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LIVRO DE ECONOMIA RURAL Utilizado na UFRAACS - Livro gtz[1]

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A Figura 1.1 mostra um preparo de área pelo método tradicional de derruba e queima. Nota-
se que as árvores mais grossas são deixadas, porque demanda trabalho pesado para ser feito com 
machado. Assim, broca-se o mato mais fino e põe fogo para limpar a área e depois se contrata uma 
moto-serra para fazer a derruba e corte da madeira para a produção de estacas, lenha ou ainda 
madeira para carvão. 
Na Figura 1.2, a madeira é arrancada por tratores, mediante o uso de correntão atrelada a 
dois tratores que a arrasta para tombar as árvores. Após esta prática, põe-se fogo para queimar as 
árvores finas. O restante é ajuntado em leiras, formando camaleões no comprimento da área. Entre 
estas leiras, faz-se o plantio de arroz. No ano seguinte, queimam-se essas leiras e planta-se o arroz. 
Esta prática continua até amansar a terra, ou seja, até que a área fique livre de raízes, tocos, para 
permitir a utilização plena nas máquinas na lavoura da soja. 
 
 
Figura 1.1 – Área preparada para o plantio de arroz ou pastagem. Foto de Antônio Menezes. 
 
 
 
Figura 1.2 – Área preparada com trator e queima dos leirões de mato. Foto de Max. 
 
 
 
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Estas informações, portanto, ajudam a entender a utilização dos recursos ou fatores de 
produção nas unidades de produção. É importante observar que a não utilização de tecnologias 
apropriadas se deve à escassez dos recursos. A escassez é determinada em função do Estado da 
arte em termos do conhecimento que os produtores têm sobre a utilização racional desses fatores de 
produção em cada atividade. 
Assim, a terra mesmo existindo em grande quantidade na Amazônia, é limitada no que 
concerne à qualidade e possibilidade de uso (fertilidade natural, declividade, legislação ambiental, 
reservas, áreas indígenas, infra-estrutura, preço, direito de uso, etc.). A terra para ser utilizada na 
produção agropecuária precisa atender aos requisitos legais e se prestar para uso das técnicas 
agrícolas de forma eficiente e competitiva. 
A mão-de-obra pode ser limitada tanto em quantidade como em habilidade profissional para 
executar com eficiência determinadas tarefas agropecuárias ou florestais. Por exemplo, na área da 
BR-163, onde a produção mecanizada de grãos está avançando rapidamente, não se dispõe de mão-
de-obra local para operar com trator e colheitadeira, agrônomos e técnicos agrícolas especializados 
em grãos, caracterizando uma escassez de mão-de-obra com especialização nas atividades de 
grãos. 
Há também escassez de tecnologia apropriada às condições das terras da Amazônia e da 
força de trabalho local. A introdução de tecnologia importada está causando grande estrago ao meio 
ambiente, portanto, sem garantia de sustentabilidade em longo prazo. A tecnologia social ou 
tecnologia apropriada aos sistemas de produção locais carecem de maciços investimentos na 
geração e difusão desses conhecimentos para a apropriação dos agentes que atuam na Amazônia. 
A seguir serão apresentados os principais sistemas de produção ou alternativas de produção 
em prática na Amazônia. É nestas atividades que os fatores de produção são combinados de tal 
forma a gerar os produtos destinados ao consumo das famílias. Esta ação de alocar recursos 
escassos em atividades alternativas dentro da unidade de produção ocorre como no esquema 
apresentado em seguida. 
A Figura 1.3 ilustra o processo de produção em que os fatores de produção representam as 
entradas, a unidade de produção é o local onde se faz a escolha da atividade para a alocação dos 
fatores e a produção representa as saídas dos produtos finais para a venda nos mercados 
consumidores. Uma parte deste produto volta para retroalimentar o sistema. 
 
 
Figura 1.3 – Esquema do sistema de alocação e transformação de insumo e produto final. 
 
 
 
Os fatores de produção têm preço em função da sua escassez e da utilidade que agregam à 
produção. Estes fatores vão compor o custo de produção das atividades produtivas. Em função disso, 
na unidade de produção procura-se fazer uso de tais fatores de tal modo a se obter o máximo de 
produção ao menor custo possível, ou seja, procura-se maximizar o lucro de cada atividade. A arte de 
utilizar racionalmente os fatores de produção é denominada gestão empresarial, considerado fator 
limitante ao desenvolvimento local na Amazônia e no Brasil como um todo. 
Na seção seguinte serão apresentados os principais sistemas de produção ou tipos de 
unidades produtivas em que a utilização desses fatores de produção entra como variáveis 
caracterizadoras. 
Fatores de produção 
• Trabalho 
• Capital 
• Recurso natural 
Unidade de produção 
• Escolha da atividade 
• Alocação de fatores 
• Gestão, etc. 
Produção 
• Alimentos 
• Fibras 
• Outros 
 
 
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1.3 PRINCIPAIS TIPOS DE UNIDADES DE PRODUÇÃO 
Neste tópico, faz-se uma descrição sucinta sobre os principais traços dos sistemas 
agropecuários praticados nas unidades de produção rural da Amazônia ou do Brasil. Todos os 
sistemas serão avaliados com base em sete variáveis fundamentais: tamanho da unidade de 
produção, força de trabalho, tecnologia, destino da produção, forma de produção, tipo de produto e 
impacto ambiental. 
A analise dessas variáveis permite que seja feita uma diferenciação dos principais tipos de 
sistemas de produção rural, sem a necessidade de seguir uma ou outra visão teórica estilizada. 
Essas variáveis permitem transitar por todas as correntes ideológicas que tratam dos conceitos de 
agricultura sem optar por uma específica. 
1.3.1 Agricultura tradicional ou de baixa renda 
A agricultura tradicional, também chamada de agricultura familiar, agricultura camponesa ou 
agricultura de baixa renda, apresenta as seguintes características: 
a) Tamanho da unidade de produção ou porte do produtor: pequeno porte. Na Amazônia, 
pode ser considerado um pequeno produtor aquele que possui apenas um lote de terra (50 
ha no nordeste paraense ou 100 ha na rodovia Transamazônica ou na BR-163). Alguns 
autores consideram as unidades com áreas produtivas de até 100 hectares e outros incluem 
como agricultura camponesa todos os produtores com área de até 200 ha. 
b) Força de trabalho: predomina a mão-de-obra familiar. A literatura considera agricultura 
familiar ou agricultura de baixa renda aquela unidade produtiva em que pelo menos 50% da 
mão-de-obra utilizada provêm da própria família do produtor. O termo baixa renda se deve ao 
fato de que a produção desses agricultores alcança baixa cotação de preço no mercado, 
gerando uma baixa renda, dado que são produtos de primeira necessidade, de baixo valor 
agregado e produzido em pequena quantidade. 
c) Tecnologia de produção: tradicional, adquirida com a experiência passada, com forte traço 
da cultura local. Os produtos (variedades de plantas e raças de animais) são rústicos, porém 
de menor produtividade que as culturas comerciais. A tecnologia, do preparo da área até a 
colheita, via de regra, é feita manualmente, com uso mínimo de mecanização e agrotóxicos. 
A broca e derruba da mata é feita com ferramentas rústicos (foice, machado, terçado), em 
alguns casos moto-serra. Ainda se pratica a queima para limpar a área a ser cultivada. Os 
tratos culturais como plantio e capina é feito com enxada. 
d) Destino da produção: boa parte da produção se destina ao consumo da família na 
propriedade e apenas o excedente é destinado ao mercado. Isto significa que a decisão do 
produtor volta-se, em primeiro lugar, para assegurar o sustento da família e não para atender 
ao mercado. 
e) Forma de produção: diversificada. Um traço fundamental da agricultura familiar é a 
diversificação da produção. Numa mesma área cultivam-se vários produtos, como uma forma 
eficiente de reduzir o risco de preço de mercado, reduzir o ataque de pragas e doenças e 
garantir a sustentação da família. A diversificação de atividade (culturas anuais,

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