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Processo Penal I: Princípios e sistemas processuais.

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Resumo Processo Penal I
Principio da presunção da inocência: Trata-se de principio que foi inserido expressamente no ordenamento jurídico brasileiro pela CF/88. Estabeleceu que “toda pessoa acusada de um delito tem direito a que se presuma a sua inocência, enquanto não for legalmente comprovada sua culpa” (art. 8, Item 2), enquanto que a CF dispôs como limite da presunção da não culpabilidade o transito em julgado da sentença penal condenatória.
Principio da imparcialidade do Juiz: É entendida como característica essencial do perfil do Juiz consistente em não poder ter vínculos subjetivos com o processo de modo a lhe tirar o afastamento necessário para conduzi-lo com isenção.
Principio da Igualdade Processual: Consagra o tratamento isonômico das partes no transcorrer processual, em decorrência do próprio art. 5º, caput, da CF. O que deve prevalecer é a chamada igualdade material, leia-se, os desiguais devem ser tratados desigualmente, na medida de suas desigualdades.
Principio do contraditório: Pode ser definido pela expressão latina audiatur et altera pars, que significa “ouça-se também a outra parte”. Consiste no direito do réu a ser ouvido e na proibição de que haja decisão sem que se tenha ouvido os interessados. Por conta desse princípio, no processo cível, a sentença será nula se o demandado não tiver tido oportunidade de contestar a ação e no processo penal, será suspenso até que a defesa seja apresentada. Ainda no processo penal, a condenação com base apenas em prova produzida pela acusação é também nula, motivo pelo qual o juiz não pode condenar com base em prova produzida apenas no inquérito policial.
Principio da ampla defesa: Corresponde ao direito da parte de se utilizar de todos os meios a seu dispor para alcançar seu direito, seja através de provas ou de recursos. Assim, o juiz não pode negar à parte o direito a apresentar determinada prova, exceto se ela for repetitiva, irrelevante ou for utilizada apenas para atrasar o processo.  É um principio protetivo de ambas as partes (autor e réu). É garantia com destinatário certo: o acusado. Trata-se do direito de o cidadão acusado introduzir no processo, diretamente ou mediante atuação do seu procurador, todos os argumentos ou teses definitivas bem como os meios de prova admissíveis e úteis a defesa. A defesa pode ser subdividida em: defesa técnica, que é a defesa efetuada por profissional habilitado; e autodefesa (defesa material ou genérica) que é a defesa realizada pelo próprio imputado.
Principio  iniciativa das partes: De acordo com esse princípio o juiz não pode iniciar o processo sem a provocação da parte, ou seja no processo penal, as partes podem ser tanto o MP (Ministério Público) que promove privativamente a ação penal pública (Art. 129, inc.I, Cf/88), quanto o ofendido, a ação penal privada, inclusive a subsidiária da pública (arts. 29 e 30 do cpp).
Principio da verdade real: Informa que no processo penal deve haver uma busca da verdadeira realidade dos fatos. Diferentemente do que pode acontecer em outros ramos do Direito, nos quais o Estado se satisfaz com os fatos trazidos nos autos pelas partes, no processo penal (que regula o andamento processual do Direito penal, orientado pelo princípio da intervenção mínima, cuidando dos bens jurídicos mais importantes), o Estado não pode se satisfizer com a realidade formal dos fatos, mas deve buscar que o ius puniendi seja concretizado com a maior eficácia possível.
Principio da fundamentação: Assevera que o juiz é livre para decidir, desde que o faça de forma motivada, sob pena de nulidade insanável. o juiz que mencionasse na sentença os fatos e as circunstâncias que motivaram o convencimento bem como os fundamentos de fato e de direito em que se baseou para o julgamento da causa.
Principio da publicidade: A publicidade dos atos processuais, que pode ser definida como a garantia de todo e qualquer cidadão aos atos praticados no curso do processo, é a regra. Todavia, o sigilo é admissível quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem (art. 5, LX). O art. 792, do CPP prevê sigilo se da publicidade do ato puder ocorrer escândalo, inconveniente grave ou perigo de perturbação da ordem (&1º).
Principio do Juiz natural: Trata-se, portanto, de um juiz previamente encarregado, na forma da lei, como competente para o julgamento de determinada lide, o que impede, entre outras coisas, o abuso de poder. Como consequência, não se admite a escolha específica nem a exclusão de um magistrado de determinado caso. 
Com base nesse entendimento, uma vara de família – que, entre outros assuntos, cuida de divórcios e guarda de filhos - não pode analisar uma ação criminal (latrocínio, por exemplo). No caso de haver mais de uma vara ou turma especializadas no mesmo tema, os processos são distribuídos aos magistrados por meio de sorteio, novamente para garantir a imparcialidade das decisões.
Principio do favor rei: O referido princípio baseia-se na predominância do direito de liberdade do acusado quando colocado em confronto com o direito de punir do Estado, ou seja, na dúvida, sempre prevalece o interesse do réu. O mencionado princípio deve orientar, inclusive, as regras de interpretação, de forma que, diante da existência de duas interpretações antagônicas, deve-se escolher aquela que se apresenta mais favorável ao acusado.
sistema inquisitivo: O sistema inquisitivo é caracterizado pela ausência dos princípios do contraditório e da ampla defesa. Neste sistema o juiz concentra todas as funções, ele é investigação, acusação, defesa e julgador.
A principal característica do sistema inquisitivo é o juiz ser o gestor da produção da prova e ser o único sujeito processual, por investigar, defender, acusar e julgar.
O princípio inquisitivo defende a diminuição/atropelo de direitos e garantias individuais em prol de um pretenso interesse coletivo de ver o acusado punido. Defende-se que não devem ser dadas “garantias excessivas”.
O discurso de fundo é o da celeridade, da efetividade e do bem coletivo, colocando o acusado em uma função mais de objeto da investigação do que de sujeito de direitos. Esse discurso parece ignorar que, na grande maioria dos casos, a causa da lentidão e baixa efetividade no judiciário é a desídia do próprio estado e não a valorização dos direitos individuais dos cidadãos.
Sistema Acusatório: As principais características do sistema acusatório são a pluralidade de sujeitos processuais e a gestão da prova fora dos poderes do juiz. Nesse sistema o Juiz faz o único papel de julgar, sendo um ponto imparcial e estático em quanto os outros sujeitos com poderes de investigação, acusação e defesa buscam chegar ao convencimento do julgador. Os princípios do contraditório e da ampla defesa também são a base desse sistema.
 Sistema Misto: É um sistema que se afasta do acusatório puro, pois o juiz tem poderes (inquisitivos) para criação de provas, porém as garantias individuais são respeitadas ao contrário do sistema inquisitivo puro.