas 
relações facilita 
a definição de 
políticas gerais 
Pela visão dos 
segmentos, inter-
relações e 
condições de 
contorno facilita a 
definição de 
políticas gerais 
Pela orientação 
focalizada ao 
segmento ou 
mercado 
analisado dificulta 
o estabelecimento 
de políticas gerais 
Em vista da 
estruturação de um 
segmento específico 
permite proposição de 
políticas específicas 
Regionalização 
Não aborda 
diretamente a 
questão da 
regionalização 
Enfoca 
diretamente o 
aspecto da 
regionalização 
Não considera a 
questão territorial 
como ponto básico
Considera, em certo 
grau, a regionalização 
pelo porte das 
empresas analisadas 
Relações de 
poder 
Pela análise 
abrangente 
permite 
identificar as 
relações de 
poder 
existentes na 
cadeia 
Pela análise dos 
segmentos 
envolvidos permite 
identificar as 
relações de poder 
existentes 
Evidencia 
diretamente as 
relações de poder 
que induzem as 
ações de 
racionalização do 
processo 
operacional 
Não centra sua 
atenção nas relações 
de poder e seu 
tratamento, apesar de 
vê-las como 
equilibradas 
Tecnologia 
A análise da 
cadeia não está 
focalizada 
especificamente 
na questão 
tecnológica 
A questão 
tecnológica 
representa um dos 
pontos 
significativos da 
análise 
A tecnologia é 
considerada passo 
fundamental na 
lógica de 
racionalização dos 
processos 
A tecnologia não 
constitui o ponto 
básico da análise, 
apesar de integrá-la 
Abrangência 
Modelos 
bastante 
abrangentes, 
que permitem 
diversas 
análises 
diferenciadas. 
Permite análise de 
diferentes 
características, 
mas limitadas 
regionalmente a 
certos segmentos 
da cadeia 
Permite análise 
detalhada, em 
termos de 
competitividade, 
de uma cadeia ou 
segmento 
produtivo 
específico 
Propicia análise de 
diversos aspectos da 
estrutura da cadeia 
com limites regional e 
de porte 
Estratégia 
Permite uma 
análise clara e 
objetiva das 
estratégias 
adotadas 
Possibilita a 
análise das 
estratégias 
específicas 
empregadas no 
segmento 
analisado 
 
Permite verificar a 
estratégia 
buscada e os 
meios 
empregados na 
cadeia específica 
Permite analisar a 
estratégia vinculada à 
cadeia e ao porte das 
empresas 
 
 
114
 
Gargalos 
Permite a 
identificação e 
análise dos 
gargalos da 
cadeia 
Não enfoca 
diretamente os 
gargalos 
existentes 
Centra-se na 
identificação dos 
gargalos e sua 
eliminação 
Permite a visualização 
dos gargalos e 
necessidades de 
estruturação 
Palavras-chave 
Fluxo, Análise Aglomeração, 
Território 
Competição, 
Racionalização 
Cooperação, 
Organização, 
Complementaridade 
 
 
 
CAPÍTULO 6 
 
MAPEAMENTO E ANÁLISE DE ARRANJOS 
PRODUTIVOS LOCAIS NA AMAZÔNIA 1 
 
 
6.1. INTRODUÇÃO 
Este trabalho emprega uma metodologia alternativa para a identificação e mapeamento de 
arranjos produtivos locais na Amazônia. É um passo adiante na aplicação da metodologia 
desenvolvida por Santana (2004) e aplicada pela Agência de Desenvolvimento da Amazônia (ADA) 
para identificar e mapear os APL da Amazônia Legal, que se adota para eleger os municípios onde 
existe especialização em dada aglomeração de atividades produtivas. 
Um dos desafios da análise de APL é sua demarcação territorial. Diversos critérios têm sido 
empregados, complementados ou não com artifícios de controle, porém não tem ainda um indicador 
ou combinação de indicadores que equacione esse desafio a contento. Todos os critérios utilizados 
até o momento apresentam fortes limitações. Neste trabalho, pretende-se contribuir para equacionar 
esse problema, propondo, de maneira simplificada e exploratória, um método estatístico mais 
robusto, que permite fazer a identificação e o mapeamento geográfico dos arranjos produtivos locais 
(APL) na Amazônia. 
Este esforço justifica-se não apenas pela importância que os arranjos produtivos têm na 
geração de emprego, bem-estar social, crescimento econômico, desenvolvimento tecnológico, 
exportações e sustentabilidade ambiental, como também pela atenção que vem recebendo de órgãos 
públicos (Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio e 
Ministério da Integração Nacional, entre outros), instituições privadas (Sebrae, por exemplo) e 
organizações sociais diversas, a partir de uma miríade de metodologias que, muitas vezes, levam à 
dispersão de esforços e, principalmente, desperdícios de recursos públicos. 
No Brasil não há uma literatura ampla, nem tampouco fontes de dados sistematizados sobre 
a estrutura de aglomerados

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