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LIVRO DE ECONOMIA RURAL Utilizado na UFRAACS - Livro gtz[1]

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em processos limpos, ou seja, de baixo impacto sobre o meio ambiente. 
Após esta apresentação sucinta dos fatores de produção, é de fundamental importância que 
se conheça como esses recursos produtivos estão sendo empregados nas unidades de produção da 
Amazônia. Toma-se como exemplo as unidades produtivas rurais do Estado do Pará, com base no 
Censo Agropecuário de 1995. 
A utilização das terras nas unidades de produção rurais do Estado do Pará, de acordo com 
os dados do Censo Agropecuário, é a seguinte: 3,9% ocupadas com lavouras (culturas temporárias e 
culturas permanentes); 28,3% ocupadas com pastagens plantadas e 7,9% com pastagens naturais 
(pecuária de corte e de leite); 0,6% com matas plantadas (plantio de eucalipto para celulose e outros 
plantios para produzir carvão vegetal); 56,3% ocupados com matas naturais (mata densa, capoeirão 
e capoeira); 3,0% com áreas inaproveitáveis para agropecuária (são consideradas as áreas próximas 
aos igarapés, rios, terrenos muito inclinados, área com benfeitorias, etc.). 
Os preços das terras agricultáveis na região amazônica e, especificamente, no Pará, em 
2004, são: mata R$ 255,00/ha em Monte Alegre; pastagem formada R$ 383,00/ha em São Félix do 
Xingu; agricultura R$ 1.225,00/ha em Monte Alegre, Oriximiná e Alenquer. No Paraná, os preços das 
terras agrícolas são: mata R$ 1.294,00/ha em Guarapuava, pastagem formada R$ 6.198/ha em 
Londrina e agricultura R$ 14.773,00/ha em Londrina. Observam-se que os preços das terras no Pará 
são os mais baixos do mundo, por isso, dada sua fertilidade natural e a facilidade de correção, 
mesmo não contando com infra-estrutura de estradas e de comercialização, a Amazônia está 
atraindo muitos empresários da área de grão, madeira e de pecuária. 
O pessoal ocupado nas unidades de produção rural do Estado do Pará, segundo os dados 
do Censo Agropecuário, apresentou a seguinte distribuição por atividade produtiva: 48,4% das 
pessoas estão ocupadas nas lavouras temporárias (arroz, feijão, milho, mandioca, hortaliças, etc.); 
11,9% nas lavouras permanentes (frutas, cacau, café, pimenta-do-reino, dendê, seringa, sistema 
agroflorestal, etc.); 16,8% na silvicultura (florestas plantadas) e extrativismo florestal; 22,9% na 
pecuária (bovinos, bufalinos, aves, suínos, ovinos, caprinos). Cabe ressaltar que o conceito de 
ocupação é mais amplo do que o de emprego formal, pois, contempla o trabalho de qualquer pessoal 
mesmo que tenha se ocupado na atividade apenas por um dia de serviço em dado ano agrícola. 
O emprego formal, nestas mesmas atividades rurais foi o seguinte: 23,7% em lavouras 
temporárias e 15,0% em lavouras permanentes; 9,0% em silvicultura e extração vegetal; 43,8% na 
pecuária; 8,6% na produção mista (lavoura e pecuária). 
Pelo que se observa, a situação se inverte entre a pecuária e a lavoura temporária. Assim, a 
atividade rural pecuária gerou maior número de emprego formal e a lavoura temporária ocupou maior 
número de mão-de-obra. Tanto o emprego formal quanto a ocupação temporária de mão-de-obra são 
importantes para atenuar a migração da força de trabalho mais qualificada do campo para as cidades, 
vez que mesmo de forma sazonal, em determinados períodos do ano, por ocasião de preparo de 
área, tratos culturais, colheitas, limpeza de pasto, concerto de cerca, etc., cria-se oportunidade de 
trabalho para a mão-de-obra do setor rural. 
Na Tabela 1.1, apresenta-se a relação entre o total do emprego (formal e informal, 
remunerado ou não-remunerado), obtido do Censo Populacional de 2000 e o emprego formal do 
Registro Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego relativo ao ano 
2000. Pelo que se observa, a hegemonia das atividades está trabalhando com mão-de-obra informal, 
 
 
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portanto não estão cumprindo a legislação trabalhista. As atividades de pesca e lavoura temporária 
na Amazônia são tipicamente unidades familiares, em que a quase totalidade do trabalho é da família 
e uma pequena parte é constituída do trabalho temporário. 
Tabela 1.1 
Dados de pessoal ocupado e emprego formal por atividade produtiva no Estado do Pará, relativo ao 
ano 2000. 
Atividade produtiva Ocupação (A) Emprego (B) Participação (B/A) 
Lavoura temporária 279.694 2.251 0,80% 
Lavoura permanente 119.743 2.879 2,40% 
Pecuária de corte 65.422 5.075 7,76% 
Pecuária de pequeno porte 37.712 961 2,55% 
Exploração florestal 49.549 2.849 5,75% 
Pesca 66.386 476 0,72% 
Agroindústria animal 5.456 3.876 71,04% 
Agroindústria vegetal 74.580 10.725 14,38% 
Curtumes de couro 1.482 244 16,46% 
Madeira e mobiliário 55.342 31.340 56,63% 
Total geral 2.017.162 458.632 22,74% 
Fonte: Censo (2000); RAIS (2001). A = dados do censo de ocupação de mão-de-obra; B = dados de 
empregos formais da RAIS. 
 
 
Mesmo nas atividades agroindustriais como o processamento de produtos vegetais 
(agroindústria vegetal) e o beneficiamento de couro (curtume) em que a informalidade é grande. 
Estas unidades produtivas são enquadradas na categoria de microempresas e de empresas de 
pequeno porte, que sofrem a influência de diversos fatores, como elevada carga tributária, dificuldade 
de acesso a crédito, acesso a assistência técnica e a tecnologia, acesso a mercado e elevados 
encargos trabalhistas. Em função disso, a maioria das empresas operam na informalidade. 
Mesmo na agroindústria de beneficiamento de produtos de origem animal (carne, leite, 
pescado, aves) e de madeira e mobiliário, em que há muitas empresas de médio e grande porte, há 
também emprego informal, face aos fatores indicados no parágrafo anterior. 
A tecnologia empregada nas atividades rurais do Estado do Pará ainda é rudimentar ou 
tradicional. Na pecuária, convive-se com fazendas em que são empregadas as práticas de 
inseminação artificial, transferência de embrião e manejo rotacional de pastos, representando a 
fronteira tecnológica e da qualidade da produção, e com fazendas em que o gado não tem raça 
definida, com sistema de manejo extensivo. Na agricultura, predomina a agricultura familiar em que 
no preparo da área ainda utiliza o fogo para a queima da vegetação. Recentemente, chegou a 
agricultura mecanizada, em que são empregadas tecnologias-padrão de outros centros de produção 
de grãos domo Paraná e Mato Grosso. 
Na pecuária, o controle de doenças do rebanho, conforme dados do Censo Agropecuário, 
apenas 60,85% das unidades de produção fez o controle de alguma doença (aftosa, raiva, brucelose, 
etc.); 0,56% das unidades de produção fizeram inseminação artificial, contra 7% no Brasil. A 
conservação do solo (uso de curva de nível, terraço, quebra-vento, rotação de cultura, plantio direto, 
correção do solo, etc.) foi praticada em 3,45% das unidades de produção e apenas 16,87% dessas 
unidades empregaram fertilizantes de solo. 
Com relação ao fogo intencional, utilizado como técnica agrícola tem-se que na Amazônia, é 
empregado para a limpeza de pastagens, de áreas agrícolas e em áreas de floresta densa para ralear 
e permitir o crescimento de gramíneas. Há também o fogo não intencional ou acidental que ocorre em 
áreas de floresta (por ocasião de faísca, fogos realizados para tirar mel, etc.) e em áreas de 
pastagens, provocado por faísca produzido por pedras ao se tocarem, pontas de cigarro jogadas por 
passageiros, etc. A distribuição da incidência de fogo é a seguinte: 52% são queimadas intencionais, 
sendo 36% para limpeza de áreas e 16% em áreas de floresta; 48% são queimadas acidentais, 
sendo 12% em áreas de floresta e 36% em áreas de pastagens. 
Com relação ao preparo de área para o plantio de grãos, a Figura 1.1 mostra uma área 
prepara pelo método tradicional de derruba e queima para plantio de arroz ou de pastagem. A Figura 
2 é uma área que inicialmente foi preparada com uso de trator e os leirões com as árvores acamadas 
sendo queimados para permitir a limpeza do terreno e realizar o plantio de grãos.

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