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consensos ciiap

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vancomicina no caso de colonização ou infecção prévia por MRSA.208 
Tannenbaum et al. relataram os resultados de 35 SAPT em 19 pacientes transplantados (renal 
ou hepático) e encontraram 5 pacientes com IAP, submetidos à SAPT após o transplante. Não 
foram detectadas infecções em pacientes que realizaram a SAPT antes do transplante. Nesta 
série, os antibióticos profiláticos foram administrados por pelo menos 48 horas, ou até que os 
drenos fossem removidos, e quando utilizado, o cimento ósseo não foi acrescido de 
antibióticos.209 
 
-Questão 21A: Os antibióticos devem ser diferentes para SAPT primária e de Revisão? 
Consenso: Não. A profilaxia antibiótica perioperatória deve ser a mesma para artroplastia 
primária ou revisão não infectada. 
Votação dos Delegados: A Favor: 89%, Contra: 10%, Abstenção: 1% (Forte Consenso) 
 
-Questão 21B: Os antibióticos devem ser diferentes para ATQ e ATJ? 
Consenso: A antibioticoperapia profilática perioperatória deve ser a mesma para quadril e 
Joelho. 
Votação dos Delegados: A Favor: 99%, Contra: 1%, Abstenção: 0% (Forte Consenso) 
Justificativas: Pacientes submetidos à revisão de artroplastia apresentam maior risco de 
desenvolver IAP do que pacientes submetidos à artroplastia primária, e os pacientes 
 98 
submetidos aos procedimentos de revisão de joelho ainda em maior risco.210-212 Um estudo 
recente demonstrou a efetividade de programas de prevenção de infecção em pacientes 
cirúrgicos de alto risco, que levam em conta a epidemiologia e antibiograma locais de uma 
instituição. 213 
 Liu et al. determinaram o impacto da adição de vancomicina à cefazolina como profilaxia 
antimicrobiana em 414 pacientes submetidos à revisão de ATJ, fundamentados no aumento 
marcante da IAP em revisão de ATJ, nas quais muitas são resistentes à meticilina. Após a 
introdução da vancomicina ao programa de profilaxia antibiótica de rotina pré-operatória, a 
taxa de infecção reduziu de 7,89% para 3,13% (p=0.046). Particularmente, a redução 
significativa na taxa de IAP por organismos resistentes à meticilina, no período de estudo,foi 
observada (de 4.2% para 0.9%, p=0.049).213 
 
-Questão 22: Qual a melhor opção de antibiótico profilático em pacientes colonizados 
por enterobactérias resistentes ao carbapenem ou Acinetobacter sp multirresistente? 
Consenso: As informações atuais são insuficientes para recomendar uma profilaxia antibiótica 
expandida em pacientes sabidamente colonizados ou infectados por patógenos 
multirresistentes. 
Votação dos Delegados: A Favor: 76%, Contra: 8%, Abstenção: 16% (Forte Consenso) 
Justificativas: Há uma preocupação crescente sobre a ameaça representada mundialmente, 
por cepas de K. pneumoniae com sensibilidade reduzida aos carbapenens.214 Esta resistência 
é conferida por K. pneumo carbapenemase (KPC), que é uma β-lactamase a qual confere 
também resistência às cefalosporinas de amplo espectro, assim como às combinações de 
inibidores β-lactâmicos/β-lactamase, disponíveis comercialmente.215 Uma vez que existem 
poucas opções de antimicrobianos, a prevenção de K. pneumo carbapenemase K. 
pneumoniae (KPC-KP) tornou-se uma das principais prioridades dos que estudam infecções 
nosocomiais. 216 
 Ainda não há atualmente nenhuma evidência sobre o manejo da profilaxia 
antimicrobiana cirúrgica em um paciente com infecção prévia ou colonização por patógenos 
Gram- resistentes. Porém, se por um lado, parece lógico realizar a profilaxia com um agente 
ativo contra MRSA para qualquer paciente sabidamente colonizado por este patógeno Gram+ 
submetido à uma incisão na pele, especificamente para um patógeno gram-negativo 
resistente, a profilaxia em um paciente com infecção prévia ou colonização por esse patógeno, 
pode não ser necessária para um procedimento puramente cutâneo . 
 99 
 Em uma revisão da literatura, os micróbios produtores de KPC são resistentes a muitas 
moléculas não-β-lactâmicas. A maioria das cepas são resistentes às fluoroquinolonas, 
aminoglicosídeos, e cotrimoxazol. Algumas cepas são sensíveis à amicacina e gentamicina e 
a maioria são sensíveis à colistina e tigeciclina. 214, 217-219 
 Em um ECR cross-over, multicêntrico, de Smet et al. estudaram a descolonização em 
pacientes portadores de organismos multirresistentes, através da descontaminação 
orofaríngea seletiva e/ou do trato digestivo (SOD / SDD), utilizando a randomização por grupos 
(cluster) de 5.939 pacientes de unidades de terapia intensiva na Holanda. SOD incluiu 4 dias 
de cefotaxima intravenoso e aplicação tópica de tobramicina, colistina, e anfotericina B na 
orofaringe e estômago. SDD consistiu somente da aplicação orofaríngea dos mesmos agentes 
antimicrobianos. Usando uma análise de regressão logística de efeitos aleatórios, a razão de 
chances (OR) para a morte no 28o dia nos grupos SOD e SDD, em comparação com o grupo 
de tratamento padrão, foi de 0,86 (CI 95%,0,74-0,99) e 0,83 (CI 95% 0,72-0,97) 
respectivamente.220 
 Perez et al. utilizaram um modelo experimental em ratos para examinar o efeito do 
tratamento com antibióticos na criação e eliminação de colonização intestinal por KPC-KP. 
Eles administraram 3 dias de antibióticos (clindamicina, Zosyn, a tigeciclina, ertapenem, 
cefepima, e ciprofloxacina) prévios à administração orogástrica de KPC-KP. Os autores 
relataram que, dos quatro antibióticos com atividade mínima contra a cepa KPC-KP (CIM> 
16mcg/mL), aqueles que suprimiram anaeróbios e Bacteroides (isto é, a clindamicina e Zosyn) 
promoveram a colonização por KPC-KP (p <0,001), enquanto que os agentes que não 
suprimiram anaeróbios e Bacteroides (isto é, a ciprofloxacina e cefepima) não promoveram a 
colonização (p = 0,35). Entre os antibióticos com atividade moderada contra KPC-KP, o 
ertapenem (CIM 4mcg/mL) não promoveu a colonização por KPC-KP, enquanto que a 
tigeciclina (CIM 3mcg/mL) promoveu a colonização (p <0,001), apesar de não reduzir os níveis 
de anaeróbios e Bacteroides totais. A administração orogástrica de gentamicina e polimixina 
E- suprimiram KPC-KP para níveis indetectáveis na maioria dos ratos. Os autores propuseram 
que os antibióticos que perturbam a microflora intestinal anaeróbia carecem de atividade 
significativa contra a KPC-KP, e promovem a colonização, enquanto a administração de 
antibióticos não absorvidos por via oral, pode ser uma estratégia eficaz para suprimir a 
colonização por este microorganismo.221 
 
Referências: 
 100 
 
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