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Segurança de medicamentos - Guia Curricular de Segurança do Paciente da OMS

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erro) ou não evitá-
vel (por exemplo, uma reação alérgica inesperada 
em um paciente que toma um medicamento pela 
primeira vez, conforme descrito acima).
Reação adversa à droga
Qualquer resposta a um medicamento que é nociva 
e não intencional. Esta definição da OMS inclui 
lesões que se julgue terem sido causadas pela droga 
e exclui lesões devido a drogas que foram adminis-
tradas por engano.
Erro de medicação
Todo evento evitável que possa causar ou levar 
ao uso de medicação inapropriada ou danos ao 
paciente enquanto a medicação está sob o con-
trole de profissionais de saúde, do paciente ou de 
um consumidor [2]. Esses eventos podem estar 
relacionados a práticas profissionais, produtos de 
cuidados em saúde, procedimentos e sistemas, 
incluindo: receitas; solicitações de pedidos; rotu-
lagem; embalagem e nomenclatura de produtos; 
composição; dispensação; administração; educa-
ção; monitoramento; e uso.
Prescrição/receita
A receita é uma ordem para se tomar certos medi-
camentos. Em muitos países, quem emite receitas 
tem responsabilidade legal pelos cuidados clínicos 
do paciente, assim como a função de monitorar a 
segurança e a eficácia da(s) droga(s).
A receita de um medicamento requer que o pro-
fissional de saúde tome a decisão sobre a droga, 
o regime da droga, a documentação da droga nos 
registros do sistema de saúde e a solicitação. Há 
práticas baseadas em evidências que ajudam os 
profissionais de saúde na preparação de receitas de 
medicamentos para assegurar que a droga correta 
é dada de forma apropriada ao paciente corre-
to. Porém, além disso, os profissionais de saúde 
também são obrigados a levar em consideração os 
valores, preferências e circunstâncias econômicas 
dos pacientes. Em certos contextos, pode também 
haver recursos limitados e restrições no que diz 
respeito ao que pode ou não pode ser fornecido aos 
pacientes.
Sabe-se que erros ocorrem no estágio da pres-
crição e são frequentemente associados à inex-
periência dos profissionais de saúde e à falta de 
conhecimento do medicamento, à falha em seguir 
um protocolo acordado, ou a outros fatores, como 
cansaço e lapsos de memória.
Além das drogas vendidas somente com recei-
ta médica, os consumidores se automedicam e 
tomam medicamentos de venda livre. Às vezes, 
essas drogas podem causar eventos adversos, so-
bretudo quando tomadas com outros medicamen-
tos. Os consumidores devem sempre consultar os 
farmacêuticos quando pretenderem misturar dro-
gas de venda livre com medicamentos receitados.
Erro de medicação
Uma medicação errada pode resultar em:
• um evento adverso, no qual o paciente sofre 
dano;
• um near miss (quase erro), no qual o paciente 
quase sofre dano;
• nenhum dano, nem real nem potencial.
Os erros de medicação são uma causa comum de 
danos evitáveis a pacientes. O IOM calcula que nos 
EUA há um erro de medicação por paciente hospi-
talizado por dia [3], 1,5 milhão de eventos adversos 
provocados por drogas, evitáveis por ano [3], e 7 mil 
mortes por ano por causa de erros de medicação 
em hospitais naquele país [4].
Pesquisadores em outros países do mundo nos 
quais a incidência dos erros de medicação e eventos 
adversos de droga foram investigados apresentam 
estatísticas igualmente preocupantes [5]. Apenas 
15% dos erros de prescrição cometidos afetam os 
pacientes; os outros são descobertos a tempo por 
farmacêuticos e outros profissionais de saúde. Esse 
fato ressalta a importância do trabalho em equi-
pe. Trabalhando juntos, os profissionais de saúde 
podem evitar muitos eventos adversos.
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244OMS  Guia Curricular de Segurança do Paciente: Edição Multiprofissional
Fabricação, distribuição e comercialização
Antes das drogas serem usadas em humanos, elas 
precisam ser testadas para garantir que sejam se-
guras. O desenvolvimento e a fabricação de drogas 
é altamente regulado na maioria dos países.
Etapas do uso da medicação 
Há várias etapas distintas no uso da me-
dicação: prescrição, dispensação, administração e 
monitoramento são as quatro principais. Médicos, 
farmacêuticos, pacientes e outros profissionais de 
saúde desempenham papéis importantes nesse 
processo. Por exemplo, alguns pacientes podem se 
automedicar com medicamentos de venda livre, 
administrar esses medicamentos por conta própria 
e se automonitorarem para ver se houve algum 
efeito terapêutico. Alternativamente, por exemplo, 
no ambiente hospitalar, quando um médico receita 
uma medicação; um farmacêutico, em seguida, 
dispensará a medicação; um enfermeiro adminis-
trará a medicação; e um enfermeiro e um médico 
diferente podem terminar o monitoramento do 
progresso do paciente e tomar decisões sobre o 
atual regime da droga. Em uma prática colaborati-
va, o farmacêutico pode ajustar a dose.
Os componentes principais de cada uma das quatro 
etapas mencionadas acima são descritos abaixo.
Prescrição
O profissional de saúde responsável pela 
prescrição deve escolher a medicação apropriada 
para uma determinada situação clínica, levando em 
consideração fatores individuais do paciente, tais 
como alergias. Quem emite a receita também preci-
sa selecionar a via de administração mais adequada, 
a dose, o horário e o regime. Esse plano deve ser 
comunicado a quem quer que administre a medica-
ção (essa comunicação pode ser escrita, verbal ou 
ambas) e o plano completo deve ser devidamente 
documentado.
Dispensação
Um farmacêutico transcreverá a receita escrita 
pelo profissional de saúde e verificará a transcrição. 
O farmacêutico, em seguida, buscará a medica-
ção, a conferirá com a receita e documentará seu 
trabalho.
Administração
Administrar uma medicação pode incluir a ob-
tenção do medicamento e tê-lo em uma forma de 
pronta utilização. Isto pode implicar em contar, 
calcular, misturar, rotular ou preparar a droga 
de alguma maneira. Qualquer administrador de 
medicação deve sempre verificar a existência de 
alergias e conferir se foi dada a dose correta do 
medicamento correto pela via correta, ao pa-
ciente correto no horário correto. A pessoa que 
administra o medicamento deve documentar o 
que foi feito.
Monitoramento
O monitoramento envolve a observação do pacien-
te para determinar se a medicação está funcionan-
do, se está sendo usada corretamente e se não está 
causando danos. As atividades de monitoramento 
também devem ser documentadas, assim como 
todas as outras etapas do processo de medicação.
Existe um potencial de erro em cada etapa do pro-
cesso. Os erros podem ocorrer de várias maneiras 
em cada etapa.
O uso de medicamentos envolve 
riscos
O uso de medicação envolve certos riscos. 
Diferentes riscos e oportunidades de erro 
estão associados a etapas diferentes no 
processo de medicação.
Prescrição
O conhecimento inadequado sobre as indicações 
da droga, as contraindicações e as interações entre 
drogas podem levar a erros de prescrição. Isso tem 
se tornado um problema crescente, uma vez que 
o número de medicamentos em uso tem aumen-
tado. Não é possível que um profissional de saúde 
sozinho se lembre de todos os detalhes relevantes 
necessários a uma receita segura sem recorrer a 
materiais de referência. Maneiras alternativas de 
acesso a informações sobre as drogas são neces-
sárias. Falhas em levar em consideração fatores físi-
cos, cognitivos, emocionais e sociais que poderiam 
alterar a prescrição, tais como alergias, gravidez, 
comorbidades, conhecimentos de saúde e outros 
medicamentos que o paciente possa estar toman-
do, são outra fonte de erro.
Os erros podem envolver prescrição para pacientes 
errados, prescrição de dosagens erradas, prescri-
ção de drogas erradas, prescrição de via errada 
ou erros no horário de administração da droga. Às 
vezes, esses erros podem ocorrer devido à falta 
de conhecimento, mas, em geral, são resultado de 
um “erro bobo”