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RESUMO AV1 Constitucional

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ou seja, não se permite a formação de exército paralelo que possa se voltar contra o Estado Democrático de Direito. A criação de associações é protegida para efetivar o direito pleno às associações, mas deve ser feita nos termos legais. O que o Estado não pode fazer é exigir que ele tenha que autorizar a criação de associações, pois caracterizaria uma intervenção direta, vedada na constituição. As associações poderão ser dissolvidas, de forma compulsória pelo Estado, por meio de decisão judicial transitada em julgado. Nos casos de suspensão das associações também se exige a decisão judicial, mas não é necessário o trânsito em julgado.
A participação da associação é uma liberdade, não se podendo obrigar a entrada ou permanência em uma associação. Os associados dão legitimidade para as associações representarem seus associados no âmbito judicial e extrajudicial. A constituição exige apenas a autorização expressa de representação no Estatuto da associação ou por meio de autorização especial. 3.3.16 Direito de propriedade O direito de propriedade está previsto na constituição nos seguintes termos: Art 5o , XXII - é garantido o direito de propriedade; XXIII - a propriedade atenderá à sua função social; XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição; XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano; XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento. 
Garante-se, no inciso XXII, o direito de ter bens no território nacional. Esse direito também não é absoluto e é limitado, em especial, pelo inciso XXIII que estabelece que a propriedade deve cumprir sua função social. O inciso XXIV trata da desapropriação ordinária, instituto estudado no Direito Administrativo. Exige-se que ela só possa ocorrer nos casos de necessidade pública, utilidade pública ou interesse social. Desapropriar significa retirar a propriedade alheia, mas de forma retribuída, ou seja, por meio de uma compra compulsória feita pelo Estado. A indenização ordinária deve ser feita de forma justa, prévia e em dinheiro. Não se confunde com o confisco, que é a retirada do bem, mas sem a retribuição pela propriedade perdida. O inciso XXV trata do instituto da requisição que permite a possibilidade do Estado de requisitar propriedade privada para seu uso, caso seja necessário, para atendimento de iminente perigo público. Exemplo: uso de escada no caso de inundação. Nesse caso só há indenização, ulterior, se houve dano. Por fim, o inciso XXVI prevê a proteção da pequena propriedade rural e o tamanho é estabelecido por legislação infraconstitucional. Além disso, exige-se que essa propriedade tenha atividade produtiva familiar e a proteção é apenas relativa aos débitos decorrentes de sua atividade produtiva, a fim de se financiar o desenvolvimento rural familiar. 
3.3.17 Direito de petição e obtenção de certidões 
O direito de petição e obtenção de certidões perante os órgão públicos é assegurado a todos, independentemente do pagamento de taxas. Art 5o , XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal. O direito de petição nada mais é do que o direito do indivíduo de apresentar pedidos, em defesa de seus direitos. Se algum órgão ou repartição pública se negar a receber pedidos, essa ação seria inconstitucional e abusiva. Se há ilegalidade ou abuso de poder os indivíduos têm o direito constitucional de apresentar um pedido que deve ser apreciado e respondido pelos órgãos públicos. Caso isso não seja garantido na prática, devem ser tomadas as medidas jurídicas cabíveis. A obtenção de certidões em repartições públicas é um direito, independentemente do pagamento de taxas. A intenção será a busca de defesa de direitos ou esclarecimento de informações de interesse pessoal. A repartição pública tem o dever constitucional de emitir a certidão. As taxas geralmente cobradas são pelo trabalho para a emissão da certidão e não pela própria certidão, além disso, é possível se obter a isenção, nos termos legais.
O inciso XXXV do artigo 5o da constituição prevê o princípio da inafastabilidade da jurisdição, que se relaciona diretamente com o direito de petição. “Art 5o , XXXV – a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”27. Esse princípio afirma que nenhuma lei pode afastar da análise judicial qualquer lesão ou ameaça de direito. Isso porque o Judiciário tem o dever de dizer o direito no caso concreto e de forma definitiva, sendo vedada a autotutela. 3.3.18 Limites à retroatividade da lei O inciso XXXVI do artigo 5o estabelece limites à retroatividade da lei: “Art. 5o , XXXVI – a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. O direito adquirido é todo aquele que o indivíduo já incorporou, ou seja, já pode invocar perante alguém, pois já cumpriu os requisitos legais para exercê -lo. Esse direito não pode ser prejudicado pela lei, ou seja, se a lei for modificada não poderá se alterar o direito já adquirido no tempo. 
EXEMPLO: Adquire-se determinado direito no dia 1o de agosto e a lei se modifica no dia 2 de setembro. Nesse caso, a lei nova não se aplica para aqueles que já adquiriram o direito que não poder ser mais retirado do indivíduo. O ato jurídico perfeito é aquele ato praticado nos termos da lei e atendendo todos os requisitos estabelecidos na lei. Portanto, em regra, se o ato foi praticado nos termos da lei vigente no momento de sua prática não tem sentido ele ser modificado por lei posterior. No caso da coisa julgada preservam-se todas as decisões judiciais que já estão decididas de forma definitiva (trânsito julgado), não se podendo alterar por lei posterior, exceto nos casos estabelecidos na lei. Assim sendo, a lei deve produzir efeitos do momento em que ela foi editada para a frente. Se ela atinge situações pretéritas, não é possível a violação do direito adquirido, ato jurídico perfeito e coisa julgada, em nome da segurança jurídica.