MÓDULO 1   CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS
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MÓDULO 1 CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS


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16/11/2018 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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DIREITOS HUMANOS E DIREITOS FUNDAMENTAIS
O Direito, de acordo com o conhecimento popular, é "lei", "ordem" e "regra". É o complexo de regras existentes em
uma Sociedade. São regras obrigatórias porque feitas pela maioria e impõem limites ao comportamento de todos,
limites de ação aos membros da Sociedade (Miguel Reale, "Lições Preliminares de Direito", Saraiva). O Direito
propicia a convivência em harmonia, uma vez que a busca do Direito e da Sociedade é a paz social e o bem comum.
Toda Sociedade, para sobreviver, necessita de um mínimo de ordem, que é o Direito, e necessita, também, de uma
finalidade, que é o bem comum. O Direito, pois, é criação do homem. É um fato social. É uma inclinação moral
externa, isto é, é um pensamento inicialmente moral e interno e que, ao depois, escapa para o mundo dos fatos e se
transforma em regra de conduta externa. A conduta moral, psicológica ou religiosa, estas são meramente internas. Mas
o Direito é uma inclinação moral externa.
Sempre houve o Direito nas Sociedades, de uma forma mais ou menos rudimentar ("ubi societas ibi jus" - onde há
Sociedade há o Direito). O Direito antigo era rudimentar, baseado nos fatos e em punições violentas (lei de talião -
"olho por olho, dente por dente" - o vocábulo "talião" advém da expressão "tal e qual", ou seja, a punição, segundo os
costumes da Sociedade antiga, era proporcional ao dano causado). Hoje, evoluímos dos fatos violentos e punições
bárbaras para o plano das ideias. O Direito saiu do mundo dos fatos para o plano das ideias e dos pensadores,
transformando-se em verdadeira "Ciência". A diferença de "Ciência" para a mera observação ou atitudes empíricas
e/ou bárbaras é justamente a sistematização - a Ciência é um processo de observação e conclusão sistematizadas e com
profundidade. Do plano das ideias surgem as regras.
O Direito que está "posto", publicado no Diário Oficial, em Códigos ou leis, é o chamado Direito Positivado, ou
Direito Positivo, ou simplesmente Direito Objetivo. Já o que nos interessa mais de perto é o Direito Subjetivo, que é o
Direito dos indivíduos de fazer ou não fazer algo, de exigir ou não exigir alguma coisa. O Direito Subjetivo, como os
Direitos Humanos e os Direitos Fundamentais, é a faculdade do indivíduo de agir de tal e qual maneira (Direito de
Petição, Direito à Honra, Direito à Vida, Direito de Ir e Vir e assim por diante). O Direito Subjetivo é, pois, a faculdade
de agir, a faculdade de atuar. Pode-se dizer que o Direito Subjetivo é uma prerrogativa conferida pelo Direito Objetivo.
Os Direitos Humanos existem desde a percepção do homem de que a raça humana deveria ser protegida. A corrente
predominante é a Naturalista, em função da qual os Direitos Humanos, ou simplesmente Direitos do Homem, sempre
existiram e são decorrentes tão-só da existência, da vida, porque o homem quer preservá-la e propagar a dignidade da
pessoa humana (aliás, a dignidade da pessoa humana é princípio fundamental em nossa Constituição, no art. 1º, inc.
III). Para os naturalistas, a integridade do homem, independentemente de sua origem, raça, etnia, gênero, preferência
sexual, idade, condição econômica e social, credo religioso ou condição política, deve ser a todo custo preservada e
sempre foi um movimento natural do homem, de seu pensamento e de seu agir. Alguns naturalistas chegam mesmo a
afirmar que os Direitos Humanos provêm de Deus.
Qual a diferença entre "Direitos Humanos" (ou simplesmente Direitos do Homem) e "Direitos Fundamentais"?
A diferença é simples: os Direitos Fundamentais são os Direitos Humanos positivados (postos, colocados) num texto
constitucional (ou em Códigos e leis infraconstitucionais). No fundo, constituem a mesma coisa. A única diferença é
que, quando transformam-se em Direitos Objetivos (positivados) e Subjetivos num determinado país, passam a
denominar-se Direitos Fundamentais.
Nossos Direitos Fundamentais estão nos artigos 5º a 17 da Constituição Brasileira (Título II).
Os Direitos Fundamentais (ou Direitos Humanos) traduzem a concepção de dignidade da pessoa humana. Os Direitos
Fundamentais legitimam o sistema jurídico. Os Direitos Fundamentais impõem freios à ação arbitrária do Estado.
Alexandre de Moraes ("Direitos Humanos Fundamentais" - Editora Atlas) conceitua Direitos Fundamentais como:
"conjunto institucionalizado de direitos e garantias do ser humano que tem por finalidade básica o respeito à sua
dignidade, por meio de proteção contra o arbítrio do poder estatal e o estabelecimento de condições mínimas de vida e
desenvolvimento da personalidade humana".
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Os Direitos Humanos ou Direitos Fundamentais têm, pois, dupla faceta: negativa e positiva. A negativa é em relação
ao Estado. Para o Estado, os Direitos Fundamentais funcionam como um freio, um limite, isto é, uma barreira a ações
arbitrárias que visem a interferir na liberdade do indivíduo. São normas de competência negativa estatal, para evitar
ingerências na esfera jurídica individual. A faceta positiva diz respeito ao indivíduo: este pode agir e exigir seus
direitos e até mesmo prestações por parte do Estado. É a faceta positiva, porque o indivíduo pode tomar uma atitude
positiva, isto é, tem a faculdade de agir, tem direitos e tem faculdades jurídicas.
A VIDA, A LIBERDADE E A DIGNIDADE SÃO OS PILARES DOS DIREITOS HUMANOS.
Os Direitos Humanos são cláusulas superiores e extremas em uma Sociedade. Daí que sua maioria é imodificável, quer
por Emenda à Constituição, quer por leis ou outros veículos infraconstitucionais. Os Direitos Fundamentais que estão
no art. 5º, CF, por exemplo, são cláusulas pétreas. Para os naturalistas, como visto acima, os Direito Humanos surgiram
antes do Estado, como direitos inerentes à pessoa humana desde a concepção da vida.
Para os Positivistas, entretanto, não existem Direitos Humanos ou Fundamentais enquanto não positivados numa
Constituição ou num texto jurídico de um país. Para estes, os Direitos Humanos só seriam tais quando reconhecidos
pelo Estado, ou seja, após a positivação (é o caso da doutrina alemã). Alguns naturalistas acreditavam mesmo que os
Direitos Humanos promanavam diretamente de Deus. Há uma corrente intermediária, entre os naturalistas e os
positivistas, que preconizavam que os Direitos Humanos foram surgindo apenas com o tempo, com o desenvolvimento
do homem e das Sociedades. É a corrente dos Culturalistas. Sobre o assunto, remetemos você, caro(a) aluno(a), à
bibliografia complementar indicada no Módulo Zero - "Direitos Humanos e Cidadania", Paulo Hamilton Siqueira Jr.,
Editora RT.
Acrescentamos que os Direitos Humanos são universais - válidos para todos os povos. São cláusulas mínimas para
todos os povos do planta. Os Direitos Fundamentais, que são aqueles positivados numa Constituição ou normas
infraconstitucionais, são os direitos básicos para que se viva com dignidade em determinado Estado. São essenciais
(daí a palavra "fundamental") para que o homem viva com dignidade em sua Sociedade. Não confundir os Direitos
Fundamentais com Direitos Civis, que têm um âmbito de proteção menor, como os direitos decorrentes de relações
entre as pessoas em Sociedade, e os Direitos Políticos, que também têm um âmbito menor de atuação - são apenas os
direitos inerentes à participação do cidadão na vida política do Estado (escolha de governantes, voto, plebiscito,
referendo e iniciativa popular de leis - art. 14 e 61, par. 2º da CF). Nem devem ser confundidos os Direitos
Fundamentais com os Direitos de Personalidade. Estes estão dentro dos Direitos Fundamentais. Portanto, nem todos os
Direitos Fundamentais são Direitos de Personalidade. Os Direitos de Personalidade