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mostraram que somente aparar os pelos reduziu a taxa 
de ISC quando comparado com a remoção com lâminas.21 Muitos outros estudos, tem 
mostrado a superioridade do aparamento sobre a raspagem, quando utilizada a ISC como 
desfecho.22-24 Algumas instituições utilizam agentes depilatórios para a preparação da pele. 
A tricotomia deve ser feita logo antes do procedimento cirúrgico: Não ha evidência na literatura 
atual que determina o tipo e tempo mais apropriado para a remoção de pelos do local 
cirúrgico. Um estudo que investigou os efeitos da remoção de pelos na noite anterior à cirurgia 
comparado com a remoção feita no dia da cirurgia, encontrou que o ato de aparar os pelos na 
manhã do dia cirúrgico esteve associado com menor taxa de ISC.25 Uma outra revisão 
retrospectiva demonstrou que a raspagem imediatamente anterior ao procedimento cirúrgico 
esteve associada com menor taxa de ISC comparada com a raspagem feita 24 ou mais horas 
prévias ao ato cirúrgico. Contudo este estudo não incluiu pacientes nos quais os pelos foram 
somente aparados, e foi delineado para testar o efeito da raspagem versus a remoção por 
depilação.26 O CDC recomenda a não remoção dos pelos pré-operatoriamente, a menos que 
os pelos próximos ou no local cirúrgico irão interferir com o ato operatório. Se a remoção de 
pelos for necessária, ela deverá ser realizada imediatamente antes da cirurgia, 
preferencialmente com barbeadores elétricos.10 Dada a falta de pesquisa específica em 
relação ao ambiente em que a remoção dos pelos deva ser realizada, nós recomendamos que 
ela deve ser feita no hospital, o mais próximo possível do horário da cirurgia pela própria 
equipe cirúrgica ou enfermeiras treinadas. Se possível, sugerimos que a tricotomia seja feita 
fora da sala cirúrgica. 
 
-Questão 4: Que considerações especiais devem ser observadas em pacientes 
portadores de lesões cutâneas? 
Consenso: A artroplastia eletiva NÃO deve ser realizada em pacientes com ulcerações 
cutâneas ativas na vizinhança do sítio cirúrgico. Nosso consenso é que as incisões não devem 
ser feitas através de lesões ativas da pele. Para algumas lesões, tais como eczema e 
psoríase, a cirurgia deve ser retardada até que as lesões cutâneas sejam tratadas. 
Votação dos Delegados: A Favor: 96%, Contra: 2%, Abstenção: 2% (Forte Consenso) 
Justificativas: 
Artroplastia Eletiva em Pacientes com Ulcerações Cutâneas Ativas: A literatura ortopédica é 
deficiente em estudos que avaliam a ISC em pacientes com ulcerações cutâneas ativas. 
Contudo, um estudo prospectivo mostrou que ulcerações ativas da pele é um fator de risco 
 47 
significativo para a infecção da ferida cirúrgica.27 Desta forma, nós recomendamos que a 
artroplastia eletiva não deva ser realizada em pacientes com ulcerações cutâneas ativas que 
interessem o campo cirúrgico (ulcerações ativas são definidas como ruptura da barreira 
cutânea, excluindo-se arranhaduras superficiais). 
Incisões cirúrgicas através de lesões eczematosas ou psoriáticas. Da mesma forma, também 
não existem estudos que avaliem o risco de ISC quando as incisões se situam sobre lesões 
eczematosas e psoriáticas. Alguns estudos retrospectivos relataram altas taxas de ISC e IAP 
em pacientes com diagnóstico de psoríase ou eczema.28,29 Contudo, estudos posteriores não 
avaliaram se o aumento do risco de ISC está ligado à localização da incisão propriamente dita 
ou ao estado de imunossupressão dos pacientes portadores destas afecções. Em função dos 
relatos de resultados inferiores, assim como da carga bacteriana aumentada na pele 
psoriática,30 a realização de incisões cirúrgicas sobre lesões psoriáticas ou eczematosas deve 
ser evitada, se possível. A cirurgia deve ser postergada nestes pacientes, até que estas lesões 
sejam tratadas. 
 
-Questão 5A: Como o cirurgião e a equipe cirúrgica devem lavar as mãos? 
Consenso: O cirurgião e toda a equipe de sala cirúrgica devem lavar mecanicamente as mãos 
com um agente antisséptico por no mínimo 2 minutos para a primeira cirurgia. Um tempo mais 
curto pode ser apropriado para as cirurgias subsequentes. 
Votação dos Delegados: A Favor: 71%, Contra: 24%, Abstenção: 5% (Forte Consenso) 
 
-Questão 5B: Qual agente deve ser utilizado para a lavagem da mão do cirurgião e 
assistentes? 
Consenso: Não existe diferença nítida entre os diversos agentes antissépticos na lavagem das 
mãos. 
Votação dos Delegados: A Favor: 80%, Contra: 15%, Abstenção: 5% (Forte Consenso) 
Justificativas: 
Duração da lavagem das mãos: Uma revisão de literatura realizada por Tanner et al. avaliou 4 
ECRs comparando durações diferentes de antissepsia cutânea da equipe ciruúrgica31-34 Todos 
os estudos utilizaram como desfecho primário as Unidades Formadoras de Colônias (UFC) 
presentes nas mãos da equipe cirúrgica, e não a taxa de ISC. Um estudo não encontrou 
diferença entre lavagens com duração de 2-3 minutos e 1 minuto, realizadas com água e 
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sabão3.4 Outra pesquisa encontrou que a lavagem por 1 minuto seguida por 3 minutos 
esfregando as mãos com álcool foi mais efetiva na redução de UFC quando comparada ao 
esfregar as mãos por 5 minutos.31 Pereira et al. encontraram que a lavagem inicial durante 
ambos, 5 e 3 minutos, com GCE ou PVPI foram igualmente eficientes na redução das 
UFC.32,35 As recomendações atuais sobre a duração da antissepsia das mãos são variáveis. 
O CDC recomenda 2-5 minutos,10 enquanto a Association of Perioperative Registered Nurses 
determina que a lavagem por 3-4 minutos é tão efetiva quanto a lavagem por 5 minutos.36 
Fundamentados na variabilidade existente na literatura atual, nós recomendamos que a 
antissepsia cirúrgica das mãos tenha duração mínima de 2 minutos. Para a primeira cirurgia 
nós recomendamos a lavagem mecânica (com escovas cirúrgicas ou lavagem com agua e 
sabão) por um período mínimo de 2 minutos. Não ha nítidas evidências que suportem a 
utilidade de um método específico de lavagem das mãos para as cirurgias subsequentes. Se 
existir o risco de contaminação, o mesmo processo utilizado para a primeira cirurgia deve ser 
repetido. 
 
Agente mais adequado para lavagem das mãos: Os resultados em relação ao agente mais 
efetivo para a antissepsia das mãos são inconclusivos. Somente um de 10 ECRs avaliados na 
revisão sistemática feita por Tanner et al.33 reportou a ISC como desfecho primário. Um amplo 
estudo cross-over, multicêntrico, de análise de equivalência por agrupamento (equivalence-
cluster), com a ISC como desfecho, demonstrou que o método tradicional de lavagem das 
mãos (por 5 minutos) utilizando agentes aquosos (GCE 4% ou PVPI 4%) foram igualmente 
efetivos na redução da incidência de ISC quando comparado com a lavagem por 1 minuto com 
sabão antisséptico, no início do dia, seguida do método de somente esfregar as mãos com 
álcool. A eficácia do GCE comparado ao PVPI não foi testada diretamente, uma vez que cada 
instituição pôde escolher o agente incluído no protocolo.37 Um estudo observacional, 
retrospectivo, que determinou a infecção da ferida cirúrgica como desfecho primário, não 
detectou diferença entre a lavagem com produto de base alcoolica e a escovação tradicional 
por 6 minutos, contudo os autores não descrevem o protocolo ou o agente utilizado no grupo 
de lavagem tradicional.38 
 
Referências: 
 
1. Webster J, Osborne S. Preoperative bathing or showering with skin antiseptics to 
prevent surgical site infection. Cochrane Database Syst Rev. 2012;9:CD004985. 
 49 
2. Johnson AJ, Daley JA, Zywiel MG, Delanois RE, Mont MA. Preoperative chlorhexidine 
preparation and the incidence of surgical site infections after hip arthroplasty. J Arthroplasty. 
2010;25(6 Suppl):98-102. 
3. Zywiel